{"id":2911746538,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12494-domingo-xxvii-do-tempo-comum-toda-a-autoridade-vem-de-deus"},"modified":"2025-11-07T16:33:57","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:57","slug":"domingo-xxvii-do-tempo-comum-toda-a-autoridade-vem-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxvii-do-tempo-comum-toda-a-autoridade-vem-de-deus\/","title":{"rendered":"Domingo XXVII do Tempo Comum: \u00abToda a autoridade vem de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Is 5,1-7; Sl 80; Fl 4,6-9; Mt 21,33-43<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Como j\u00e1 anot\u00e1mos no in\u00edcio do Coment\u00e1rio ao Evangelho do Domingo passado (XXVI do Tempo Comum), Jesus encontra-se no Templo, no grande \u00c1trio dos Pag\u00e3os (13,5 hectares). Tinha acabado de expulsar da\u00ed vendedores e compradores (Mateus 21,12), tinha curado cegos e coxos (Mateus 21,14), e tinha sido aclamado pelas crian\u00e7as com o hino de colorido messi\u00e2nico: \u00abHossana ao Filho de David!\u00bb (Mateus 21,15). Vendo e ouvindo tudo isto, vieram ao encontro de Jesus as autoridades judaicas, religiosas e civis, nomeadamente os \u00abchefes dos sacerdotes\u00bb e os \u00abanci\u00e3os do povo\u00bb. Nada de estranho, pois competia a estas autoridades velar e zelar pela boa ordem no Templo, sobretudo no vasto \u00c1trio dos Pag\u00e3os, onde era usual surgirem mestres e pregadores de toda a esp\u00e9cie e feitio. As referidas autoridades judaicas aproximam-se de Jesus e pedem-lhe, por assim dizer, as suas credenciais: \u00abCom que\u00a0<em>autoridade<\/em>\u00a0fazes estas coisas, e quem te deu essa\u00a0<em>autoridade<\/em>?\u00bb (Mateus 21,23). A estas perguntas, Jesus n\u00e3o respondeu diretamente, mas avan\u00e7ou tamb\u00e9m ele uma pergunta pr\u00e9via, condicionando a sua resposta ao facto de os seus interlocutores responderem \u00e0 quest\u00e3o que Ele ia p\u00f4r, m\u00e9todo muito em voga neste tipo de discuss\u00f5es e disputas. Recuperamos aqui a pergunta de Jesus aos seus interlocutores: \u00abO batismo de Jo\u00e3o de onde (<em>p\u00f3then<\/em>) era? Do c\u00e9u ou dos homens?\u00bb (Mateus 21,25). Os chefes dos judeus conversaram entre si, e conclu\u00edram que a pergunta de Jesus era uma armadilha, pois fosse qual fosse a resposta que dessem, ficavam sempre entalados. Se dissessem que era do c\u00e9u, Jesus retorquir-lhes-ia: \u00abEnt\u00e3o por que n\u00e3o lhe destes ouvidos?\u00bb; se dissessem que era dos homens, seria o povo que lhes cairia em cima, pois todos consideravam Jo\u00e3o como profeta. Por isso, diplomaticamente responderam: \u00abN\u00e3o sabemos\u00bb, o que levou Jesus a responder \u00e0 quest\u00e3o que lhe tinham posto: \u00abTamb\u00e9m Eu n\u00e3o vos digo com que\u00a0<em>autoridade<\/em>\u00a0fa\u00e7o estas coisas\u00bb (Mateus 21,27).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Chegados a este ponto, Jesus dispara contra os seus interlocutores tr\u00eas par\u00e1bolas seguidas, que formam um bloco textual maci\u00e7o (Mateus 21,28-22,14), sem intervalos e sem tempo para respirar: a \u00abpar\u00e1bola dos dois filhos\u00bb (Mateus 21,28-32), a \u00abpar\u00e1bola dos vinhateiros homicidas\u00bb (Mateus 21,33-46) e a \u00abpar\u00e1bola do banquete nupcial\u00bb (Mateus 22,1-14). No Domingo passado (XXVI) foi-nos dado escutar a \u00abpar\u00e1bola dos dois filhos\u00bb (Mateus 21,28-32). Neste Domingo XXVII, escutaremos a \u00abpar\u00e1bola dos vinhateiros homicidas\u00bb (Mateus 21,33-43), que come\u00e7a por descrever os gestos de amor embevecido de DEUS pela sua vinha, seguindo de perto o c\u00e2ntico da vinha, de Isa\u00edas 5,1-7 que, por sinal, tamb\u00e9m teremos a gra\u00e7a de escutar na liturgia deste Domingo. Depois de descrever