{"id":2870965487,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12978-domingo-iv-da-pascoa-bom-pastor"},"modified":"2025-11-07T16:34:00","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:00","slug":"domingo-iv-da-pascoa-bom-pastor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iv-da-pascoa-bom-pastor\/","title":{"rendered":"Domingo IV da P\u00e1scoa: \u00abBom Pastor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">At 4,8-12; Sl 118; 1 Jo 3,1-2; Jo 10,11-18<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Domingo IV da P\u00e1scoa. Domingo do Bom, Belo, Perfeito e Verdadeiro Pastor. \u00c9 este o significado largo do adjetivo grego\u00a0<em>kal\u00f3s<\/em>\u00a0e do hebraico\u00a0<em>th\u00f4b<\/em>, que qualifica o nome Pastor. Por isso, hoje \u00e9 tamb\u00e9m o Dia do Bom e Belo Pastor, e Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o sempre um dom do amor de Deus \u00e0 sua Igreja e ao mundo. \u00c9 poss\u00edvel que este discurso sobre o pastor que cuida das suas ovelhas provoque nos tempos de hoje um certo fastio. Quem \u00e9 que hoje gostaria de ser considerado uma ovelha mimada e pertencer a um rebanho? Que necessidade temos de um pastor que cuide de n\u00f3s e nos guie? Sentimos orgulho em sermos n\u00f3s a encontrar o nosso caminho e a tratar da nossa vida. E somos levados a pensar que o pastor interdita a nossa autonomia, reduz a nossa independ\u00eancia e p\u00f5e em causa a nossa liberdade, enchendo-nos de cautelas e proibi\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho que marca o ritmo deste Dia Grande \u00e9 Jo\u00e3o 10,11-18, que surge enquadrado na Festa judaica anual da Dedica\u00e7\u00e3o do Templo (cf. Jo\u00e3o 10,22). Situemo-nos. O sel\u00eaucida Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio tinha profanado o Templo de Jerusal\u00e9m, introduzindo l\u00e1 cultos pag\u00e3os. Isto aconteceu no ano 167 a.C. Contra esta heleniza\u00e7\u00e3o e paganiza\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo lutaram os Macabeus, e, no ano 164 a.C., Judas Macabeu procedeu \u00e0 Purifica\u00e7\u00e3o do Templo e \u00e0 sua Dedica\u00e7\u00e3o ao Deus Vivo. \u00c9 este importante acontecimento que deve ser celebrado todos os anos, durante oito dias, com a Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, a partir do dia 25 do m\u00eas de Kisleu, que, no ano em curso de 2024, corresponde ao nosso dia 25 de dezembro (desde o p\u00f4r-do-sol de 25 de dezembro at\u00e9 ao anoitecer de 2 de janeiro de 2025).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. A Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, em hebraico\u00a0<em>han\u00fbkkah<\/em>, celebra-se durante oito dias, e tem como s\u00edmbolo o candelabro de oito bra\u00e7os. Relata o Talmude que, quando os judeus fi\u00e9is entraram no Templo profanado pelos pag\u00e3os helenistas, encontraram uma \u00fanica \u00e2mbula de azeite puro (<em>kasher<\/em>) de oliveira para reacender o candelabro de sete bra\u00e7os, em hebraico\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>, que \u00e9 um dos s\u00edmbolos de Israel, e que deve arder em perman\u00eancia, noite e dia, diante do Deus Vivo presente no Santo dos Santos. Todavia, nos c\u00e1lculos habituais, uma \u00e2mbula de azeite duraria apenas um dia, e eram precisos oito dias para preparar novo azeite puro. Pois bem, o azeite daquela \u00fanica \u00e2mbula durou milagrosamente oito dias! Da\u00ed que, na Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, se acenda um candelabro de oito bra\u00e7os, chamado\u00a0<em>han\u00fbkkiyyah<\/em>. Mas acende-se apenas uma luz por dia, depois do p\u00f4r-do-sol, aumentando progressivamente at\u00e9 estarem acesas as oito luzes. Al\u00e9m disso, e ao contr\u00e1rio das luzes da\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>\u00a0e do S\u00e1bado, que alumiam o interior do Santu\u00e1rio e da casa de fam\u00edlia respetivamente, as Luzes do candelabro da Dedica\u00e7\u00e3o, refere o ritual, devem ser vistas c\u00e1 fora: devem alumiar o ambiente social, pol\u00edtico, comercial e cultural. E tamb\u00e9m, de forma diferente das luzes da\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>\u00a0e do S\u00e1bado, n\u00e3o se acendem todas de uma vez, mas progressivamente, uma por dia, porque, quando as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o adversas (paganismo helenista, paganismos modernos, escuro), n\u00e3o basta acender uma luz e mant\u00ea-la. \u00c9 preciso aumentar constantemente a luz. Mais luz. Mais luz. Mais luz.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Como este simbolismo \u00e9 importante para os dias de hoje e para o tempo que atravessamos! Est\u00e1 escuro c\u00e1 dentro e l\u00e1 fora, o mundo parece desconstruir-se, o paganismo \u00e9 galopante! Mais do que nunca, \u00e9 preciso, portanto, n\u00e3o apenas manter a luz, mas aument\u00e1-la progressivamente. E est\u00e1 em maravilhosa sintonia com a Luz Grande que deve alumiar este Domingo do Bom e Belo Pastor, que \u00e9 Jesus, verdadeira Luz do mundo, Dom do Amor de Deus ao nosso cora\u00e7\u00e3o. Atear esta Luz de Jesus no nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre o segredo maior do Dia do Bom Pastor e do Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O resto \u00e9 a for\u00e7a e a beleza da imagem do Bom Pastor, que d\u00e1 a Vida Eterna \u00e0s suas ovelhas, que as segura pela m\u00e3o, que as conhece, que as ama, enquanto elas escutam a voz do Bom Pastor e o seguem. Maravilhosa Comunh\u00e3o. M\u00fasica encantat\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A figura do Pastor Bom e Belo como que salta da p\u00e1gina selada, para surgir em pessoa \u00e0 nossa frente. Ao dizer \u00abEu sou\u00bb, est\u00e1 tamb\u00e9m, ao mesmo tempo, a dizer \u00abv\u00f3s sois\u00bb. Est\u00e1, portanto, a estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o pessoal de proximidade, confian\u00e7a e intimidade connosco, bem expressa, de resto, nas articula\u00e7\u00f5es verbais \u00abchamar pelo nome\u00bb, \u00abconhecer\u00bb, \u00abouvir a voz\u00bb, \u00abdar a vida\u00bb. Note-se que, no mundo b\u00edblico, o \u00abconhecimento\u00bb n\u00e3o exprime teoria ou teorias, mas \u00e9 a express\u00e3o viva, quase corp\u00f3rea, do contacto pessoal e do di\u00e1logo amoroso. O bocadinho da Primeira Carta de S. Jo\u00e3o, hoje lido (3,1-2), mostra tamb\u00e9m a maravilha deste conhecimento novo, que faz de n\u00f3s \u00abfilhos de Deus\u00bb (<em>t\u00e9kna Theo\u00fb<\/em>) e \u00absemelhantes a Ele\u00bb (<em>h\u00f3moioi aut\u00f4<\/em>). Em boa verdade, \u00abs\u00f3 o semelhante conhece o semelhante\u00bb. Por isso e para isso, Deus se fez primeiro semelhante a n\u00f3s, homem verdadeiro, para nos tornar depois semelhantes