{"id":3220070434,"date":"2021-12-04T00:00:00","date_gmt":"2021-12-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11012-papa-lembra-grecia-como-berco-da-civilizacao-e-lamenta-retrocesso-da-democracia"},"modified":"2021-12-04T00:00:00","modified_gmt":"2021-12-04T00:00:00","slug":"papa-lembra-grecia-como-berco-da-civilizacao-e-lamenta-retrocesso-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-lembra-grecia-como-berco-da-civilizacao-e-lamenta-retrocesso-da-democracia\/","title":{"rendered":"Papa lembra Gr\u00e9cia como \u00abber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o\u00bb e lamenta \u00abretrocesso da democracia\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_grecia_2021_211204040216.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Francisco iniciou hoje segunda etapa da 35\u00aa Viagem Apost\u00f3lica internacional<\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco j\u00e1 est\u00e1 em Atenas para a \u00faltima etapa da sua viagem, que j\u00e1 contou com encontros com a <a href=\"https:\/\/www.educris.com\/v3\/noticias\/11005-papa-no-chipre-o-proselitismo-e-esteril-somos-chamados-pela-misericordia-de-deus\" target=\"_blank\">Igreja<\/a> no Chipre ou com os<a href=\"https:\/\/www.educris.com\/v3\/noticias\/11009-papa-no-chipre-oracao-ecumenica-com-migrantes\" target=\"_blank\"> Migrantes<\/a>, na cidade de Nic\u00f3sia. No seu primeiro discurso, no encontro que manteve com as autoridades, a sociedade civil e o Corpo Diplom\u00e1tico, o papa lembrou a import\u00e2ncia da Gr\u00e9cia no processo de constru\u00e7\u00e3o e destacou a intui\u00e7\u00e3o civilizacional de partir \u201crumo ao Alto, e ao encontro com o Outro\u201d como fundamental para o momento atual.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, o discurso do Papa Francisco<\/p>\n<p><em>Senhora Presidente da Rep\u00fablica,<br \/> Membros do Governo e do Corpo Diplom\u00e1tico,<br \/> Distintas Autoridades religiosas e civis,<br \/> Ilustres Representantes da sociedade e do mundo da cultura,<br \/> Senhoras e Senhores!<\/em><\/p>\n<p>Sa\u00fado-vos cordialmente e agrade\u00e7o \u00e0 Senhora Presidente as palavras de boas-vindas que me dirigiu em nome vosso e de todos os cidad\u00e3os gregos. \u00c9 uma honra estar nesta cidade gloriosa. Fa\u00e7o minhas as palavras de S\u00e3o Greg\u00f3rio Nazianzeno: \u00abAtenas \u00e1urea e dispensadora de bem (&#8230;), enquanto procurava a eloqu\u00eancia, encontrei a felicidade\u00bb (<em>Oratio<\/em>\u00a043, 14). Venho como peregrino a estes lugares que superabundam de espiritualidade, cultura e civiliza\u00e7\u00e3o, para beber na mesma felicidade que entusiasmou o grande Padre da Igreja: era a alegria de cultivar a sabedoria e partilhar a sua beleza; e por conseguinte uma felicidade n\u00e3o individualista nem isolada, mas, porque nascida do espanto, tende para o infinito e abre-se \u00e0 comunidade; uma felicidade sapiente, que a partir destes lugares se espalhou por toda a parte: sem Atenas e sem a Gr\u00e9cia, a Europa e o mundo n\u00e3o seriam o que s\u00e3o; seriam menos sapientes e menos felizes.<\/p>\n<p>A partir daqui dilataram-se os horizontes da humanidade. Tamb\u00e9m eu me sinto convidado a erguer o olhar e pous\u00e1-lo na parte mais alta da cidade, na Acr\u00f3pole. Vis\u00edvel de longe aos viajantes que aqui desembarcaram no decurso dos mil\u00e9nios, oferecia uma alus\u00e3o imprescind\u00edvel \u00e0 divindade. \u00c9 o apelo a alargar os horizontes\u00a0<em>rumo ao Alto<\/em>: do Monte Olimpo \u00e0 Acr\u00f3pole e ao Monte Athos, a Gr\u00e9cia convida o ser humano de cada tempo a orientar a viagem da vida para o Alto, para Deus, porque temos necessidade da transcend\u00eancia