{"id":2887034395,"date":"2017-06-04T00:00:00","date_gmt":"2017-06-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7029-homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-pentecostes"},"modified":"2017-06-04T00:00:00","modified_gmt":"2017-06-04T00:00:00","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-pentecostes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-pentecostes-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na Solenidade de Pentecostes"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/pope_pentecost_homily_170605102803.jpg\"\/><\/p>\n<p><p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco na celebra\u00e7\u00e3o da solenidade de Pentecostes.<\/p>\n<p>Chega hoje ao seu termo o tempo de P\u00e1scoa, desde a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus at\u00e9 ao Pentecostes: cinquenta dias caraterizados de modo especial pela presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. De facto, o Dom pascal por excel\u00eancia \u00e9 Ele: o Esp\u00edrito criador, que n\u00e3o cessa de realizar coisas novas. As Leituras de hoje mostram-nos duas novidades: na primeira, o Esp\u00edrito faz dos disc\u00edpulos\u00a0<em>um povo novo<\/em>; no Evangelho, cria nos disc\u00edpulos\u00a0<em>um cora\u00e7\u00e3o novo<\/em>.<\/p>\n<p><em>Um povo novo<\/em>. No dia de Pentecostes o Esp\u00edrito desceu do c\u00e9u em \u00abl\u00ednguas, \u00e0 maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos foram cheios do Esp\u00edrito Santo e come\u00e7aram a falar outras l\u00ednguas\u00bb (<em>At<\/em>\u00a02, 3-4). Com estas palavras, \u00e9 descrita a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito: primeiro, pousa sobre\u00a0<em>cada um<\/em>\u00a0e, depois, p\u00f5e a\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0em comunica\u00e7\u00e3o. A cada um d\u00e1 um dom e re\u00fane a todos na unidade. Por outras palavras, o mesmo Esp\u00edrito cria\u00a0<em>a diversidade e a unidade<\/em>\u00a0e, assim, molda um povo novo, diversificado e unido: a Igreja\u00a0<em>universal<\/em>. Em primeiro lugar, com fantasia e imprevisibilidade, cria a diversidade; com efeito, em cada \u00e9poca, faz florescer carismas novos e variados. Depois, o mesmo Esp\u00edrito realiza a unidade: liga, re\u00fane, recomp\u00f5e a harmonia. \u00abCom a sua presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o, congrega na unidade esp\u00edritos que, entre si, s\u00e3o distintos e separados\u00bb (Cirilo de Alexandria,\u00a0<em>Coment\u00e1rio ao Evangelho de Jo\u00e3o<\/em>, XI, 11). E desta forma temos a unidade verdadeira, a unidade segundo Deus, que n\u00e3o \u00e9 uniformidade, mas\u00a0<em>unidade na diferen\u00e7a<\/em>.<\/p>\n<p>Para se conseguir isso, ajuda-nos o evitar\u00a0<em>duas tenta\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0frequentes. A primeira \u00e9 procurar\u00a0<em>a diversidade sem a unidade<\/em>. Sucede quando se quer distinguir, quando se formam coliga\u00e7\u00f5es e partidos, quando se obstina em posi\u00e7\u00f5es excludentes, quando se fecha nos pr\u00f3prios particularismos, porventura considerando-se os melhores ou aqueles que t\u00eam sempre raz\u00e3o &#8211; s\u00e3o os chamados guardi\u00f5es da verdade. Desta maneira escolhe-se a parte, n\u00e3o o todo, pertencer primeiro a isto ou \u00e0quilo e s\u00f3 depois \u00e0 Igreja; tornam-se \u00abadeptos\u00bb em vez de irm\u00e3os e irm\u00e3s no mesmo Esp\u00edrito; crist\u00e3os \u00abde direita ou de esquerda\u00bb antes de o ser de Jesus; inflex\u00edveis guardi\u00e3es do passado ou vanguardistas do futuro em vez de filhos humildes e agradecidos da Igreja. Assim, temos a diversidade sem a unidade. Por sua vez, a tenta\u00e7\u00e3o oposta \u00e9 procurar\u00a0<em>a unidade sem a diversidade<\/em>. Mas, deste modo, a unidade torna-se uniformidade, obriga\u00e7\u00e3o de fazer tudo juntos e tudo igual, de pensar todos sempre do mesmo modo. Assim, a unidade acaba por ser homologa\u00e7\u00e3o, e j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 liberdade. Ora, como diz S\u00e3o Paulo, \u00abonde est\u00e1 o Esp\u00edrito do Senhor, a\u00ed est\u00e1 a liberdade\u00bb (<em>2 Cor<\/em>\u00a03, 17).