{"id":3292954141,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8099-domingo-xx-do-tempo-comum-uma-nova-possibilidade-na-historia-humana"},"modified":"2025-11-07T16:33:18","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:18","slug":"domingo-xx-do-tempo-comum-uma-nova-possibilidade-na-historia-humana-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xx-do-tempo-comum-uma-nova-possibilidade-na-historia-humana-2\/","title":{"rendered":"Domingo XX do Tempo Comum: \u00abUma nova possibilidade na hist\u00f3ria humana\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Neste Domingo XX do Tempo Comum, temos a gra\u00e7a de escutar o texto que comp\u00f5e a quinta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,52-59) [ver Domingo XIX] da quinta Parte (Jo\u00e3o 6,25-59) do Cap\u00edtulo 6.\u00ba do Quarto Evangelho [ver Domingo XVII]. Na verdade, o Evangelho deste Domingo XX come\u00e7a no v. 51 e termina no v. 58, estendendo-se assim por Jo\u00e3o 6,51-58. Portanto, o v. 51, que abre o Evangelho deste Domingo XX fecha a quarta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,41-51), e j\u00e1 foi lido no passado Domingo XIX. Mas, no v. 51, Jesus n\u00e3o est\u00e1 a responder \u00e0 \u00abmultid\u00e3o\u00bb, como nos faz ler a vers\u00e3o oficial do texto que vai ser proclamado, mas aos \u00abjudeus\u00bb, que entram em cena em Jo\u00e3o 6,41. Curiosamente, a vers\u00e3o do Domingo XIX est\u00e1 correta!<\/p>\n<p>2. J\u00e1 tivemos oportunidade de referir que cada uma das sec\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a quinta Parte deste Cap\u00edtulo VI do Quarto Evangelho (Jo\u00e3o 6,25-59) est\u00e3o ritmadas segundo o modelo \u00abpergunta-resposta\u00bb, sendo a pergunta sempre formulada pela \u00abmultid\u00e3o\u00bb ou pelos \u00abjudeus\u00bb, e a resposta sempre oferecida por Jesus. A pergunta dos judeus: \u00abN\u00e3o \u00e9 este, Jesus, o filho de Jos\u00e9, de quem conhecemos o pai e a m\u00e3e? Como \u00e9 que diz agora: \u201cEu desci do c\u00e9u?\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 6,42), que abria a quarta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,41-51), despoletou a resposta de Jesus sobre a sua verdadeira identidade: \u00abEu sou o p\u00e3o vivo que desceu do c\u00e9u [\u2026], p\u00e3o que \u00e9 a minha carne, que d\u00e1 a vida\u00bb (Jo\u00e3o 6,51). A pergunta que abre a quinta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,52-59) e que sai tamb\u00e9m da boca dos judeus, e que vem na continuidade da resposta acima referida por Jesus, soa assim: \u00abComo pode este dar-nos a sua carne (<em>s\u00e1rx<\/em>) a comer?\u00bb (Jo\u00e3o 6,52).<\/p>\n<p>3. Esclarecedor \u00e9 que o verbo \u00abcomer\u00bb apare\u00e7a conjugado com \u00abcarne\u00bb (<em>s\u00e1rx<\/em>) (Jo\u00e3o 6,52.53.54.56), com \u00abp\u00e3o\u00bb (<em>\u00e1rtos<\/em>) (Jo\u00e3o 6,51.58) e \u00abcomigo\u00bb (<em>me<\/em>) [\u00abo que\u00a0<em>me<\/em>\u00a0come\u00bb] (Jo\u00e3o 6,57). Fica claro que \u00abcomer o p\u00e3o descido do c\u00e9u\u00bb \u00e9 \u00abcomer a carne do Filho do Homem\u00bb, e que as duas express\u00f5es s\u00e3o equivalentes de \u00abcomer a pessoa\u00bb de Jesus, a sua identidade, o seu modo de viver. S\u00f3 assim a vida verdadeira, a vida eterna, entra em n\u00f3s e transforma a nossa vida, configurando-a com a de Jesus. Uma nova possibilidade entra na hist\u00f3ria humana. Tudo o que fica para tr\u00e1s, resume-se assim: \u00abNo deserto, os vossos pais comeram o man\u00e1, e morreram\u00bb (Jo\u00e3o 6,49). Que a vida eterna, que \u00e9 Jesus, entre em n\u00f3s e transforme, transfigure e configure a nossa vida \u00e0 maneira de viver de Jesus, eis a tem\u00e1tica da transpar\u00eancia e da m\u00fatua iman\u00eancia