{"id":3202413398,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11335-malta-nao-facamos-evaporar-se-o-sonho-da-paz-pede-o-papa"},"modified":"2025-11-07T16:34:43","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:43","slug":"malta-nao-facamos-evaporar-se-o-sonho-da-paz-pede-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/malta-nao-facamos-evaporar-se-o-sonho-da-paz-pede-o-papa\/","title":{"rendered":"Malta: \u00abN\u00e3o fa\u00e7amos evaporar-se o sonho da paz\u00bb, pede o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_malta_1_220403092546.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>No primeiro discurso, da visita de dois dias a Malta, Francisco utilizou a imagem da \u201crosa dos ventos\u201d para pedir aten\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cluta contra a fome, as desigualdades e os migrantes\u201d apelando a que o \u201csonho da paz\u201d n\u00e3o desvane\u00e7a \u201ccom a indiferen\u00e7a e a guerra\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, o discurso do Santo Padre<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Senhor Presidente da Rep\u00fablica,<\/p>\n<p>Membros do Governo e do Corpo Diplom\u00e1tico,<\/p>\n<p>Distintas Autoridades religiosas e civis,<\/p>\n<p>Ilustres Representantes da sociedade e do mundo da cultura,<\/p>\n<p>Senhoras e Senhores!<\/p>\n<p>Sa\u00fado-vos cordialmente e agrade\u00e7o ao Senhor Presidente as am\u00e1veis palavras que me dirigiu em nome de todos os cidad\u00e3os. Os vossos antepassados deram hospitalidade ao Ap\u00f3stolo Paulo durante a sua viagem para Roma, tratando-o a ele e aos seus companheiros de viagem \u00abcom invulgar humanidade\u00bb (At 28, 2); agora tamb\u00e9m eu, vindo de Roma, experimento o acolhimento caloroso dos malteses, tesouro que passa de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o, pode-se definir Malta como o cora\u00e7\u00e3o do Mediterr\u00e2neo. E n\u00e3o s\u00f3 pela posi\u00e7\u00e3o: h\u00e1 mil\u00e9nios que o entrela\u00e7amento de acontecimentos hist\u00f3ricos e o encontro de popula\u00e7\u00f5es fazem destas ilhas um centro de vitalidade e cultura, espiritualidade e beleza, uma encruzilhada que soube acolher e harmonizar influxos origin\u00e1rios de muitas partes. Esta diversidade de influxos faz pensar na variedade dos ventos que caraterizam o pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, nas antigas representa\u00e7\u00f5es cartogr\u00e1ficas do Mediterr\u00e2neo, a rosa dos ventos estava frequentemente colocada perto da ilha de Malta. Servindo-me precisamente desta imagem da rosa dos ventos, que localiza as correntes de ar segundo os quatro pontos cardeais, quero delinear quatro influxos essenciais para a vida social e pol\u00edtica deste pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sobre as ilhas maltesas, os ventos sopram predominantemente de noroeste. O norte lembra a Europa, em particular a casa da Uni\u00e3o Europeia, edificada para que nela habite uma grande fam\u00edlia unida na salvaguarda da paz. Unidade e paz s\u00e3o os dons que o povo malt\u00eas pede a Deus cada vez que entoa o Hino Nacional. Com efeito assim reza a ora\u00e7\u00e3o escrita por Dun Karm Psaila: \u00abConcedei, Deus Omnipotente, sabedoria e miseric\u00f3rdia a quem governa, sa\u00fade a quem trabalha e assegura ao povo malt\u00eas unidade e paz\u00bb. A paz vem depois da unidade e brota dela. Isto faz pensar na import\u00e2ncia de trabalhar juntos, colocar a coes\u00e3o antes de toda a divis\u00e3o, revigorar ra\u00edzes e valores partilhados que forjaram a unicidade da sociedade maltesa.