para ser verdadeiramente humanos. E enquanto hoje no Ocidente, que daqui surgiu, se tende a ofuscar a necessidade do C\u00e9u, enredados pelo frenesim de mil correrias terrenas e pela gan\u00e2ncia insaci\u00e1vel dum consumismo despersonalizante, estes lugares convidam a deixarmo-nos maravilhar pelo infinito, a beleza do ser, a alegria da f\u00e9. Por aqui passaram as vias do Evangelho, que uniram Oriente e Ocidente, Lugares Santos e Europa, Jerusal\u00e9m e Roma; aqueles Evangelhos que, para levar ao mundo a boa nova de Deus amante do homem, foram escritos em grego, l\u00edngua imortal usada pela Palavra \u2013 pelo\u00a0<em>Logos<\/em>\u00a0\u2013 para se expressar, linguagem da sapi\u00eancia humana feita voz da Sapi\u00eancia divina.<\/p>\n<p>Mas nesta cidade o olhar, al\u00e9m de ser impelido para o Alto, \u00e9-o tamb\u00e9m\u00a0<em>para o outro<\/em>. No-lo recorda o mar, sobre o qual se debru\u00e7a Atenas e que orienta a voca\u00e7\u00e3o desta terra, situada no cora\u00e7\u00e3o do Mediterr\u00e2neo para ser ponte entre os povos. Aqui, grandes historiadores se apaixonaram na narra\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias dos povos vizinhos e distantes. Aqui, segundo a conhecida afirma\u00e7\u00e3o de S\u00f3crates, come\u00e7aram a sentir-se cidad\u00e3os n\u00e3o s\u00f3 da pr\u00f3pria p\u00e1tria, mas do mundo inteiro. Cidad\u00e3os: aqui o homem tomou consci\u00eancia de ser \u00abum animal pol\u00edtico\u00bb (Arist\u00f3teles,\u00a0<em>Pol\u00edtica<\/em>, I, 2) e, como parte duma comunidade, nos outros viu, n\u00e3o s\u00faditos, mas cidad\u00e3os com os quais deviam organizar juntos a\u00a0<em>polis<\/em>. Aqui nasceu a democracia. Mil\u00e9nios depois, o ber\u00e7o tornou-se uma casa, uma grande casa de povos democr\u00e1ticos: refiro-me \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e ao sonho de paz e fraternidade que constitui para muitos povos.<\/p>\n<p>Contudo n\u00e3o se pode deixar de constatar, com preocupa\u00e7\u00e3o, que hoje \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 no continente europeu \u2013 se verifica\u00a0<em>um retrocesso da democracia<\/em>. Esta exige a participa\u00e7\u00e3o e o envolvimento de todos e, consequentemente, requer fadiga e paci\u00eancia. \u00c9 complexa, ao passo que o autoritarismo \u00e9 despachado, e as garantias f\u00e1ceis propostas pelos populismos aparecem tentadoras. Em v\u00e1rias sociedades, preocupadas com a seguran\u00e7a e anestesiadas pelo consumismo, o cansa\u00e7o e o descontentamento levam a uma esp\u00e9cie de \u00abceticismo democr\u00e1tico\u00bb. Mas a participa\u00e7\u00e3o de todos \u00e9 uma exig\u00eancia fundamental; e n\u00e3o s\u00f3 para alcan\u00e7ar objetivos comuns, mas porque responde \u00e0quilo que somos: seres sociais, irrepet\u00edveis e ao mesmo tempo interdependentes.<\/p>\n<p>Entretanto h\u00e1 tamb\u00e9m um ceticismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia provocado pela dist\u00e2ncia das institui\u00e7\u00f5es, pelo medo da perda de identidade, pela burocracia. O rem\u00e9dio para isto n\u00e3o est\u00e1 na busca obsessiva de popularidade, na sede de visibilidade, na proclama\u00e7\u00e3o de promessas imposs\u00edveis nem na ades\u00e3o a coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas abstratas, mas na boa pol\u00edtica. Porque a pol\u00edtica \u00e9 uma coisa boa e deve s\u00ea-lo na pr\u00e1tica, como responsabilidade m\u00e1xima do cidad\u00e3o, como\u00a0<em>arte do bem comum<\/em>. Para que o bem seja verdadeiramente compartilhado, uma aten\u00e7\u00e3o particular \u2013 diria priorit\u00e1ria \u2013 deve ser prestada \u00e0s faixas mais fr\u00e1geis. Esta \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o a seguir, que um pai fundador da Europa indicou como ant\u00eddoto \u00e0s polariza\u00e7\u00f5es que animam a democracia mas arriscam-se a exasper\u00e1-la: \u00abFala-se muito de quem vai \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita, mas o ponto decisivo \u00e9 avan\u00e7ar e ir para a frente, quer dizer, caminhar rumo \u00e0 justi\u00e7a social\u00bb (A. de Gasperi,\u00a0<em>Discurso proferido em Mil\u00e3o<\/em>, 23\/IV\/1949). Neste sentido, h\u00e1 necessidade de mudar o passo, vendo como dia a dia se difundem medos, amplificados pela comunica\u00e7\u00e3o virtual, e se elaboram teorias para se contrapor aos outros. Em vez disso, ajudemo-nos a passar\u00a0<em>do tomar partido ao participar<\/em>; do empenho em apoiar apenas a pr\u00f3pria parte ao envolvimento ativo em prol da promo\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>Do tomar partido a participar: tal \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o que nos deve mover em v\u00e1rias frentes. Penso no clima, na pandemia, no mercado comum e, sobretudo, nas pobrezas generalizadas. S\u00e3o desafios que exigem uma colabora\u00e7\u00e3o concreta e ativa. Precisa dela a comunidade internacional, para abrir sendas de paz atrav\u00e9s dum multilateralismo que n\u00e3o seja sufocado por excessivas reivindica\u00e7\u00f5es nacionalistas. Precisa dela a pol\u00edtica, para antepor as exig\u00eancias comuns aos interesses privados. Pode parecer uma utopia, uma viagem sem esperan\u00e7a num mar turbulento, uma odisseia longa e irrealiz\u00e1vel. E contudo a viagem num mar agitado \u2013 como ensina o grande conto hom\u00e9rico \u2013 muitas vezes \u00e9 a \u00fanica via. E alcan\u00e7a a meta se estiver animada pelo desejo de casa, pela dilig\u00eancia de avan\u00e7ar juntos, pelo\u00a0<em>n\u00f3stos \u00e1lgos<\/em>, pela nostalgia. A prop\u00f3sito, gostaria de reiterar o meu apre\u00e7o pelo n\u00e3o f\u00e1cil percurso que levou ao \u00ab<em>Acordo de Prespa<\/em>\u00bb, assinado entre esta Rep\u00fablica e a da Maced\u00f3nia do Norte.<\/p>\n<p>Ainda olhando para o Mediterr\u00e2neo, o mar que nos abre ao outro, penso nas suas f\u00e9rteis margens e na \u00e1rvore que poderia vir a ser o seu s\u00edmbolo: a oliveira, cujos frutos acabam de ser colhidos e que irmana as diferentes terras que se debru\u00e7am sobre o \u00fanico mar. \u00c9 triste ver como, nos \u00faltimos anos, muitas oliveiras centen\u00e1rias acabaram queimadas, consumidas por inc\u00eandios muitas vezes causados por condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas adversas, provocadas por sua vez pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. \u00c0 vista da paisagem ferida deste pa\u00eds maravilhoso, a oliveira pode simbolizar a vontade de contrastar a crise clim\u00e1tica e as suas devasta\u00e7\u00f5es. De facto, depois do cataclismo primordial narrado pela B\u00edblia, o dil\u00favio, uma pomba voltou para No\u00e9 \u00abtrazendo no bico uma folha verde de oliveira\u00bb (<em>Gn<\/em>\u00a08, 11). Era o s\u00edmbolo do recome\u00e7o, da for\u00e7a de recome\u00e7ar mudando estilo de vida, renovando as pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es com o Criador, as criaturas e a cria\u00e7\u00e3o. Neste sentido, espero que os compromissos assumidos na luta contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas apare\u00e7am cada vez mais compartilhados e n\u00e3o sejam de fachada, mas seriamente implementados. Que \u00e0s palavras sigam os factos, para que os filhos n\u00e3o paguem mais uma hipocrisia dos pais. Neste sentido, ressoam as palavras que Homero p\u00f5e nos l\u00e1bios de Aquiles: \u00abSinto odioso, como as portas do Hades, aquele que diz uma coisa e, no cora\u00e7\u00e3o, esconde outra\u00bb (<em>Il\u00edada<\/em>, IX, 312-313).