{"id":3125922208,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13560-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus"},"modified":"2025-11-07T16:34:03","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:03","slug":"solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus\/","title":{"rendered":"Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"post-6911 post type-post status-publish format-standard hentry category-uncategorized tag-58-o-dia-mundial-da-paz tag-bencao-sacerdotal tag-concede-nos-a-tua-paz tag-concilio-de-efeso-431 tag-dia-de-ano-bom tag-mae-de-deus tag-perdoa-nos-as-nossas-ofensas\" id=\"post-6911\">\n<div class=\"entry\">\n<p data-adtags-visited=\"true\">Nm 6,22-27; Sl 67; Gl 4,4-7; Lc 2,16-21<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Oito dias depois da Solenidade do Natal do Senhor, que a liturgia oriental designa significativamente por \u00aba P\u00e1scoa do Natal\u00bb, eis-nos no Primeiro Dia do Ano Civil de 2025, Primeiro Dia do Ano, tradicionalmente designado como Dia de \u00abAno Bom\u00bb, a celebrar a Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. A figura que enche este Dia, e que motiva a nossa Alegria, \u00e9, portanto, a figura de Maria, na sua fisionomia mais alta, a de M\u00e3e de Deus, como foi solenemente proclamada no Conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431, mas j\u00e1 assim luminosamente desenhada nas p\u00e1ginas do Novo Testamento.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. \u00c9 assim que a encontramos no Lecion\u00e1rio de hoje. Desde logo naquela men\u00e7\u00e3o s\u00f3bria, e ousamos mesmo dizer pobre (na riqueza espiritual que o termo cont\u00e9m), com que Paulo se refere \u00e0 M\u00e3e de Jesus, escrevendo aos G\u00e1latas: \u00abDeus enviou o seu Filho,\u00a0<em>nascido<\/em>\u00a0(<em>gen\u00f3menon<\/em>) de mulher,\u00a0<em>nascido<\/em>\u00a0(<em>gen\u00f3menon<\/em>) sujeito \u00e0 Lei\u00bb (G\u00e1latas 4,4). Duplo nascimento:\u00a0<em>nascido<\/em>\u00a0de mulher, isto \u00e9, como todos n\u00f3s, nosso irm\u00e3o em humanidade;\u00a0<em>nascido<\/em>\u00a0sujeito \u00e0 Lei, isto \u00e9, membro do povo hebreu, a quem tinha sido dada por Deus a sua Lei. Nesta linha breve e densa e, todavia, com uma repeti\u00e7\u00e3o vocabular s\u00f3 aparentemente desnecess\u00e1ria, aparece compendiado o mist\u00e9rio da Incarna\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que se sente j\u00e1 pulsar o cora\u00e7\u00e3o da Mariologia: Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; \u00e9, na verdade, uma \u00abmulher\u00bb, verdadeiramente nossa irm\u00e3 na sua condi\u00e7\u00e3o de humana criatura. Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma, mas \u00e9 grande por ser a M\u00e3e do Filho de Deus, e \u00e9 aqui que ela nos ultrapassa, imaculada por gra\u00e7a, bem-aventurada e bem-aventuran\u00e7a, nossa m\u00e3e na f\u00e9 e na esperan\u00e7a. Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; vem-lhe de Deus essa grandeza.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. O Evangelho deste Dia de Maria (Lucas 2,16-21) guarda tamb\u00e9m uma preciosidade, quando Lucas nos diz que \u00abtodos os que tinham escutado as coisas faladas pelos pastores ficaram maravilhados (<em>etha\u00famasan<\/em>), mas Maria\u00a0<em>guardava<\/em>\u00a0(<em>synet\u00earei<\/em>: imperf. que implica dura\u00e7\u00e3o) todas estas Palavras que aconteceram (<em>t\u00e0 rh\u00eamata<\/em>),\u00a0<em>compondo-as<\/em>\u00a0(<em>symb\u00e1llousa<\/em>) no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Lucas 2,18-19). Em contraponto com o espanto de todos os que ouviram as palavras dos pastores, Lucas pinta um quadro mariano de extraordin\u00e1ria beleza: \u00abMaria, ao contr\u00e1rio,\u00a0<em>guardava<\/em>\u00a0todas estas Palavras que aconteceram,\u00a0<em>compondo-as<\/em>\u00a0no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb. H\u00e1 o espanto e a maravilha que se exprimem no louvor e no canto, e h\u00e1 o espanto e a maravilha que se exprimem no sil\u00eancio e na escuta. Maria, a Senhora deste Dia, aparece a\u00a0<em>guardar<\/em>\u00a0com ternura todas estas Palavras que acontecem, todos estes acontecimentos que falam e n\u00e3o esquecem. O verbo\u00a0<em>guardar<\/em>\u00a0implica aten\u00e7\u00e3o cheia de ternura, como quem leva nas suas m\u00e3os uma coisa preciosa. Este\u00a0<em>guardar<\/em>\u00a0atencioso e carinhoso n\u00e3o \u00e9 um ato de um momento, mas a atitude de uma vida, uma vez que o verbo grego est\u00e1 no imperfeito, que implica dura\u00e7\u00e3o. Guardar atencioso que evoca Jacob (Gn 37,11) e Daniel 7,28).