{"id":3096805083,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/9632-homilia-do-papa-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo"},"modified":"2025-11-07T16:34:37","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:37","slug":"homilia-do-papa-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_homilia_branco_4_200615093649.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>Francisco celebrou hoje a Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo com a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano. Na sua homilia o Papa lembrou a necessidade &#8220;da mem\u00f3ria&#8221; perante &#8220;tanto bem recebido&#8221; e alertou para o perigo &#8220;da quebra da mem\u00f3ria&#8221; numa humanidade &#8220;ferida e orf\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>\u00abRecorda-te de todo esse caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer\u00bb (<em>Dt<\/em>\u00a08, 2).\u00a0<em>Recorda-te<\/em>: foi com este convite de Mois\u00e9s que se abriu hoje a Palavra de Deus. Pouco depois Mois\u00e9s reiterava: \u00abN\u00e3o te esque\u00e7as do Senhor, teu Deus\u00bb (8, 14). Foi-nos dada a Sagrada Escritura para vencermos o esquecimento de Deus. Como \u00e9 importante t\u00ea-lo na mem\u00f3ria, quando rezamos! Assim no-lo ensina um Salmo, que diz: \u00abTenho na mem\u00f3ria os teus feitos, Senhor; lembro-me das tuas maravilhas\u00bb (77\/76, 12). Incluindo as maravilhas e prod\u00edgios que o Senhor fez na nossa pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>\u00c9 essencial recordar o bem recebido: se o n\u00e3o conservamos na mem\u00f3ria, tornamo-nos estranhos a n\u00f3s mesmos, meros \u00abpassantes\u00bb pela exist\u00eancia; sem mem\u00f3ria, desenraizamo-nos do terreno que nos alimenta e deixamo-nos levar como folhas pelo vento. Pelo contr\u00e1rio, fazer mem\u00f3ria \u00e9 amarrar-se aos la\u00e7os mais fortes, sentir-se parte duma hist\u00f3ria, respirar com um povo. A mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma coisa privada, mas o caminho que nos une a Deus e aos outros. Por isso, na B\u00edblia, a lembran\u00e7a do Senhor deve ser transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, contada de pai para filho, como se diz neste texto estupendo: \u00abQuando, amanh\u00e3, os teus filhos te perguntarem que regras, leis e preceitos s\u00e3o estes que o Senhor, nosso Deus, vos imp\u00f4s, dir\u00e1s aos teus filhos: \u201c\u00c9ramos escravos (\u2026) [toda a hist\u00f3ria da escravid\u00e3o] e, \u00e0 nossa vista, o Senhor fez sinais e prod\u00edgios\u00bb (<em>Dt<\/em>\u00a06, 20-22). Tu comunicar\u00e1s a mem\u00f3ria ao teu filho.<\/p>\n<p>Aqui p\u00f5e-se um problema: E se a corrente de transmiss\u00e3o das recorda\u00e7\u00f5es se interromper? Depois, como se pode lembrar aquilo que s\u00f3 ouvimos, mas sem o ter experimentado? Deus sabe como isso \u00e9 dif\u00edcil, sabe como \u00e9 fr\u00e1gil a nossa mem\u00f3ria e realizou, em nosso favor, uma coisa inaudita: deixou-nos\u00a0<em>um memorial<\/em>. N\u00e3o nos deixou apenas palavras, porque \u00e9 f\u00e1cil esquecer o que se ouve. N\u00e3o nos deixou s\u00f3 a Escritura, porque \u00e9 f\u00e1cil esquecer o que se l\u00ea. N\u00e3o nos deixou apenas sinais, porque se pode esquecer tamb\u00e9m o que se v\u00ea. Deu-nos um Alimento, e \u00e9 dif\u00edcil esquecer um sabor. Deixou-nos um P\u00e3o em que est\u00e1 Ele, vivo e verdadeiro, com todo o sabor do seu amor. Ao receb\u00ea-Lo, podemos dizer: \u00ab\u00c9 o Senhor! Ele lembra-Se de mim\u00bb. Foi por isso que Jesus nos pediu: \u00abFazei isto\u00a0<em>em mem\u00f3ria de Mim<\/em>\u00bb (<em>1 Cor<\/em>\u00a011, 24).