<\/p>\n<p>Mas, para garantir uma boa conviv\u00eancia social, n\u00e3o basta consolidar o sentido de perten\u00e7a; \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m refor\u00e7ar os alicerces da vida comum, que assenta sobre o direito e a legalidade. A honestidade, a justi\u00e7a, o sentido do dever e a transpar\u00eancia s\u00e3o pilares essenciais duma sociedade civilmente avan\u00e7ada. Por isso o empenho em eliminar a ilegalidade e a corrup\u00e7\u00e3o seja forte como o vento que, soprando de norte, varre as costas do pa\u00eds. E sempre se cultivem a legalidade e a transpar\u00eancia, que permitem erradicar a candonga e a criminalidade, unidas pelo facto de n\u00e3o agirem \u00e0 luz do sol.<\/p>\n<p>A casa europeia, que est\u00e1 empenhada na promo\u00e7\u00e3o dos valores da justi\u00e7a e equidade social, encontra-se tamb\u00e9m na vanguarda da tutela da casa mais ampla da cria\u00e7\u00e3o. O ambiente onde vivemos \u00e9 uma d\u00e1diva do c\u00e9u, como reconhece tamb\u00e9m o Hino Nacional ao pedir a Deus que olhe pela beleza desta terra, m\u00e3e adornada com a mais alta luz. \u00c9 verdade! Em Malta, onde a luminosidade da paisagem alivia as dificuldades, a cria\u00e7\u00e3o aparece como o dom que, por entre as provas da hist\u00f3ria e da vida, recorda a beleza de habitar a terra. Por isso deve ser preservada da gan\u00e2ncia devoradora, da sofreguid\u00e3o do dinheiro e da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, que compromete n\u00e3o s\u00f3 a paisagem, mas tamb\u00e9m o futuro. Ao passo que a defesa do ambiente e a justi\u00e7a social preparam o futuro, e s\u00e3o \u00f3timos caminhos para fazer apaixonar os jovens pela boa pol\u00edtica, libertando-os das tenta\u00e7\u00f5es do desinteresse e alheamento.<\/p>\n<p>O vento norte mistura-se muitas vezes com o vento que sopra de oeste. De facto este pa\u00eds europeu, particularmente a sua juventude, partilha os estilos de vida e de pensamento ocidentais. Daqui derivam grandes bens \u2013 penso por exemplo nos valores da liberdade e da democracia \u2013, mas tamb\u00e9m riscos sobre os quais \u00e9 preciso vigiar, para que a ambi\u00e7\u00e3o do progresso n\u00e3o leve a separar-se das ra\u00edzes. Malta \u00e9 um maravilhoso \u00ablaborat\u00f3rio de desenvolvimento org\u00e2nico\u00bb, onde progredir n\u00e3o significa cortar as ra\u00edzes com o passado em nome duma falsa prosperidade ditada pelo lucro, as necessidades sugeridas pelo consumismo, bem como pelo direito de ter todo e qualquer direito. Para um desenvolvimento saud\u00e1vel, \u00e9 importante preservar a mem\u00f3ria e tecer respeitosamente a harmonia entre as gera\u00e7\u00f5es, sem se deixar absorver por homogeneiza\u00e7\u00f5es artificiais e coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, que muitas vezes ocorrem, por exemplo, no campo da vida, do princ\u00edpio da vida. S\u00e3o coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas que v\u00e3o contra o direito \u00e0 vida desde o momento da conce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na base dum s\u00f3lido crescimento, est\u00e1 a pessoa humana, o respeito pela vida e pela dignidade de todo o homem e mulher. Conhe\u00e7o o empenho dos malteses em abra\u00e7ar e proteger a vida. J\u00e1 nos Atos dos Ap\u00f3stolos vos distingu\u00edeis por salvar tantas pessoas. Encorajo-vos a continuar a defender a vida desde o in\u00edcio at\u00e9 ao seu fim natural, mas tamb\u00e9m a preserv\u00e1-la sempre de ser descartada e negligenciada. Penso especialmente na dignidade dos trabalhadores, dos idosos e dos doentes. E aos jovens, que correm o risco de desperdi\u00e7ar o bem imenso que s\u00e3o, perseguindo miragens que deixam no \u00edntimo tanto vazio. A provocar tudo isto \u00e9 o consumismo exasperado, o fechamento \u00e0s necessidades dos outros e a praga da droga, que sufoca a liberdade ao criar depend\u00eancia. Protejamos a beleza da vida!