{"id":3006230138,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8573-marrocos-homilia-do-papa-francisco"},"modified":"2025-11-07T16:34:33","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:33","slug":"marrocos-homilia-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/marrocos-homilia-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Marrocos: Homilia do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_marrocos_homilia_190401092801.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>No \u00faltimo dia da visita a Marrocos o Papa Francisco celebrou missa com centenas de crist\u00e3os do territ\u00f3rio, no complexo desportivo Pr\u00edncipe Moulay Abdellah. Na sua homilia o Papa lembrou &#8220;<span>tantas circunst\u00e2ncias que podem alimentar a divis\u00e3o e o conflito&#8221; e encorajou os presentes a &#8220;<span>entrar numa din\u00e2mica que nos possibilite olhar e ousar viver, n\u00e3o como inimigos, mas como irm\u00e3os&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00abQuando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaix\u00e3o, correu a lan\u00e7ar-se-lhe ao pesco\u00e7o e cobriu-o de beijos\u00bb (<em>Lc<\/em>15, 20).<\/p>\n<p>Assim nos leva o Evangelho ao cora\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola onde se apresenta o comportamento do pai quando v\u00ea regressar o seu filho: comovido at\u00e9 \u00e0s entranhas, n\u00e3o espera que ele chegue a casa, mas surpreende-o correndo ao seu encontro. Um filho ansiosamente esperado. Um pai comovido ao v\u00ea-lo regressar.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi a \u00fanica vez que o pai correu. A sua alegria seria incompleta sem a presen\u00e7a do outro filho. Por isso, sai tamb\u00e9m ao seu encontro, para convid\u00e1-lo a tomar parte na festa (cf. 15, 28). Contudo o filho mais velho parece n\u00e3o gostar das festas de boas-vindas, custava-lhe suportar a alegria do pai, n\u00e3o reconhece o regresso do seu irm\u00e3o: \u00abesse teu filho\u00bb (15, 30) \u2013 dizia. Para ele, o irm\u00e3o continua perdido, porque j\u00e1 o perdera no seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Incapaz de participar na festa, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o reconhece o irm\u00e3o, mas t\u00e3o-pouco reconhece o pai. Prefere ser \u00f3rf\u00e3o \u00e0 fraternidade, o isolamento ao encontro, a amargura \u00e0 festa. Custa-lhe n\u00e3o s\u00f3 compreender e perdoar a seu irm\u00e3o, mas tamb\u00e9m aceitar ter um pai capaz de perdoar, disposto a esperar e velar por que ningu\u00e9m fique fora; enfim, um pai capaz de sentir compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>No limiar daquela casa, parece manifestar-se o mist\u00e9rio da nossa humanidade: por um lado, temos a festa pelo filho reencontrado e, por outro, um certo sentimento de trai\u00e7\u00e3o e indigna\u00e7\u00e3o por se festejar o seu regresso. Por um lado, a hospitalidade para quem experimentara tal mis\u00e9ria e sofrimento, que chegara ao ponto de exalar o cheiro dos porcos e querer alimentar-se com o que eles comiam; por outro, a irrita\u00e7\u00e3o e o ressentimento por se dar lugar a algu\u00e9m que n\u00e3o era digno nem merecedor de tal abra\u00e7o.<\/p>\n<p>Deste modo, mais uma vez vem \u00e0 luz a tens\u00e3o que se vive no meio da nossa gente e nas nossas comunidades, e at\u00e9 dentro de n\u00f3s mesmos. Uma tens\u00e3o que, a partir de Caim e Abel, mora em n\u00f3s e que somos convidados a encarar: Quem tem direito a permanecer entre n\u00f3s, ocupar um lugar \u00e0 nossa mesa e nas nossas assembleias, nas nossas solicitudes e servi\u00e7os, nas nossas pra\u00e7as e cidades? Parece continuar a ressoar aquela pergunta fratricida: Porventura sou eu o guardi\u00e3o do meu irm\u00e3o? (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a04, 9).<\/p>\n<p>No limiar daquela casa, surgem as divis\u00f5es e desencontros, a agressividade e os conflitos que sempre atingir\u00e3o as portas dos nossos grandes desejos, das nossas lutas pela fraternidade e pela possibilidade de cada pessoa experimentar desde j\u00e1 a sua condi\u00e7\u00e3o e dignidade de filho.<\/p>\n<p>Mas no limiar daquela casa brilhar\u00e1 tamb\u00e9m em toda a sua claridade, sem lucubra\u00e7\u00f5es nem desculpas que lhe tirem for\u00e7a, o desejo do Pai: que todos os seus filhos tomem parte na sua alegria; que ningu\u00e9m viva em condi\u00e7\u00f5es desumanas como seu filho mais novo, nem na orfandade, isolamento ou amargura como o filho mais velho. O seu cora\u00e7\u00e3o quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (cf.