os gestos de amor pela sua vinha, o texto continua de forma incisiva, introduzindo novas personagens: os VINHATEIROS violentos e assassinos s\u00e3o os chefes religiosos e civis (chefes dos sacerdotes e anci\u00e3os do povo\u2026), dado que estas par\u00e1bolas s\u00e3o a eles dirigidas (Mateus 21,23), e s\u00e3o eles que, no final, reagem a elas (Mateus 21,45-46). Os SERVOS, sucessivamente enviados por DEUS e maltratados pelos homens, s\u00e3o os profetas, todos assassinados, segundo o m\u00f3dulo narrativo mais breve de toda a Escritura (Mateus 23,34-35; cf. Lucas 11,50-51). O FILHO tem muitas coisas em comum com os SERVOS: tamb\u00e9m Ele \u00e9 enviado, ainda que seja o \u00faltimo enviado, tamb\u00e9m vem recolher os frutos, e \u00e9 igualmente assassinado de modo violento. Salta \u00e0 vista que este FILHO \u00e9 JESUS, prolepse do que est\u00e1 para lhe acontecer.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Os CHEFES DOS SACERDOTES e os ANCI\u00c3OS DO POVO, a quem a par\u00e1bola est\u00e1 a ser contada s\u00e3o, neste ponto da par\u00e1bola, apanhados na pergunta sem sa\u00edda de JESUS: \u00abQuando vier o dono da vinha, que far\u00e1 com esses VINHATEIROS?\u00bb (Mateus 21,40). Eles respondem f\u00e1cil e direto, ao jeito de David, quando ouve a hist\u00f3ria da ovelhinha do pobre, roubada e comida \u00e0 mesa do rico (cf. 2 Samuel 12,5-6): \u00abMandar\u00e1 matar sem piedade esses malvados, e arrendar\u00e1 a vinha a OUTROS VINHATEIROS, que lhe entreguem os frutos a seu tempo\u00bb (Mateus 21,41). E Jesus remata com uma cita\u00e7\u00e3o do Salmo 118,22: \u00abA pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular\u00bb (Mateus 21,42). E ainda: \u00abO Reino de Deus ser-vos-\u00e1 tirado, e confiado a UM POVO que produza os seus frutos\u00bb (Mateus 21,43). Nesta altura, diz-nos o narrador, que \u00abos chefes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas par\u00e1bolas, perceberam que JESUS se referia a eles, e procuravam prend\u00ea-lo\u2026\u00bb (Mateus 21,45-46).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Descodificando a par\u00e1bola: o dono da vinha, que a trata com tanto carinho, \u00e9 DEUS. A vinha \u00e9 Israel: sem equ\u00edvocos: \u00abA vinha do Senhor \u00e9 a Casa de ISRAEL\u00bb (Isa\u00edas 5,7). Os SERVOS, que s\u00e3o enviados, s\u00e3o os PROFETAS, como refere com acerto Jeremias 25,4. Os chefes dos sacerdotes e os anci\u00e3os dos judeus, escribas, fariseus, etc., que n\u00e3o cuidam da vinha e maltratam todos os enviados veem-se claramente alinhados com os VINHATEIROS violentos e assassinos. Mas j\u00e1, entretanto, se vislumbra no horizonte OUTRO POVO e OUTROS VINHATEIROS, \u00e0 imagem do \u00faltimo Profeta e dele verdadeira transpar\u00eancia. Ent\u00e3o, sim, a vinha do Senhor, novo Israel de Deus (G\u00e1latas 6,16), ser\u00e1 devidamente cuidada e dar\u00e1 os frutos esperados. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que \u00e9 aqui que nos devemos encontrar, deve ser este o nosso retrato, somos n\u00f3s a vinha do Senhor, reunida \u00e0 volta do \u00faltimo enviado de Deus, que far\u00e1 frutificar a sua vinha.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Se repararmos bem, esta Par\u00e1bola faz passar diante de n\u00f3s a inteira hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, mostra-nos o amor permanente e persistente de Deus, e o modo em que esse amor se manifesta atrav\u00e9s dos Profetas que nos s\u00e3o enviados, mas deixa igualmente \u00e0 vista o modo violento como os temos tratado. Por fim, depois de uma longa lista de Profetas, \u00e9 enviado o pr\u00f3prio Filho de Deus, que ter\u00e1 a mesma sorte dos Profetas. E a culpa cai sempre sobre n\u00f3s. Agora, que tudo vai ficando mais claro, faz-se ver a n\u00f3s tamb\u00e9m a