a Ele, \u00abdeuses por gra\u00e7a\u00bb (cf. Jo\u00e3o 10,34-35). Por isso tamb\u00e9m, Jesus, o Filho, nos d\u00e1 a conhecer tudo o que ouviu do Pai (Jo\u00e3o 15,15), o divino col\u00f3quio. E se, na inteira hist\u00f3ria humana, se pode afirmar, como faz a Escritura Santa, que \u00abnunca ningu\u00e9m viu Deus\u00bb (Jo\u00e3o 1,18; cf. 6,46), essa vis\u00e3o, em vers\u00e3o transformante, fica, todavia, em aberto, para o cume da nossa vida de filhos de Deus, como diz o Ap\u00f3stolo, hoje: \u00absemelhantes a Ele seremos, porque o veremos como Ele \u00e9\u00bb (1 Jo\u00e3o 3,2).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Mas esta vida livre, verdadeira, plena e bela, assente na verdade e na confian\u00e7a, sem mentiras nem imposturas nem malabarismos, deixa ver em expresso contraponto o seu oposto. \u00c9 que, al\u00e9m do Bom Pastor, tamb\u00e9m saltam da p\u00e1gina os ladr\u00f5es, os salteadores, os mercen\u00e1rios que, em vez de conjugarem os verbos acima indicados para traduzir a rela\u00e7\u00e3o do Pastor Bom e Belo com o seu rebanho, conjugam antes os verbos \u00abroubar\u00bb, \u00abmatar\u00bb, \u00abdestruir\u00bb, \u00ababandonar\u00bb, \u00abfugir\u00bb. Como esta p\u00e1gina antiga e sempre nova de Jo\u00e3o 10,11-18 l\u00ea e desvenda os tempos de hoje! Pedro j\u00e1 tinha montado este cen\u00e1rio no Sin\u00e9drio (Atos 4,8-12), apresentando outra vez aos chefes do povo e anci\u00e3os (Atos 4,8), membros do Sin\u00e9drio, este Jesus, que v\u00f3s crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos (Atos 4,10), como o \u00fanico em que h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o (Atos 4,12). Ele \u00e9 o Bom e Belo Pastor, dador de vida, face ao qual os membros do Sin\u00e9drio fazem claramente a figura de mercen\u00e1rios, impostores e ladr\u00f5es! Mas esta hist\u00f3ria seriada vem j\u00e1 da primeira p\u00e1gina do G\u00e9nesis, desde aquele\u00a0<em>fruto<\/em>\u00a0a n\u00f3s dado (G\u00e9nesis 1,29), ou por n\u00f3s\u00a0<em>furtado<\/em>\u00a0(cf. G\u00e9nesis 3,6) \u2013\u00a0<em>fruto<\/em>\u00a0de um\u00a0<em>furto<\/em>! \u2013, hist\u00f3ria que emerge novamente nas \u00faltimas p\u00e1ginas de Mateus, que nos mostram ainda melhor o verdadeiro\u00a0<em>fruto<\/em>\u00a0a n\u00f3s dado na Eucaristia (Mateus 26,26-29) e no Ressuscitado,\u00a0<em>Fruto<\/em>\u00a0novo que deve ser dado a toda a gente (Mateus 28,1-10.16-20), vendo-se, todavia, j\u00e1 no escuro, em contraluz, os impostores que congeminam e propagam, para tentar anular a for\u00e7a daquele\u00a0<em>Fruto<\/em>, a lenda de um\u00a0<em>furto<\/em>\u00a0(Mateus 27,62-66; 28,11-15). Leitura admir\u00e1vel, mas tamb\u00e9m implac\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Mas o texto grandioso de Jo\u00e3o 10,11-18 passa tamb\u00e9m mensagens intemporais que, em cada tempo e lugar, devem interpelar a comunidade crist\u00e3. Assim, quando Jesus diz: \u00abEu sou a porta\u00bb, n\u00e3o est\u00e1 a usar uma linguagem da ordem da arquitetura e da carpintaria. \u00c9 de uma porta pessoal que se trata. E esta porta pessoal tem um nome e um rosto: Jesus de Nazar\u00e9, Jesus de Deus. E esta porta serve para \u00abentrar e sair\u00bb. \u00abEntrar e sair\u00bb \u00e9 um merisma [= figura liter\u00e1ria que diz o todo acostando as duas extremidades] que traduz a nossa vida toda. \u00c9 a nossa vida toda sempre em