e perten\u00e7a entre n\u00f3s e Jesus: \u00abPermanece em Mim e Eu nele\u00bb (Jo\u00e3o 6,56). \u00c9 a melhor e mais realista tradu\u00e7\u00e3o da nossa comunh\u00e3o eucar\u00edstica. At\u00e9 o verbo \u00abcomer\u00bb ganha nesta sec\u00e7\u00e3o particular sabor e realismo. De facto, para dizer \u00abcomer\u00bb, o grego do Novo Testamento usa habitualmente o verbo\u00a0<em>esth\u00ed\u00f4<\/em>. Todavia, em Jo\u00e3o 6,54.56.57.58, \u00e9 usado um verbo \u00abcomer\u00bb muito mais forte, o verbo\u00a0<em>tr\u00f4g\u00f4<\/em>\u00a0[= trincar, mastigar]. De forma significativa, este verbo s\u00f3 \u00e9 usado nas passagens atr\u00e1s assinaladas e em Jo\u00e3o 13,18, no contexto da ceia da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>4. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Prov\u00e9rbios, que hoje escutamos (Prov\u00e9rbios 9,1-6), mostra-nos a Sabedoria personificada, que edifica a sua casa, prepara o banquete, escolhe o vinho, p\u00f5e a mesa, e convida todas as pessoas [= toda a humanidade] para o seu banquete. Para significar que o convite para uma nova maneira de viver \u00e9 feito a todos, sem exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 dito que \u00e9 feito dos pontos mais altos da cidade (Prov\u00e9rbios 9,3).<\/p>\n<p>5. E a Carta de S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios 5,15-20 reclama tamb\u00e9m de n\u00f3s uma vida nova, assente num cora\u00e7\u00e3o inteligente que saiba ler o tempo em que estamos, discernir a vontade de Deus, decantar quotidianamente em m\u00fasica a Palavra de Deus e levantar a Deus permanente a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. A n\u00e3o ser assim, teremos de nos haver com a cr\u00edtica certeira de Nietzsche, que refere: \u00abSe a Boa Nova da vossa B\u00edblia estivesse tamb\u00e9m escrita no vosso rosto, n\u00e3o ter\u00edeis necessidade de insistir tanto para que as pessoas acreditem. As vossas obras e a\u00e7\u00f5es deviam tornar quase sup\u00e9rflua a B\u00edblia, porque v\u00f3s mesmos ser\u00edeis B\u00edblia nova e Boa Nova\u00bb.<\/p>\n<p>6. A m\u00fasica do Salmo 34, a que j\u00e1 nos referimos no Domingo passado (XIX), continua hoje a acompanhar-nos, real\u00e7ando-se sobretudo o sabor sapiencial dos conselhos da Sabedoria personificada: \u00abVinde, meus filhos, escutai-me: ensinar-vos-ei o temor do Senhor\u00bb (v. 12); \u00abafasta-te do mal e faz o bem: procura a paz e segue-a sempre\u00bb (v. 15). E continuamos hoje a cantar repetidamente o refr\u00e3o: \u00abSaboreai e vede que Bom \u00e9 o Senhor\u00bb. Vers\u00e3o grega dos LXX: \u00ab<em>Ge\u00fasasthe ka\u00ec \u00eddete h\u00f3ti chr\u00east\u00f3s ho K\u00fdrios<\/em>\u00bb, ou, na pron\u00fancia viva: \u00ab<em>Ge\u00fasasthe ka\u00ec \u00eddete h\u00f3ti christ\u00f3s ho K\u00fdrios<\/em>\u00bb, o que d\u00e1 lugar a um jogo de palavras (<em>chr\u00east\u00f3s\/christ\u00f3s<\/em>) com resultados \u00e0 vista na tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica, que l\u00ea o texto em clave cristol\u00f3gica e eucar\u00edstica, cujos primeiros resultados se podem ver j\u00e1 na Primeira Carta de S. Pedro: \u00abComo crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas, desejai o puro leite espiritual, para crescerdes com ele para a salva\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que j\u00e1 saboreastes que bom \u00e9 o Senhor\u00bb (<em>h\u00f3ti chr\u00east\u00f2s ho k\u00fdrios<\/em>) (1 Pedro 2,2-3). Em pron\u00fancia viva: \u00abque Cristo \u00e9 o Senhor\u00bb. Sim, v\u00ea-se daqui melhor a Bondade e o Amor fiel e comprometido, com Rosto e com Nome, que nos acompanha sempre.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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