<\/p>\n<p>Continuando na rosa dos ventos, olhemos para sul. De l\u00e1 chegam muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s \u00e0 procura de esperan\u00e7a. Quero agradecer \u00e0s Autoridades e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o pelo acolhimento que lhes d\u00e3o em nome do Evangelho, da humanidade e do sentido de hospitalidade t\u00edpico dos malteses. Segundo a etimologia fen\u00edcia, Malta significa \u00abporto seguro\u00bb. Mas, perante o afluxo crescente dos \u00faltimos anos, medos e inseguran\u00e7as geraram des\u00e2nimo e frustra\u00e7\u00e3o. Para se enfrentar adequadamente a complexa quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso situ\u00e1-la dentro de perspetivas de tempo e espa\u00e7o mais amplas. De tempo: o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 uma conjuntura do momento, mas marca a nossa \u00e9poca. Traz consigo as d\u00edvidas de injusti\u00e7as passadas, de tanta explora\u00e7\u00e3o, de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e de desditosos conflitos cujas consequ\u00eancias se pagam. Do sul pobre e povoado, massas de pessoas deslocam-se para o norte mais rico: \u00e9 um dado real, que n\u00e3o se pode enjeitar com anacr\u00f3nicos fechamentos, porque n\u00e3o haver\u00e1 prosperidade nem integra\u00e7\u00e3o no isolamento. Depois h\u00e1 que considerar o espa\u00e7o: o agravamento da emerg\u00eancia migrat\u00f3ria \u2013 pensemos nos refugiados da martirizada Ucr\u00e2nia \u2013 exige respostas amplas e partilhadas. N\u00e3o podem apenas alguns pa\u00edses arcar com o problema inteiro, na indiferen\u00e7a de outros! Nem podem pa\u00edses civis sancionar, para seu pr\u00f3prio interesse, acordos obscuros com criminosos que escravizam as pessoas. Isto, infelizmente, acontece. O Mediterr\u00e2neo precisa de corresponsabilidade europeia, para voltar a ser teatro de solidariedade e n\u00e3o a dianteira dum tr\u00e1gico naufr\u00e1gio da civiliza\u00e7\u00e3o. O mare nostrum n\u00e3o pode tornar-se o maior cemit\u00e9rio da Europa.<\/p>\n<p>E a prop\u00f3sito de naufr\u00e1gio, penso em S\u00e3o Paulo que, durante a sua \u00faltima travessia no Mediterr\u00e2neo, chegou a estas costas de maneira inesperada e foi socorrido. Depois, mordido por uma v\u00edbora, foi julgado um criminoso, passando pouco depois a ser considerado uma divindade por n\u00e3o ter sofrido consequ\u00eancias (cf. At 28, 3-6). Por entre os exageros dos dois extremos, escapava a evid\u00eancia prim\u00e1ria: Paulo era um homem, necessitado de acolhimento. A humanidade vem em primeiro lugar e antep\u00f5e-se a tudo: ensina-o este pa\u00eds, cuja hist\u00f3ria beneficiou com a penosa chegada do Ap\u00f3stolo naufragado. Em nome do Evangelho que ele viveu e pregou, alarguemos o cora\u00e7\u00e3o e descubramos a beleza de servir os necessitados. Continuemos por esta estrada. Enquanto hoje, a respeito de quem atravessa o Mediterr\u00e2neo \u00e0 procura de seguran\u00e7a, prevalecem o medo e \u00aba narra\u00e7\u00e3o da invas\u00e3o\u00bb, e o objetivo prim\u00e1rio parece ser a tutela a todo o custo da pr\u00f3pria seguran\u00e7a, ajudemo-nos a n\u00e3o ver o migrante como uma amea\u00e7a n\u00e3o cedendo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de construir pontes levadi\u00e7as e erguer muros. O outro n\u00e3o \u00e9 um v\u00edrus do qual nos devemos defender, mas uma