{"id":3214333507,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7355-dia-mundial-da-alimentacao-discurso-do-papa-na-fao"},"modified":"2025-11-07T16:34:27","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:27","slug":"dia-mundial-da-alimentacao-discurso-do-papa-na-fao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/dia-mundial-da-alimentacao-discurso-do-papa-na-fao\/","title":{"rendered":"Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o: Discurso do Papa na FAO"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/fao_imigracion_171017122349.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>No Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o o Papa Francisco visitou a sede do Fundo Alimentar Mundial (FAO), em Roma, onde proferiu um discurso sobre o tema da alimenta\u00e7\u00e3o, do amor, da solidariedade, da verdade e da justa distrui\u00e7\u00e3o dos bens.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Amar significa n\u00e3o continuar a dividir a fam\u00edlia humana entre aqueles que gozam o sup\u00e9rfluo e aqueles que n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio&#8221; denunciou o Papa.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, o discurso do Papa Francisco.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Discurso do Papa Francisco na Sede da FAO no dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, 2017<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<address>Senhor Diretor-Geral,<\/address>\n<address>Distinguidas autoridades,<\/address>\n<address>Senhoras e senhores:<\/address>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o o convite e o bem-vindo que me dirigiu o Diretor-Geral, professor Jos\u00e9 Graziano da Silva, e sa\u00fado calorosamente as autoridades que nos acompanham, bem como os Representantes dos Estados Membros e aqueles que t\u00eam a oportunidade de nos seguir a partir das sedes da FAO no mundo.<\/p>\n<p>Exprimo uma sauda\u00e7\u00e3o especial aos Ministros da Agricultura do G7 aqui presentes, e que terminaram a sua reuni\u00e3o, na qual discutiram quest\u00f5es que exigem uma responsabilidade n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e0 comunidade internacional no seu conjunto.<\/p>\n<p>1. A celebra\u00e7\u00e3o deste Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o re\u00fane-nos na mem\u00f3ria de 16 de outubro de 1945, quando os governos, decididos a eliminar a fome no mundo atrav\u00e9s do desenvolvimento do setor agr\u00edcola, institu\u00edram a FAO. Naquele per\u00edodo de grave inseguran\u00e7a alimentar e grandes deslocamentos da popula\u00e7\u00e3o, com milh\u00f5es de pessoas \u00e0 procura de um lugar para sobreviver \u00e0s mis\u00e9rias e adversidades causadas pela guerra.<\/p>\n<p>\u00c0 luz disto, refletir sobre os efeitos da seguran\u00e7a alimentar na mobilidade humana significa voltar ao compromisso a partir do qual a FAO nasceu, para renov\u00e1-lo. A realidade atual exige maior responsabilidade a todos os n\u00edveis, n\u00e3o s\u00f3 para garantir a produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ou distribui\u00e7\u00e3o equitativa dos frutos da terra &#8211; isto deve ser dado por certo &#8211; mas, sobretudo, garantir o direito a todo o ser humano de se alimentar de acordo com as suas pr\u00f3prias necessidades, participando tamb\u00e9m das decis\u00f5es que o afetam e no cumprimento das suas pr\u00f3prias aspira\u00e7\u00f5es, sem ter que se separar dos seus entes queridos.<\/p>\n<p>Diante de tal objetivo, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a credibilidade de todo o sistema internacional. Sabemos que a coopera\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais condicionada por compromissos parciais, que chegam mesmo a limitar as ajudas nas emerg\u00eancias. As mortes por fome ou o abandono da pr\u00f3pria terra tamb\u00e9m s\u00e3o not\u00edcia comum, com o perigo de provocar indiferen\u00e7a. Precisamos urgentemente de encontrar novas maneiras de transformar as possibilidades numa garantia que permita a cada pessoa enfrentar o futuro com fundada confian\u00e7a, n\u00e3o apenas com alguma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio das rela\u00e7\u00f5es internacionais manifesta uma crescente capacidade de dar respostas \u00e0s expetativas da fam\u00edlia humana, tamb\u00e9m com a contribui\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, as quais, estudando os problemas, prop\u00f5em solu\u00e7\u00f5es adequadas. N\u00e3o obstante, estas novas conquistas n\u00e3o conseguiram eliminar a exclus\u00e3o de grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial: Quantas s\u00e3o as v\u00edtimas da desnutri\u00e7\u00e3o, das guerras, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Quantos carecem de