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a nossa ora\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo \u00e9 pedir a gra\u00e7a de acolhermos a\u00a0<em>sua<\/em>\u00a0unidade, um olhar que, independentemente das prefer\u00eancias pessoais, abra\u00e7a e ama a sua Igreja, a nossa Igreja; pedir a gra\u00e7a de nos preocuparmos com a unidade entre todos, de anular as murmura\u00e7\u00f5es que semeiam ciz\u00e2nia e as invejas que envenenam, porque ser homens e mulheres de Igreja significa ser homens e mulheres de comunh\u00e3o; \u00e9 pedir tamb\u00e9m um cora\u00e7\u00e3o que sinta a Igreja como nossa M\u00e3e e nossa casa: a casa acolhedora e aberta, onde se partilha a alegria multiforme do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>E passemos agora \u00e0 segunda novidade:\u00a0<em>um cora\u00e7\u00e3o novo<\/em>. Quando Jesus ressuscitado aparece pela primeira vez aos seus, diz-lhes: \u00abRecebei o Esp\u00edrito Santo. \u00c0queles a quem perdoardes os pecados, ficar\u00e3o perdoados\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a020, 22-23). Jesus n\u00e3o condenou os seus, que O abandonaram e renegaram durante a Paix\u00e3o, mas d\u00e1-lhes o Esp\u00edrito do perd\u00e3o. O Esp\u00edrito \u00e9 o primeiro dom do Ressuscitado, tendo sido dado, antes de mais nada, para perdoar os pecados. Eis o in\u00edcio da Igreja, eis a cola que nos mant\u00e9m unidos, o cimento que une os tijolos da casa:\u00a0<em>o perd\u00e3o<\/em>. Com efeito, o perd\u00e3o \u00e9 o dom elevado \u00e0 pot\u00eancia infinita, \u00e9 o amor maior, aquele que mant\u00e9m unido n\u00e3o obstante tudo, que impede de so\u00e7obrar, que refor\u00e7a e solidifica. O perd\u00e3o liberta o cora\u00e7\u00e3o e permite recome\u00e7ar: o perd\u00e3o d\u00e1 esperan\u00e7a; sem perd\u00e3o, n\u00e3o se edifica a Igreja.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito do perd\u00e3o, que tudo resolve na conc\u00f3rdia, impele-nos a recusar outros caminhos: os caminhos apressados de quem julga, os caminhos sem sa\u00edda de quem fecha todas as portas, os caminhos de sentido \u00fanico de quem critica os outros. Ao contr\u00e1rio, o Esp\u00edrito exorta-nos a percorrer o caminho com duplo sentido do perd\u00e3o recebido e do perd\u00e3o dado, da miseric\u00f3rdia divina que se faz amor ao pr\u00f3ximo, da caridade como \u00ab\u00fanico crit\u00e9rio segundo o qual tudo deve ser feito ou deixado de fazer, alterado ou n\u00e3o\u00bb (Isaac da Estrela,\u00a0<em>Discurso<\/em>\u00a031). Pe\u00e7amos a gra\u00e7a de tornar o rosto da nossa M\u00e3e Igreja cada vez mais belo, renovando-nos com o perd\u00e3o e corrigindo-nos a n\u00f3s mesmos: s\u00f3 ent\u00e3o poderemos corrigir os outros na caridade.<\/p>\n<p>Pe\u00e7amos ao Esp\u00edrito Santo, fogo de amor que arde na Igreja e dentro de n\u00f3s, embora muitas vezes o cubramos com a cinza das nossas culpas: \u00abEsp\u00edrito de Deus, Senhor que estais no meu cora\u00e7\u00e3o e no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, V\u00f3s que fazeis avan\u00e7ar a Igreja, moldando-a na diversidade, vinde! Precisamos de V\u00f3s, como de \u00e1gua, para viver: continuai a descer sobre n\u00f3s e ensinai-nos a unidade, renovai os nossos cora\u00e7\u00f5es e ensinai-nos a amar como V\u00f3s nos amais, a perdoar como V\u00f3s nos perdoais. Amen\u00bb.<\/p>\n<p>Educris|04.06.2017<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco na celebra\u00e7\u00e3o da solenidade de Pentecostes. 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