<\/p>\n<p>Na Escritura, a oliveira constitui tamb\u00e9m um convite a ser solid\u00e1rio, especialmente para com aqueles que n\u00e3o pertencem ao pr\u00f3prio povo. \u00abQuando varejares as tuas oliveiras, n\u00e3o voltes a colher o resto que ficou nos ramos; deixa-o para o estrangeiro\u00bb \u2013 diz a B\u00edblia (<em>Dt<\/em>\u00a024, 20). Este pa\u00eds, caraterizado pela hospitalidade, viu em algumas das suas ilhas desembarcar um n\u00famero de irm\u00e3os e irm\u00e3s migrantes superior ao dos pr\u00f3prios habitantes, aumentando assim as contrariedades que ainda padecem das fadigas da crise econ\u00f3mica. Mas tamb\u00e9m persiste a demora europeia: a comunidade europeia, dilacerada por ego\u00edsmos nacionalistas, em vez de ser motor de solidariedade, \u00e0s vezes aparece bloqueada e descoordenada. Se antes os contrastes ideol\u00f3gicos impediam a constru\u00e7\u00e3o de pontes entre o leste e o oeste do continente, hoje a quest\u00e3o migrat\u00f3ria abriu brechas tamb\u00e9m entre o sul e o norte. Desejo apelar mais uma vez a uma vis\u00e3o de conjunto, comunit\u00e1ria, face \u00e0 quest\u00e3o migrat\u00f3ria, e encorajar a ter aten\u00e7\u00e3o aos mais necessitados para que, segundo as possibilidades de cada um dos pa\u00edses, sejam acolhidos, protegidos, promovidos e integrados no pleno respeito dos seus direitos humanos e da sua dignidade. Mais do que um obst\u00e1culo para o presente, isso representa uma garantia para o futuro a fim de que decorra sob o signo duma conviv\u00eancia pac\u00edfica com aqueles que cada vez mais s\u00e3o obrigados a fugir \u00e0 procura de casa e esperan\u00e7a. Eles s\u00e3o os protagonistas duma terr\u00edvel odisseia moderna. Gosto de lembrar que, quando Ulisses desembarcou em \u00cdtaca, n\u00e3o foi reconhecido pelos senhores do lugar, que lhe tinham usurpado casa e bens, mas por quem cuidara dele. A sua ama compreendeu que era ele ao ver as cicatrizes. Os sofrimentos irmanam-nos, e reconhecer a perten\u00e7a \u00e0 mesma fr\u00e1gil humanidade ajudar\u00e1 a construir um futuro mais integrado e pac\u00edfico. Transformemos em ousada oportunidade o que parece ser apenas uma infeliz adversidade.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, a pandemia \u00e9 a grande adversidade. Fez-nos redescobrir fr\u00e1geis, necessitados dos outros. Tamb\u00e9m neste pa\u00eds \u00e9 um desafio que envolve oportunas interven\u00e7\u00f5es por parte das Autoridades \u2013 penso na necessidade da campanha de vacina\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o poucos sacrif\u00edcios aos cidad\u00e3os. Mas, no meio de tanto esfor\u00e7o, surgiu um not\u00e1vel sentido de solidariedade, para o qual a Igreja Cat\u00f3lica local se sente feliz em poder continuar a contribuir, na convic\u00e7\u00e3o de que isto constitua a heran\u00e7a a n\u00e3o perder com o lento aplacar-se da tempestade. Parecem escritas para os dias de hoje algumas palavras do juramento de Hip\u00f3crates, como o compromisso de \u00abregular o padr\u00e3o de vida para o bem dos enfermos\u00bb, de \u00ababster-se de causar danos e ofensas\u00bb aos outros, de salvaguardar a vida em todos os momentos, particularmente no ventre materno (cf.\u00a0<em>Juramento de Hip\u00f3crates<\/em>, texto antigo). Deve ser sempre privilegiado o direito a ser cuidado e os tratamentos para todos, a fim de que os mais fr\u00e1geis, em particular os idosos, nunca sejam descartados: que os idosos n\u00e3o sejam as v\u00edtimas privilegiadas da cultura do descarte. Os idosos s\u00e3o o sinal da sabedoria dum povo. De facto, a vida \u00e9 um direito; ao contr\u00e1rio da morte, que se deve acolher, n\u00e3o subministrar.