{"id":2948114349,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7702-vaticano-mensagem-do-papa-francisco-para-xxvi-dia-mundial-do-doente"},"modified":"2025-11-07T16:34:29","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:29","slug":"vaticano-mensagem-do-papa-francisco-para-xxvi-dia-mundial-do-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-mensagem-do-papa-francisco-para-xxvi-dia-mundial-do-doente\/","title":{"rendered":"Vaticano: Mensagem do Papa Francisco para XXVI Dia Mundial do Doente"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/franciscoenfermo_bohumilpetrik_aciprensa_15122016_180211122654.jpg\" \/><\/p>\n<p><p align=\"center\" style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #663300\"><strong><em>Mater Ecclesiae<\/em>: \u00ab\u201cEis o teu filho! (\u2026) Eis a tua m\u00e3e!\u201d<br \/>E, desde aquela hora, o disc\u00edpulo acolheu-a como sua\u00bb<br \/>(<em>Jo<\/em>\u00a019, 26-27)<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/em><\/p>\n<p>O servi\u00e7o da Igreja aos doentes e a quantos cuidam deles deve continuar, com vigor sempre renovado, por fidelidade ao mandato do Senhor (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a09, 2-6,\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a010, 1-8;\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a06, 7-13) e seguindo o exemplo muito eloquente do seu Fundador e Mestre.<\/p>\n<p>Este ano, o tema do Dia do Doente \u00e9 tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua m\u00e3e, e a Jo\u00e3o: \u00ab\u201cEis o teu filho! (\u2026) Eis a tua m\u00e3e!\u201d E, desde aquela hora, o disc\u00edpulo acolheu-A como sua\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a019, 26-27).<\/p>\n<p>1. Estas palavras do Senhor iluminam profundamente o mist\u00e9rio da Cruz. Esta n\u00e3o representa uma trag\u00e9dia sem esperan\u00e7a, mas o lugar onde Jesus mostra a sua gl\u00f3ria e deixa amorosamente as suas \u00faltimas vontades, que se tornam regras constitutivas da comunidade crist\u00e3 e da vida de cada disc\u00edpulo.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, as palavras de Jesus d\u00e3o origem \u00e0\u00a0<em>voca\u00e7\u00e3o materna de Maria em rela\u00e7\u00e3o a toda a humanidade<\/em>. Ser\u00e1, de uma forma particular, a m\u00e3e dos disc\u00edpulos do seu Filho e cuidar\u00e1 deles e do seu caminho. E, como sabemos, o cuidado materno dum filho ou duma filha engloba tanto os aspetos materiais como os espirituais da sua educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sofrimento indescrit\u00edvel da cruz trespassa a alma de Maria (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a02, 35), mas n\u00e3o a paralisa. Pelo contr\u00e1rio, l\u00e1 come\u00e7a para Ela um novo caminho de doa\u00e7\u00e3o, como M\u00e3e do Senhor. Na cruz, Jesus preocupa-Se com a Igreja e toda a humanidade, e Maria \u00e9 chamada a partilhar esta mesma preocupa\u00e7\u00e3o. Os Atos dos Ap\u00f3stolos, ao descrever a grande efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo no Pentecostes, mostram-nos que Maria come\u00e7ou a desempenhar a sua tarefa na primeira comunidade da Igreja. Uma tarefa que n\u00e3o mais ter\u00e1 fim.<\/p>\n<p>2. O disc\u00edpulo Jo\u00e3o, o amado, representa a Igreja, povo messi\u00e2nico. Ele deve\u00a0<em>reconhecer Maria como sua pr\u00f3pria m\u00e3e<\/em>. E, neste reconhecimento, \u00e9 chamado a receb\u00ea-La, contemplar n\u2019Ela o modelo do discipulado e tamb\u00e9m a voca\u00e7\u00e3o materna que Jesus Lhe confiou incluindo as preocupa\u00e7\u00f5es e os projetos que isso implica: a M\u00e3e que ama e gera filhos capazes de amar segundo o mandamento de Jesus. Por isso a voca\u00e7\u00e3o materna de Maria, a voca\u00e7\u00e3o de cuidar dos seus filhos, passa para Jo\u00e3o e toda a Igreja. Toda a comunidade dos disc\u00edpulos fica envolvida na voca\u00e7\u00e3o materna de Maria.<\/p>\n<p>3. Jo\u00e3o, como disc\u00edpulo que partilhou tudo com Jesus, sabe que o Mestre quer\u00a0<em>conduzir todos os homens ao encontro do Pai<\/em>. Pode testemunhar que Jesus encontrou muitas pessoas doentes no esp\u00edrito, porque cheias de orgulho (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a08, 31-39), e doentes no corpo (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a05, 6). A todos, concedeu miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o e, aos doentes, tamb\u00e9m a cura f\u00edsica, sinal da vida abundante do Reino, onde se enxugam todas as l\u00e1grimas. Como Maria, os disc\u00edpulos s\u00e3o chamados a cuidar uns dos outros; mas n\u00e3o s\u00f3: eles sabem que o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus est\u00e1 aberto a todos, sem exclus\u00e3o. A todos deve ser anunciado o Evangelho do Reino, e a caridade dos crist\u00e3os deve estender-se a todos quantos passam necessidade, simplesmente porque s\u00e3o pessoas, filhos de Deus.