pessoa a acolher, e \u00abo ideal crist\u00e3o convidar\u00e1 sempre a superar a suspeita, a desconfian\u00e7a permanente, o medo de sermos invadidos, as atitudes defensivas que nos imp\u00f5e o mundo atual\u00bb (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 88). N\u00e3o deixemos que a indiferen\u00e7a apague o sonho de vivermos juntos! Claro, acolher custa fadiga e exige ren\u00fancias. Foi assim tamb\u00e9m com S\u00e3o Paulo: para se porem a salvo, foi necess\u00e1rio primeiro sacrificar os bens do navio (cf. At 27, 38). Mas trata-se de santas ren\u00fancias as que s\u00e3o feitas por um bem maior, pela vida do homem, que \u00e9 o tesouro de Deus!<\/p>\n<p>E temos, enfim, o vento de leste, que sopra muitas vezes ao amanhecer. Homero chamava-o \u00abEuro\u00bb (Odisseia V, 379.423). Entretanto foi precisamente do leste da Europa, do Oriente onde primeiro aparece a luz, que chegaram as trevas da guerra. Pens\u00e1vamos que invas\u00f5es doutros pa\u00edses, combates brutais pelas estradas e amea\u00e7as at\u00f3micas fossem sombrias recorda\u00e7\u00f5es dum passado distante. Mas o vento gelado da guerra, que s\u00f3 traz morte, destrui\u00e7\u00e3o e \u00f3dio, abateu-se prepotentemente sobre a vida de muitos e sobre os dias de todos. E enquanto mais uma vez um poderoso qualquer, tristemente fechado em anacr\u00f3nicas reivindica\u00e7\u00f5es de interesses nacionalistas, provoca e fomenta conflitos, a gente comum sente a necessidade de construir um futuro que ser\u00e1 vivido conjuntamente por todos ou ent\u00e3o n\u00e3o subsistir\u00e1. Agora, na noite da guerra que caiu sobre a humanidade, por favor n\u00e3o fa\u00e7amos evaporar-se o sonho da paz.<\/p>\n<p>Malta, que resplandece luminosa no cora\u00e7\u00e3o do Mediterr\u00e2neo, pode inspirar-nos, porque \u00e9 urgente devolver beleza ao rosto do homem, desfigurado pela guerra. Uma bela est\u00e1tua mediterr\u00e2nica, que remonta a s\u00e9culos antes de Cristo, retrata a paz, Irene, como uma mulher segurando Plut\u00e3o, a riqueza. Recorda que a paz gera bem-estar, e a guerra s\u00f3 pobreza. E impressiona o facto de, na est\u00e1tua, a paz e a riqueza aparecerem retratadas como uma m\u00e3e que segura um filho nos bra\u00e7os. A ternura das m\u00e3es, que d\u00e3o ao mundo a vida, e a presen\u00e7a das mulheres s\u00e3o a verdadeira alternativa \u00e0 perversa l\u00f3gica do poder, que leva \u00e0 guerra. Precisamos de compaix\u00e3o e cuidados, n\u00e3o de vis\u00f5es ideol\u00f3gicas e populismos, que se alimentam com palavras de \u00f3dio e n\u00e3o t\u00eam a peito a vida concreta do povo, da gente comum.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de sessenta anos, da bacia do Mediterr\u00e2neo para um mundo amea\u00e7ado pela destrui\u00e7\u00e3o, onde ditavam lei as contraposi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e a l\u00f3gica f\u00e9rrea dos alinhamentos, ergueu-se uma voz contracorrente, que contrap\u00f4s, \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria parte, um salto prof\u00e9tico em nome da fraternidade universal. Era a voz de Jorge La Pira, que disse: \u00abA conjuntura hist\u00f3rica que vivemos, o choque de interesses e ideologias que abalam a humanidade a bra\u00e7os com um infantilismo incr\u00edvel, devolvem ao Mediterr\u00e2neo uma responsabilidade capital: definir de novo as normas duma Medida onde se possa reconhecer o homem abandonado ao del\u00edrio e aos excessos\u00bb (Discurso no Congresso Mediterr\u00e2nico de Cultura, 19\/II\/1960). S\u00e3o palavras atuais; podemos repeti-las, porque t\u00eam uma grande atualidade! Quanto precisamos duma \u00abmedida