\u00a0<em>Fazei<\/em>. A Eucaristia n\u00e3o \u00e9 simples lembran\u00e7a; \u00e9\u00a0<em>um facto<\/em>: \u00e9 a P\u00e1scoa do Senhor, que ressuscita para n\u00f3s. Na Missa, temos diante de n\u00f3s a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus.\u00a0<em>Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim<\/em>: reuni-vos e, como comunidade, como povo, como fam\u00edlia, celebrai a Eucaristia para vos lembrardes de Mim. N\u00e3o podemos passar sem ela, \u00e9 o memorial de Deus. E cura a nossa mem\u00f3ria ferida.<\/p>\n<p>Cura, antes de mais nada, a nossa\u00a0<em>mem\u00f3ria \u00f3rf\u00e3<\/em>. Vivemos numa \u00e9poca de tanta orfandade. Cura a\u00a0<em>mem\u00f3ria \u00f3rf\u00e3<\/em>. Muitos t\u00eam a mem\u00f3ria lesada por faltas de afeto e dolorosas dece\u00e7\u00f5es, vindas de quem deveria ter dado amor e, em vez disso, tornou \u00f3rf\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o. Gostar\u00edamos de voltar atr\u00e1s e mudar o passado, mas n\u00e3o se pode. Deus, por\u00e9m, pode curar estas feridas, introduzindo na nossa mem\u00f3ria um amor maior: o d\u2019Ele. A Eucaristia traz-nos o amor fiel do Pai, que cura a nossa orfandade. D\u00e1-nos o amor de Jesus, que transformou um sepulcro, de ponto de chegada, em ponto de partida e da mesma maneira pode inverter as nossas vidas. Infunde-nos o amor do Esp\u00edrito Santo, que consola, porque nunca nos deixa sozinhos e cura as feridas.<\/p>\n<p>Com a Eucaristia, o Senhor cura tamb\u00e9m a nossa\u00a0<em>mem\u00f3ria negativa<\/em>, aquele negativismo que frequentemente se apodera do nosso cora\u00e7\u00e3o. O Senhor cura esta mem\u00f3ria negativa, que sempre faz vir ao de cima as coisas mal feitas e deixa-nos na cabe\u00e7a a triste ideia de que n\u00e3o servimos para nada, que s\u00f3 cometemos erros, que nos fizeram \u00aberrados\u00bb. Jesus vem dizer-nos que n\u00e3o \u00e9 assim. Ele \u00e9 feliz quando est\u00e1 na nossa intimidade e, sempre que O recebemos, lembra-nos que somos preciosos: somos os convidados esperados para o seu banquete, os comensais que Ele deseja. E n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 generoso, mas porque Se enamorou verdadeiramente de n\u00f3s: v\u00ea e ama a beleza e o bem que somos. O Senhor sabe que o mal e os pecados n\u00e3o s\u00e3o a nossa identidade; s\u00e3o doen\u00e7as, infe\u00e7\u00f5es. E Ele vem cur\u00e1-las com a Eucaristia, que cont\u00e9m os anticorpos para a nossa mem\u00f3ria doente de negativismo. Com Jesus, podemos\u00a0<em>imunizar-nos contra a tristeza<\/em>. Continuaremos a ter diante dos olhos as nossas quedas, as canseiras, os problemas de casa e do trabalho, os sonhos n\u00e3o realizados; mas o seu peso deixar\u00e1 de nos esmagar, porque, na profundidade de n\u00f3s mesmos, temos Jesus que nos encoraja com o seu amor. Aqui est\u00e1 a for\u00e7a da Eucaristia, que nos transforma em\u00a0<em>portadores de Deus<\/em>: portadores de alegria, n\u00e3o de negativismo. N\u00f3s, que vamos \u00e0 Missa, podemos perguntar-nos o que levamos ao mundo: as nossas tristezas, as nossas amarguras ou a alegria do Senhor? Fazemos a Comunh\u00e3o e, depois, continuamos a reclamar, a criticar e a lamentar-nos? Mas isto n\u00e3o melhora coisa alguma, ao passo que a alegria do Senhor muda a vida.