{"id":3183098352,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12604-domingo-xxxiii-do-tempo-comum-tanto-talento-desperdicado"},"modified":"2025-11-07T16:33:57","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:57","slug":"domingo-xxxiii-do-tempo-comum-tanto-talento-desperdicado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxxiii-do-tempo-comum-tanto-talento-desperdicado\/","title":{"rendered":"Domingo XXXIII do Tempo Comum: \u00abTanto Talento desperdi\u00e7ado\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Pr 31,10-13.19-20.30-31; Sl 128; 1 Ts 5,1-6; Mt 25,14-30<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. A par\u00e1bola do Domingo passado (XXXII), que nos mostrava duas maneiras diferentes de viver com os olhos e os ouvidos postos na Vinda do Noivo, terminava assim: \u00abVigiai, pois, porque n\u00e3o sabeis o dia nem a hora\u00bb (Mateus 25,13). E a par\u00e1bola deste Domingo, XXXIII do Tempo Comum, que segue imediatamente a anterior (Mateus 25,14-30), agrafa-se a ela, utilizando tr\u00eas motivos tem\u00e1ticos e liter\u00e1rios: a) se a par\u00e1bola do Domingo passado terminava incutindo uma atitude de vigil\u00e2ncia, n\u00e3o pontual, mas alargada \u00e0 vida inteira, como uma forma de viver: \u00abVigiai, pois\u2026\u00bb [<em>gregore\u00eete o\u00fbn<\/em>], a de hoje encaixa ou imbrica-se nela, dizendo em que consiste essa atitude de vigil\u00e2ncia alargada, iniciando com: \u00ab\u00c9, na verdade,\u00a0<em>como<\/em>\u2026\u00bb [<em>h\u00f4sper g\u00e1r<\/em>] (Mateus 25,14); b) o atraso do noivo na par\u00e1bola anterior (Mateus 25,5) corresponde ao \u00abmuito tempo depois\u00bb da par\u00e1bola de hoje (Mateus 25,19); c) as virgens operosas da par\u00e1bola anterior, que tinham tudo preparado, correspondem aos dois servos operosos da par\u00e1bola de hoje: elas entram na sala do banquete (Mateus 25,10), como eles entram na alegria do seu Senhor (Mateus 25,21 e 23); do mesmo modo que as virgens n\u00e3o operosas da par\u00e1bola anterior, que n\u00e3o tinham tudo preparado, t\u00eam o seu paralelo no servo mau e pregui\u00e7oso da par\u00e1bola de hoje: elas ficam fora da porta da sala do banquete (Mateus 25,12), como ele \u00e9 exclu\u00eddo da alegria do seu Senhor (Mateus 25,30).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Entrando agora mais dentro da par\u00e1bola deste Domingo XXXIII (Mateus 25,14-30), somos logo levados a tomar consci\u00eancia de que um imenso dom, vindo de Deus, precede sempre a nossa a\u00e7\u00e3o: cinco talentos, dois talentos, um talento\u2026 \u00e9 sempre uma imensa quantidade dada logo \u00e0 partida!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. O talento come\u00e7ou por ser uma unidade de peso, usada sobretudo para medir metais preciosos. Por exemplo, na Babil\u00f3nia, um talento equivalia a 60 quilos. Imagine-se ent\u00e3o o valor de um talento de ouro! Em \u00e9pocas sucessivas, no per\u00edodo helen\u00edstico, o valor do talento baixou, situando-se ent\u00e3o entre 35 e 26 quilos. De qualquer modo, um talento equivalia ent\u00e3o a 6000 den\u00e1rios, sendo que um den\u00e1rio era o sal\u00e1rio normal de um dia de trabalho. Um talento, 6000 den\u00e1rios, era assim o equivalente a uma vida inteira de trabalho! Portanto, quer seja um, dois ou