{"id":2911896457,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12584-domingo-xxxii-do-tempo-comum-chegar-com-o-controlo-encerrado-"},"modified":"2025-11-07T16:33:58","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:58","slug":"domingo-xxxii-do-tempo-comum-chegar-com-o-controlo-encerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxxii-do-tempo-comum-chegar-com-o-controlo-encerrado\/","title":{"rendered":"Domingo XXXII do Tempo Comum: \u00abChegar com o controlo encerrado\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>Sb 6,12-16; Sl 63; 1 Ts 4,13-18; Mt 25,1-13<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. O Evangelho deste Domingo XXXII do Tempo Comum \u00e9 todo ele uma par\u00e1bola (Mateus 25,1-13) e \u00e9 introduzido com a f\u00f3rmula t\u00edpica das par\u00e1bolas: \u00abEnt\u00e3o (<em>t\u00f3te<\/em>), o Reino dos C\u00e9us ser\u00e1 semelhante (<em>homoi\u00f4th\u00easetai<\/em>)\u2026\u00bb (v. 1a). O cen\u00e1rio \u00e9 o de um casamento judaico tradicional. No \u00faltimo dia antes dos festejos, depois do p\u00f4r-do-sol, o noivo, acompanhado pelos seus amigos, \u00e0 luz de tochas e ao som de c\u00e2nticos, formando um cortejo, dirigia-se para a casa da noiva, que o esperava, acompanhada pelas suas amigas. Quando o cortejo do noivo chegava ao seu destino, a noiva abandonava a sua casa com as suas amigas, e formava-se ent\u00e3o uma \u00fanica comitiva luminosa e ruidosa, com dan\u00e7as e cantares, que se dirigia para a casa do noivo onde se celebrava o casamento e tinha lugar o banquete nupcial.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Depois da j\u00e1 referida introdu\u00e7\u00e3o, o texto prossegue com a alus\u00e3o ao grupo das jovens amigas ou damas de honra que acompanham a noiva que aguarda a chegada do cortejo do noivo. Note-se, por\u00e9m, que a noiva nunca \u00e9 referida no texto. Em vez da noiva, s\u00e3o as amigas da noiva que aparecem \u00e0 boca da cena, e s\u00e3o estranhamente divididas em dois grupos, iguais em n\u00famero, mas n\u00e3o em qualidade: cinco s\u00e3o qualificadas de\u00a0<em>sensatas<\/em>\u00a0(<em>phr\u00f3nimoi<\/em>) e cinco de\u00a0<em>insensatas<\/em>\u00a0(<em>m\u00f4ra\u00ed<\/em>) (v. 2). O noivo, por sua vez, n\u00e3o segue o ritual previsto, pois atrasa-se muito para al\u00e9m da hora habitual (v. 5).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. O facto de a par\u00e1bola aparecer formulada no futuro, e o facto de o noivo atrasar a sua chegada muito para al\u00e9m da hora habitual, confere a esta par\u00e1bola um tom claramente escatol\u00f3gico. Jesus, que est\u00e1 sentado no monte das Oliveiras desde Mateus 24,3, fala aos seus disc\u00edpulos, n\u00e3o de como as coisas s\u00e3o agora, mas de como ser\u00e3o na Parusia do Filho do Homem. Esta perspetiva de futuro \u00e9 salientada por aquele \u00abEnt\u00e3o\u00bb introdut\u00f3rio, que remete para tr\u00e1s, para o \u00abdia\u00bb e a \u00abhora\u00bb que marcam o ritmo do discurso e do andamento do mundo desde 24,36: s\u00f3 o Pai conhece esse dia e essa hora. A par\u00e1boa apresenta, ent\u00e3o, o cen\u00e1rio da Parusia eventualmente diferida, mas que chega de improviso. A fun\u00e7\u00e3o das virgens chamadas a ir ao encontro do noivo remetem para os amigos do noivo, de que fala Jesus em 9,15, esclarecendo a identidade do noivo, Jesus, e dos que o seguem, os seus disc\u00edpulos. Mas a enuncia\u00e7\u00e3o desta par\u00e1bola no futuro e a terminologia usada remetem ainda para 7,24-27, em que Jesus