\u00a0<em>1 Tm<\/em>\u00a02, 4).<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, h\u00e1 tantas circunst\u00e2ncias que podem alimentar a divis\u00e3o e o conflito; s\u00e3o ineg\u00e1veis as situa\u00e7\u00f5es que podem levar a afrontar-nos e dividir-nos. N\u00e3o podemos neg\u00e1-lo. Estamos sempre amea\u00e7ados pela tenta\u00e7\u00e3o de crer no \u00f3dio e na vingan\u00e7a como formas leg\u00edtimas de obter justi\u00e7a de maneira r\u00e1pida e eficaz. Mas a experi\u00eancia diz-nos que a \u00fanica coisa que conseguem o \u00f3dio, a divis\u00e3o e a vingan\u00e7a \u00e9 matar a alma da nossa gente, envenenar a esperan\u00e7a dos nossos filhos, destruir e fazer desaparecer tudo o que amamos.<\/p>\n<p>Por isso, Jesus convida-nos a fixar e contemplar o cora\u00e7\u00e3o do Pai. S\u00f3 a partir dele poderemos, cada dia, redescobrir-nos como irm\u00e3os. S\u00f3 a partir deste horizonte amplo, capaz de nos ajudar a superar as nossas m\u00edopes l\u00f3gicas de divis\u00e3o, \u00e9 que seremos capazes de alcan\u00e7ar um olhar que n\u00e3o pretenda obscurecer ou desmentir as nossas diferen\u00e7as, buscando talvez uma unidade for\u00e7ada ou uma marginaliza\u00e7\u00e3o silenciosa. S\u00f3 se formos capazes diariamente de levantar os olhos para o c\u00e9u e dizer\u00a0<em>Pai Nosso<\/em>, \u00e9 que poderemos entrar numa din\u00e2mica que nos possibilite olhar e ousar viver, n\u00e3o como inimigos, mas como irm\u00e3os.<\/p>\n<p>\u00abTudo o que \u00e9 meu \u00e9 teu\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a015, 31): diz o pai ao filho mais velho. E n\u00e3o se refere apenas aos bens materiais, mas a ser participante tamb\u00e9m do seu amor e da sua compaix\u00e3o. Esta \u00e9 a maior heran\u00e7a e riqueza do crist\u00e3o. Com efeito, em vez de nos medirmos ou classificarmos com base numa condi\u00e7\u00e3o moral, social, \u00e9tnica ou religiosa, podemos reconhecer que existe outra condi\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m poder\u00e1 apagar ou aniquilar, pois \u00e9 puro dom: a condi\u00e7\u00e3o de filhos amados, esperados e festejados pelo Pai.<\/p>\n<p>\u00abTudo o que \u00e9 meu \u00e9 teu\u00bb, incluindo a minha capacidade de compaix\u00e3o: diz-nos o Pai. N\u00e3o caiamos na tenta\u00e7\u00e3o de reduzir a nossa filia\u00e7\u00e3o a uma quest\u00e3o de leis e proibi\u00e7\u00f5es, de deveres e seu cumprimento. A nossa filia\u00e7\u00e3o e a nossa miss\u00e3o nascer\u00e3o, n\u00e3o de voluntarismos, legalismos, relativismos ou integrismos, mas da implora\u00e7\u00e3o feita por pessoas crentes que diariamente rezam com humildade e const\u00e2ncia: Venha a n\u00f3s o vosso Reino.<\/p>\n<p>A par\u00e1bola do Evangelho deixa aberto o final. Vemos o pai rogar ao filho mais velho que entre e participe na festa da miseric\u00f3rdia; mas o evangelista nada diz acerca da decis\u00e3o que ele tomou. Ter-se-\u00e1 associado \u00e0 festa? Podemos pensar que este final aberto sirva para cada comunidade, cada um de n\u00f3s o escrever com a sua vida, o seu olhar e atitude para com os outros. O crist\u00e3o sabe que, na casa do Pai, h\u00e1 muitas moradas; de fora, ficam apenas aqueles que n\u00e3o querem tomar parte na sua alegria.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os, queridas irm\u00e3s, quero agradecer-vos pela forma como dais testemunho do Evangelho da miseric\u00f3rdia nestas terras. Obrigado pelos esfor\u00e7os feitos para tornardes as vossas comunidades o\u00e1sis de miseric\u00f3rdia. Animo-vos e encorajo a continuar a fazer crescer a cultura da miseric\u00f3rdia, uma cultura na qual ningu\u00e9m olhe para o outro com indiferen\u00e7a nem desvie o olhar ao ver o seu sofrimento (cf. Carta ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20161120_misericordia-et-misera.html\">Misericordia et misera<\/a><\/em>, 20). Continuai ao lado dos humildes e dos pobres, daqueles que s\u00e3o rejeitados, abandonados e ignorados; continuai a ser sinal do abra\u00e7o e do cora\u00e7\u00e3o do Pai.<\/p>\n<p>Que o Misericordioso e o Clemente \u2013 como tantas vezes O invocam os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s mu\u00e7ulmanos \u2013 vos fortale\u00e7a e fa\u00e7a frutificar as obras do vosso amor.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/es\/homilies\/2019\/documents\/papa-francesco_20190331_omelia-marocco.html\">original em espanhol<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia da visita a Marrocos o Papa Francisco celebrou missa com centenas de crist\u00e3os do territ\u00f3rio, no complexo 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