{"id":3205765594,"date":"2023-05-31T00:00:00","date_gmt":"2023-05-31T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12235-papa-destaca-importancia-da-amizade-e-do-respeito-pela-cultura-na-evangelizacao"},"modified":"2023-05-31T00:00:00","modified_gmt":"2023-05-31T00:00:00","slug":"papa-destaca-importancia-da-amizade-e-do-respeito-pela-cultura-na-evangelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-destaca-importancia-da-amizade-e-do-respeito-pela-cultura-na-evangelizacao\/","title":{"rendered":"Papa destaca import\u00e2ncia da amizade e do respeito pela cultura na evangeliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/audiencia_geral_150812021745.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Em nova catequese sobre o Zelo Apost\u00f3lico o Papa Francisco trouxe aos fi\u00e9is o exemplo do padre Matteo Ricci. Na sua medita\u00e7\u00e3o o papa louvou a coer\u00eancia do mission\u00e1rio da China e lembrou a import\u00e2ncia de uma abordagem que priviligia a amizade e a integra\u00e7\u00e3o nos costumes locais<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a alocu\u00e7\u00e3o do Santo Padre<\/p>\n<p><strong><\/strong><strong>Catequeses. A paix\u00e3o pela evangeliza\u00e7\u00e3o: o zelo apost\u00f3lico do crente &#8211; 15. Testemunhas:\u00a0Pe. Matteo Ricci<\/strong><\/p>\n<p><em>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Prosseguimos as catequeses falando sobre o zelo apost\u00f3lico, isto \u00e9, aquele que o crist\u00e3o sente para levar por diante o an\u00fancio de Jesus Cristo. Hoje gostaria de vos apresentar outro grande exemplo de zelo apost\u00f3lico: fal\u00e1mos de S\u00e3o Francisco Xavier, de S\u00e3o Paulo, o zelo apost\u00f3lico dos grandes zelosos; hoje falaremos de um \u2013 italiano \u2013 mas que foi \u00e0 China: Matteo Ricci.<\/p>\n<p>Natural de Macerata, na regi\u00e3o das Marcas, depois de ter estudado nas escolas dos jesu\u00edtas e de ter entrado na Companhia de Jesus, entusiasmado com os relatos que ouvia dos mission\u00e1rios entusiasmou-se, como muitos outros jovens, que sentiam o mesmo, pediu para ser enviado para as miss\u00f5es do Extremo Oriente. Depois da tentativa de Francisco Xavier, mais vinte e cinco jesu\u00edtas tinham procurado, sem sucesso, entrar na China. Mas Ricci e um dos seus confrades prepararam-se muito bem, estudando cuidadosamente a l\u00edngua e os costumes chineses, e no final conseguiram estabelecer-se no sul do pa\u00eds. Foram necess\u00e1rios dezoito anos, com etapas em quatro cidades diferentes, antes de chegar a Pequim, que era o centro. Com const\u00e2ncia e paci\u00eancia, animado por uma f\u00e9 inabal\u00e1vel, Matteo Ricci conseguiu superar dificuldades, perigos, desconfian\u00e7as e oposi\u00e7\u00f5es. Pensai naquele tempo, caminhar ou ir a cavalo, quantas dist\u00e2ncias&#8230; e ele ia em frente. Mas qual foi o segredo de Matteo Ricci? Por qual estrada o impeliu o zelo?<\/p>\n<p>Ele seguiu sempre o caminho do di\u00e1logo e da amizade com todas as pessoas que encontrou, e isto abriu-lhe muitas portas para o an\u00fancio da f\u00e9 crist\u00e3. A sua primeira obra em l\u00edngua chinesa foi precisamente um tratado\u00a0<em>Sobre a amizade<\/em>, que teve grande resson\u00e2ncia. Para se integrar na cultura e na vida chinesas, num primeiro per\u00edodo vestia-se como os bonzos budistas, o costume do pa\u00eds, mas depois compreendeu que a melhor maneira era assumir o estilo de vida e os trajes dos eruditos, como os professores universit\u00e1rios, os eruditos vestiam-se: e ele vestia-se assim. Estudou profundamente os seus textos cl\u00e1ssicos, a fim de poder apresentar o cristianismo em di\u00e1logo positivo com a sua sabedoria confucionista e os usos e costumes da sociedade chinesa. E isto chama-se uma atitude de incultura\u00e7\u00e3o. Este mission\u00e1rio soube \u201cinculturar\u201d a f\u00e9 crist\u00e3 em di\u00e1logo como os Padres antigos com a cultura grega.\u00a0<\/p>\n<p>A sua excelente prepara\u00e7\u00e3o cient\u00edfica suscitava o interesse e a admira\u00e7\u00e3o dos homens cultos, a come\u00e7ar pelo seu famoso mapa-m\u00fandi, o mapa de todo o mundo ent\u00e3o conhecido, com os diferentes continentes, que revela aos chineses, pela primeira vez, uma realidade fora da China muito mais vasta do que pensavam. Mostra-lhes que o mundo \u00e9 maior do que a China, e eles compreendem \u2013 pois eram inteligentes. Mas tamb\u00e9m os conhecimentos matem\u00e1ticos e astron\u00f3micos de Ricci e dos seus seguidores mission\u00e1rios contribu\u00edram para um encontro fecundo entre a cultura e a ci\u00eancia do Ocidente e do Oriente, que ent\u00e3o viver\u00e1 uma das suas \u00e9pocas mais felizes, no sinal do di\u00e1logo e da amizade. Com efeito, a obra de Matteo Ricci nunca teria sido poss\u00edvel sem a colabora\u00e7\u00e3o dos seus grandes amigos chineses, como os famosos \u201cDoutor Paulo\u201d (Xu Guangqi) e o \u201cDoutor Le\u00e3o\u201d (Li Zhizao).