{"id":325851127,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7102-xiii-domingo-do-tempo-comum-o-milagre-do-acolhimento"},"modified":"2025-11-07T16:33:03","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:03","slug":"xiii-domingo-do-tempo-comum-o-milagre-do-acolhimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/xiii-domingo-do-tempo-comum-o-milagre-do-acolhimento\/","title":{"rendered":"XIII Domingo do Tempo Comum: \u00abO Milagre do Acolhimento\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Neste Domingo XIII do Tempo Comum, escutaremos o final do Discurso Mission\u00e1rio do Evangelho de Mateus (10,37-42), que inici\u00e1mos h\u00e1 dois Domingos atr\u00e1s. Espec\u00edfico desta \u00faltima parte do Discurso \u00e9 que ele n\u00e3o \u00e9 dirigido aos mission\u00e1rios, mas \u00e0queles que os acolhem. O acolhimento feito aos mission\u00e1rios reveste-se de extrema import\u00e2ncia, pois \u00e9 dito que \u00e9 como acolher o pr\u00f3prio Cristo e Aquele que o enviou (Mateus 10,40). Para tornar este aspeto vis\u00edvel e aud\u00edvel, neste pequeno texto de seis vers\u00edculos, o verbo \u00abacolher\u00bb (<em>d\u00e9chomai<\/em>) faz-se notar por seis vezes (Mateus 10,40[4 vezes].41[2 vezes]). \u00abAcolher\u00bb \u00e9, pois, a palavra-chave do texto de hoje.<\/p>\n<p>2. Acolher os Doze, os disc\u00edpulos de Jesus, os mission\u00e1rios e evangelizadores de todos os tempos, n\u00e3o consiste apenas em receb\u00ea-los educadamente em casa. Consiste tamb\u00e9m, e sobretudo, em expor-se ao an\u00fancio que trazem, ao testemunho que d\u00e3o. N\u00e3o consiste apenas em abrir-lhes as portas da casa, embora isso tamb\u00e9m seja importante para quem deixou tudo por causa de Cristo (Mateus 10,37-39), e de vez em quando precisa de um quarto de hora de hospitalidade. Tem muito mais a ver com abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 mensagem de que s\u00e3o portadores, sabendo e vendo bem que por detr\u00e1s deles, est\u00e1 Jesus, que os enviou.<\/p>\n<p>3. Acolher os anunciadores, os mensageiros, os profetas, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque o an\u00fancio de que s\u00e3o portadores provoca divis\u00e3o, requer uma nova postura pr\u00f3 ou contra Cristo, uma escolha que n\u00e3o admite compromissos ou solu\u00e7\u00f5es ret\u00f3ricas, divide a humanidade, a fam\u00edlia, o cora\u00e7\u00e3o de cada um. Muitas vezes esperamos que os profetas nos ajudem a justificar os nossos compromissos, a nossa maneira de viver assim-assim. Mas, nesta mat\u00e9ria, o profeta \u00e9 intolerante e radical. Eis o motivo pelo qual acolher um profeta \u00e9 coisa dif\u00edcil. \u00c9 quase como tornar-se profeta tamb\u00e9m. Ambos ter\u00e3o, portanto, a mesma recompensa (Mateus 10,41).<\/p>\n<p>4. Acolher Jesus ou os seus enviados \u00e9 aceitar expor-se \u00e0 cirurgia da Palavra, que divide junturas e medula e julga as disposi\u00e7\u00f5es e inten\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o (Hebreus 4,12). Acolher n\u00e3o \u00e9 organizar uma festa de amigos. \u00c9 aceitar conviver com um bisturi dentro de n\u00f3s, com um fogo a arder dentro de n\u00f3s (Jeremias 20,9; Lucas 24,32). \u00c9, afinal, t\u00e3o complicado ou t\u00e3o simples como oferecer um copo de \u00e1gua fresca a um mission\u00e1rio. \u00c9 verdade, este simples copo de \u00e1gua fresca pode trazer pela m\u00e3o a eternidade (Mateus 10,42).<\/p>\n<p>5. A melodia do acolhimento vem de longe. Nove s\u00e9culos antes de Cristo, l\u00ea-se no Segundo Livro dos Reis 4,8-11.14-16, uma mulher rica de Sunam, uma aldeiazinha situada na plan\u00edcie meridional do monte Carmelo, acolheu em sua casa o profeta Eliseu, em quem ela reconhece um homem de Deus (2 Reis 4,9). Eliseu, do hebraico\u00a0<em>?<sup>e<\/sup>l\u00eesha?<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>?elyasha?<\/em>[= \u00abDeus salvou\u00bb], \u00e9 apresentado como filho de Safat, natural de Abel Meh\u00f4lah, no vale do Jord\u00e3o, e os Livros dos Reis mostram-no como sucessor de Elias e continuador da sua miss\u00e3o prof\u00e9tica. Para tal, recebe o manto de Elias (1 Reis 19,19; 2 Reis 2,13) e a dupla por\u00e7\u00e3o do seu esp\u00edrito (2 Reis 2,9), e segue o mestre at\u00e9 ao seu arrebatamento (1 Reis 19,21; 2 Reis 2,1-11).<\/p>\n<p>6. A hospitalidade da mulher de Sunam traduz-se na constru\u00e7\u00e3o de um pequeno quarto no terra\u00e7o da casa, equipado com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma l\u00e2mpada (2 Reis 4,10). O suficiente para Eliseu, o homem de Deus, poder repousar quando estiver de passagem por Sunam. Mas, como quem acolhe um profeta por ele ser profeta, recebe recompensa de profeta, tamb\u00e9m a mulher hospitaleira de Sunam recebe uma recompensa nova: um filho! (2 Reis 4,16). A Palavra prof\u00e9tica tem, de facto, uma energia nova: \u00e9 a Palavra antes das coisas e do homem, de modo diferente da hist\u00f3ria comummente entendida, que p\u00f5e as palavras depois das coisas e do homem.<\/p>\n<p>7. A passagem da Carta aos Romanos 6,3-4.8-11 \u00e9 um grande texto batismal. Batizados na morte de Cristo e com Ele sepultados, formamos com Ele uma realidade s\u00f3, e viveremos com Ele, por gra\u00e7a, a vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8. Motivos sempre em excesso para cantar, saboreando a bondade do Senhor, e aprender a reconhecer a sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s com a aclama\u00e7\u00e3o\u00a0<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb?ah<\/em>\u00a0(Salmo 89,16), grito ruidoso de emocionada alegria, em si intraduz\u00edvel, mas que \u00e9 a maneira de o povo fiel assinalar a presen\u00e7a favor\u00e1vel de Deus. \u00c9 o que fazemos tamb\u00e9m n\u00f3s hoje, cantando o Salmo 89, um Salmo Real, que canta Deus e o seu Messias, e o Reino maravilhoso do seu amor j\u00e1 estabelecido no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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