{"id":3133443052,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/7228-colombia-construtores-da-paz-promotores-da-vida"},"modified":"2025-11-07T16:34:09","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:09","slug":"colombia-construtores-da-paz-promotores-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/colombia-construtores-da-paz-promotores-da-vida\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia: &#8220;Construtores da paz, promotores da vida&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_missa_colombia_170908032930.png\" \/><\/p>\n<p><p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco na celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia no <span style=\"color: #000000\">Parque Sim\u00f3n Bol\u00edvar, na cidade de Bogot\u00e1.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><\/em>O Evangelista lembra que o chamamento dos primeiros disc\u00edpulos ocorreu nas margens do lago de Genesaret, lugar onde as pessoas se reuniam para escutar uma voz capaz de as guiar e as iluminar; e tamb\u00e9m \u00e9 o lugar onde os pescadores encerram as suas fatigantes jornadas, nas quais procuram o sustento para levar uma vida sem dificuldades, uma vida digna e feliz. \u00c9 a \u00fanica vez em todo o Evangelho de Lucas em que Jesus prega ao longo do chamado mar da Galileia. No mar aberto confundem-se a esperada fecundidade do trabalho com a frustra\u00e7\u00e3o pela futilidade de esfor\u00e7os in\u00fateis. E de acordo com uma antiga leitura crist\u00e3, o mar tamb\u00e9m representa a imensid\u00e3o onde convivem todos os povos. Finalmente, pela sua agita\u00e7\u00e3o e escurid\u00e3o, evoca tudo o que amea\u00e7a a exist\u00eancia humana e que tem o poder de destru\u00ed-la.<\/p>\n<p>N\u00f3s usamos express\u00f5es semelhantes para definir multid\u00f5es: um mar humano, um mar de gente. Naquele dia, Jesus tem atr\u00e1s de si o mar e, diante dele, uma multid\u00e3o que o seguiu, porque conhece a sua como\u00e7\u00e3o perante a dor humana\u2026e das suas palavras justas, profundas, certeiras. Todos eles vinham escut\u00e1-lo, a Palavra de Jesus tem algo especial que n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente; a sua Palavra tem o poder de converter os cora\u00e7\u00f5es, mudar planos e projetos. \u00c9 uma Palavra comprovada em a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma conclus\u00e3o retirada em escrit\u00f3rio, de acordos frios e distantes da dor das pessoas, por isso \u00e9 uma Palavra que serve tanto para a seguran\u00e7a da costa como para a fragilidade do mar.<\/p>\n<p>Esta amada cidade, Bogot\u00e1, e este belo pa\u00eds, a Col\u00f4mbia, t\u00eam muitos destes cen\u00e1rios humanos apresentados pelo Evangelho. Aqui est\u00e3o as multid\u00f5es sedentas por uma palavra de vida, que ilumine com a sua luz todos os esfor\u00e7os e mostre o sentido e a beleza da exist\u00eancia humana. Estas multid\u00f5es de homens e mulheres, crian\u00e7as e idosos habitam uma terra de fecundidade inimagin\u00e1vel, que poderia dar frutos para todos. Mas aqui tamb\u00e9m, como em outros lugares, existem trevas densas que amea\u00e7am e destroem a vida: a escurid\u00e3o da injusti\u00e7a e a desigualdade social; as trevas corruptoras dos interesses pessoais ou grupais, que consomem de forma ego\u00edsta e ultrajante o que est\u00e1 destinado ao bem-estar de todos; a escurid\u00e3o do desrespeito pela vida humana que sonega diariamente a exist\u00eancia de tantos inocentes, cujo sangue clama ao c\u00e9u; as trevas da sede de vingan\u00e7a e \u00f3dio que mancham com sangue humano as m\u00e3os daqueles que tomam a justi\u00e7a por conta pr\u00f3pria; as trevas daqueles que se tornam insens\u00edveis \u00e0 dor de tantas v\u00edtimas. A todas estas trevas Jesus dissipa-as e destr\u00f3i com o seu mandato na barca de Pedro: \u00abNavega mar adentro\u00bb (Lc 5, 4).