trabalho e dos bens b\u00e1sicos e se veem obrigado a deixar a sua terra, expondo-se a muitas e terr\u00edveis formas de explora\u00e7\u00e3o. Valorizar a tecnologia ao servi\u00e7o do desenvolvimento \u00e9 certamente o caminho a percorrer, na medida em que sejam tomadas medidas efetivas para reduzir o n\u00famero de pessoas com fome ou para controlar o fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>2. A rela\u00e7\u00e3o entre fome e migra\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser resolvida se formos \u00e0 raiz do problema. A este respeito, os estudos realizados pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, como tantos outros realizados por organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, concordam em considerar que s\u00e3o dois os principais obst\u00e1culos a serem superados: conflitos e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Como se podem superar os conflitos? A lei internacional indica-nos os meios para preveni-los ou resolv\u00ea-los rapidamente, evitando que se prolonguem e que produzam fome e a destrui\u00e7\u00e3o do tecido social. Pensemos nas popula\u00e7\u00f5es martirizadas pelas guerras que duraram d\u00e9cadas, o que poderia ter sido prevenido ou, pelo menos, parado, e ainda assim propagou efeitos t\u00e3o desastrosos e cru\u00e9is quanto a inseguran\u00e7a alimentar e o deslocamento for\u00e7ado de pessoas. \u00c9 necess\u00e1rio boa vontade e di\u00e1logo para parar os conflitos e um compromisso total a favor de um desarmamento gradual e sistem\u00e1tico, conforme previsto pela Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, bem como remediar a peste desastrosa do tr\u00e1fico de armas. De que vale denunciar que por causa dos conflitos milh\u00f5es de pessoas sejam v\u00edtimas da fome e da desnutri\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o se atua eficazmente em prol da paz e do desarmamento?<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, vemos as suas consequ\u00eancias todos os dias. Gra\u00e7as ao conhecimento cient\u00edfico, sabemos como lidar com os problemas; e a comunidade internacional tamb\u00e9m foi desenvolvendo os instrumentos jur\u00eddicos necess\u00e1rios, como o Acordo de Paris, do qual, infelizmente, alguns se est\u00e3o a afastar. Com efeito, reaparece a neglig\u00eancia do equil\u00edbrio delicado dos ecossistemas, a presun\u00e7\u00e3o da manipula\u00e7\u00e3o e controlo dos recursos limitados do planeta, a gan\u00e2ncia do lucro. \u00c9, portanto, necess\u00e1rio esfor\u00e7ar-se para um consenso concreto e pr\u00e1tico, se quisermos evitar os efeitos mais tr\u00e1gicos que continuam a cair sobre as pessoas mais pobres e indefesas. Somos chamados a propor uma mudan\u00e7a no estilo de vida, no uso de recursos em crit\u00e9rios de produ\u00e7\u00e3o, mesmo no consumo, no que diz respeito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, perante um aumento nas perdas e nos desperd\u00edcios. N\u00e3o podemos conformarmo-nos em dizer \u00aboutros o far\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Penso que estes s\u00e3o os pressupostos de qualquer discurso s\u00e9rio sobre a seguran\u00e7a alimentar relacionada com o fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es. Hoje \u00e9 claro que as guerras e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas levam \u00e0 fome, evitemos pois apresent\u00e1-la como uma doen\u00e7a incur\u00e1vel. As recentes previs\u00f5es feitas pelos vossos especialistas contemplam um aumento da produ\u00e7\u00e3o global de cereais, a n\u00edveis que permitem dar maior consist\u00eancia \u00e0s reservas mundiais. Este dado d\u00e1-nos esperan\u00e7a e ensina-nos que, se trabalharmos, prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades e deixando \u00e0 margem a especula\u00e7\u00e3o, os resultados s\u00e3o suficientes. Na verdade, os recursos alimentares s\u00e3o muitas vezes expostos \u00e0 especula\u00e7\u00e3o, que os mede apenas em termos de benef\u00edcio econ\u00f3mico dos grandes produtores ou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estimativas de consumo, e n\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias reais das pessoas. Desta maneira, favorecem-se os conflitos e o desperd\u00edcio, e aumenta o n\u00famero dos \u00faltimos na terra que procuram um futuro longe dos seus territ\u00f3rios de origem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>3. Diante desta situa\u00e7\u00e3o, podemos e devemos mudar de rumo (cf <em>Laudato Si\u2019<\/em> 53; 61; 163; 202). Diante do aumento da demanda de alimentos, os frutos da terra devem estar dispon\u00edveis para todos. Para alguns, basta reduzir o n\u00famero de bocas para alimentar e assim resolver o problema; mas esta \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o falsa se se levar em conta o n\u00edvel desperd\u00edcios alimentares e padr\u00f5es de consumo que maltratam tantos recursos. Reduzir \u00e9 f\u00e1cil, compartilhar, por outro lado, envolve convers\u00e3o, e isto \u00e9 exigente.