{"id":301859894,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7181-audiencia-geral-o-perdao-divino-motor-da-esperanca"},"modified":"2025-11-07T16:34:26","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:26","slug":"audiencia-geral-o-perdao-divino-motor-da-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-o-perdao-divino-motor-da-esperanca\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abO perd\u00e3o divino: motor da esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_escola_catolica_151121014216.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a catequese do Papa Francisco subordinada ao tema \u00abA Esperan\u00e7a Crist\u00e3 &#8211; 30. O perd\u00e3o divino: Motor da Esperan\u00e7a\u00bb proferida nesta manh\u00e3 de quarta-feira na Sala Paulo VI, no Vaticano.<\/p>\n<p><em>Bom dia, prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/em><\/p>\n<p>Ouvimos a rea\u00e7\u00e3o dos comensais de Sim\u00e3o, o fariseu:\u00a0<em>\u00abQuem \u00e9 este homem que at\u00e9 perdoa os pecados?\u00bb\u00a0<\/em>(<em>Lc<\/em>\u00a07, 49). Jesus acabou de fazer um gesto escandaloso. Uma mulher da cidade, que todos conheciam como uma pecadora, entrou na casa de Sim\u00e3o, inclinou-se aos p\u00e9s de Jesus e derramou sobre os seus p\u00e9s o \u00f3leo perfumado. Todos aqueles que estavam ali \u00e0 mesa murmuravam: se Jesus \u00e9 um profeta, n\u00e3o deveria aceitar gestos deste tipo de uma mulher como aquela. Estas mulheres, desventuradas, que s\u00f3 serviam para ser encontradas \u00e0s escondidas, inclusive pelos chefes, ou para ser lapidadas. Segundo a mentalidade dessa \u00e9poca, entre o santo e o pecador, entre o puro e o impuro, a separa\u00e7\u00e3o devia ser clara.<\/p>\n<p>Mas a atitude de Jesus \u00e9 diferente. Desde o in\u00edcio do seu minist\u00e9rio na Galileia, Ele aproxima-se dos leprosos, dos endemoninhados, de todos os doentes e dos marginalizados. Um comportamento deste tipo n\u00e3o era nada habitual, a ponto que esta simpatia de Jesus pelos exclu\u00eddos, pelos \u201cintoc\u00e1veis\u201d, ser\u00e1 uma das atitudes que mais desconcertar\u00e3o os seus contempor\u00e2neos. Onde h\u00e1 uma pessoa que sofre, Jesus cuida dela e aquele sofrimento torna-se seu. Jesus n\u00e3o apregoa que a condi\u00e7\u00e3o de pena deve ser suportada com hero\u00edsmo, \u00e0 maneira dos fil\u00f3sofos estoicos. Jesus compartilha a dor humana, e quando se depara com ela, do seu \u00edntimo irrompe aquela atitude que caracteriza o cristianismo: a miseric\u00f3rdia. Diante da dor humana, Jesus sente miseric\u00f3rdia; o cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 misericordioso. Jesus experimenta compaix\u00e3o. Literalmente: Jesus sente tremer as suas entranhas. Quantas vezes nos Evangelhos encontramos rea\u00e7\u00f5es deste g\u00e9nero. O cora\u00e7\u00e3o de Cristo encarna e revela o cora\u00e7\u00e3o de Deus, e onde h\u00e1 um homem ou uma mulher que sofre, Ele quer a sua cura, a sua liberta\u00e7\u00e3o, a sua vida plena.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que Jesus\u00a0<em>abre de par em par os bra\u00e7os aos pecadores<\/em>. Quanta gente perdura ainda hoje numa vida errada, porque n\u00e3o encontra ningu\u00e9m disposto a olhar para ele ou para ela de modo diverso, com os olhos, melhor, com o cora\u00e7\u00e3o de Deus, ou seja, olhar para eles\u00a0<em>com esperan\u00e7a<\/em>. Jesus, ao contr\u00e1rio, v\u00ea uma possibilidade de ressurrei\u00e7\u00e3o at\u00e9 em quantos acumularam muitas escolhas equivocadas. Jesus est\u00e1 sempre ali, com o cora\u00e7\u00e3o aberto; escancara aquela miseric\u00f3rdia que tem no cora\u00e7\u00e3o; perdoa, abra\u00e7a, compreende, aproxima-se: Jesus \u00e9 assim!<\/p>\n<p>\u00c0s vezes esquecemos que para Jesus n\u00e3o se tratou de um amor f\u00e1cil, barato. Os Evangelhos frisam as primeiras rea\u00e7\u00f5es negativas em rela\u00e7\u00e3o a Jesus, precisamente quando Ele perdoa os pecados de um homem (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a02, 1-12). Era um homem que sofria duplamente: porque n\u00e3o podia caminhar e porque se sentia \u201cerrado\u201d. E Jesus entende que a segunda dor \u00e9 maior do que a primeira, a ponto que o recebe imediatamente com um an\u00fancio de liberta\u00e7\u00e3o: \u00abFilho, os teus pecados te s\u00e3o perdoados!