<\/p>\n<p>Podemos ficar enredados em intermin\u00e1veis discuss\u00f5es, somar tentativas falhadas e fazer um elenco dos esfor\u00e7os que acabaram em nada; mas como Pedro, sabemos o que significa a experi\u00eancia de trabalhar sem qualquer resultado. Esta Na\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m sabe disso, quando por um per\u00edodo de 6 anos, no in\u00edcio, teve 16 presidentes e pagou caro as suas divis\u00f5es (&#8220;a p\u00e1tria boba&#8221;); tamb\u00e9m a Igreja da Col\u00f4mbia conhece uma pastoral v\u00e3 e infrut\u00edfera, mas, como Pedro, tamb\u00e9m somos capazes de confiar no Mestre, cuja palavra suscita a fecundidade, mesmo ali onde a inospitalidade das trevas humanas torna infrut\u00edferos tantos esfor\u00e7os e fadigas. Pedro \u00e9 o homem que acolhe decidido o convite de Jesus, que deixa tudo e para o seguir, para se tornar num novo pescador, cuja miss\u00e3o consiste em levar aos seus irm\u00e3os o Reino de Deus, onde a vida se torna plena e feliz.<\/p>\n<p>Mas o mandato para lan\u00e7ar as redes n\u00e3o \u00e9 dirigido apenas a Sim\u00e3o Pedro; a ele tocou-lhe navegar mar adentro, como aqueles que na vossa p\u00e1tria viram primeiro o que \u00e9 mais urgente, aqueles que tomaram iniciativas de paz e vida. Atirar as redes implica responsabilidade. Em Bogot\u00e1 e na Col\u00f4mbia h\u00e1 uma imensa comunidade, que \u00e9 chamada a converter-se numa rede vigorosa que congregue a todos na unidade, trabalhando na defesa e no cuidado da vida humana, particularmente quando \u00e9 mais fr\u00e1gil e vulner\u00e1vel: no \u00fatero materno, na inf\u00e2ncia, na velhice, nas condi\u00e7\u00f5es de defici\u00eancia e em situa\u00e7\u00f5es de marginaliza\u00e7\u00e3o social. Al\u00e9m disso, as multid\u00f5es que vivem em Bogot\u00e1 e na Col\u00f4mbia podem tornar-se verdadeiras comunidades vivas, justas e fraternas se ouvirem e acolherem a Palavra de Deus. Nestas multid\u00f5es evangelizadas surgir\u00e3o muitos homens e mulheres convertidos em disc\u00edpulos que, com um cora\u00e7\u00e3o verdadeiramente livre, seguem Jesus; homens e mulheres capazes de amar a vida em todas as suas etapas, respeitando-a, promovendo-a.<\/p>\n<p>E, como os ap\u00f3stolos, faz falta ligarmo-nos uns aos outros, acenando, como os pescadores, voltar a considerarmo-nos irm\u00e3os, companheiros de caminho, s\u00f3cios de uma empresa comum que \u00e9 a p\u00e1tria. Bogot\u00e1 e a Col\u00f4mbia s\u00e3o, ao mesmo tempo, terra, lago, mar aberto, cidade por onde Jesus viajou e viaja, para oferecer a sua presen\u00e7a e a sua palavra frut\u00edfera, para nos tirar da escurid\u00e3o e nos levar \u00e0 luz e \u00e0 vida. Para chamar a outros, para todos, para que ningu\u00e9m seja deixado \u00e0 ao arb\u00edtrio das tempestades; subir para a barca todas as fam\u00edlias, elas s\u00e3o santu\u00e1rios de vida; para abrir espa\u00e7o ao bem comum por cima dos interesses pequenos ou particulares, carregar os mais fr\u00e1geis e promovendo os seus direitos.<\/p>\n<p>Pedro experimenta a sua pequenez, experimenta a imensid\u00e3o da Palavra e a a\u00e7\u00e3o de Jesus; Pedro conhece as suas fragilidades, das suas idas e vindas, como tamb\u00e9m n\u00f3s sabemos, como o sabe a hist\u00f3ria de viol\u00eancia e divis\u00e3o do vosso povo que nem sempre nos encontrou compartilhando a barca, tempestade, infort\u00fanios. Mas como Sim\u00e3o, Jesus convida-nos a ir mar adentro, impulsiona-nos ao risco partilhado, n\u00e3o tenham medo de arriscar juntos, convidando-nos a deixar os nossos ego\u00edsmos e a segui-lo. A perder medos que n\u00e3o v\u00eam de Deus, que nos imobilizam e que retardam a urg\u00eancia de ser construtores da paz, promotores da vida. Navega mar adentro, disse Jesus. E os disc\u00edpulos acenaram para que todos se juntassem na barca. Que assim seja para este povo.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2017\/documents\/papa-francesco_20170907_omelia-viaggioapostolico-colombiabogota.html\">original italiano<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco na celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia no Parque Sim\u00f3n Bol\u00edvar, na cidade de Bogot\u00e1. 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