{"id":3354231616,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/34-destaques\/13838-burquina-fasso-catequista-passou-meses-em-cativeiro"},"modified":"2025-11-07T16:32:57","modified_gmt":"2025-11-07T16:32:57","slug":"burquina-fasso-catequista-passou-meses-em-cativeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/burquina-fasso-catequista-passou-meses-em-cativeiro\/","title":{"rendered":"Burquina Fasso: Catequista passou meses em cativeiro"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/ais_burquina_250414110006.jpg\"\/><\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-4e67f5a elementor-widget elementor-widget-text-editor animated fadeInLeft\" data-element_type=\"widget\" data-id=\"4e67f5a\" data-settings=\"{\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><em>Em plena semana Santa a Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS) d\u00e1 a conhecer o testemunho de Mathieu, um catequista do Burqina Fasso que passou quatro meses ref\u00e9m de um grupo terrotista transnacional<\/em><\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-b1cbb2f elementor-widget elementor-widget-text-editor animated fadeInUp\" data-element_type=\"widget\" data-id=\"b1cbb2f\" data-settings=\"{\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>Quando\u00a0<span>Mathieu<\/span>\u00a0decidiu tornar-se catequista, em 2003, n\u00e3o podia imaginar o que o esperava. As pessoas no Ocidente raramente compreendem a\u00a0<span>import\u00e2ncia dos catequistas em \u00c1frica, em geral, e no Burquina Fasso, em particular<\/span>. Os casais preparam-se durante quatro anos para servir como catequistas em regi\u00f5es muito remotas, onde\u00a0<span>acompanham e orientam a popula\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica na sua vida quotidiana, preparam-na para os sacramentos, dirigem as ora\u00e7\u00f5es dominicais e servem de liga\u00e7\u00e3o ao padre mais pr\u00f3ximo<\/span>, que pode estar a muitos quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><em>\u201cLembro-me que viv\u00edamos em paz, trabalh\u00e1vamos a terra e t\u00ednhamos alguns animais. Em 2018, Baasmere, a comunidade onde \u00e9ramos catequistas desde 2015, sofreu o seu primeiro ataque. Como n\u00e3o havia escola, os meus filhos estavam fora e s\u00f3 regressavam durante as f\u00e9rias. Quando cheg\u00e1mos, j\u00e1 havia alguns problemas na zona, mas os terroristas s\u00f3 atacaram o ex\u00e9rcito e as esquadras da pol\u00edcia\u201d<\/em>, descreve Mathieu.<\/p>\n<p>A aldeia de Baasmere pertence \u00e0 par\u00f3quia de Aribinda e faz parte da diocese de Dori, no norte do pa\u00eds. A sua pequena\u00a0<span>comunidade cat\u00f3lica<\/span>\u00a0era composta por\u00a0<span>cerca de 150 a 200 pessoas<\/span>.<\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-4ba364a elementor-widget elementor-widget-text-editor animated fadeInUp\" data-element_type=\"widget\" data-id=\"4ba364a\" data-settings=\"{\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><em>\u201cEm 2018, um grupo foi a minha casa e disse-me para parar de rezar e de organizar servi\u00e7os religiosos. N\u00e3o traziam armas e estavam vestidos normalmente. Reconheci alguns deles.\u00a0<span>Se continuares a fazer o que est\u00e1s a fazer, v\u00e3o acontecer-te coisas m\u00e1s, avisaram-me\u201d<\/span><\/em>, recorda Mathieu, durante a conversa com a Funda\u00e7\u00e3o AIS.<\/p>\n<p>Antes de partirem, incendiaram as lojas de bebidas e a popula\u00e7\u00e3o ficou aterrorizada.\u00a0<em>\u201cEu tamb\u00e9m tive medo \u2013 diz o catequista e pai de cinco filhos \u2013, mas pensei: N\u00e3o posso deixar de pregar a Palavra de Deus, \u00e9 por isso que estou aqui. Por isso, continuei o meu minist\u00e9rio.