{"id":2911565405,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/10705-domingo-xxi-do-tempo-comum-o-bisturi-da-palavra-de-deus"},"modified":"2025-11-07T16:33:48","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:48","slug":"domingo-xxi-do-tempo-comum-o-bisturi-da-palavra-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxi-do-tempo-comum-o-bisturi-da-palavra-de-deus\/","title":{"rendered":"Domingo XXI do Tempo Comum: \u00abO Bisturi da Palavra de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Neste Domingo XXI do Tempo Comum, escutaremos a sexta e \u00faltima Parte do Cap\u00edtulo VI do Quarto Evangelho, que contempla os \u00faltimos vers\u00edculos (Jo\u00e3o 6,60-69), e estende a discuss\u00e3o antes havida da multid\u00e3o (Jo\u00e3o 6,25-40) e dos judeus (Jo\u00e3o 6,41-58) com Jesus, tamb\u00e9m aos disc\u00edpulos em geral, que entram agora em cena em Jo\u00e3o 6,60, para pouco depois sa\u00edrem de cena, para fora da a\u00e7\u00e3o de Jesus, em Jo\u00e3o 6,66, sendo ent\u00e3o a vez dos Doze e de Pedro entrarem em cena (Jo\u00e3o 6,67-69).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Veja-se a grada\u00e7\u00e3o: multid\u00e3o, judeus, disc\u00edpulos, Doze e Pedro. Curiosamente, os disc\u00edpulos, numa esp\u00e9cie de imbrica\u00e7\u00e3o, retomam a atitude dos judeus, que os precederam em cena: murmuram (<em>gogg\u00fdz\u00f4<\/em>) como eles contra o esc\u00e2ndalo da incarna\u00e7\u00e3o e das origens divinas de Jesus (Jo\u00e3o 6,61), e classificam como duro (<em>skl\u00ear\u00f3s<\/em>), incompreens\u00edvel, intrag\u00e1vel (Jo\u00e3o 6,60), o discurso de Jesus sobre a sua carne-vida dada em alimento para a vida verdadeira.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Al\u00e9m de \u00abmurmurar\u00bb como os judeus de Cafarnaum e do deserto (\u00caxodo 15,24; 16,2 e 7-8; 17,3; N\u00fameros 14,2.27.29.36), muitos dos disc\u00edpulos abandonam Jesus e \u00abvoltam para tr\u00e1s\u00bb (Jo\u00e3o 6,66), configurando-se como anti disc\u00edpulos e anti povo de Deus, que, no deserto, tamb\u00e9m pretende voltar para tr\u00e1s, para o Egito (\u00caxodo 14,12; 16,3; 17,3; N\u00fameros 14,3-4). Ora, o disc\u00edpulo verdadeiro \u00e9 aquele que vai atr\u00e1s de Jesus, seguindo-o, e n\u00e3o o que volta para tr\u00e1s, abandonando-o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. De notar ainda que, no caso dos disc\u00edpulos, e de forma diferente da multid\u00e3o e dos judeus, \u00e9 Jesus que faz a pergunta e d\u00e1 a resposta. Os disc\u00edpulos apenas murmuram, n\u00e3o ouvem, n\u00e3o respondem e v\u00e3o-se embora. No caso dos Doze, \u00e9 Jesus que faz a pergunta, e \u00e9 Pedro que, em nome dos Doze e em contraponto com todos os grupos anteriores, n\u00e3o se limita apenas a responder, mas profere uma verdadeira profiss\u00e3o de f\u00e9 (Jo\u00e3o 6,68-69).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Vendo bem, neste Cap\u00edtulo VI do Evangelho de Jo\u00e3o, que hoje atinge o seu \u00e1pice, as diversas rea\u00e7\u00f5es aos acontecimentos de Jesus, a que a exegese chama \u00abcrise galilaica\u00bb, antecipam e leem j\u00e1 as crises sucessivas que v\u00e3o aparecer na Igreja. Trata-se sempre da grande decis\u00e3o de f\u00e9 pr\u00f3 ou contra a humildade da Incarna\u00e7\u00e3o, da Cruz e da Eucaristia. A Palavra de Jesus que se ouve aqui, e continua a ouvir-se ainda hoje, ser\u00e1 sempre como um bisturi que divide, julga e purifica.