{"id":3178054283,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8092-audiencia-geral-o-deserto-como-imagem-da-vida-humana"},"modified":"2025-11-07T16:34:31","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:31","slug":"audiencia-geral-o-deserto-como-imagem-da-vida-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-o-deserto-como-imagem-da-vida-humana\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abO deserto como imagem da vida humana\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_160518012331-1.png\" \/><\/p>\n<p><p>A sala Paulo VI, no Vaticano, acolheu hoje a audi\u00eancia-geral das quarta-feiras com o Papa Francisco. Na quinta medita\u00e7\u00e3o sobre os mandamentos o Papa argentino convidou os presentes a meditarem sobre a idolatria e apresentou o deserto como &#8220;imagem da vida humana, cuja condi\u00e7\u00e3o \u00e9 incerta&#8221;.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a catequese do Papa Francisco<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre os Mandamentos &#8211; 5<\/strong><\/p>\n<p><em>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Hoje continuemos a meditar sobre o Dec\u00e1logo, aprofundando o tema da\u00a0<em>idolatria<\/em>, acerca da qual falamos na semana passada. Agora retomemos o tema, porque \u00e9 muito importante conhec\u00ea-lo. E inspiremo-nos precisamente no \u00eddolo por excel\u00eancia, o bezerro de ouro, do qual fala o Livro do \u00caxodo (32, 1-8), acabamos de ouvir um trecho dele. Este epis\u00f3dio tem um contexto espec\u00edfico: o deserto, onde o povo est\u00e1 \u00e0 espera de Mois\u00e9s, que subiu ao monte para receber as instru\u00e7\u00f5es de Deus.<\/p>\n<p>O que \u00e9\u00a0<em>o deserto?<\/em>\u00a0\u00c9 um lugar onde reinam a precariedade e a inseguran\u00e7a \u2014 no deserto n\u00e3o h\u00e1 nada \u2014 onde faltam \u00e1gua, alimento, abrigo. O deserto \u00e9 uma imagem da vida humana, cuja condi\u00e7\u00e3o \u00e9 incerta e n\u00e3o possui garantias inviol\u00e1veis. Esta inseguran\u00e7a gera no homem ansiedades prim\u00e1rias, que Jesus menciona no Evangelho: \u00abQue comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a06, 31). S\u00e3o as ansiedades prim\u00e1rias. E o deserto provoca tais ansiedades.<\/p>\n<p>E naquele deserto acontece algo que desencadeia a idolatria. \u00abMois\u00e9s tardava a descer da montanha\u00bb (<em>\u00cax<\/em>\u00a032, 1). Permaneceu ali quarenta dias e o povo perdeu a paci\u00eancia. Falta o ponto de refer\u00eancia que era Mois\u00e9s: o l\u00edder, o chefe, o guia tranquilizador, e isto torna-se insustent\u00e1vel. Ent\u00e3o, o povo pede um deus vis\u00edvel \u2014 esta \u00e9 a armadilha na qual o povo cai \u2014 para poder identificar-se e orientar-se. E dizem a Ara\u00e3o: \u00abFaz-nos um deus que marche \u00e0 nossa frente!\u00bb, \u201cFaz-nos um chefe, um l\u00edder!\u201d. Para evitar a precariedade \u2014 a precariedade \u00e9 o deserto \u2014 a natureza humana procura uma religi\u00e3o \u201cdescart\u00e1vel\u201d: se Deus n\u00e3o se deixa ver, fazemos para n\u00f3s um deus sob medida. \u00abDiante do \u00eddolo, n\u00e3o corremos o risco de uma poss\u00edvel chamada que nos fa\u00e7a sair das pr\u00f3prias seguran\u00e7as, porque os \u00eddolos \u201ct\u00eam boca, mas n\u00e3o falam\u201d (<em>Sl\u00a0<\/em>115, 5). Compreendemos assim que o \u00eddolo \u00e9 um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade, na adora\u00e7\u00e3o da obra das pr\u00f3prias m\u00e3os\u00bb (Enc.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20130629_enciclica-lumen-fidei.html\">Lumen fidei<\/a><\/em>, 13).