\u201d<\/em><\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-cd72807 elementor-widget elementor-widget-text-editor animated fadeInUp\" data-element_type=\"widget\" data-id=\"cd72807\" data-settings=\"{\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>O grupo tinha tamb\u00e9m falado com representantes das outras comunidades religiosas da aldeia.\u00a0<span><em>\u201cDisseram-nos que n\u00e3o queriam que os crist\u00e3os rezassem aqui\u201d<\/em><\/span>, conta Mathieu logo a seguir.<\/p>\n<p>Depois voltaram uma segunda vez.\u00a0<em>\u201cEstes, que eu j\u00e1 n\u00e3o conhecia, acusaram-me de continuar a rezar e a dirigir os servi\u00e7os religiosos.\u201d<\/em>\u00a0Depois desta segunda amea\u00e7a, os catequistas de toda a zona reuniram-se com o padre e com o bispo. Todos decidiram permanecer, embora tamb\u00e9m tenham decidido que deviam ser discretos e tentar manter-se fora do radar dos extremistas, realizando as suas cerim\u00f3nias mais cedo, por exemplo. Mathieu enviou Pauline com as crian\u00e7as para uma zona mais segura.<\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6efe655 elementor-widget elementor-widget-text-editor animated fadeInUp\" data-element_type=\"widget\" data-id=\"6efe655\" data-settings=\"{\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>No s\u00e1bado antes do Pentecostes, a sua mulher regressou a Baasmere para poderem passar a festa juntos. Est\u00e1vamos a 20 de Maio de 2018. Depois da Liturgia da Palavra, os fi\u00e9is regressaram a casa. Ao meio-dia, Mathieu estava a descansar em casa quando, de repente, um grupo de dez homens armados e mascarados irrompe porta dentro.\u00a0<span><em>\u201cPorque \u00e9 que ainda est\u00e1s aqui?\u201d<\/em><\/span>, perguntaram-lhe.\u00a0<span><em>\u201cSou catequista, este \u00e9 o meu dever\u201d<\/em><\/span>, responde ele. Mandaram-no deitar no ch\u00e3o, vendaram-lhe os olhos e ataram-lhe as m\u00e3os e os p\u00e9s.<\/p>\n<p>Ouvia-os a destruir os seus bens e a deitar-lhes fogo. Depois, colocaram-no na parte de tr\u00e1s de uma mota, entre dois terroristas. \u00a0<em>\u201cPensei que ia morrer\u201d<\/em>, recorda Mathieu.\u00a0<em>\u201cAs minhas m\u00e3os estavam t\u00e3o apertadas que n\u00e3o senti os pulsos durante um m\u00eas, porque a circula\u00e7\u00e3o tinha sido cortada.\u201d\u00a0<\/em>Como tinha os olhos vendados, Mathieu nem sequer se apercebeu que\u00a0<span>Pauline<\/span>\u00a0tamb\u00e9m tinha sido levada.\u00a0<span>Ela tinha pedido para n\u00e3o ser amarrada, uma vez que estava gr\u00e1vida de cinco meses<\/span>\u00a0na altura, mas os terroristas ignoraram o seu pedido e amarraram-lhe tamb\u00e9m as m\u00e3os e os p\u00e9s.\u00a0<em>\u201cDepois da primeira noite, tiraram-me a venda dos olhos e desamarraram-me, e foi ent\u00e3o que percebi que ela tamb\u00e9m estava ali. Foi horr\u00edvel. Mas n\u00e3o me deixaram falar com ela.\u201d<\/em>\u00a0E foi uma longa viagem, depois dessa primeira noite em que dormiram ao relento.<\/p>\n<p>A seguir, andaram mais um dia inteiro, at\u00e9 chegarem a um local onde deveriam ficar uma semana.\u00a0<em>\u201cDepois, voltaram a transportar-nos, desta vez num jipe que tinha sido roubado do hospital de Djibo, e levaram-nos para o nosso destino final, onde fic\u00e1mos durante quatro meses.\u201d<\/em>\u00a0At\u00e9 hoje, Mathieu ainda n\u00e3o sabe excatamente o local onde o mantiveram, nem sequer em que pa\u00eds esteve.<\/p>\n<p>Quando chegou ao destino final, foi levado ao chefe do grupo, que n\u00e3o era local, mas \u00e1rabe. Exigiram-lhe que se divorciasse da mulher.\u00a0<span><em>\u201cTodos os dias me diziam que me iam matar. Normalmente, cortar\u00edamos a tua garganta, mas podes escolher como preferes morrer, diziam. Era aterrador\u201d<\/em><\/span>.