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A mesma grande decis\u00e3o ou incis\u00e3o est\u00e1 patente no grande texto de Josu\u00e9 24,1-18. Josu\u00e9 profere diante de todo o povo reunido um dos mais belos e completos \u00abm\u00f3dulos narrativos\u00bb de toda a Escritura, mostrando ao povo que foi Deus que conduziu a inteira hist\u00f3ria de Israel, com amor poderoso, desde o outro lado do Rio Eufrates, chamando e conduzindo os passos de Abra\u00e3o, libertando depois o povo da opress\u00e3o do Egito, guiando-o pelo deserto, libertando-o dos inimigos poderosos que o amea\u00e7avam por todos os lados, e fazendo-o entrar na Terra de Cana\u00e3 (Josu\u00e9 24,2-14). Depois desta descri\u00e7\u00e3o maravilhosa que tem Deus por sujeito, Josu\u00e9 abre o tempo das decis\u00f5es, em que \u00abservir\u00bb \u00e9 a palavra-chave, que se ouve por 14 vezes. Servir ou n\u00e3o servir, eis a quest\u00e3o posta por Josu\u00e9 ao povo: \u00abSe n\u00e3o vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir\u00bb (Josu\u00e9 24,15a). Josu\u00e9 avan\u00e7a a sua escolha e decis\u00e3o: \u00abEu e a minha fam\u00edlia serviremos o Senhor!\u00bb (Josu\u00e9 24,15b). Ent\u00e3o, o povo repassa outra vez na mem\u00f3ria do cora\u00e7\u00e3o todos os benef\u00edcios que lhe fez o Senhor, desde a liberta\u00e7\u00e3o do Egito, aos sinais e prod\u00edgios realizados em seu favor, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o assegurada pelo Senhor ao longo do caminho percorrido e perante os advers\u00e1rios (Josu\u00e9 24,16-18a), para afirmar logo convictamente: \u00abN\u00f3s tamb\u00e9m serviremos o Senhor\u00bb (Josu\u00e9 24,18b).<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">7. E, na Carta aos Ef\u00e9sios 5,21-32, o \u00abservi\u00e7o\u00bb chama-se amor. O texto hoje lido constitui um extrato de um dos \u00abC\u00f3digos familiares\u00bb, que se encontram nas chamadas Cartas editadas de S. Paulo. Estas Cartas que remontam a Paulo, mas que s\u00e3o editadas depois da sua morte, j\u00e1 n\u00e3o traduzem o esfor\u00e7o evangelizador patente nas Cartas aut\u00eanticas, mas procuram levar o Evangelho a situa\u00e7\u00f5es concretas da vida, como sejam a fam\u00edlia e o trabalho. O texto de hoje real\u00e7a sobretudo a rela\u00e7\u00e3o marido-esposa, que deve retratar a rela\u00e7\u00e3o sublime e salutar Cristo-Igreja. Mas, se a leitura continuasse, tamb\u00e9m ver\u00edamos o Evangelho a renovar as rela\u00e7\u00f5es pais-filhos e patr\u00f5es-empregados.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Voltamos, pelo terceiro Domingo consecutivo, \u00e0 m\u00fasica do Salmo 34. Desta vez para nos apercebermos melhor que Deus atende sempre com solicitude os gritos de socorro do justo perseguido (v. 16.18), ao mesmo tempo que apaga da terra a mem\u00f3ria dos malfeitores (v. 17.22). Esta certeza \u00e9 muitas vezes a \u00fanica e a \u00faltima defesa do justo que sofre \u00e0s m\u00e3os dos \u00edmpios. Os Salmos de impreca\u00e7\u00e3o, ou as suas partes mais violentas, foram abolidos da ora\u00e7\u00e3o oficial, como se n\u00e3o fossem, na verdade, Palavra inspirada. Pecado nosso, que assim mostramos n\u00e3o compreender o realismo e a efic\u00e1cia da ora\u00e7\u00e3o b\u00edblica, e dificultamos aos aflitos o poder extravasar diante de Deus as suas amarguras, e deixamos os violentos a maquinar tranquilamente as suas crueldades, como se Deus n\u00e3o visse nem ouvisse nem lhes pedisse contas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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