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O outro verbo belo mostra-nos Maria como que a\u00a0<em>compor<\/em>, isto \u00e9, a \u00abp\u00f4r em conjunto\u00bb (<em>symb\u00e1ll\u00f4<\/em>), a organizar, para melhor entender. \u00c9 como quem, com aquelas Palavras,\u00a0<em>comp\u00f5e<\/em>\u00a0um Poema, uma Sinfonia, e se entret\u00e9m a vida toda a trautear essa melodia e a conjugar novos acordes de alegria. E \u00e9 dito ainda, num pleonasmo \u00fanico na Escritura Santa, que Maria \u00abconcebeu no ventre\u00bb (<em>syllamb\u00e1n\u00f4 en t\u00ea koil\u00eda<\/em>) (Lucas 2,21). Redund\u00e2ncia. M\u00fasica divina. O ventre de Maria em conson\u00e2ncia com o \u00abventre de miseric\u00f3rdia do nosso Deus\u00bb (Lucas 1,78), causa da Luz que nas alturas se levanta e visita toda a gente, causa do Rebento que na nossa terra germina, que a nossa terra aquece e alumia, Jesus, filho de Deus e de Maria, a quem neste oitavo Dia \u00e9 posto o Nome, sendo tamb\u00e9m, nesse oitavo dia, circuncidado, que significa feito filho da alian\u00e7a. De forma significativa, neste v. 21, os pais de Jesus nem sequer s\u00e3o mencionados, e todos os verbos, com exce\u00e7\u00e3o de \u00abcircuncidar\u00bb, est\u00e3o na forma passiva. Mesmo Maria, a quem o anjo incumbiu de p\u00f4r o nome ao filho (cf. 1,31), n\u00e3o comparece. Sinal de que o se quer salientar n\u00e3o s\u00e3o as personagens, mas o acontecimento que consiste no cumprimento da ordem dada por Deus, em cujas m\u00e3os permanece toda a iniciativa.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Esta solicitude maternal de Maria, habitada por esta imensa melodia que nos vem de Deus, levou o Papa Paulo VI, S. Paulo VI, a associar, desde 1968, \u00e0 Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz. Hoje \u00e9 j\u00e1 o 58.\u00ba Dia Mundial da Paz que se celebra. A paz \u00e9 uma refei\u00e7\u00e3o saborosa, servida por Deus aos seus filhos. Chega, portanto, a todos, pastores, fi\u00e9is leigos e a todos os homens de boa vontade, e a todos sacia e desafia a desenhar um mundo novo e feliz para todos, hoje, amanh\u00e3 e sempre. \u00abPerdoa-nos as nossas ofensas, concede-nos a tua paz\u00bb \u00e9 o tema proposto pelo Papa Francisco para este 58.\u00ba Dia Mundial da Paz. Esta paz saborosa atinge-nos em cheio, pois todos estamos imersos no loda\u00e7al da banalidade e da indiferen\u00e7a, talvez a mais grave doen\u00e7a que afeta a humanidade deste tempo sem fontes nem horizontes. Na verdade, nesta \u00abnoite do mundo\u00bb em que domina o princ\u00edpio da necrofilia, a nefasta atra\u00e7\u00e3o pela morte, tudo nos aparece sem rosto e sem rumo. \u00c9 preciso, portanto, abrir os olhos, dar asas aos nossos sonhos belos, dar as m\u00e3os e ter a coragem de recome\u00e7ar neste Ano Jubilar. Que n\u00e3o nos fechemos no mundo egoc\u00eantrico, egol\u00e1trico e autorreferencial da hipertrofia do \u00abeu\u00bb que pensa que se basta a si mesmo, e n\u00e3o precisa de nada nem de ningu\u00e9m, conforme o paradigma de Laodiceia (cf. Apocalipse 3,17). Contra a sedu\u00e7\u00e3o das ideologias, que n\u00e3o salvam ningu\u00e9m, de reduzir o mundo e o homem a tr\u00eas dimens\u00f5es \u2013 comprimento, largura e altura \u2013, anulando o horizonte de Deus, compete-nos a todos dar um novo rosto \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 escola, \u00e0 pol\u00edtica, aos media, e remarmos todos juntos para construir novas atitudes e novas rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis e felizes, assentes na gratuidade, na fraternidade e no amor, novos cen\u00e1rios que proporcionem que chegue a todos os homens o mundo belo que Deus a todos reparte dia ap\u00f3s dia. \u00c9 preciso educar para a paz, isto \u00e9, educar para sabermos acolher o outro, diferente de n\u00f3s, e olhar para ele com amor e sem conceitos nem preconceitos. Significa isto respeitar e acolher o outro nas suas diferen\u00e7as, e n\u00e3o querer anul\u00e1-las e nivelar tudo pelo g\u00e9nero neutro, como se continua a querer fazer na nossa velha Europa cada vez mais desenraizada da terra e do c\u00e9u. Educar, na sua etimologia latina, de\u00a0<em>educere<\/em>, significa, n\u00e3o levar para dentro de qualquer pris\u00e3o do \u00abeu\u00bb ou outra, mas conduzir para fora de si mesmo, ao encontro dos outros e da realidade por natureza plural. E \u00e9 sempre bom lembrar que a justi\u00e7a \u00e9 o sabor que vem de Deus, e a paz n\u00e3o \u00e9 a paz romana, assente no poder das armas, nem a paz do juda\u00edsmo palestinense, assente nos acordos entre as partes. A paz \u00e9 um Dom de Deus! Portanto, mais do que conquist\u00e1-la, \u00e9 preciso receb\u00ea-la e partilh\u00e1-la. \u00c9 preciso tomar consci\u00eancia que somos todos irm\u00e3os, todos filhos do mesmo Pai.