<\/p>\n<p>Por isso fa\u00e7o a mim mesmo, e tamb\u00e9m a v\u00f3s, uma pergunta: Seria exagerado introduzir na linguagem da coopera\u00e7\u00e3o internacional a categoria do amor, conjugada com a gratuidade, igualdade de trato, solidariedade, cultura do dom, fraternidade, miseric\u00f3rdia? Estas palavras efetivamente expressam o conte\u00fado pr\u00e1tico do termo &#8220;humanit\u00e1rio&#8221;, assim usado na atividade internacional. Amar os irm\u00e3os, tomando a iniciativa, sem esperar ser correspondido, \u00e9 o princ\u00edpio evang\u00e9lico, que tamb\u00e9m encontra express\u00e3o em muitas culturas e religi\u00f5es, tornando-se princ\u00edpio de humanidade na l\u00edngua das rela\u00e7\u00f5es internacionais. \u00c9 necess\u00e1rio que a diplomacia e as institui\u00e7\u00f5es multilaterais organizem esta capacidade de amar, porque \u00e9 a via mestra que d\u00e1 garantia, n\u00e3o somente da seguran\u00e7a alimentar, mas tamb\u00e9m da seguran\u00e7a humana no seu todo global. N\u00e3o podemos agir somente se os outros o fazem, nem limitar-nos a ter pena, porque a piedade limita-se \u00e0s ajudas de emerg\u00eancia, ao passo que o amor inspira a justi\u00e7a e \u00e9 essencial para levar a cabo uma ordem social justa entre as diferentes realidades que aspiram ao encontro rec\u00edproco. Amar significa contribuir para que cada pa\u00eds aumente a produ\u00e7\u00e3o e chegue a uma autossufici\u00eancia alimentar. Amar traduz-se em pensar em novos modelos de desenvolvimento e de consumo, e em adotar politicas que n\u00e3o piorem a situa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es menos avan\u00e7adas ou a sua depend\u00eancia externa. Amar significa n\u00e3o continuar a dividir a fam\u00edlia humana entre aqueles que gozam o sup\u00e9rfluo e aqueles que n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O compromisso da diplomacia mostrou-nos, tamb\u00e9m em recentes acontecimentos, que \u00e9 poss\u00edvel parar o uso de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. Todos estamos cientes da destrui\u00e7\u00e3o de tais instrumentos. Mas estamos igualmente conscientes dos efeitos da pobreza e exclus\u00e3o? Como parar as pessoas dispostas a arriscar tudo, a gera\u00e7\u00f5es inteiras que podem desaparecer porque n\u00e3o t\u00eam p\u00e3o di\u00e1rio ou s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia ou mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? Eles deslocam-se para onde v\u00eaem uma luz ou percebem uma expectativa de vida. Eles n\u00e3o podem ser interrompidos por barreiras f\u00edsicas, econ\u00f3micas, legislativas e ideol\u00f3gicas. Somente uma aplica\u00e7\u00e3o coerente do princ\u00edpio da humanidade pode conseguir isto. Por outro lado, vemos que a ajuda p\u00fablica ao desenvolvimento \u00e9 reduzida e a atividade das institui\u00e7\u00f5es multilaterais \u00e9 limitada, enquanto se utilizam acordos bilaterais que subordinam a coopera\u00e7\u00e3o ao cumprimento de agendas e alian\u00e7as particulares ou, simplesmente, a uma tranquilidade moment\u00e2nea. Pelo contr\u00e1rio, a gest\u00e3o da mobilidade humana exige a\u00e7\u00e3o intergovernamental coordenada e sistem\u00e1tica de acordo com as normas internacionais existentes e impregnada de amor e intelig\u00eancia. O objetivo \u00e9 um encontro de pessoas que enriquece tudo e gera uni\u00e3o e di\u00e1logo, n\u00e3o exclus\u00e3o ou vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Aqui, permiti-me que me una ao debate sobre a vulnerabilidade, que causa divis\u00e3o a n\u00edvel internacional quando se trata de imigrantes. Vulner\u00e1vel \u00e9 aquele que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o inferior e n\u00e3o se pode defender, n\u00e3o tem meios, isto \u00e9, sofre uma exclus\u00e3o. E \u00e9 for\u00e7ado pela viol\u00eancia, por situa\u00e7\u00f5es naturais ou, pior ainda, por indiferen\u00e7a, intoler\u00e2ncia e at\u00e9 mesmo odio. Perante esta situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 justo identificar as causas para atuar com a compet\u00eancia necess\u00e1ria. Mas n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que, para evitar compromissos, se tenda a entrincheirar-se por detr\u00e1s de sofismos lingu\u00edsticos que n\u00e3o honram a diplomacia, reduzindo-a \u00e0 &#8220;arte do poss\u00edvel&#8221; a um exerc\u00edcio est\u00e9ril para justificar o ego\u00edsmo e a inatividade.