<\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-a3a3421 elementor-widget elementor-widget-text-editor animated fadeInUp\" data-element_type=\"widget\" data-id=\"a3a3421\" data-settings=\"{\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>Queimaram os poucos pertences e roupas que possu\u00eda e deram-lhe um nome e vestes mu\u00e7ulmanas, ensinando-lhe a doutrina isl\u00e2mica.<\/p>\n<p><em>Durante todo este per\u00edodo, nunca deixei de rezar. Lembro-me de uma noite em que rezei setecentas Ave Marias, contei-as com pedrinhas. Naquela altura, a ora\u00e7\u00e3o era a \u00fanica coisa que me sustentava. Nunca nos sentimos abandonados por Deus e rezar o ter\u00e7o todos os dias dava-me for\u00e7a.&#8221;<\/em><\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-1b485b8 elementor-widget elementor-widget-text-editor animated fadeInUp\" data-element_type=\"widget\" data-id=\"1b485b8\" data-settings=\"{\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>Mathieu fala destes quatro meses com uma express\u00e3o s\u00e9ria e contida, e resume-os numa frase curta, porque por vezes n\u00e3o h\u00e1 palavras para descrever o que se vive:\u00a0<em>\u201cN\u00e3o nos trataram bem, sofremos muito\u201d<\/em>.\u00a0O catequista explica que, depois de terem percebido que n\u00e3o se iam converter, os membros do grupo come\u00e7aram a discutir entre si.\u00a0<em>\u201cUns diziam que nos deviam matar, outros que nos deviam libertar. Finalmente, um dia disseram-nos que pod\u00edamos ir embora.\u201d<\/em><\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-017469f elementor-widget elementor-widget-text-editor animated fadeInUp\" data-element_type=\"widget\" data-id=\"017469f\" data-settings=\"{\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>Demoraram quinze dias a regressar. Depois de terem sido deixados no meio do nada, um pastor ajudou-os a encontrar um carro que finalmente os levou directamente para o hospital. Pauline foi observada pelos m\u00e9dicos, mas, infelizmente, o beb\u00e9 que carregava no corpo j\u00e1 tinha morrido. Os olhos de Mathieu lacrimejam com uma tristeza profunda, mas serena, quando fala desse momento que os marcou para sempre.<\/p>\n<p>Apesar dos riscos, Mathieu decidiu regressar \u00e0 sua casa em Baasmere. N\u00e3o sobrou nada. No entanto, entre as cinzas, encontrou duas coisas:\u00a0<span>o seu bilhete de identidade e a sua B\u00edblia<\/span>.\u00a0<em>\u201cFoi muito comovente, porque era a B\u00edblia que o bispo me tinha dado quando fui nomeado catequista\u201d<\/em>, conta Mathieu, antes de se calar, como se ainda pudesse sentir a presen\u00e7a de Deus naquele momento.<\/p>\n<p>E depois, vem a pergunta que est\u00e1 na mente de todos neste momento:\u00a0<span>Porque \u00e9 que n\u00e3o se converteram? Isso teria facilitado muito a vida deles, como captivos.<\/span>\u00a0A resposta vem no mesmo tom firme, profundo e pensativo com que falou do seu Gets\u00e9mani:\u00a0<em>\u201cNunca poderia mentir a Deus, \u00e9 melhor ser fiel a Deus do que aos homens. Temos de dar testemunho e pregar sobre Aquele que seguimos e ser-lhe fi\u00e9is\u201d<\/em>. Tal como Jesus no Gets\u00e9mani, Mathieu tamb\u00e9m sofreu com o medo, o abandono e a escurid\u00e3o. Mas, tal como os disc\u00edpulos depois da Ressurrei\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o desiste da sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o bispo lhe pergunta se, \u00e0 luz de tudo o que sofreu, gostaria de se reformar mais cedo, Mathieu reafirma que quer continuar a pregar a Ressurrei\u00e7\u00e3o:\u00a0<span><em>\u201cN\u00e3o quero parar, quero continuar a servir o meu povo\u201d<\/em><\/span>.<\/p>\n<p>Educris com Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/p>\n<p>Imagem: Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em plena semana Santa a Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS) d\u00e1 a conhecer o testemunho de Mathieu, um 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