<\/p>\n<p>4. Esta\u00a0<em>voca\u00e7\u00e3o materna da Igreja para com as pessoas necessitadas e os doentes<\/em>\u00a0concretizou-se, ao longo da sua hist\u00f3ria bimilen\u00e1ria, numa s\u00e9rie riqu\u00edssima de iniciativas a favor dos enfermos. Esta hist\u00f3ria de dedica\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser esquecida. Continua ainda hoje, em todo o mundo. Nos pa\u00edses onde existem sistemas de sa\u00fade p\u00fablica suficientes, o trabalho das congrega\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, das dioceses e dos seus hospitais, al\u00e9m de fornecer cuidados m\u00e9dicos de qualidade, procura colocar a pessoa humana no centro do processo terap\u00eautico e desenvolve a pesquisa cient\u00edfica no respeito da vida e dos valores morais crist\u00e3os. Nos pa\u00edses onde os sistemas de sa\u00fade s\u00e3o insuficientes ou inexistentes, a Igreja esfor\u00e7a-se por oferecer \u00e0s pessoas o m\u00e1ximo poss\u00edvel de cuidados da sa\u00fade, por eliminar a mortalidade infantil e debelar algumas pandemias. Em todo o lado, ela procura cuidar, mesmo quando n\u00e3o \u00e9 capaz de curar. A imagem da Igreja como \u00abhospital de campo\u00bb, acolhedora de todos os que s\u00e3o feridos pela vida, \u00e9 uma realidade muito concreta, porque, nalgumas partes do mundo, os hospitais dos mission\u00e1rios e das dioceses s\u00e3o os \u00fanicos que fornecem os cuidados necess\u00e1rios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>5. A\u00a0<em>mem\u00f3ria da longa hist\u00f3ria de servi\u00e7o aos doentes<\/em>\u00a0\u00e9 motivo de alegria para a comunidade crist\u00e3 e, de modo particular, para aqueles que atualmente desempenham esse servi\u00e7o. Mas \u00e9 preciso olhar o passado sobretudo para com ele nos enriquecermos. Dele devemos aprender: a generosidade at\u00e9 ao sacrif\u00edcio total de muitos fundadores de institutos ao servi\u00e7o dos enfermos; a criatividade, sugerida pela caridade, de muitas iniciativas empreendidas ao longo dos s\u00e9culos; o empenho na pesquisa cient\u00edfica, para oferecer aos doentes cuidados inovadores e fi\u00e1veis. Esta heran\u00e7a do passado ajuda a projetar bem o futuro. Por exemplo, a preservar os hospitais cat\u00f3licos do risco duma mentalidade empresarial, que em todo o mundo quer colocar o tratamento da sa\u00fade no contexto do mercado, acabando por descartar os pobres. Ao contr\u00e1rio, a intelig\u00eancia organizativa e a caridade exigem que a pessoa do doente seja respeitada na sua dignidade e sempre colocada no centro do processo de tratamento. Estas orienta\u00e7\u00f5es devem ser assumidas tamb\u00e9m pelos crist\u00e3os que trabalham nas estruturas p\u00fablicas, onde s\u00e3o chamados a dar, atrav\u00e9s do seu servi\u00e7o, bom testemunho do Evangelho.<\/p>\n<p>6. Jesus deixou, como dom \u00e0 Igreja, o seu\u00a0<em>poder de curar<\/em>: \u00abEstes sinais acompanhar\u00e3o aqueles que acreditarem: (&#8230;) h\u00e3o de impor as m\u00e3os aos doentes e eles ficar\u00e3o curados\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a016, 17.18). Nos Atos dos Ap\u00f3stolos, lemos a descri\u00e7\u00e3o das curas realizadas por Pedro (cf.\u00a0<em>At<\/em>\u00a03, 4-8) e por Paulo (cf.\u00a0<em>At<\/em>\u00a014, 8-11). Ao dom de Jesus corresponde o dever da Igreja, bem ciente de que deve pousar, sobre os doentes, o mesmo olhar rico de ternura e compaix\u00e3o do seu Senhor. A pastoral da sa\u00fade permanece e sempre permanecer\u00e1 um dever necess\u00e1rio e essencial, que se h\u00e1 de viver com um \u00edmpeto renovado come\u00e7ando pelas comunidades paroquiais at\u00e9 aos centros de tratamento de excel\u00eancia. N\u00e3o podemos esquecer aqui a ternura e a perseveran\u00e7a com que muitas fam\u00edlias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes cr\u00f3nicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em fam\u00edlia s\u00e3o um testemunho extraordin\u00e1rio de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e pol\u00edticas adequadas. Portanto, m\u00e9dicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e volunt\u00e1rios, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta miss\u00e3o eclesial. \u00c9 uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do servi\u00e7o di\u00e1rio de cada um.<\/p>\n<p>7. A Maria, M\u00e3e da ternura, queremos confiar todos os doentes no corpo e no esp\u00edrito, para que os sustente na esperan\u00e7a. A Ela pedimos tamb\u00e9m que nos ajude a ser acolhedores para com os irm\u00e3os enfermos. A Igreja sabe que precisa duma gra\u00e7a especial para conseguir fazer frente ao seu servi\u00e7o evang\u00e9lico de cuidar dos doentes. Por isso, unamo-nos todos numa s\u00faplica insistente elevada \u00e0 M\u00e3e do Senhor, para que cada membro da Igreja viva com amor a voca\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da vida e da sa\u00fade. A Virgem Maria interceda por este XXVI Dia Mundial do Doente, ajude as pessoas doentes a viverem o seu sofrimento em comunh\u00e3o com o Senhor Jesus, e ampare aqueles que cuidam delas. A todos, doentes, agentes de sa\u00fade e volunt\u00e1rios, concedo de cora\u00e7\u00e3o a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p><em>Vaticano, 26 de novembro \u2013 Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo \u2013 de 2017.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\"><strong><em>Franciscus<\/em><\/strong><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mater Ecclesiae: \u00ab\u201cEis o teu filho! 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