{"id":310861341,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12660-domingo-iii-do-advento-ele-esta-no-meio-de-nos"},"modified":"2025-11-07T16:33:58","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:58","slug":"domingo-iii-do-advento-ele-esta-no-meio-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iii-do-advento-ele-esta-no-meio-de-nos\/","title":{"rendered":"Domingo III do Advento: \u00abEle est\u00e1 no meio de n\u00f3s\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Is 61,1-2a.10-11; Sl Lc 1,46-54; 1 Ts 5,16-24; Jo 1,6-8.19-28<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. O Evangelho deste Domingo III do Advento p\u00f5e outra vez em cena a figura central de Jo\u00e3o Batista (Jo\u00e3o 1,6-8.19-28). Lendo, por\u00e9m, atentamente o texto do IV Evangelho, compreende-se que n\u00e3o conv\u00e9m a Jo\u00e3o o t\u00edtulo de Batista, como se v\u00ea nos Evangelhos Sin\u00f3ticos, em que aparece designado como \u00abJo\u00e3o o Batista\u00bb (<em>I\u00f4\u00e1nn\u00eas ho baptist\u00eas<\/em>) (Mateus 3,1; 11,11; 14,8; 17,13) ou \u00abJo\u00e3o o que batiza (<em>I\u00f4\u00e1nn\u00eas ho bapt\u00edz\u00f4n<\/em>) (Marcos 1,4). Na verdade, no IV Evangelho, ainda que se diga que batiza, nunca \u00e9 dado a Jo\u00e3o o t\u00edtulo de \u00abBatista\u00bb. Se algum t\u00edtulo se ajusta ao Jo\u00e3o do IV Evangelho \u00e9 o de \u00abTestemunha\u00bb, pois \u00e9 para dar testemunho (<em>martyr\u00e9\u00f4<\/em>) da Luz que ele se apresenta (Jo\u00e3o 1,7-8). Jo\u00e3o aparece como que entalado entre os dois Testamentos, fechando, em modos de resumo, a porta do Antigo, e abrindo, em modos de sum\u00e1rio, a porta do Novo. O seu nome de \u00abJo\u00e3o\u00bb, hebraico\u00a0<em>Yh\u00f4hanan<\/em>, que significa \u00abYHWH faz gra\u00e7a\u00bb, a isso se presta admiravelmente, resumindo bem o afazer de Deus em todo o Antigo Testamento, e oferece o sum\u00e1rio de todo o Novo Testamento. \u00abDeus faz gra\u00e7a\u00bb \u00e9 todo o afazer de Deus na Escritura Santa. Al\u00e9m disso, o nome \u00abJo\u00e3o\u00bb dado a este menino n\u00e3o \u00e9 um nome nosso, suportado pelos nossos registos anagr\u00e1ficos, como bem constatam os seus familiares reunidos, aos oito dias, para a festa da circuncis\u00e3o e da d\u00e1diva do nome. O habitual era dar ao filho var\u00e3o primog\u00e9nito o nome do pai ou de algum familiar pr\u00f3ximo, o que n\u00e3o se verifica neste caso. O pai chamava-se Zacarias, e\u00a0 ningu\u00e9m, entre os seus parentes, tinha o nome de Jo\u00e3o (Lucas 1,61), motivo pelo qual todos ficaram admirados (Lucas 1,63).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Se o nome dado ao menino sai fora dos moldes habituais, temos ent\u00e3o de indagar mais a fundo o porqu\u00ea deste dado novo. E veremos ent\u00e3o que esse nome veio do c\u00e9u, como refere o Evangelho de Lucas que p\u00f5e o arcanjo Gabriel a reportar a Zacarias que o menino se chamaria Jo\u00e3o (Lucas 1,13). E o IV Evangelho di-lo com todas as letras e sem rodeios: \u00abApareceu um homem\u00a0<em>enviado por Deus<\/em>, chamado Jo\u00e3o\u00bb (Jo\u00e3o 1,6). Jo\u00e3o surge, portanto, neste imenso texto do IV Evangelho sem qualquer amarra a este mundo: sem pai nem m\u00e3e (Zacarias e Isabel nem sequer s\u00e3o mencionados), sem proveni\u00eancia terrena, sem introdu\u00e7\u00e3o, sem luz pr\u00f3pria. S\u00f3 Deus o precede, o acompanha e o sustenta.