diz, em forma de par\u00e1bola: \u00abAquele que escuta as minhas Palavras e as faz\u00a0<em>ser\u00e1 semelhante<\/em>\u00a0(<em>homoi\u00f4th\u00easetai<\/em>) a um homem\u00a0<em>sensato<\/em>\u00a0(<em>phr\u00f3nimos<\/em>) que construiu a sua casa sobre a rocha\u00bb (7,24) (\u2026), \u00abmas aquele que escuta estas minhas Palavras e n\u00e3o as faz\u00a0<em>ser\u00e1 semelhante<\/em>\u00a0(<em>homoi\u00f4th\u00easetai<\/em>) a um homem\u00a0<em>insensato<\/em>\u00a0(<em>m\u00f4r\u00f3s<\/em>), que construiu a sua casa sobre a areia\u00bb (7,26).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Dado o atraso, inesperado, do cortejo do noivo, as amigas da noiva acabam por adormecer todas, n\u00e3o se notando, neste particular, qualquer diferen\u00e7a entre os dois grupos j\u00e1 identificados das\u00a0<em>sensatas<\/em>\u00a0e das\u00a0<em>insensatas<\/em>. At\u00e9 que, no meio da noite, tamb\u00e9m inesperadamente, a vozearia do cortejo do noivo faz acordar, estremunhadas, as amigas da noiva, e \u00e9 s\u00f3 agora que se notam as primeiras disson\u00e2ncias no comportamento dos dois grupos: as\u00a0<em>sensatas<\/em>, juntamente com as suas tochas, necess\u00e1rias para entrar na luminosa comitiva noturna, levam tamb\u00e9m o indispens\u00e1vel combust\u00edvel: o azeite. A arqueologia tem mostrado estas antigas tochas em uso nos cortejos nupciais do mundo Mediterr\u00e2nico de ent\u00e3o, bem como o seu funcionamento: um suporte de madeira em cuja cavidade superior se introduziam trapos e estopa, que eram ent\u00e3o embebidos em azeite, e acesos s\u00f3 na hora de sair para o exterior. S\u00e3o, na verdade, luzes de exterior, que nada t\u00eam a ver com as lucernas de interior do per\u00edodo Herodiano, que produziam pouca luminosidade. Depois de embebidas em azeite, e acesas, o seu tempo de dura\u00e7\u00e3o era de cerca de quinze minutos. Pelo que s\u00f3 deviam ser acesas imediatamente antes de sair. E, ainda assim, se a viagem demorasse, devia transportar-se tamb\u00e9m a vasilha do azeite, para n\u00e3o se correr o risco de a tocha se apagar. \u00c9 este segundo aspeto que separa as jovens\u00a0<em>insensatas<\/em>\u00a0das\u00a0<em>sensatas<\/em>. O problema n\u00e3o reside no facto de umas estarem a dormir e outras acordadas, pois \u00e9 referido que todas as virgens, as\u00a0<em>sensatas<\/em>\u00a0e as\u00a0<em>insensatas<\/em>, tinham igualmente adormecido.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Com as tochas apagadas e sem o indispens\u00e1vel azeite, as jovens\u00a0<em>insensatas<\/em>\u00a0n\u00e3o puderam integrar o cortejo nupcial, que se dirigia para casa do noivo, que era habitualmente a casa dos seus pais. Enquanto foram comprar o azeite (pouco importa numa par\u00e1bola que houvesse lojas abertas \u00e0quela hora), p\u00f4s-se em marcha o cortejo at\u00e9 \u00e0 casa do noivo, deu-se in\u00edcio ao banquete e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram tamb\u00e9m as jovens\u00a0<em>insensatas<\/em>, e disseram: \u00abSenhor, Senhor, abre-nos a porta\u00bb (v. 11). A resposta, por\u00e9m, surge com mais estrondo que o fechar da porta, e soa assim: \u00abEm verdade vos digo que n\u00e3o vos conhe\u00e7o\u00bb (v. 12). Tendo em aten\u00e7\u00e3o os usos e costumes dos casamentos de ent\u00e3o, a festa prolongava-se por sete dias e dificilmente a porta se fechava, pois era habitual irem chegando novos convidados. Mas trata-se sempre obviamente da exclus\u00e3o daquelas virgens\u00a0<em>insensatas<\/em>\u00a0da alegria da luz e da festa e de serem atiradas para a escurid\u00e3o, por terem, com o seu comportamento desleixado, insultado os noivos e os seus convidados e estragado a festa sagrada de um casamento.