refer\u00eancia a Jesus Cristo. Entende-se, n\u00e3o com a atual cria\u00e7\u00e3o industrial de gado, em que os animais est\u00e3o quase sempre em clausura e o pasto lhes \u00e9 fornecido em manjedouras apropriadas, visando sempre uma maior produtividade, mas com os \u00abapriscos\u00bb [= mais abrir do que fechar, como indica o \u00e9timo latino \u00ab<em>aprire<\/em>\u00bb] antigos, em que os animais se recolhiam apenas para se protegerem do frio da noite e dos assaltos das feras ou dos ladr\u00f5es, e procuravam fora o seu alimento, sempre conduzidos pelo pastor.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Note-se ainda que os Evangelhos falam sempre de rebanho, e n\u00e3o de ovelhas separadas. Quando falam de uma ovelha sozinha, \u00e9 para descrever a situa\u00e7\u00e3o negativa de uma ovelha desgarrada ou perdida, que se perdeu do rebanho ou da comunidade, e deixou de seguir o pastor e de ouvir a sua voz. Note-se tamb\u00e9m que as ovelhas \u00abentram pela porta\u00bb, mas n\u00e3o \u00e9 para ficarem descansadas e recolhidas, fechadas sobre si mesmas. \u00c9 para sair, pois \u00e9 fora que encontrar\u00e3o pastagem. Li\u00e7\u00e3o para a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus de hoje e de sempre: o trabalho belo e o alimento bom que nos alimenta e nos mant\u00e9m saud\u00e1veis espera-nos l\u00e1 fora! Que Deus nos d\u00ea ent\u00e3o sempre um grande apetite!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Cantemos por isso o Salmo 118, que \u00e9 o \u00faltimo canto do chamado \u00abPequeno Hallel da P\u00e1scoa\u00bb (113-118), mas que era seguramente cantado noutras festividades de Israel, nomeadamente na Festa das Tendas, tendo em conta o seu teor processional, e at\u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o por coros. Este Salmo levanta-se do meio da alegria pr\u00f3pria da Festa (\u00abEste \u00e9 o dia que o Senhor fez,\/ nele nos alegremos e exultemos!\u00bb: v. 24) e eleva ao Deus sempre fiel uma grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as por todas as maravilhas que Ele tem realizado em favor do seu povo. Sim, toda a nossa energia e toda a alegria que nos habita \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor, conforme o bel\u00edssimo v. 14: \u00abMinha for\u00e7a e meu canto YAH!\u00bb, que soa assim em hebraico:\u00a0<em>\u2018azz\u00ee w<sup>e<\/sup>zimrat YAH<\/em>. Al\u00e9m do nosso Salmo, a express\u00e3o densa e impressiva encontra-se ainda em \u00caxodo 15,2 e Isa\u00edas 12,2. YAH est\u00e1 por YHWH. O refr\u00e3o que vamos cantar faz-nos olhar para Jesus, pedra rejeitada pelos construtores, que veio a tornar-se, na verdade, pedra angular na constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio espiritual, novo, que se constr\u00f3i a partir do cume, e n\u00e3o \u00e0 nossa maneira, desde baixo, sobre pesados alicerces. Ele \u00e9 o nosso \u00fanico Salvador. Por isso, este grande Salmo transborda de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Concede-nos, Senhor, Belo e Bom Pastor, que nunca nos tresmalhemos do teu imenso amor, e que saibamos sempre levar o tom e o sabor da tua voz que chama e ama a cada irm\u00e3o perdido em casa ou numa estrada de lama.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At 4,8-12; Sl 118; 1 Jo 3,1-2; Jo 10,11-18 1. Domingo IV da P\u00e1scoa. 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