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Como pode, pois, responder aos sacerdotes e levitas enviados pelos Judeus, de Jerusal\u00e9m, que p\u00f5em a Jo\u00e3o a quest\u00e3o acerca da sua identidade, assim formulada: \u00abQuem \u00e9s tu?\u00bb (Jo\u00e3o 1,19). Jo\u00e3o n\u00e3o faz mais do que desviar de si mesmo todas as aten\u00e7\u00f5es. A sua resposta \u00e9 uma rotunda nega\u00e7\u00e3o: N\u00c3O sou, N\u00c3O sou, N\u00c3O sou! N\u00c3O sou a Luz, N\u00c3O sou o Messias, N\u00c3O sou Elias, N\u00c3O sou o Profeta! (cf. Jo\u00e3o 1,20-21). E dirige todas as aten\u00e7\u00f5es para a LUZ, de quem d\u00e1 testemunho, de quem \u00e9 reflexo. Jo\u00e3o nunca responde: \u00abEU SOU\u2026\u00bb. Mesmo quando responde \u00e0 pergunta: \u00abPara que possamos dar uma resposta \u00e0queles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?\u00bb (Jo\u00e3o 1,22), Jo\u00e3o n\u00e3o responde, como aparece vulgarmente nas tradu\u00e7\u00f5es: \u00ab<em>Eu sou<\/em>\u00a0a voz do que clama no deserto\u00bb (Jo\u00e3o 1,23), mas literalmente: \u00abEu? A voz (<em>ph\u00f4n\u00ea<\/em>) do que clama no deserto\u00bb, evitando cuidadosamente a locu\u00e7\u00e3o \u00abEU SOU\u00bb, que fica reservada para Jesus! E, ainda assim, tomando sempre as devidas precau\u00e7\u00f5es, Jo\u00e3o diz \u00abvoz\u00bb (<em>phon\u00ea<\/em>), e n\u00e3o \u00abpalavra\u00bb (<em>l\u00f3gos<\/em>). Porque a Palavra (<em>l\u00f3gos<\/em>) \u00e9 tamb\u00e9m Jesus.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Sim, a LUZ, o EU SOU, a PALAVRA \u00e9 Jesus. Mas Jesus \u00e9 ainda, no certeiro dizer de Jo\u00e3o, \u00abQUEM est\u00e1 NO MEIO de v\u00f3s\u00bb (Jo\u00e3o 1,26). \u00c9 de Jesus o lugar de honra e a chave da nossa exist\u00eancia. E dizemos sempre v\u00e1rias vezes na liturgia: ELE est\u00e1 no MEIO de n\u00f3s! Face ao MEIO, no IV Evangelho, Jo\u00e3o aparece sempre \u00abno outro lado do Jord\u00e3o\u00bb (Jo\u00e3o 1,28; 3,26; 10,40), fora da Terra Prometida, mas apontando sempre para ela e para ELE. Jo\u00e3o \u00e9 a inteira Escritura apontando JESUS em contraluz, em filigrana pura!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Voltamos a ouvir neste Domingo met\u00e1fora das sand\u00e1lias do Messias noivo, que j\u00e1 t\u00ednhamos encontrado no Domingo passado, e que leva Jo\u00e3o a confessar a sua incapacidade para lhe desatar as correias (Jo\u00e3o 1,27). Trata-se de um dizer importante, pois encontramo-lo por cinco vezes no Novo Testamento: Mateus 3,11; Marcos 1,7; Lucas 3,16; Jo\u00e3o 1,27; Atos 13,25. Dissemos no Domingo passado que n\u00e3o se trata simplesmente de uma confiss\u00e3o de humildade por parte de Jo\u00e3o face ao Messias-que-Vem. Trata-se, antes, de chamar a aten\u00e7\u00e3o para o Messias como noivo de Israel. De acordo com o referido nos Salmos 60,10 e 108,9, \u00abp\u00f4r a sand\u00e1lia sobre\u00bb significa \u00abtomar posse de\u00bb; \u00e9, portanto, linguagem jur\u00eddica de posse. Passando do simples direito de posse para o direito matrimonial, vemos no Livro do Deuteron\u00f3mio 25,5-9 que o n\u00e3o-cumprimento da lei do levirato implica que seja retirada a sand\u00e1lia ao cunhado n\u00e3o cumpridor da lei, gesto que garante a sua perda de posse no dom\u00ednio matrimonial. Passamos ent\u00e3o do simples direito de posse para o direito matrimonial. Em Rute 4,7-10, temos um caso jur\u00eddico concreto em que o que tem o direito de resgatar o patrim\u00f3nio e de desposar Rute prescinde