cinco talentos, \u00e9 sempre um imenso dom que nos \u00e9 entregue! \u00c9 sabido que o grande humanista Erasmo de Roterd\u00e3o (1467-1536) partiu desta p\u00e1gina do Evangelho para dar a estes \u00abtalentos\u00bb o sentido novo do \u00abtalento\u00bb ou \u00abcapacidades\u00bb que distinguem cada ser humano. Esta acostagem \u00e9 poss\u00edvel, se respeitarmos as devidas dist\u00e2ncias. O Evangelho n\u00e3o fala tanto do empenho, dos m\u00e9ritos, das capacidades e do engenho de cada um, mas mais, muito mais da gra\u00e7a preveniente de Deus, do primado da gra\u00e7a de Deus em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s. Para o dizer com a linguagem da par\u00e1bola: Deus paga adiantado uma vida inteira de trabalho, que o mesmo \u00e9 dizer: vivemos uma vida dada!<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Bem! O andamento da par\u00e1bola continua a dizer-nos que os talentos entregues por Deus a cada um de n\u00f3s n\u00e3o s\u00e3o como uma pedra preciosa que h\u00e1 que guardar ciosamente. S\u00e3o antes como uma imensa soma de dinheiro que h\u00e1 que fazer render, ou como uma semente que h\u00e1 que semear para produzir ra\u00edzes, caule, ramos, folhas, flores e frutos. S\u00f3 que esta imensa soma de dinheiro ou esta semente pequenina capaz de um tal desenvolvimento s\u00e3o-nos entregues sem instru\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. \u00c9 assim que a par\u00e1bola progride, mostrando-nos que os dois primeiros servos n\u00e3o perderam tempo, mas partiram logo (<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>) (Mateus 25,15 e 17) e obtiveram resultados fant\u00e1sticos [100% de lucro] (Mateus 25,20 e 22). Mas o terceiro servo, ao contr\u00e1rio, agiu como se o talento recebido fosse uma pedra preciosa, e guardou-a ciosamente, para, a seu tempo, a devolver intacta ao seu dono.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. As raz\u00f5es do comportamento estranho deste terceiro servo, s\u00e3o-nos manifestadas depois, quando este servo se explica perante o seu senhor, que chega \u00abmuito tempo depois\u00bb (Mateus 25,19). Ele diz, escolhendo mal as palavras: \u00abEu sei que tu \u00e9s um homem\u00a0<em>duro<\/em>\u00a0(<em>skl\u00ear\u00f3s<\/em>), que colhes onde n\u00e3o semeaste e juntas onde n\u00e3o espalhaste. Tive\u00a0<em>medo<\/em>\u00a0(<em>ph\u00f3bos<\/em>), e escondi o teu talento na terra\u00bb (Mateus 25,24-25).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Aqui est\u00e3o as respostas erradas, que v\u00eam desde\u00a0<em>Adam<\/em>. Tamb\u00e9m\u00a0<em>Adam<\/em>, nosso l\u00eddimo representante, teve\u00a0<em>medo<\/em>\u00a0de Deus e\u00a0<em>escondeu-se<\/em>\u00a0dele (cf. G\u00e9nesis 3,10). Na esteira de\u00a0<em>Adam<\/em>, tamb\u00e9m este terceiro servo da par\u00e1bola de Mateus ficou tolhido pelo medo e optou por jogar pelo seguro, que se vem a revelar falso. O medo deriva, nos dois casos, de uma falsa imagem de Deus, que \u00e9 visto como um homem\u00a0<em>duro<\/em>. \u00c9 assim que ficamos muitas vezes paralisados, sem perceber a l\u00f3gica dos dons de Deus, que se antecipa sempre a n\u00f3s e n\u00e3o se deixa vencer em generosidade. Sim, os dons do Deus da par\u00e1bola s\u00e3o din\u00e2micos, e n\u00e3o pedras est\u00e1ticas e im\u00f3veis! E o Deus da par\u00e1bola \u00e9 o Senhor da alegria (Mateus 25,21.23), e n\u00e3o do medo!