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Para se entender bem o alcance das locu\u00e7\u00f5es \u00abSenhor, Senhor\u00bb e \u00abn\u00e3o vos conhe\u00e7o\u00bb, importa reler atr\u00e1s, no Discurso program\u00e1tico da Montanha, Mateus 7,21-23: \u00abN\u00e3o todo aquele que me diz \u201cSenhor, Senhor\u201d, entrar\u00e1 no Reino dos C\u00e9us, mas sim aquele que faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us. Muitos me dir\u00e3o naquele dia: \u201cSenhor, Senhor, n\u00e3o foi em teu nome que profetiz\u00e1mos e em teu nome que expuls\u00e1mos dem\u00f3nios e em teu nome que fizemos muitos milagres?\u201d Ent\u00e3o eu lhes declararei: \u201cNunca vos conheci\u201d\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. E a prop\u00f3sito do bom conhecimento, importa revisitar ainda Mateus 12,48-50, para descobrir uma nova fam\u00edlia, que s\u00e3o as pessoas que melhor conhecemos: \u00ab\u201cQuem \u00e9 minha m\u00e3e e quem s\u00e3o meus irm\u00e3os?\u201d E estendendo a sua m\u00e3o para os seus disc\u00edpulos, disse: \u201cEis a minha m\u00e3e e os meus irm\u00e3os. Quem faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us, esse \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha m\u00e3e\u201d\u00bb. O lapso trivial das jovens\u00a0<em>insensatas<\/em>\u00a0que se esqueceram de levar consigo o necess\u00e1rio azeite pode ser a manifesta\u00e7\u00e3o de um falso conhecimento, o que pode significar que n\u00e3o fazem parte da fam\u00edlia de Jesus. N\u00e3o basta dizer. \u00c9 necess\u00e1rio fazer.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Este noivo que demora a vir \u00e9 o Senhor. O tempo da sua demora \u00e9 o tempo que, por gra\u00e7a, nos \u00e9 dado a todos para estarmos sempre prontos, preparados e operosos. Afinal, as jovens\u00a0<em>insensatas<\/em>\u00a0tamb\u00e9m sabiam bem o que era necess\u00e1rio, tanto que acabaram por cumprir o programa e chegaram \u00e0 meta. S\u00f3 que tarde e a m\u00e1s horas, e o controlo j\u00e1 estava encerrado.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O texto do Antigo Testamento que serve de espelho ao Evangelho de hoje, que fala do noivo, da luz e da vigil\u00e2ncia, \u00e9 o texto do Livro da Sabedoria 6,13-18. Sa\u00fada-se j\u00e1 por termos hoje a gra\u00e7a de escutar um bocadinho deste Livro delicioso, que poucas vezes encontramos na Liturgia. Alegramo-nos ainda porque encontramos neste bocadinho de p\u00e3o da Sabedoria o amor, a luz, o conhecimento, a busca incessante, o encontro feliz. Na verdade, a Sabedoria em Deus \u00e9 Deus, e constitui uma figura simb\u00f3lica que indica o amor de Deus, amor nupcial, transformante, unitivo. A Sabedoria \u00e9 Luz divina inalter\u00e1vel; portanto, Vida divina inalter\u00e1vel. Apresenta-se como uma esposa que vem ao nosso encontro, tomando a iniciativa do Amor. Portanto, a Sabedoria \u00e9 Gra\u00e7a preveniente, concomitante, consequente, que desposa cada fiel, e todos os fi\u00e9is reunidos em comunidade. Trabalho do Amor \u00e9 a Sabedoria, que atravessa o Novo Testamento como Sabedoria Incarnada. D\u00e1-nos, Senhor, a tua Sabedoria sempre diligente. Ensina-nos a bem contar os nossos dias (Salmo 90,12) e a saber cantar as nossas alegrias. Vem, Senhor Jesus!