{"id":3164256576,"date":"2018-04-08T00:00:00","date_gmt":"2018-04-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7893-domingo-da-misericordia-homilia-do-papa-francisco"},"modified":"2018-04-08T00:00:00","modified_gmt":"2018-04-08T00:00:00","slug":"domingo-da-misericordia-homilia-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-da-misericordia-homilia-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Domingo da Miseric\u00f3rdia: Homilia do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_misericordia_missa_180408010052.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p>No Domingo II da P\u00e1scoa, tamb\u00e9m chamado da Miseric\u00f3rdia, o Papa Francisco celebrou a eucaristia na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro com a presen\u00e7a dos mission\u00e1rios da miseric\u00f3rdia. Na sua homilia o Papa lembrou que o crist\u00e3o n\u00e3o deve &#8220;ter medo de sentir vergonha&#8221; porque esta \u00e9 &#8220;o primeiro passo para o encontro com Deus&#8221;.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No Evangelho de Hoje, o verbo\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0aparece v\u00e1rias vezes \u00abOs disc\u00edpulos se alegraram por verem o Senhor\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a020,20); depois disseram a Tom\u00e9: \u00abVimos o Senhor\u00bb (v. 25). Mas o Evangelho n\u00e3o descreve\u00a0<em>como<\/em>\u00a0o viram, n\u00e3o descreve o Ressuscitado, apenas destaca um detalhe: \u00abMostrou-lhes as m\u00e3os e o lado\u00bb (v. 20). Parece significar que os disc\u00edpulos reconheceram Jesus desse modo: atrav\u00e9s das suas chagas. O mesmo acontece com Tom\u00e9: ele tamb\u00e9m queria\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0\u00aba marca dos pregos em suas m\u00e3os<del cite=\"mailto:Bruno%20Lins\" datetime=\"2018-04-07T09:46\">\u00a0<\/del>\u00bb (v. 25) e, depois de ter visto, acreditou (cf. v. 27).<\/p>\n<p>Apesar da sua incredulidade, temos de agradecer a Tom\u00e9, pois a ele n\u00e3o bastou ouvir dizer dos outros que Jesus estava vivo, e nem sequer com poder v\u00ea-Lo em carne e osso, mas quis\u00a0<em>ver dentro<\/em>, tocar com a m\u00e3o nas suas chagas, os sinais do seu amor. O Evangelho chama Tom\u00e9 de \u00abD\u00eddimo\u00bb (v. 24), ou seja, g\u00eameo; e nisso ele \u00e9 verdadeiramente nosso irm\u00e3o g\u00eameo. Pois tamb\u00e9m a n\u00f3s n\u00e3o basta saber que Deus existe: um Deus ressuscitado, mas long\u00ednquo, n\u00e3o nos preenche a nossa vida; n\u00e3o nos atrai um Deus distante, por mais que seja justo e santo. N\u00e3o: N\u00f3s tamb\u00e9m precisamos \u201cver a Deus\u201d, de \u201ctocar com a m\u00e3o\u201d que Ele tenha ressuscitado, e ressuscitado por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Como podemos v\u00ea-Lo? Como os disc\u00edpulos: por meio das suas chagas. Olhando por ali, compreenderam que Ele n\u00e3o os amava de brincadeira e que os perdoava, embora entre eles houvesse quem O tivesse negado e O tivesse abandonado. Entrar nas suas chagas significa contemplar o amor sem medidas que brota do seu cora\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o caminho. Significa entender que o seu cora\u00e7\u00e3o bate por mim, por ti, por cada um de n\u00f3s. Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, podemos nos considerar e chamar-nos crist\u00e3os, e falar sobre muitos belos valores da f\u00e9, mas, como os disc\u00edpulos, precisamos ver Jesus\u00a0<em>tocando o seu amor<\/em>. S\u00f3 assim podemos ir ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e, como os disc\u00edpulos, encontrar uma paz e uma alegria mais fortes que qualquer d\u00favida (cf. vv. 19-20).