{"id":2880913978,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/34-destaques\/6352-jubileu-dos-catequistas-homilia-do-papa-francisco"},"modified":"2025-11-07T16:31:17","modified_gmt":"2025-11-07T16:31:17","slug":"jubileu-dos-catequistas-homilia-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/jubileu-dos-catequistas-homilia-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Jubileu dos Catequistas: Homilia do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/img_7759_160925051706.jpg\"\/><\/p>\n<p><p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco na celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia por ocasi\u00e3o do Jubileu dos Catequistas que levou a Roma milhares de agentes de pastoral de todo o mundo com destaque para os cerca de 700 portugueses e uma representa\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e Doutrina da F\u00e9 (CEECDF) composta por 35 respons\u00e1veis diocesanos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na segunda Leitura, o ap\u00f3stolo Paulo dirige a Tim\u00f3teo \u2013 e a n\u00f3s tamb\u00e9m \u2013 algumas recomenda\u00e7\u00f5es que tinha a peito. Entre elas, pede que \u00abguarde\u00a0<em>o mandamento<\/em>, sem mancha nem culpa\u00bb (<em>1 Tm<\/em>\u00a06, 14). Fala apenas de um mandamento, parecendo querer fazer com que o nosso olhar se mantenha fixo no que \u00e9\u00a0<em>essencial<\/em>\u00a0na f\u00e9. De facto, S\u00e3o Paulo n\u00e3o recomenda uma multid\u00e3o de pontos e aspetos, mas sublinha o centro da f\u00e9. Este centro \u00e0 volta do qual tudo gira, este cora\u00e7\u00e3o pulsante que a tudo d\u00e1 vida \u00e9 o an\u00fancio pascal, o primeiro an\u00fancio: O Senhor Jesus ressuscitou, o Senhor Jesus ama-te, por ti deu a sua vida; ressuscitado e vivo, est\u00e1 ao teu lado e interessa-Se por ti todos os dias. Isto, nunca o devemos esquecer. Neste\u00a0<em>Jubileu dos Catequistas<\/em>, pede-se-nos para n\u00e3o nos cansarmos de colocar em primeiro lugar o an\u00fancio principal da f\u00e9: o Senhor ressuscitou. N\u00e3o h\u00e1 conte\u00fados mais importantes, nada \u00e9 mais firme e atual. Cada conte\u00fado da f\u00e9 torna-se perfeito, se se mantiver ligado a este centro, se for permeado pelo an\u00fancio pascal; mas se, pelo contr\u00e1rio, se isolar, perde sentido e for\u00e7a. Somos chamados continuamente a viver e anunciar a boa-nova do amor do Senhor: \u00abJesus ama-te verdadeiramente, tal como \u00e9s. D\u00e1-Lhe lugar: apesar das dece\u00e7\u00f5es e feridas da vida, deixa-Lhe a possibilidade de te amar. N\u00e3o te dececionar\u00e1\u00bb.<\/p>\n<p>O mandamento de que fala S\u00e3o Paulo faz-nos pensar tamb\u00e9m no mandamento novo de Jesus: \u00abQue vos ameis uns aos outros como Eu vos amei\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a015, 12). \u00c9 amando que se anuncia Deus-Amor: n\u00e3o \u00e0 for\u00e7a de convencer, nunca impondo a verdade nem mesmo obstinando-se em torno de alguma obriga\u00e7\u00e3o religiosa ou moral. Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua hist\u00f3ria e ao seu caminho. Porque o Senhor n\u00e3o \u00e9 uma ideia, mas uma Pessoa viva: a sua mensagem comunica-se atrav\u00e9s do testemunho simples e verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia. N\u00e3o se fala bem de Jesus, quando nos mostramos tristes; nem se transmite a beleza de Deus limitando-nos a fazer bonitos serm\u00f5es. O Deus da esperan\u00e7a anuncia-Se vivendo no dia-a-dia o Evangelho da caridade, sem medo de o testemunhar inclusive com novas formas de an\u00fancio.<\/p>\n<p>O Evangelho deste domingo ajuda-nos a compreender o que significa amar, especialmente a evitar alguns riscos. Na par\u00e1bola, h\u00e1 um homem rico que n\u00e3o se d\u00e1 conta de L\u00e1zaro, um pobre que \u00abjazia ao seu port\u00e3o\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a016, 20). Na realidade, este rico n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m, n\u00e3o se diz que \u00e9 mau; e todavia tem uma enfermidade pior que a de L\u00e1zaro, apesar deste estar \u00abcoberto de chagas\u00bb (<em>ibid.<\/em>): este rico sofre duma forte\u00a0<em>cegueira<\/em>, porque n\u00e3o consegue olhar para al\u00e9m do seu mundo, feito de banquetes e roupa fina. N\u00e3o v\u00ea mais al\u00e9m da porta de sua casa, onde jazia L\u00e1zaro, porque n\u00e3o se importa com o que acontece fora. N\u00e3o v\u00ea com os olhos, porque n\u00e3o sente com o cora\u00e7\u00e3o. No seu cora\u00e7\u00e3o, entrou a\u00a0<em>mundanidade<\/em>\u00a0que anestesia a alma. A mundanidade \u00e9 como um \u00abburaco negro\u00bb que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no pr\u00f3prio eu. Ent\u00e3o s\u00f3 se veem as apar\u00eancias e n\u00e3o nos damos conta dos outros, porque nos tornamos indiferentes a tudo. Quem sofre desta grave cegueira, assume muitas vezes comportamento \u00abestr\u00e1bicos\u00bb: olha com rever\u00eancia as pessoas famosas, de alto n\u00edvel, admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos in\u00fameros L\u00e1zaros de hoje, dos pobres e dos doentes, que s\u00e3o os prediletos do Senhor.