{"id":280965654,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/7589-homilia-do-papa-francisco-no-dia-mundial-do-migrante-e-refugiado"},"modified":"2025-11-07T16:34:14","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:14","slug":"homilia-do-papa-francisco-no-dia-mundial-do-migrante-e-refugiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-no-dia-mundial-do-migrante-e-refugiado\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco no Dia Mundial do Migrante e Refugiado"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/cq5dam_180115102913.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco no DIa Mundial do Migrante e do Refugiado.<\/p>\n<p>Este ano desejei celebrar o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado com uma Missa a que foram convidados em particular v\u00f3s, migrantes, refugiados e requerentes de asilo. Alguns de v\u00f3s chegaram h\u00e1 pouco a It\u00e1lia, outros s\u00e3o residentes desde h\u00e1 muitos anos e aqui trabalham, e ainda outros constituem as assim chamadas \u201csegundas gera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Para todos ressoou nesta assembleia a Palavra de Deus, que hoje nos convida a aprofundar a especial chamada que o Senhor dirige a cada um de n\u00f3s. Ele, como fez com Samuel (cf.\u00a0<em>1 Sam<\/em>\u00a03, 3b-10.19), chama-nos pelo nome\u00a0<span style=\"font-family: 'Times New Roman'\">?<\/span>\u00a0a cada um de n\u00f3s\u00a0<span style=\"font-family: 'Times New Roman'\">?<\/span>\u00a0e pede-nos que respeitemos o facto de termos sido criados como seres \u00fanicos e irrepet\u00edveis, todos diferentes entre n\u00f3s e com um papel singular na hist\u00f3ria do mundo. No Evangelho (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a01, 35-42), os dois disc\u00edpulos de Jo\u00e3o perguntam a Jesus: \u00abOnde moras?\u00bb (v. 38), deixando a entender que da resposta a esta pergunta depende o seu ju\u00edzo acerca do mestre de Nazar\u00e9. A resposta de Jesus \u00e9 clara: \u00ab<em>Vinde ver!<\/em>\u00bb (v. 39) abre a um encontro pessoal, que inclui um tempo adequado para\u00a0<em>acolher, conhecer e reconhecer<\/em>\u00a0o outro.<\/p>\n<p>Na\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/migration\/documents\/papa-francesco_20170815_world-migrants-day-2018.html\">mensagem para o Dia de hoje<\/a>, escrevi: \u00abCada forasteiro que bate \u00e0 nossa porta \u00e9 ocasi\u00e3o de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada \u00e9poca (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 35.43)\u00bb. E, para o forasteiro, o refugiado, o deslocado e o requerente de asilo, cada porta da nova terra \u00e9 tamb\u00e9m uma ocasi\u00e3o de encontro com Jesus. O seu convite \u00abVinde ver!\u00bb \u00e9 hoje dirigido a todos n\u00f3s, comunidades locais e rec\u00e9m-chegados. \u00c9 um convite a superar os nossos medos para poder ir ao encontro do outro, para o acolher, conhecer e reconhecer. \u00c9 um convite que oferece a oportunidade de se fazer pr\u00f3ximo do outro para ver onde e como vive. No mundo de hoje, para os rec\u00e9m-chegados, acolher, conhecer e reconhecer significa conhecer e respeitar as leis, a cultura e as tradi\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses em que s\u00e3o acolhidos. Significa ainda compreender os seus receios e apreens\u00f5es para o futuro. E para as comunidades locais, acolher, conhecer e reconhecer significa abrir-se \u00e0 riqueza da diversidade sem preconceitos, compreender as potencialidades e as esperan\u00e7as dos rec\u00e9m-chegados, bem como a sua vulnerabilidade e os seus temores.<\/p>\n<p>O encontro aut\u00eantico com o outro n\u00e3o termina no acolhimento, mas compromete-nos a todos nas outras tr\u00eas a\u00e7\u00f5es que evidenciei na\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/migration\/documents\/papa-francesco_20170815_world-migrants-day-2018.html\">Mensagem para este Dia<\/a>:\u00a0<em>proteger, promover\u00a0<\/em>e\u00a0<em>integrar<\/em>. E, no encontro aut\u00eantico com o pr\u00f3ximo, seremos capazes de reconhecer Jesus Cristo que pede para ser acolhido, protegido, promovido e integrado? Como nos ensina a par\u00e1bola evang\u00e9lica do ju\u00edzo universal: o Senhor tinha fome, sede, estava nu, doente, era estrangeiro e estava na pris\u00e3o, e foi socorrido por alguns, mas n\u00e3o por outros (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 31-46). Este encontro aut\u00eantico com Cristo \u00e9 fonte de salva\u00e7\u00e3o, uma salva\u00e7\u00e3o que deve ser anunciada e levada a todos, como nos mostra o ap\u00f3stolo Andr\u00e9. Depois de ter revelado a seu irm\u00e3o Sim\u00e3o: \u00abEncontr\u00e1mos o Messias\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a01, 41), Andr\u00e9 condu-lo a Jesus para que fa\u00e7a a mesma experi\u00eancia do encontro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil entrar numa cultura alheia, p\u00f4r-se no lugar de pessoas t\u00e3o diferentes de n\u00f3s, compreender os seus pensamentos e experi\u00eancias. E assim renunciamos com frequ\u00eancia ao encontro com o outro e erguemos muros para nos defendermos. As comunidades locais, por vezes, t\u00eam medo que os rec\u00e9m-chegados perturbem a ordem constitu\u00edda, \u201croubem\u201d alguma coisa daquilo que se construiu com tanto esfor\u00e7o. Os rec\u00e9m-chegados tamb\u00e9m t\u00eam medos: receiam o confronto, o ju\u00edzo, a discrimina\u00e7\u00e3o, o fracasso. Estes medos s\u00e3o leg\u00edtimos, fundados em d\u00favidas plenamente compreens\u00edveis de um ponto de vista humano. Ter d\u00favidas e receios n\u00e3o \u00e9 um pecado. O pecado \u00e9 deixar que estes medos determinem as nossas respostas, condicionem as nossas escolhas, comprometam o respeito e a generosidade, alimentem o \u00f3dio e a recusa. O pecado \u00e9 renunciar ao encontro com o outro, ao encontro com o diverso, ao encontro com o pr\u00f3ximo, que de facto \u00e9 uma ocasi\u00e3o privilegiada de encontro com o Senhor.<\/p>\n<p>Deste encontro com Jesus presente no pobre, em quem \u00e9 recusado, no refugiado, no requerente de asilo, brota a nossa ora\u00e7\u00e3o de hoje. \u00c9 uma ora\u00e7\u00e3o rec\u00edproca: migrantes e refugiados oram pelas comunidades locais, e as comunidades locais oram pelos rec\u00e9m-chegados e pelos migrantes de mais longa perman\u00eancia. \u00c0 materna intercess\u00e3o de Maria Sant\u00edssima confiamos as esperan\u00e7as de todos os migrantes e refugiados do mundo e as aspira\u00e7\u00f5es das comunidades que os acolhem, para que, em conformidade com o supremo mandamento divino da caridade e do amor ao pr\u00f3ximo, aprendamos todos a amar o outro, o estrangeiro, como nos amamos a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Imagem: Vatican.va<\/p>\n<p><span>\u00a0<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco no DIa Mundial do Migrante e do Refugiado. 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