desse direito. Para o dizer juridicamente, em reuni\u00e3o p\u00fablica realizada \u00e0 porta da cidade (Rute 4,1), o homem em causa tira a sand\u00e1lia e entrega-a a Booz, que \u00e9 o segundo na escala, que fica assim habilitado a resgatar o patrim\u00f3nio e a desposar Rute. A met\u00e1fora das sand\u00e1lias em Jo\u00e3o 1,27 e nos demais dizeres do Novo Testamento que anot\u00e1mos significa tamb\u00e9m que \u00e9 Jesus o noivo, a quem assiste o direito de desposar Israel, e que a Jo\u00e3o n\u00e3o assiste esse direito ou compet\u00eancia, mas \u00e9 desse ato uma importante testemunha.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A luminosa p\u00e1gina de Isa\u00edas 61,1-2.10-11 tra\u00e7a a voca\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o do an\u00f3nimo profeta p\u00f3s-ex\u00edlico. Voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o a transbordar de alegria e de beleza, que Jesus faz sua quando, na sinagoga de Nazar\u00e9, lhe ap\u00f5e a sua assinatura com aquele: \u00abHoje cumpriu-se esta Escritura nos vossos ouvidos\u00bb (Lucas 4,21). Trata-se de um verdadeiro tornado que muda a hist\u00f3ria religiosa dos filhos de Deus, contagiando tamb\u00e9m a inteira cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Maria tamb\u00e9m canta essa alegria no\u00a0<em>magnificat<\/em>\u00a0(Lucas 1,46-54), hoje, Domingo da Alegria, elevado a Salmo Responsorial. E n\u00f3s com ela, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o (Lucas 1,48). Isabel foi a primeira a proclamar \u00abFeliz\u00bb, \u00abBem-aventurada\u00bb (<em>makar\u00eda<\/em>) Maria, porque acreditou no cumprimento (<em>tele\u00ed\u00f4sis<\/em>) de tudo o que lhe foi revelado (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) da parte do Senhor (Lucas 1,45). Maria \u00abcumprimentada\u00bb por Deus, por Isabel, por cada um de n\u00f3s. Sim, porque Maria \u00e9 a \u00abcausa da nossa alegria\u00bb, como cantamos na sua litania. E \u00e9-o porque foi olhada com um olhar de gra\u00e7a (<em>epibl\u00e9p\u00f4<\/em>) por Deus (Lucas 1,48), que\u00a0<em>fez<\/em>\u00a0(verbo da cria\u00e7\u00e3o) para ela grandes coisas (Lucas 1,49), e assim vinha fazendo desde Abra\u00e3o (Lucas 1,55), e assim continua a fazer ainda hoje e sempre.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. E S\u00e3o Paulo, na sua Primeira Carta aos Tessalonicenses (5,16-24), tamb\u00e9m se associa a esta onda de Alegria, com o seu estilo pr\u00f3prio, sobrecarregado de imperativos e de totalidade: \u00abAlegrai-vos\u00a0<em>sempre<\/em>! Orai\u00a0<em>sem cessar<\/em>! Em\u00a0<em>tudo<\/em>\u00a0dai gra\u00e7as [\u2026]. N\u00e3o apagueis o Esp\u00edrito. Examinai\u00a0<em>tudo<\/em>: guardai o que \u00e9 bom!\u00bb (1 Tessalonicenses 5,18-19).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Neste tempo, com tantos crist\u00e3os doentes, dormentes, parados, an\u00e9micos e anestesiados, e outros apagados ou atolados em tristes banalidades, sobram Hoje incentivos para uma vida nova. No meio do frio pr\u00f3prio do tempo, o Domingo III do Advento atira-nos uma imensa chama de Alegria. Tempo novo. Jesus, a Luz, no Meio. E n\u00f3s por perto, ao redor dessa fogueira. Haver\u00e1, por certo, assim esperamos, mais termostatos, e menos term\u00f3metros.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Is 61,1-2a.10-11; Sl Lc 1,46-54; 1 Ts 5,16-24; Jo 1,6-8.19-28 1. 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