\u00bb (v. 5). Liberta-o daquela sensa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o de se sentir errado. Ent\u00e3o, alguns escribas \u2014 aqueles que se julgam perfeitos: penso em tantos cat\u00f3licos que se consideram perfeitos e desprezam os outros&#8230; isto \u00e9 triste&#8230; \u2014 alguns escribas ali presentes escandalizam-se com aquelas palavras de Jesus, que soam como uma blasf\u00e9mia, porque somente Deus pode perdoar os pecados.<\/p>\n<p>N\u00f3s que estamos habituados a experimentar o perd\u00e3o dos pecados, talvez \u201ca um pre\u00e7o muito baixo\u201d, dever\u00edamos recordar-nos de vez em quando de quanto custamos ao amor de Deus. Cada um de n\u00f3s custou bastante: a vida de Jesus! Ele t\u00ea-la-ia dado at\u00e9 por um s\u00f3 de n\u00f3s. Jesus n\u00e3o vai para a cruz porque cura os enfermos, porque prega a caridade, porque proclama as bem-aventuran\u00e7as. O Filho de Deus vai para a cruz sobretudo porque perdoa os pecados, porque quer a liberta\u00e7\u00e3o total e definitiva do cora\u00e7\u00e3o do homem. Porque n\u00e3o aceita que o ser humano consuma toda a sua exist\u00eancia com esta \u201ctatuagem\u201d indel\u00e9vel, com o pensamento de n\u00e3o poder ser recebido pelo cora\u00e7\u00e3o misericordioso de Deus. E com estes sentimentos Jesus vai ao encontro dos pecadores, que somos todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Assim os pecadores s\u00e3o perdoados. N\u00e3o s\u00f3 tranquilizados a n\u00edvel psicol\u00f3gico, porque libertados do sentido de culpa. Jesus faz muito mais: oferece \u00e0s pessoas que erraram,\u00a0<em>a esperan\u00e7a de uma vida nova<\/em>. \u201cMas Senhor, eu sou um miser\u00e1vel\u201d \u2014 \u201cOlha para a frente e Eu dou-te um cora\u00e7\u00e3o novo\u201d. Esta \u00e9 a esperan\u00e7a que Jesus nos oferece. Uma vida marcada pelo amor. Mateus, o publicano, torna-se ap\u00f3stolo de Cristo: Mateus, que \u00e9 um traidor da p\u00e1tria, um explorador do povo. Zaqueu, rico corrupto \u2014 ele certamente tinha um diploma em suborno \u2014 de Jeric\u00f3, transforma-se num benfeitor dos pobres. A mulher da Samaria, que teve cinco maridos e agora convive com outro, ouve a promessa da \u201c\u00e1gua viva\u201d que poder\u00e1 jorrar para sempre dentro dela (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a04, 14). Deste modo Jesus muda o cora\u00e7\u00e3o; faz assim com todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 bom pensar que Deus n\u00e3o escolheu como primeira massa, para formar a sua Igreja, pessoas que nunca erravam. A Igreja \u00e9 um povo de pecadores que experimentam a miseric\u00f3rdia e o perd\u00e3o de Deus. Pedro entendeu mais verdades sobre si mesmo ao canto do galo, do que dos seus impulsos de generosidade, que lhe enchiam o peito, levando-o a sentir-se superior em rela\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, todos n\u00f3s somos pobres pecadores, necessitados da miseric\u00f3rdia de Deus, que tem a for\u00e7a de nos transformar e restituir esperan\u00e7a, e isto todos os dias. E f\u00e1-lo! E \u00e0s pessoas que entenderam esta verdade basilar, Deus confia a miss\u00e3o mais bonita do mundo, ou seja, o amor aos irm\u00e3os e \u00e0s irm\u00e3s, e o an\u00fancio de uma miseric\u00f3rdia que Ele n\u00e3o nega a ningu\u00e9m. E esta \u00e9 a nossa esperan\u00e7a. Vamos em frente com esta confian\u00e7a no perd\u00e3o, no amor misericordioso de Jesus.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2017\/documents\/papa-francesco_20170809_udienza-generale.html\">original italiano<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a catequese do Papa Francisco subordinada ao tema \u00abA Esperan\u00e7a Crist\u00e3 &#8211; 30. 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