{"id":3154377467,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12311-domingo-xiii-do-tempo-comum-o-milagre-do-acolhimento"},"modified":"2025-11-07T16:33:56","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:56","slug":"domingo-xiii-do-tempo-comum-o-milagre-do-acolhimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xiii-do-tempo-comum-o-milagre-do-acolhimento\/","title":{"rendered":"Domingo XIII do Tempo Comum: \u00abO Milagre do Acolhimento\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">2 Rs 4,8-11.14-16a; Sl 89; Rm 6,3-4.8-11; Mt 10,37-42<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Neste Domingo XIII do Tempo Comum, escutaremos o final do Discurso Mission\u00e1rio de Jesus no Evangelho de Mateus (10,37-42), que inici\u00e1mos h\u00e1 dois Domingos atr\u00e1s. O texto desdobra-se em duas vertentes. Primeira: o disc\u00edpulo\u00a0<em>enviado<\/em>\u00a0por Jesus em miss\u00e3o ter\u00e1 de viver totalmente vinculado a Jesus, totalmente empenhado na causa de Jesus e com Ele totalmente identificado (Mateus 10,37-39), notas insistentemente repetidas ao longo dos Evangelhos. Segunda: espec\u00edfico desta \u00faltima parte do Discurso Mission\u00e1rio de Jesus \u00e9 que este Discurso n\u00e3o \u00e9 dirigido apenas aos mission\u00e1rios, mas sobretudo \u00e0queles que os\u00a0<em>acolhem<\/em>. O\u00a0<em>acolhimento<\/em>\u00a0feito aos mission\u00e1rios reveste-se de extrema import\u00e2ncia na parte do Discurso hoje escutado, pois \u00e9 dito que\u00a0<em>acolher<\/em>\u00a0os\u00a0<em>enviados<\/em>\u00a0de Jesus Cristo \u00e9\u00a0<em>acolher<\/em>\u00a0o pr\u00f3prio Cristo e Aquele que o enviou (Mateus 10,40). Para tornar este aspeto vis\u00edvel e aud\u00edvel, neste pequeno texto de seis vers\u00edculos, o verbo \u00abacolher\u00bb (<em>d\u00e9chomai<\/em>) faz-se notar por seis vezes (Mateus 10,40[4 vezes].41[2 vezes]). \u00abAcolher\u00bb \u00e9, pois, a palavra-chave do Evangelho de hoje. E a imagem daquele simples copo de \u00e1gua continuar\u00e1 ali sempre, sobre a p\u00e1gina ardente do Evangelho, para nos dizer que, nestas contas do ros\u00e1rio do Reino de Deus, teremos de come\u00e7ar sempre pelo abeced\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. A primeira nota de todo o\u00a0<em>anunciador<\/em>\u00a0(<em>k\u00earyx<\/em>) consiste, n\u00e3o tanto naquilo que anuncia, mas na\u00a0<em>fidelidade<\/em>\u00a0\u00e0quele que o envia. S\u00e3o Paulo di-lo com rigorosa precis\u00e3o: \u00abComo h\u00e3o de\u00a0<em>anunciar<\/em>\u00a0(<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>), se n\u00e3o forem\u00a0<em>enviados<\/em>\u00a0(<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>)?\u00bb (Romanos 10,15). O estreit\u00edssimo v\u00ednculo que une os anunciadores do Evangelho a Jesus e ao Pai, que o enviou, constitui a for\u00e7a inquebr\u00e1vel e a p\u00e9rola inegoci\u00e1vel dos disc\u00edpulos de Jesus, por Jesus\u00a0<em>enviados<\/em>. Esta for\u00e7a que une a Jesus os seus disc\u00edpulos \u00e9 mais forte e valiosa do que a\u00a0<em>fam\u00edlia<\/em>\u00a0que nos \u00e9 mais pr\u00f3xima e querida: o pai, a m\u00e3e, o filho, a filha. \u00c9 mesmo mais forte e valiosa do que a nossa pr\u00f3pria\u00a0<em>vida terrena<\/em>. Em boa verdade, cada enviado de Jesus \u00e9 um portador de Deus, um mostrador de Deus. Porque Deus tem de andar ali ao lado de cada enviado de Jesus. De cada enviado de Jesus, n\u00f3s temos de dizer: \u00abV\u00ea-se Deus daqui!\u00bb, porque s\u00f3 Deus nos pode pedir tanto! Sim, s\u00f3 Deus me pode pedir que me desprenda da minha fam\u00edlia e\u2026 da minha pr\u00f3pria vida! \u00c9 assim, e \u00e9 s\u00f3 assim, que quem me v\u00ea, pode ver tamb\u00e9m Deus perto de mim! Para os mission\u00e1rios do Evangelho o que vale \u00e9 a\u00a0<em>vida eterna<\/em>, a vida divina, a vida vivente, a vida que n\u00e3o morre, que por Deus lhes \u00e9 dada, e que eles podem e devem oferecer como dom supremo, assim como podem ainda ser tamb\u00e9m fonte de b\u00ean\u00e7\u00e3os para quem evangelicamente os acolher. \u00c9, portanto, inegoci\u00e1vel o amor a Jesus, isto \u00e9, a nossa liga\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o com Jesus. Dev\u00edamos ter sempre diante de n\u00f3s a cena em que Jesus confia a Sim\u00e3o Pedro o cuidado pastoral dos seus pr\u00f3prios cordeiros e ovelhas. Jesus pergunta por tr\u00eas vezes: \u00abSim\u00e3o, filho de Jo\u00e3o, tu amas-<em>me<\/em>?