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Portanto, a vigil\u00e2ncia de Mateus 25,13 (\u00abVigiai, pois\u2026\u00bb) manifesta-se (\u00ab\u00e9, na verdade,\u00a0<em>como<\/em>\u2026) (Mateus 25,14) em sermos ativos, fi\u00e9is, generosos, corajosos, ousados e engenhosos a vida toda, desde o primeiro momento (\u00abpartir logo\u00bb) (Mateus 25,21 e 23), e n\u00e3o em ficarmos tolhidos, frios e inertes, ciosamente guardando um grande tesouro, mas nada fazendo. Paralisados. Porventura sentados em cima do tesouro.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Agora que chegamos ao final da par\u00e1bola, num amplo olhar retrospetivo, podemos sempre ver melhor aquilo que, \u00e0 primeira vista, nos pode ter passado despercebido ao lermos a par\u00e1bola. Vendo bem, o comportamento do terceiro servo n\u00e3o se apresenta t\u00e3o diferente como parece em rela\u00e7\u00e3o aos dois primeiros. Estes guardaram o dinheiro no banco; o terceiro guardou-o num buraco. A diferen\u00e7a est\u00e1 apenas no rendimento: no banco, o dinheiro vence juros; no buraco, n\u00e3o. J\u00e1 sabemos que o comportamento dos dois primeiros foi louvado, e que o terceiro tentou justificar-se perante o seu senhor, dizendo que sabia que ele era um homem\u00a0<em>duro<\/em>\u00a0(<em>skl\u00ear\u00f3s<\/em>) (v. 24), e que, por isso, jogou pelo seguro. Este servo aparece qualificado ou desqualificado como\u00a0<em>mau<\/em>\u00a0(<em>pon\u00ear\u00f3s<\/em>) e\u00a0<em>pregui\u00e7oso<\/em>\u00a0(<em>okn\u00ear\u00f3s<\/em>) (v. 26). No que se refere ao dizer preconceituoso deste servo, \u00e9 not\u00f3rio que contradiz a imagem de Deus que percorre as p\u00e1ginas do Evangelho de Mateus e da Escritura inteira, e n\u00e3o se v\u00ea por a\u00ed como \u00e9 que Deus possa ser qualificado como duro, mas sim como omnipotente e omnipresente. Mas a omnipot\u00eancia do Deus b\u00edblico n\u00e3o anula nem dispensa a a\u00e7\u00e3o do homem; antes, a suscita e estimula e lhe abre novas perspetivas. Foi o que fizeram os dois primeiros servos. Foi o que n\u00e3o fez o terceiro. A segunda nota est\u00e1 na men\u00e7\u00e3o expl\u00edcita por parte do senhor da possibilidade que este terceiro servo tinha de ter podido depositar o dinheiro no banco (v. 27). E a quest\u00e3o que se pode levantar \u00e9 se este gesto n\u00e3o pode ser considerado t\u00e3o pregui\u00e7oso como o facto de o meter num buraco. \u00c0 primeira vista, sim. Mas tamb\u00e9m se pode ver que quem p\u00f5e os p\u00e9s ao caminho tem uma conce\u00e7\u00e3o diferente de Deus, confia em Deus. \u00c9 verdade que o Deus b\u00edblico \u00e9 omnipotente, mas n\u00e3o \u00e9 um tirano. Antes, p\u00f5e a sua omnipot\u00eancia ao meu servi\u00e7o, cuida de mim e solicita a minha colabora\u00e7\u00e3o, associando-me aos seus afazeres criadores, mostrando a dignidade que me atribui e incentivando a minha liberdade e responsabilidade! Em jogo est\u00e1 a gra\u00e7a preveniente e permanente de Deus, e a a\u00e7\u00e3o da sua gra\u00e7a em mim.