humana\u00bb face \u00e0 agressividade infantil e destrutiva que nos amea\u00e7a, frente ao risco duma \u00abguerra fria alargada\u00bb que pode sufocar a vida de gera\u00e7\u00f5es e povos inteiros! Infelizmente, aquele \u00abinfantilismo\u00bb n\u00e3o desapareceu. Ressurge prepotentemente nas sedu\u00e7\u00f5es da autocracia, nos novos imperialismos, na difusa agressividade, na incapacidade de lan\u00e7ar pontes e come\u00e7ar pelos mais pobres. Hoje \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil pensar com a l\u00f3gica da paz; habituamo-nos a pensar com a l\u00f3gica da guerra. Disto come\u00e7a a soprar o vento gelado da guerra, que esta vez tamb\u00e9m foi alimentado ao longo dos anos. Sim, desde h\u00e1 tempos que a guerra tem vindo a ser preparando com grandes investimentos e tr\u00e1ficos de armas. E \u00e9 triste ver como o entusiasmo pela paz, surgido depois da II Guerra Mundial, se debilitou nas \u00faltimas d\u00e9cadas, bem como o percurso da comunidade internacional, com alguns poderosos que avan\u00e7am por conta pr\u00f3pria \u00e0 procura de espa\u00e7os e zonas de influ\u00eancia. E assim n\u00e3o s\u00f3 a paz, mas tamb\u00e9m muitas quest\u00f5es importantes, como a luta contra a fome e as desigualdades, foram efetivamente canceladas das principais agendas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Mas a solu\u00e7\u00e3o para as crises de cada um \u00e9 ocupar-se das crises de todos, porque os problemas globais requerem solu\u00e7\u00f5es globais. Ajudemo-nos a auscultar a sede de paz das pessoas, trabalhemos por colocar as bases dum di\u00e1logo cada vez mais alargado, voltemos a reunir-nos em confer\u00eancias internacionais pela paz, onde seja central o tema do desarmamento, com o olhar fixo nas gera\u00e7\u00f5es vindouras! E os enormes fundos que continuam a ser destinados para armamentos sejam aplicados no desenvolvimento, na sa\u00fade e na nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Olhando ainda para leste, gostaria por fim de dirigir um pensamento ao M\u00e9dio Oriente, cuja proximidade se reflete na l\u00edngua deste pa\u00eds, que se harmoniza com outras, como se quisesse recordar a capacidade que t\u00eam os malteses de gerar ben\u00e9ficas conviv\u00eancias, numa esp\u00e9cie de conv\u00edvio das diferen\u00e7as. Disto precisa o M\u00e9dio Oriente: o L\u00edbano, a S\u00edria, o I\u00e9men e outros contextos dilacerados por problemas e viol\u00eancia. Que Malta, cora\u00e7\u00e3o do Mediterr\u00e2neo, continue a fazer palpitar a esperan\u00e7a, o cuidado pela vida, o acolhimento do outro, o anseio de paz, com a ajuda de Deus, cujo nome \u00e9 paz.<\/p>\n<p>Deus aben\u00e7oe Malta e Gozo!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro discurso, da visita de dois dias a Malta, Francisco utilizou a imagem da \u201crosa dos ventos\u201d para pedir [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2897487794,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-3202413398","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3202413398","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3202413398"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3202413398\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294996017,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3202413398\/revisions\/4294996017"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2897487794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3202413398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3202413398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3202413398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}