\u00bb (Jo\u00e3o 21,15-17). Salta \u00e0 vista que entre aquilo de que Pedro tem necessidade imperiosa para levar por diante a miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada, o seu amor a Jesus ter\u00e1 de ocupar sempre o primeiro lugar. A proximidade e simpatia para com as pessoas t\u00eam tamb\u00e9m a sua import\u00e2ncia e lugar, mas fica bem claro que ocupam um patamar mais abaixo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Acolher os Doze, os Ap\u00f3stolos, os disc\u00edpulos de Jesus, os mission\u00e1rios e evangelizadores de todos os tempos, n\u00e3o consiste apenas em receb\u00ea-los educadamente em casa. Consiste tamb\u00e9m, e sobretudo, em expor-se ao an\u00fancio que trazem, ao testemunho que d\u00e3o. N\u00e3o consiste apenas em abrir-lhes as portas da casa, embora isso tamb\u00e9m seja importante para quem deixou tudo, mesmo tudo, por causa de Jesus Cristo (Mateus 10,37-39), e de vez em quando precisa de um quarto de hora de hospitalidade. Mas tem muito mais a ver com abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 mensagem de que s\u00e3o portadores, sabendo e vendo bem que, por detr\u00e1s dos anunciadores do Evangelho, est\u00e1 Jesus, que os enviou, e por detr\u00e1s de Jesus est\u00e1 o Pai, que enviou o seu Filho Monog\u00e9nito. Portanto, acolher os enviados de Jesus \u00e9 acolher o pr\u00f3prio Jesus, \u00e9 acolher Deus! Portanto ainda e insistentemente, acolher os anunciadores do Evangelho, os mensageiros, os profetas, os justos, \u00e9 abrir a porta a Deus, abrir o cora\u00e7\u00e3o a Deus. \u00c9 tomar consci\u00eancia de que ali acaba o nosso poder, e come\u00e7a um poder novo. O an\u00fancio de que os anunciadores s\u00e3o portadores implica, da parte destes, total fidelidade e identifica\u00e7\u00e3o com Jesus, e, da parte de quem acolhe o an\u00fancio, implica decis\u00f5es e incis\u00f5es que podem ir at\u00e9 ao sangue, requer uma nova postura pr\u00f3 ou contra Jesus Cristo, uma escolha que n\u00e3o admite compromissos ou solu\u00e7\u00f5es ret\u00f3ricas, pode dividir a humanidade, a fam\u00edlia, o cora\u00e7\u00e3o de cada um. Muitas vezes esperamos que os profetas, dada a sua proximidade com Deus, nos ajudem a justificar os nossos compromissos e comportamentos, a nossa maneira de viver assim-assim, e, porventura, que nos possam at\u00e9 ajudar a obter alguma vantagem ou lucro. Mas, nesta mat\u00e9ria, o profeta \u00e9 intolerante e radical. N\u00e3o vende nada. Tamb\u00e9m n\u00e3o se vende. Deixa Deus em nossa casa. E passa a ser tudo novo. Se Somos h\u00f3spedes de Deus, \u00e9 for\u00e7oso aprender a conviver com Deus. Em \u00faltima an\u00e1lise, s\u00f3 sabemos acolher, porque tamb\u00e9m j\u00e1 fomos acolhidos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Acolher Jesus ou os seus\u00a0<em>enviados<\/em>, \u00abportadores de Jesus\u00bb, \u00abportadores de Deus\u00bb, \u00abportadores do Esp\u00edrito\u00bb, para usar a bela terminologia de Santo In\u00e1cio de Antioquia quando, a caminho do mart\u00edrio em Roma, escreve aos Ef\u00e9sios (<em>Ad Ephesios<\/em>\u00a09,2), \u00e9 aceitar expor-se \u00e0 cirurgia da Palavra, que divide junturas e medula e julga as disposi\u00e7\u00f5es e inten\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o (Hebreus 4,12). Acolher os\u00a0<em>enviados<\/em>\u00a0de Jesus n\u00e3o \u00e9 como dar uma rece\u00e7\u00e3o ou organizar uma festa de amigos. \u00c9 aceitar conviver com um bisturi dentro de si, com um fogo a arder nos ossos e na alma, dentro de si, como se v\u00ea em Jeremias 20,9, em Isa\u00edas 6,6-7, em Elias (Sir 48,1), naqueles