<\/p>\n<p>Enfim a Eucaristia cura a nossa\u00a0<em>mem\u00f3ria fechada<\/em>. As feridas, que conservamos dentro, n\u00e3o criam problemas s\u00f3 a n\u00f3s, mas tamb\u00e9m aos outros. Tornam-nos medrosos e desconfiados: ao princ\u00edpio, fechados; com o passar do tempo, c\u00ednicos e indiferentes. Levam-nos a reagir aos outros com insensibilidade e arrog\u00e2ncia, iludindo-nos de que assim podemos controlar as situa\u00e7\u00f5es; mas enganamo-nos! S\u00f3 o amor cura o medo pela raiz, e liberta dos fechamentos que aprisionam. \u00c9 assim que faz Jesus, vindo ter connosco com mansid\u00e3o, na fragilidade desarmante da H\u00f3stia; assim faz Jesus, P\u00e3o partido para romper a carapa\u00e7a dos nossos ego\u00edsmos; assim faz Jesus, que Se d\u00e1 para nos dizer que s\u00f3 abrindo-nos \u00e9 que nos libertamos dos bloqueios interiores, das paralisias do cora\u00e7\u00e3o. O Senhor, oferecendo-Se a n\u00f3s t\u00e3o simples como o p\u00e3o, convida-nos tamb\u00e9m a n\u00e3o desperdi\u00e7ar a vida, correndo atr\u00e1s de mil coisas in\u00fateis que criam depend\u00eancias e deixam o vazio dentro. A Eucaristia apaga em n\u00f3s a fome de coisas e acende o desejo de servir. Levanta-nos do nosso estilo c\u00f3modo e sedent\u00e1rio de vida, lembra-nos que n\u00e3o somos apenas boca a saciar, mas tamb\u00e9m as m\u00e3os d\u2019Ele para saciar o pr\u00f3ximo. Agora \u00e9 urgente cuidar de quem tem fome de alimento e dignidade, de quem n\u00e3o trabalha e tem dificuldade em seguir para diante. E faz\u00ea-lo de modo concreto, como concreto \u00e9 o P\u00e3o que Jesus nos d\u00e1. \u00c9 precisa uma proximidade real; s\u00e3o necess\u00e1rias verdadeiras\u00a0<em>correntes de solidariedade<\/em>. Na Eucaristia, Jesus aproxima-Se de n\u00f3s: n\u00e3o deixemos sozinho, quem vive ao p\u00e9 de n\u00f3s!<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, continuemos a celebrar o Memorial que cura a nossa mem\u00f3ria (ao dizer aqui que cura a mem\u00f3ria, recordemo-nos que \u00e9 a mem\u00f3ria do cora\u00e7\u00e3o), este memorial \u00e9 a Missa. \u00c9 o tesouro que deve ocupar o primeiro lugar na Igreja e na vida. E, ao mesmo tempo, redescubramos a adora\u00e7\u00e3o, que continua em n\u00f3s a a\u00e7\u00e3o da Missa. Faz-nos bem, cura-nos por dentro. Sobretudo agora, temos verdadeiramente necessidade dela.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2020\/documents\/papa-francesco_20200614_omelia-corpusdomini.html\" target=\"_blank\"> italiano<\/a>|14.05.2020<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco celebrou hoje a Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo com a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia na Bas\u00edlica de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2808601093,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-3096805083","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3096805083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3096805083"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3096805083\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995883,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3096805083\/revisions\/4294995883"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2808601093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3096805083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3096805083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3096805083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}