<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\">10. Escutamos e escrutamos uma vez mais um grande e claro texto da Primeira Carta aos Tessalonicenses 4,13-18, sa\u00eddo da pena de S. Paulo que, de Corinto, capital da Acaia, da casa de Priscila e \u00c1quila, onde estava hospedado, escreve aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, capital da Maced\u00f3nia, certamente respondendo a d\u00favidas que de l\u00e1 lhe foram trazidas e reportadas. No extrato de hoje, trata-se de saber se a for\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo (cf. Filipenses 3,10) tamb\u00e9m chega \u00e0queles que j\u00e1 morreram. O texto diz bem, como ainda hoje n\u00f3s usamos dizer na liturgia, aqueles que\u00a0<em>adormeceram<\/em>\u00a0em Cristo, usando o verbo grego\u00a0<em>koim\u00e1omai<\/em>, em cuja raiz est\u00e1 tamb\u00e9m\u00a0<em>ko\u00edm\u00easis<\/em>\u00a0[= sono] e\u00a0<em>koim\u00eat\u00earion<\/em>\u00a0[= cemit\u00e9rio], que \u00e9 o dormit\u00f3rio, o lugar onde se dorme. A resposta de Paulo \u00e9 clara: com a vinda do Senhor, e \u00e0 sua voz de comando, todos ressuscitaremos com Ele, os mortos [= os que dormem] e os vivos. Sim, vem a hora, e \u00e9 agora, em que os que morreram ouvir\u00e3o a voz do Filho de Deus, e viver\u00e3o (cf. Jo\u00e3o 5,25 e 28). N\u00e3o nos deixemos, portanto, habitar pela tristeza, porque temos connosco a esperan\u00e7a, que nos atira para al\u00e9m do horizonte das mais elementares leis da natureza. O neopaganismo em que vive atolada esta sociedade vende uma finitude, em que o finito, o defunto, que \u00e9 aquele que deixou de funcionar, deve ser assumido como tal, ponto final. O Cristianismo tamb\u00e9m sabe desta finitude, mas enquanto a finitude neopag\u00e3 \u00e9 vista como\u00a0<em>natural<\/em>, n\u00f3s, crist\u00e3os, vemo-la como\u00a0<em>criatural<\/em>. Ent\u00e3o, no Cristianismo, o homem tem um fim, n\u00e3o por ser mortal, mas por ser\u00a0<em>criado<\/em>. E, portanto, a nossa finitude crist\u00e3 est\u00e1 fundada sobre o Criador, e n\u00e3o sobre n\u00f3s mesmos. A maneira de ver neopag\u00e3 n\u00e3o tem sa\u00edda, nem a quer ter, nem a pode ter. Ao contr\u00e1rio, a \u00f3tica crist\u00e3 remete para o Criador, deixando-nos, portanto, no terreno firme da esperan\u00e7a e da confian\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. O Salmo 63 \u00e9 conhecido como \u00abo c\u00e2ntico do amor m\u00edstico\u00bb, atravessado por uma apaixonada intensidade, bem expressa na primeira afirma\u00e7\u00e3o ou declara\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 boca do Salmo, mas que enche, de resto, o Salmo inteiro: \u00abO meu Deus \u00e9s Tu\u00bb [<em>?<\/em><em>el<\/em><em>\u00ee<\/em><em> <\/em><em>?<\/em><em>attah<\/em>], a que responde e corresponde Deus em Isa\u00edas 43,1, declarando: \u00abPara mim tu \u00e9s\u00bb [<em>l\u00ee <\/em><em>?<\/em><em>attah<\/em>]. Todo o resto no Salmo 63 assenta sobre esta certeza: Ele \u00e9 o meu Deus, e eu sou d\u2019Ele. A minha vida recebida (<em>naphsh\u00ee<\/em>), por quatro vezes no Salmo referida (v. 2.5.9.10) agarra-se amorosamente (<em>dabaq<\/em>) a Ti (v. 9), canta o teu amor, vive de Ti, tem sede de Ti, como cantaremos no refr\u00e3o. A beleza, intensidade e espiritualidade que atravessam este Salmo ganham visibilidade na liturgia bizantina das manh\u00e3s de Domingo, e os v. 3-6 entram no c\u00e2none eucar\u00edstico armeno.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sb 6,12-16; Sl 63; 1 Ts 4,13-18; Mt 25,1-13 1. 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