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. De Deus vem sempre um mundo novo, belo, maravilhoso. T\u00e3o novo, belo e maravilhoso, que nos cega, a n\u00f3s que vamos arrastando os olhos cansados pela lama. Que o nosso Deus fa\u00e7a chegar at\u00e9 n\u00f3s tempo e modo para ouvir outra vez a extraordin\u00e1ria li\u00e7\u00e3o da b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal, que o Livro dos N\u00fameros guarda na sua forma tripartida: \u00abO Senhor te aben\u00e7oe e te guarde.\/ O Senhor fa\u00e7a brilhar sobre ti a sua face e te seja favor\u00e1vel.\/ O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz\u00bb (N\u00fameros 6,24-26).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O Salmo 67 \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o em forma de peti\u00e7\u00e3o. Em termos t\u00e9cnicos, equivale a uma epiclese: n\u00e3o \u00abeu te bendigo\u00bb, mas \u00abDeus nos bendiga\u00bb. O nosso Salmo recolhe os temas da b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal de N\u00fameros 6,24-26, como a gra\u00e7a, a luz, a benevol\u00eancia, a paz, pondo o plural onde estava o singular, por assim dizer, \u00abdemocratizando\u00bb a b\u00ean\u00e7\u00e3o, agora dirigida a todos, onde, na b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal do Livro dos N\u00fameros, se dirigia apenas a Israel.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Olhada por Deus com singular olhar de Gra\u00e7a foi Maria, tamb\u00e9m Pobre, tamb\u00e9m Feliz, Bem-aventurada, Santa Maria, M\u00e3e de Deus, que hoje celebramos em un\u00edssono com a Igreja inteira. Para ela elevamos hoje os nossos olhos de filhos enlevados.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. M\u00e3e de Deus, Senhora da Alegria, M\u00e3e igual ao Dia, Maria. A primeira p\u00e1gina do ano \u00e9 toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, M\u00e3e de Jesus e tamb\u00e9m minha, Senhora de Janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Aben\u00e7oa, M\u00e3e, os nossos dias breves. Ensina-nos a viv\u00ea-los todos como tu viveste os teus, sempre sob o olhar de Deus, sempre a olhar por Deus. \u00c9 verdade. A grande verdade da tua vida, o teu segredo de ouro. Tu soubeste sempre que Deus velava por ti, enchendo-te de gra\u00e7a. Mas tu soubeste sempre olhar por Deus, porque tu soubeste bem que Deus tamb\u00e9m \u00e9 pequenino. Acariciada por Deus, viveste acariciando Deus. Por isso, todas as gera\u00e7\u00f5es te proclamam \u00abBem-aventurada\u00bb! Por isso, n\u00f3s te proclamamos \u00abBem-aventurada\u00bb!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Senhora e M\u00e3e de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro. Acaricia-nos. Senta-nos em casa ao redor do amor, do cora\u00e7\u00e3o. Somos t\u00e3o modernos e t\u00e3o cheios de coisas estes teus filhos de hoje! T\u00e3o cheios de coisas e t\u00e3o vazios de n\u00f3s mesmos e de humanidade e divindade! Temos tudo. Mas falta-nos, se calhar, o essencial: a tua simplicidade e alegria. Faz-nos sentir, M\u00e3e, o calor da tua m\u00e3o no nosso rosto frio, insens\u00edvel, enrugado, e faz-nos correr, com alegria, ao encontro dos pobres e necessitados.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Que seja, e pode ser, Deus o quer, e n\u00f3s tamb\u00e9m podemos querer, um Ano Bom, cheio de Paz, P\u00e3o e Amor, para todos os irm\u00e3os que Deus nos deu! E que Santa Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e nos aben\u00e7oe tamb\u00e9m. Amen!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p>\n<div class=\"post-6909 post type-post status-publish format-standard hentry category-uncategorized\" id=\"post-6909\">\n<div class=\"entry\">\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nm 6,22-27; Sl 67; Gl 4,4-7; Lc 2,16-21 1. 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