dois de Ema\u00fas (Lucas 24,32) e naqueles que, naquele quinquag\u00e9simo dia, estavam em Jerusal\u00e9m (Atos 2,3): como o fogo os modelou e habilitou para entender e para dizer tudo de novo, de modo novo! Ousar andar t\u00e3o perto de Deus, aproximar-se de Deus, \u00e9 \u00abempenhar o cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>?arab ?et-lib\u00f4<\/em>), no sentido genu\u00edno de \u00abp\u00f4r o cora\u00e7\u00e3o no prego\u00bb, numa casa de penhores, como refere de forma exemplar Jeremias 30,21. \u00c9 como subir a um poste de alta tens\u00e3o, onde est\u00e1 escrito: \u00abPerigo de morte!\u00bb. Quem entra no mundo de Deus ou deixa Deus entrar no seu mundo, sabe bem que anda Deus ali por perto, e sabe, por isso, que n\u00e3o andar\u00e1 nunca perdido, e compreende ainda que nem esta vida terrena \u00e9 o bem maior, nem a morte o maior mal. O valor mais alto \u00e9 a nossa liga\u00e7\u00e3o com Deus e com a sua vontade. \u00c9, afinal, t\u00e3o arriscado como oferecer um copo de \u00e1gua com amor a um mission\u00e1rio. \u00c9 verdade, diz-nos o Evangelho, que este simples copo de \u00e1gua pode valer a\u00a0<em>vida eterna<\/em>! (Mateus 10,42).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. A melodia do acolhimento vem de longe. Nove s\u00e9culos antes de Cristo, l\u00ea-se hoje no Segundo Livro dos Reis 4,8-11.14-16, que uma mulher rica de Sunam, uma aldeiazinha situada na plan\u00edcie meridional do monte Carmelo, acolheu em sua casa o profeta Eliseu, em quem ela reconhece um \u00abhomem de Deus\u00bb (2 Reis 4,9). Eliseu, do hebraico\u00a0<em>?<sup>e<\/sup>l\u00eesha?<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>?elyasha?<\/em>\u00a0[= \u00abDeus salvou\u00bb], \u00e9 apresentado como filho de Safat, natural de Abel Meh\u00f4lah, no vale do Jord\u00e3o, e os Livros dos Reis mostram-no como sucessor de Elias e continuador da sua miss\u00e3o prof\u00e9tica. Para tal, recebe o manto de Elias (1 Reis 19,19; 2 Reis 2,13) e a dupla por\u00e7\u00e3o do seu esp\u00edrito (2 Reis 2,9), e segue o mestre at\u00e9 ao seu arrebatamento (1 Reis 19,21; 2 Reis 2,1-11). A hospitalidade da mulher de Sunam traduz-se na constru\u00e7\u00e3o de um pequeno quarto no terra\u00e7o da casa, equipado com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma l\u00e2mpada (2 Reis 4,10). O suficiente para Eliseu, o \u00abhomem de Deus\u00bb, poder repousar quando estiver de passagem por Sunam. Mas, como quem acolhe um profeta por ele ser profeta, recebe recompensa de profeta, tamb\u00e9m a mulher hospitaleira de Sunam recebe uma recompensa nova: um filho! (2 Reis 4,16). A Palavra prof\u00e9tica tem, de facto, uma energia nova: \u00e9 a Palavra antes das coisas e do homem, de modo diferente da hist\u00f3ria comummente entendida, que p\u00f5e as palavras depois das coisas e do homem. A\u00ed est\u00e1 a maravilha de se viver com o Deus Criador \u00e0 nossa beira: \u00abDeus diz e tudo acontece\u00bb (Salmo 33,9).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A passagem da Carta aos Romanos 6,3-4.8-11 \u00e9 um grande texto batismal. Batizados na morte de Cristo e com Ele sepultados, formamos com Ele uma \u00fanica realidade, e viveremos com Ele, por gra\u00e7a, a vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Motivos sempre em excesso para cantar, saboreando a bondade do Senhor, e aprender a reconhecer a sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s com a aclama\u00e7\u00e3o\u00a0<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb?ah<\/em>\u00a0(Salmo 89,16), grito ruidoso de emocionada alegria, em si intraduz\u00edvel, mas que \u00e9 a maneira de o povo fiel assinalar a presen\u00e7a favor\u00e1vel de Deus. \u00c9 o que fazemos tamb\u00e9m n\u00f3s hoje, cantando o Salmo 89, um Salmo Real, que canta Deus e o seu Messias, e o Reino maravilhoso do seu amor j\u00e1 estabelecido no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2 Rs 4,8-11.14-16a; Sl 89; Rm 6,3-4.8-11; Mt 10,37-42 1. 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