<\/p>\n<p>Tom\u00e9, depois de ter visto as chagas do Senhor, exclamou: \u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb (v. 28). Queria chamar a aten\u00e7\u00e3o para esse pronome que Tom\u00e9 repete:\u00a0<em>meu<\/em>. Trata-se de um pronome possessivo e, se refletimos sobre isso, podia parecer fora do lugar referi-lo a Deus: como Deus pode ser meu? Como posso fazer que o Todo-poderoso seja meu? Na realidade, dizendo\u00a0<em>meu<\/em>, n\u00e3o profanamos a Deus, mas honramos a sua miseric\u00f3rdia, pois foi Ele que quis \u201cfazer-se nosso\u201d. E, como numa hist\u00f3ria de amor, dizemos-Lhe: \u201cFizestes-vos homem\u00a0<em>por mim<\/em>, morrestes e ressuscitastes\u00a0<em>por mim<\/em>\u00a0e agora n\u00e3o sois somente Deus; sois o\u00a0<em>meu Deus<\/em>, sois\u00a0<em>a minha vida<\/em>. Em v\u00f3s encontrei o amor que eu procurava e muito mais, como nunca teria imaginado\u201d.<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o se ofende de ser \u201cnosso\u201d, pois o amor exige familiaridade, a miseric\u00f3rdia requer confian\u00e7a. J\u00e1 no in\u00edcio dos dez mandamentos, Deus dizia: \u00abEu sou o Senhor,\u00a0<em>teu Deus<\/em>\u00bb (<em>Ex\u00a0<\/em>20,2) e reiterava: \u00abpois eu sou o Senhor\u00a0<em>teu Deus<\/em>, um Deus zeloso\u00bb (v.5). Aqui est\u00e1 a proposta de Deus, amante zeloso, que se apresenta como\u00a0<em>teu Deus<\/em>; e do cora\u00e7\u00e3o comovido de Tom\u00e9 brota a resposta: \u00ab<em>Meu Senhor e meu Deus<\/em>!\u00bb. Entrando hoje, atrav\u00e9s das chagas, no mist\u00e9rio de Deus, entendemos que a miseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 mais uma de suas qualidades entre outras, mas o palpitar do seu cora\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o, como Tom\u00e9, n\u00e3o vivemos mais como disc\u00edpulos vacilantes; devotos, mas hesitantes; n\u00f3s tamb\u00e9m nos tornamos verdadeiros enamorados do Senhor! N\u00e3o devemos ter medo desta palavra:\u00a0<em>enamorados<\/em>\u00a0do Senhor!<\/p>\n<p>Como saborear este amor, como tocar hoje com a m\u00e3o a miseric\u00f3rdia de Jesus? O Evangelho tamb\u00e9m nos sugere isso, quando aponta que na tarde mesma da P\u00e1scoa (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a020, 19), ou seja, logo depois de ressuscitar, Jesus, em primeiro lugar, d\u00e1 o Esp\u00edrito para\u00a0<em>perdoar os pecados<\/em>. Para experimentar o amor, \u00e9 preciso passar por ali: deixar-se perdoar. Deixar-se perdoar: pergunto a mim mesmo e a cada um de v\u00f3s: \u201cdeixo-me perdoar?\u201d. \u201c- Mas, Padre, ir confessar-se parece dif\u00edcil&#8230;\u201d. Diante de Deus, somos tentados a fazer como os disc\u00edpulos no Evangelho: trancarmo-nos por detr\u00e1s de portas fechadas. Eles faziam isso por temor e n\u00f3s tamb\u00e9m temos medo, vergonha de abrir-nos e contar os nossos pecados. Que o Senhor nos d\u00ea a gra\u00e7a de compreender a\u00a0<em>vergonha<\/em>: de v\u00ea-la n\u00e3o como uma porta fechada, mas como o primeiro passo do encontro. Quando nos sentimos envergonhados, devemos ser agradecidos: quer dizer que n\u00e3o aceitamos o mal, e isso \u00e9 bom. A vergonha \u00e9 um convite secreto da alma que precisa do Senhor para vencer o mal. O drama est\u00e1 quando n\u00e3o se sente vergonha por coisa alguma. N\u00e3o devemos ter medo de sentir vergonha! E assim passemos da vergonha ao perd\u00e3o! N\u00e3o tenhais medo de vos envergonhar! N\u00e3o tenhais medo.