<\/p>\n<p>Ara\u00e3o n\u00e3o sabe opor-se ao pedido do povo e cria um\u00a0<em>bezerro de ouro<\/em>. No pr\u00f3ximo Oriente antigo o bezerro tinha um sentido duplo: por um lado, representava fecundidade e abund\u00e2ncia e por outro, energia e for\u00e7a. Mas antes de tudo \u00e9 de ouro, por isso \u00e9 s\u00edmbolo de riqueza, sucesso, poder e dinheiro. S\u00e3o estes os grandes \u00eddolos: sucesso, poder e dinheiro. S\u00e3o as tenta\u00e7\u00f5es de sempre! Eis o que \u00e9 o bezerro de ouro: o s\u00edmbolo de todos os desejos que d\u00e3o a ilus\u00e3o da liberdade e, ao contr\u00e1rio, escravizam, porque o \u00eddolo escraviza sempre. H\u00e1 o fasc\u00ednio, e tu deixas-te levar. Aquele fasc\u00ednio da serpente, que fita o passarinho, o passarinho n\u00e3o consegue mover-se e a serpente apanha-o. Ara\u00e3o n\u00e3o soube opor-se.<\/p>\n<p>Mas tudo nasce da incapacidade de confiar sobretudo em Deus, de voltar a colocar as nossas seguran\u00e7as n\u2019Ele, de deixar que Ele confira verdadeira profundidade aos desejos do nosso cora\u00e7\u00e3o. Isto permite sustentar at\u00e9 a debilidade, a incerteza e a precariedade. A refer\u00eancia a Deus fortalece-nos na debilidade, na incerteza e at\u00e9 na precariedade. Sem primado de Deus ca\u00edmos facilmente na idolatria e contentamo-nos com garantias m\u00edseras. Mas esta \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o que n\u00f3s lemos sempre na B\u00edblia. E pensai bem nisto: para Deus, n\u00e3o foi muito dif\u00edcil libertar o povo do Egito; f\u00ea-lo com sinais de poder, de amor. Mas a grande obra de Deus foi tirar o Egito do cora\u00e7\u00e3o do povo, ou seja, tirar a idolatria do cora\u00e7\u00e3o do povo. E Deus ainda continua a agir para a tirar dos nossos cora\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 a grande obra de Deus: tirar \u201caquele Egito\u201d que n\u00f3s temos dentro, que \u00e9 o fasc\u00ednio da idolatria.<\/p>\n<p>Quando se acolhe o Deus de Jesus Cristo, que de rico se fez pobre por n\u00f3s (cf.\u00a0<em>2 Cor<\/em>\u00a08, 9), descobre-se ent\u00e3o que reconhecer a pr\u00f3pria fraqueza n\u00e3o \u00e9 a desgra\u00e7a da vida humana, mas a condi\u00e7\u00e3o para se abrir \u00c0quele que \u00e9 verdadeiramente forte. Assim, a salva\u00e7\u00e3o de Deus entra pela porta da debilidade (cf.\u00a0<em>2 Cor<\/em>\u00a012, 10); \u00e9 em virtude da pr\u00f3pria insufici\u00eancia que o homem se abre \u00e0 paternidade de Deus. A\u00a0<em>liberdade<\/em>\u00a0do homem nasce do deixar que o verdadeiro Deus seja o \u00fanico Senhor. E isto permite\u00a0<em>aceitar a pr\u00f3pria fragilidade<\/em>\u00a0e\u00a0<em>rejeitar os \u00eddolos do nosso cora\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00f3s, crist\u00e3os, dirigimos o olhar para\u00a0<em>Cristo Crucificado<\/em>\u00a0(cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a019, 37), que \u00e9 fr\u00e1gil, desprezado e despojado de qualquer posse. Mas \u00e9 n\u2019Ele que se revela o rosto do Deus verdadeiro, a gl\u00f3ria do amor, e n\u00e3o a do engano cintilante. Isa\u00edas diz: \u00abFomos curados gra\u00e7as \u00e0s suas chagas\u00bb (53, 5). Fomos sarados precisamente pela fraqueza de um homem que era Deus, pelas suas feridas. E a partir das nossas debilidades podemos abrir-nos \u00e0 salva\u00e7\u00e3o de Deus. A nossa cura vem d\u2019Aquele que se fez pobre, que aceitou a fal\u00eancia, que assumiu at\u00e9 ao fundo a nossa precariedade para a encher de amor e de for\u00e7a. Ele vem para nos revelar a paternidade de Deus; em Cristo a nossa fragilidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma maldi\u00e7\u00e3o, mas um lugar de encontro com o Pai e nascente de uma nova for\u00e7a do alto.<\/p>\n<p>Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2018\/documents\/papa-francesco_20180808_udienza-generale.html\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>08|08|2018<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sala Paulo VI, no Vaticano, acolheu hoje a audi\u00eancia-geral das quarta-feiras com o Papa Francisco. 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