<\/p>\n<p>\u00c9 desej\u00e1vel que tudo isto seja levado em considera\u00e7\u00e3o ao desenvolver o Pacto Global para uma migra\u00e7\u00e3o segura, regular e ordenada, que est\u00e1 atualmente em curso nas Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>4. Prestemos aten\u00e7\u00e3o ao grito de tantos irm\u00e3os marginalizados e exclu\u00eddos: &#8220;Estou com fome, sou estrangeiro, estou nu, doente, confinado num campo de refugiados&#8221;. \u00c9 uma peti\u00e7\u00e3o para a justi\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 um apelo ou uma chamada de emerg\u00eancia. \u00c9 necess\u00e1rio, a todos os n\u00edveis, dialogar de forma ampla e sincera, para que as melhores solu\u00e7\u00f5es possam ser encontradas e amadure\u00e7a uma nova rela\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios atores no cen\u00e1rio internacional, caracterizada pela responsabilidade rec\u00edproca, solidariedade e comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>O jugo da mis\u00e9ria gerada pelo deslocamento muitas vezes tr\u00e1gico dos migrantes pode ser eliminado atrav\u00e9s de uma preven\u00e7\u00e3o consistente de projetos de desenvolvimento que criem trabalho e capacidade para responder a crises ambientais. \u00c9 verdade que a preven\u00e7\u00e3o custa muito menos do que os efeitos da degrada\u00e7\u00e3o da terra ou a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, flagelos que afligem as zonas nevr\u00e1lgicas do planeta, onde a pobreza \u00e9 a \u00fanica lei, as doen\u00e7as aumentam e a esperan\u00e7a de vida diminui.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas e dignas de louvor as iniciativas que est\u00e3o a ser colocadas em marcha. No entanto, n\u00e3o s\u00e3o suficientes, \u00e9 urgente continuar a promover novas a\u00e7\u00f5es e a financiar programas que combatam a fome e a mis\u00e9ria estrutural com maior efici\u00eancia e esperan\u00e7as de sucesso. Mas se o objetivo \u00e9 favorecer uma agricultura diversificada e produtiva, que leve em conta as demandas efetivas de um pa\u00eds, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito remover a terra ar\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o, deixando que o <strong><em>land grabbing<\/em><\/strong> continue a realizar os seus interesses, \u00e0s vezes com a cumplicidade de quem deve defender os interesses das pessoas. \u00c9 necess\u00e1rio abandonar a tenta\u00e7\u00e3o de atuar em favor de pequenos grupos da popula\u00e7\u00e3o, bem como usar indevidamente a ajuda externa, favorecendo a corrup\u00e7\u00e3o ou a falta de legalidade.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica, com as suas institui\u00e7\u00f5es, tendo um conhecimento direto e concreto das situa\u00e7\u00f5es que devem ser enfrentadas ou das necessidades a serem atendidas, quer participar diretamente deste esfor\u00e7o em virtude da sua miss\u00e3o, que a leva a amar a todos e a obriga tamb\u00e9m a recordar, a quantos tem a responsabilidade nacional ou internacional, o grande dever de atender \u00e0s necessidades dos mais pobres.<\/p>\n<p>Desejo que cada um descubra, no sil\u00eancio da pr\u00f3pria f\u00e9 ou das pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es, as motiva\u00e7\u00f5es, os princ\u00edpios e as contribui\u00e7\u00f5es a dar \u00e0 FAO Gostaria que todos descobrirem, no sil\u00eancio da pr\u00f3pria f\u00e9 ou das pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es, as motiva\u00e7\u00f5es, os princ\u00edpios e as contribui\u00e7\u00f5es para incutir na FAO e noutras institui\u00e7\u00f5es intergovernamentais o valor de melhorar e trabalhar incansavelmente para o bem da fam\u00edlia humana.<\/p>\n<p>Muito obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Papa Francisco<\/p>\n<p>Roma, 17.10.2017<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/speeches\/2017\/october\/documents\/papa-francesco_20171016_visita-fao.html\"> Italiano<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o o Papa Francisco visitou a sede do Fundo Alimentar Mundial (FAO), em Roma, onde proferiu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":271841651,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-3214333507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3214333507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3214333507"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3214333507\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995552,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3214333507\/revisions\/4294995552"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271841651"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3214333507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3214333507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3214333507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}