<\/p>\n<p>Mas o Senhor olha para quem \u00e9 transcurado e rejeitado pelo mundo. L\u00e1zaro \u00e9 o \u00fanico personagem, em todas as par\u00e1bolas de Jesus, a ser designado pelo nome. O seu nome significa \u00abDeus ajuda\u00bb. Deus n\u00e3o o esquece\u2026 Acolh\u00ea-lo-\u00e1 no banquete do seu Reino, juntamente com Abra\u00e3o, numa rica comunh\u00e3o de afetos. Ao contr\u00e1rio, na par\u00e1bola, o homem rico n\u00e3o tem sequer um nome; a sua vida cai esquecida, porque quem vive para si mesmo n\u00e3o faz a hist\u00f3ria. E um crist\u00e3o deve fazer a hist\u00f3ria; deve sair de si mesmo, para fazer a hist\u00f3ria. Mas quem vive para si mesmo, n\u00e3o faz a hist\u00f3ria. A insensibilidade de hoje escava abismos intranspon\u00edveis para sempre. E hoje ca\u00edmos nesta doen\u00e7a da indiferen\u00e7a, do ego\u00edsmo, da mundanidade.<\/p>\n<p>E h\u00e1 outro detalhe na par\u00e1bola: um contraste. A vida opulenta deste homem sem nome \u00e9 descrita com ostenta\u00e7\u00e3o: nele, car\u00eancias e direitos, tudo \u00e9 espalhafatoso. Mesmo na morte, insiste em ser ajudado e pretende os seus interesses. Ao contr\u00e1rio, a pobreza de L\u00e1zaro \u00e9 expressa com grande dignidade: da sua boca n\u00e3o saem lamenta\u00e7\u00f5es, protestos nem palavras de desprezo. \u00c9 uma v\u00e1lida li\u00e7\u00e3o: como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a n\u00e3o ostentar apar\u00eancia, nem procurar gl\u00f3ria; n\u00e3o podemos sequer ser tristes ou lastimosos. N\u00e3o sejamos profetas da desgra\u00e7a, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; n\u00e3o sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo ju\u00edzos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso n\u00e3o se coaduna a quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.<\/p>\n<p>Quem anuncia a esperan\u00e7a de Jesus \u00e9 portador de alegria e v\u00ea longe, tem pela frente horizontes, e n\u00e3o um muro que o impede de ver; v\u00ea longe porque sabe olhar para al\u00e9m do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, v\u00ea bem ao perto, porque est\u00e1 atento ao pr\u00f3ximo e \u00e0s suas necessidades. Hoje o Senhor pede-nos isto: face aos in\u00fameros L\u00e1zaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas nem dizer: \u00abAjudar-te-ei amanh\u00e3, hoje n\u00e3o tenho tempo, ajudar-te-ei amanh\u00e3\u00bb. E isto \u00e9 um pecado. O tempo gasto a socorrer os outros \u00e9 tempo dado a Jesus, \u00e9 amor que permanece: \u00e9 o nosso tesouro no c\u00e9u, que nos asseguramos aqui na terra.<\/p>\n<p>Concluindo, amados catequistas e queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, que o Senhor nos d\u00ea a gra\u00e7a de sermos renovados cada dia pela alegria do primeiro an\u00fancio: Jesus morreu e ressuscitou, Jesus ama-nos pessoalmente! Que Ele nos d\u00ea a for\u00e7a de viver e anunciar o mandamento do amor, vencendo a cegueira da apar\u00eancia e as tristezas mundanas. Que nos torne sens\u00edveis aos pobres, que n\u00e3o s\u00e3o um ap\u00eandice do Evangelho, mas p\u00e1gina central, sempre aberta diante de todos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p><iframe allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2xIbT7XQ1Go\" width=\"560\"><\/iframe> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco na celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia por ocasi\u00e3o do Jubileu dos Catequistas que levou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1355194959,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[65],"class_list":["post-2880913978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-catequese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2880913978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2880913978"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2880913978\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294993714,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2880913978\/revisions\/4294993714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2880913978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2880913978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2880913978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}