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. O texto termina dizendo que, afinal, o senhor da par\u00e1bola, que bem se v\u00ea que \u00e9 Deus, nem sequer recolheu os bens que lhe eram devidos. Confia na nossa boa administra\u00e7\u00e3o da sua gra\u00e7a. Por isso, manda dar o talento do terceiro servo, que tem uma conce\u00e7\u00e3o errada de Deus, e n\u00e3o sabe o que \u00e9 a gra\u00e7a, \u00e0quele que\u00a0<em>tem<\/em>\u00a0dez talentos. Ter e n\u00e3o ter. Tudo se resume \u00e0 atitude de receber a gra\u00e7a e de deixar que a gra\u00e7a atue em n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Prov\u00e9rbios 31,10-31, hoje lida aos repel\u00f5es (v. 10-13.19-20.29-31) mostra-nos, por assim dizer, o retrato da \u00abmulher ideal\u00bb. N\u00e3o se fala da sua beleza nem do charme feminino. Vemo-la, antes, como esposa, m\u00e3e e dona de casa, sempre atenta a tudo e a todos. N\u00e3o vive centrada em si mesma, de forma autorreferencial, mas olha para todos e por todos \u00e0 sua volta, n\u00e3o esquecendo os pobres e necessitados (v. 20), que est\u00e3o no centro das suas aten\u00e7\u00f5es e no centro do poema. Como este belo modelo encaixa bem no cora\u00e7\u00e3o deste Dia Mundial dos Pobres, que hoje se vive e celebra. Ela faz tudo, e tudo sabe fazer bem. N\u00e3o perde tempo. Esta figura modelar encaixa \u00e0 maravilha na par\u00e1bola dos talentos do Evangelho de hoje. Nas suas m\u00e3os e em tudo o que faz, ela p\u00f5e a render os talentos que Deus, no seu Des\u00edgnio Divino, lhe entregou. \u00c9 ainda de real\u00e7ar que este magn\u00edfico poema (Prov\u00e9rbios 31,10-31) \u00e9 alfab\u00e9tico, isto \u00e9, os seus 22 vers\u00edculos seguem, uma ap\u00f3s outra, as 22 letras do alfabeto hebraico, e constitui o fecho do Livro dos Prov\u00e9rbios.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. O Ap\u00f3stolo, por sua vez, na sua Primeira Carta aos Tessalonicenses 5,1-6, reclama de n\u00f3s a vigil\u00e2ncia permanente, sem nunca nos deixarmos embalar pelos preg\u00f5es dos distribuidores de son\u00edferos e de tranquilizantes, que v\u00e3o pregando \u00abpaz e seguran\u00e7a\u00bb (1 Tessalonicenses 5,3).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Sim, as 45 palavras hebraicas do Salmo 128 enchem-nos de paz, luz, serenidade. Respira-se tamb\u00e9m a fragr\u00e2ncia da videira e a juventude da oliveira. Mas a fam\u00edlia cantada neste Salmo n\u00e3o est\u00e1 fechada sobre si mesma, mas aberta \u00e0 comunidade por Deus aben\u00e7oada. Portanto, do per\u00edmetro da casa e da mesa em que vivem e se sentam pais e filhos, avista-se e sente-se a paz da Cidade Santa, Jerusal\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 de admirar que a tradi\u00e7\u00e3o judaica tenha sabido extrair deste Salmo as \u00absete b\u00ean\u00e7\u00e3os para as n\u00fapcias\u00bb. Saboreemos o perfume deste extrato: \u00abBendito, \u00f3 Senhor, que concedeste ao esposo e \u00e0 esposa j\u00fabilo, canto, gozo, alegria, amor, paz, fraternidade e amizade. Possam depressa e para sempre, \u00f3 Senhor, ressoar gritos de gozo em Jerusal\u00e9m, cidade santa. Possa levantar-se, cheia, a voz jubilosa do esposo e da esposa e os coros gozosos de quem os acompanha na sua alegria. Bendito \u00e9s tu, Senhor, que alegras o esposo com a sua esposa!\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr 31,10-13.19-20.30-31; Sl 128; 1 Ts 5,1-6; Mt 25,14-30 1. 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