<\/p>\n<p>Queridos amigos, alguns exemplares de oliveira mediterr\u00e2nica testemunham uma vida t\u00e3o longa que antecede o aparecimento de Cristo. Seculares e duradouras, resistiram ao passar do tempo e lembram-nos a import\u00e2ncia de conservar ra\u00edzes fortes, impregnadas de mem\u00f3ria. Este pa\u00eds pode ser definido\u00a0<em>a mem\u00f3ria da Europa<\/em>\u00a0\u2013 v\u00f3s sois a mem\u00f3ria da Europa \u2013 e sinto-me feliz por o visitar vinte anos depois da hist\u00f3rica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/travels\/2001\/travels\/documents\/trav_greece-syria-malta-2001.html\">visita do Papa Jo\u00e3o Paulo II<\/a>\u00a0e no bicenten\u00e1rio da sua independ\u00eancia. A este respeito, \u00e9 conhecida a frase do general Colocotronis: \u00abDeus p\u00f4s a sua assinatura sobre a liberdade da Gr\u00e9cia\u00bb. Deus coloca de boa vontade, sempre e por toda a parte, a sua assinatura sobre a liberdade humana. \u00c9 o seu maior presente, e aquele que por sua vez mais aprecia de n\u00f3s. Na verdade, Ele criou-nos livres, e aquilo de que mais gosta \u00e9 que livremente amemos a Ele e ao pr\u00f3ximo. Para o tornar poss\u00edvel contribuem as leis, mas tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o para a responsabilidade e o crescimento duma cultura do respeito. A prop\u00f3sito, desejo renovar a minha gratid\u00e3o pelo reconhecimento p\u00fablico da comunidade cat\u00f3lica e asseguro a sua vontade de promover o bem comum da sociedade grega, orientando neste sentido a universalidade que a carateriza, na esperan\u00e7a de que na pr\u00e1tica lhe sejam sempre garantidas aquelas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para bem cumprir o seu servi\u00e7o.<\/p>\n<p>H\u00e1 duzentos anos, o Governo provis\u00f3rio do pa\u00eds dirigiu-se aos cat\u00f3licos com palavras comoventes: \u00abCristo ordenou o amor ao pr\u00f3ximo. E quem nos \u00e9 mais pr\u00f3ximo do que v\u00f3s, nossos concidad\u00e3os, apesar de haver algumas diferen\u00e7as nos ritos? Possu\u00edmos a mesma e \u00fanica p\u00e1tria, pertencemos a um s\u00f3 povo; n\u00f3s, crist\u00e3os, somos irm\u00e3os \u2013 irm\u00e3os nas ra\u00edzes, no crescimento e nos frutos \u2013 pela Santa Cruz\u00bb. O facto de ser irm\u00e3os no sinal da Cruz, neste pa\u00eds aben\u00e7oado pela f\u00e9 e pelas suas tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, incita todos os crentes em Cristo a cultivarem a comunh\u00e3o em todos os n\u00edveis, no nome daquele Deus que abra\u00e7a a todos com a sua miseric\u00f3rdia. Neste sentido, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, agrade\u00e7o o vosso empenho, animando-vos a fazer progredir este pa\u00eds na abertura, na inclus\u00e3o e na justi\u00e7a. Desta cidade, deste ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o, elevou-se e oxal\u00e1 nunca cesse de se elevar uma mensagem que encaminha para o Alto e para o outro; que \u00e0s sedu\u00e7\u00f5es do autoritarismo responda com a democracia; que \u00e0 indiferen\u00e7a individualista oponha a solicitude pelo outro, pelo pobre e pela cria\u00e7\u00e3o, colunas essenciais para um humanismo renovado, de que precisam os nossos tempos e a nossa Europa.\u00a0<em>O The\u00f3s na evlogh\u00ed tin Ell\u00e1dha<\/em>\u00a0[Deus aben\u00e7oe a Gr\u00e9cia]!<\/p>\n<p>Educris|04.12.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco iniciou hoje segunda etapa da 35\u00aa Viagem Apost\u00f3lica internacional O Papa Francisco j\u00e1 est\u00e1 em Atenas para a \u00faltima 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