<\/p>\n<p>Contudo, h\u00e1 uma porta fechada diante do perd\u00e3o do Senhor: \u00e9 a\u00a0<em>resigna\u00e7\u00e3o<\/em>. A resigna\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma porta fechada. Os disc\u00edpulos a experimentaram quando, na P\u00e1scoa, constatavam que tudo tivesse voltado a ser como antes: ainda estavam l\u00e1, em Jerusal\u00e9m, desalentados; o \u201ccap\u00edtulo Jesus\u201d parecia terminado e, depois de tanto tempo com Ele, nada tinha mudado: \u201c-Resignemo-nos\u201d. Tamb\u00e9m n\u00f3s podemos pensar: \u201cSou crist\u00e3o h\u00e1 muito tempo, por\u00e9m nada muda em mim, cometo sempre os mesmos pecados\u201d. Ent\u00e3o, desalentados, renunciamos \u00e0 miseric\u00f3rdia. Entretanto, o Senhor nos interpela: \u201cN\u00e3o acreditas que a miseric\u00f3rdia \u00e9 maior do que a tua mis\u00e9ria? Est\u00e1s reincidente no pecado? S\u00ea reincidente em clamar por miseric\u00f3rdia, e veremos quem leva a melhor!\u201d. E depois \u2013 quem conhece o sacramento do perd\u00e3o o sabe \u2013 n\u00e3o \u00e9 verdade que tudo permane\u00e7a como antes. Em cada perd\u00e3o recebemos novo alento, somos encorajados, pois nos sentimos cada vez mais amados, mais abra\u00e7ados pelo Pai. E quando, sentindo-nos amados, ca\u00edmos mais uma vez, sentimos mais dor do que antes. \u00c9 uma dor ben\u00e9fica, que lentamente nos separa do pecado. Descobrimos ent\u00e3o que a for\u00e7a da vida \u00e9 receber o perd\u00e3o de Deus, e seguir em frente, de perd\u00e3o em perd\u00e3o. Assim segue a vida: de vergonha em vergonha, de perd\u00e3o em perd\u00e3o; Esta \u00e9 a vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>Depois da vergonha e da resigna\u00e7\u00e3o, existe outra porta fechada, \u00e0s vezes blindada:\u00a0<em>o nosso pecado;\u00a0<\/em>o pr\u00f3prio pecado. Quando cometo um grande pecado, se eu, com toda a honestidade, n\u00e3o quero me perdoar, por que o faria Deus? Esta porta, no entanto, est\u00e1 fechada s\u00f3 de um lado: o nosso; para Deus nunca \u00e9 intranspon\u00edvel. Ele, como nos ensina o Evangelho, adora entrar justamente atrav\u00e9s \u201cdas portas fechadas\u201d \u2013 como escutamos -, quando todas as passagens parecem bloqueadas. L\u00e1 Deus faz maravilhas. Ele nunca decide separar-se de n\u00f3s, somos n\u00f3s que o deixamos do lado de fora. Mas quando nos confessamos, tem lugar o inaudito: descobrimos que precisamente aquele pecado, que nos mantinha distantes do Senhor, converte-se no lugar do encontro com Ele. Ali o Deus ferido de amor vem ao encontro das nossas feridas. E torna as nossas chagas miser\u00e1veis semelhantes \u00e0s suas chagas gloriosas. Trata-se de uma transforma\u00e7\u00e3o: a minha chaga miser\u00e1vel torna-se semelhante \u00e0s suas chagas gloriosas. Pois Ele \u00e9 miseric\u00f3rdia e faz maravilhas nas nossas mis\u00e9rias. Como Tom\u00e9, pedimos hoje a gra\u00e7a de reconhecer o nosso Deus: de encontrar no seu perd\u00e3o a nossa alegria; de encontrar na sua miseric\u00f3rdia a nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2018\/documents\/papa-francesco_20180408_omelia-divina-misericordia.html\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>Educris|08.04.2018<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Domingo II da P\u00e1scoa, tamb\u00e9m chamado da Miseric\u00f3rdia, o Papa Francisco celebrou a eucaristia na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2448255743,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-3164256576","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3164256576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3164256576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3164256576\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2448255743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3164256576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3164256576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3164256576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}