qualidade do amor da resposta que somos hoje chamados a dar, uma vez que somos informados que a vinha ser\u00e1 entregue a um povo novo, que saber\u00e1 cuidar dela. E somos seguramente chamados a tornar a vinha de Deus uma maravilha deliciosa e apetitosa, jovem, leve e bela. Mais ou menos como canta um ap\u00f3crifo de origem judeo-crist\u00e3, de finais do s\u00e9c. I ou princ\u00edpios do II d.C., o\u00a0<em>Apocalipse Sir\u00edaco de Baruc<\/em>: \u00abA terra dar\u00e1 fruto, dez mil por um. Cada videira ter\u00e1 mil ramos, cada ramo mil cachos, cada cacho mil bagos, cada bago centenas de litros de vinho!\u00bb. Alegria a transbordar.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. O soberbo c\u00e2ntico de Isa\u00edas 5,1-7 d\u00e1 o tom e o aroma da vinha e do amor a este Domingo XXVII do Tempo Comum. O Senhor da vinha e do amor, que \u00e9 Deus, tratou com infinito desvelo a sua vinha, que \u00e9 o seu povo, o povo de Israel e de Jud\u00e1, e somos n\u00f3s, como se pode ver neste belo \u00abc\u00e2ntico da vinha\u00bb de Isa\u00edas 5,7: plantou-a numa colina solarenga com castas selecionadas, cavou-a, limpou-a, amou-a, f\u00ea-la crescer ao ritmo de m\u00fasica de embalar. Todavia, a vinha assim amada e acariciada produziu agra\u00e7os, em vez de uvas doces e saborosas. O C\u00e2ntico di-lo numa extraordin\u00e1ria alitera\u00e7\u00e3o hebraica: \u00abDeus esperava\u00a0<em>mishpath<\/em>\u00a0[= retid\u00e3o],\/ e eis\u00a0<em>mispah<\/em>\u00a0[= sangue derramado];\/\u00a0<em>ts<sup>e<\/sup>daqah<\/em>\u00a0[= justi\u00e7a],\/ e eis\u00a0<em>ts<sup>e<\/sup>?aqah<\/em>\u00a0[= gritos de socorro]\u00bb (Isa\u00edas 5,7). Depois de uma l\u00edrica serena e tranquila, eis-nos agora perante o lamento de um campon\u00eas desiludido, de um amante tra\u00eddo, de um amor dorido, n\u00e3o correspondido. Assim \u00e9 a hist\u00f3ria da vinha do Senhor.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. O mesmo canto, ao mesmo tempo dorido e belo, atravessa o Salmo 80,9-17, que canta a videira, e conta a hist\u00f3ria da videira, que simboliza Israel. Contando a hist\u00f3ria desta videira, o poeta est\u00e1, na verdade, a fazer uma autobiografia de Israel. Estava plantada no Egito, de onde Deus a arrancou para a transplantar para outra terra (v. 9). A\u00ed lan\u00e7ou ra\u00edzes, cresceu e atingiu tais dimens\u00f5es que a sua folhagem verde cobria todo o mapa de Israel (v. 11 e 12). Mas tamb\u00e9m a\u00ed conheceu o abandono e foi devastada pelo javali, s\u00edmbolo de impureza pela sua semelhan\u00e7a com o porco. Se, em Isa\u00edas 5,1-7, era Deus que se queixava da sua vinha que j\u00e1 n\u00e3o respondia ao amor primeiro de Deus, agora \u00e9 a vinha que se sente abandonada, e chora o estado de desola\u00e7\u00e3o em que se encontra, mas entrecorta o seu lamento com um belo refr\u00e3o, pedindo a Deus que se levante e volte atr\u00e1s, que lhe fa\u00e7a gra\u00e7a e a salve (v. 4.8.15.20). \u00c9 o caminho do Perd\u00e3o e da Salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Outra vez Paulo e as palavras de antologia que nos dirige na Carta aos Filipenses 4,6-9, que hoje temos a gra\u00e7a de escutar: \u00abTudo o que \u00e9 verdadeiro e nobre, tudo o que \u00e9 justo e puro, tudo o que \u00e9 am\u00e1vel e de boa reputa\u00e7\u00e3o, tudo o que \u00e9 virtude e digno de louvor \u00e9 o que deveis ter no pensamento\u00bb (Filipenses 4,8). E coloca-se como modelo a imitar: \u00abO que aprendestes, recebestes e vistes em mim, isso fazei\u00bb (Filipenses 4,9). J\u00e1 se sabe que por detr\u00e1s de Paulo est\u00e1 Cristo, que \u00e9 a sua vida (cf. 1 Cor\u00edntios 11,1).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Is 5,1-7; Sl 80; Fl 4,6-9; Mt 21,33-43 1. 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