<\/p>\n<p>No entanto, a fama de Ricci como homem de ci\u00eancia n\u00e3o deve obscurecer a motiva\u00e7\u00e3o mais profunda de todos os seus esfor\u00e7os: isto \u00e9, o an\u00fancio do Evangelho. Ele, com o di\u00e1logo cient\u00edfico, com os cientistas, ia em frente, mas dava testemunho da pr\u00f3pria f\u00e9, do Evangelho. A credibilidade obtida mediante o di\u00e1logo cient\u00edfico conferia-lhe autoridade para propor a verdade da f\u00e9 e da moral crist\u00e3, que ele debate de modo aprofundado nas suas principais obras chinesas, como\u00a0<em>O verdadeiro significado do Senhor do C\u00e9u<\/em>\u00a0\u2013 este \u00e9 o nome daquele livro.\u00a0\u00a0Al\u00e9m da doutrina, s\u00e3o o seu testemunho de vida religiosa, de virtude e de ora\u00e7\u00e3o: estes mission\u00e1rios rezavam. Iam rezar, moviam-se, tomavam iniciativas pol\u00edticas, tudo: mas rezavam. \u00c9 a ora\u00e7\u00e3o que alimenta a vida mission\u00e1ria, uma vida de caridade, ajudavam os outros, humildes, com total desinteresse por honras e riquezas que levam muitos dos seus disc\u00edpulos e amigos chineses a aceitar a f\u00e9 cat\u00f3lica. Porque viam um homem t\u00e3o inteligente, t\u00e3o s\u00e1bio, t\u00e3o esperto \u2013 no sentido bom da palavra \u2013 para levar as coisas em frente e t\u00e3o crente que diziam: \u201cMas, o que prega \u00e9 verdade pois \u00e9 dito por uma personalidade que d\u00e1 testemunho: testemunha com a pr\u00f3pria vida o que anuncia\u201d. Esta \u00e9 a coer\u00eancia dos evangelizadores. E isto cabe a todos n\u00f3s crist\u00e3os que somos evangelizadores. Posso recitar o \u201cCredo\u201d de cor, posso dizer todas as coisas que cremos, mas se a minha vida n\u00e3o for coerente com o que professo n\u00e3o serve para nada. O que atrai as pessoas \u00e9 o testemunho de coer\u00eancia: n\u00f3s crist\u00e3os somos chamados a viver o que dizemos, e n\u00e3o fingir que se vive como crist\u00e3os e viver como mundano. Olhai para este grande mission\u00e1rio \u2013 como Matteo Ricci que \u00e9 italiano \u2013 olhando para estes grandes mission\u00e1rios, vereis que a maior for\u00e7a\u00a0\u00a0\u00e9 a coer\u00eancia: s\u00e3o coerentes.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias da sua vida, a quantos estavam mais pr\u00f3ximos dele e lhe perguntavam como se sentia, Matteo Ricci \u00abrespondia que naquele momento pensava se eram maiores a alegria e o regozijo que sentia interiormente, com a ideia de estar prestes a empreender a sua viagem para ir pregustar Deus, ou a tristeza que lhe poderia causar deixar os seus companheiros de toda a miss\u00e3o que tanto amava, e o servi\u00e7o que ainda podia prestar a Deus Nosso Senhor nesta miss\u00e3o\u00bb (S. DE URSIS,\u00a0<em>Relazione su M. Ricci<\/em>,\u00a0Archivio Storico Romano S.I.). Trata-se da mesma atitude do ap\u00f3stolo Paulo (cf.\u00a0<em>Fl<\/em>\u00a01, 22-24), que desejava ir para o Senhor, encontrar o Senhor, mas dizia: \u201cpermane\u00e7o para vos servir\u201d.<\/p>\n<p>Matteo Ricci faleceu em Pequim, em 1610, com 57 anos, um homem que dedicou toda a vida \u00e0 miss\u00e3o. O esp\u00edrito mission\u00e1rio de Matteo Ricci constitui um modelo vivo atual. O seu amor pelo povo chin\u00eas \u00e9 um modelo; mas o que representa uma estrada atual \u00e9 a sua coer\u00eancia de vida, o testemunho da sua vida como crist\u00e3o. Ele levou o cristianismo \u00e0 China; ele \u00e9 grande porque \u00e9 um grande cientista, ele \u00e9 grande porque \u00e9 corajoso, ele \u00e9 grande porque escreveu muitos livros, mas sobretudo \u00e9 grande porque foi coerente com a sua voca\u00e7\u00e3o, coerente com aquela vontade de seguir Jesus Cristo. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, hoje n\u00f3s, cada um de n\u00f3s, perguntemo-nos no \u00edntimo: \u201cSou coerente, ou sou um pouco assim-assim?\u201d.<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|31.05.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nova catequese sobre o Zelo Apost\u00f3lico o Papa Francisco trouxe aos fi\u00e9is o exemplo do padre Matteo Ricci. 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