{"id":3379442872,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/7237-portoobito-no-coracao-de-cristo-o-nosso-bom-pastor"},"modified":"2025-11-07T16:34:09","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:09","slug":"porto-obito-no-coracao-de-cristo-o-nosso-bom-pastor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/porto-obito-no-coracao-de-cristo-o-nosso-bom-pastor-2\/","title":{"rendered":"Porto\/\u00d3bito: \u00abNo cora\u00e7\u00e3o de Cristo, o nosso Bom Pastor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/_jlc8826-7_1_170914105446.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a homilia do presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) D. Manuel Clemente na missa das ex\u00e9quias de D. Ant\u00f3nio Francisco dosa Santos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Irm\u00e3os car\u00edssimos<\/p>\n<p>Surpreendido ainda pelo s\u00fabito falecimento do Senhor D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo do Porto, nosso irm\u00e3o e amigo, correspondo \u00e0 indica\u00e7\u00e3o que me foi feita para presidir a esta Santa Missa Exequial.<\/p>\n<p>Com simplicidade e emo\u00e7\u00e3o o fa\u00e7o. Longos anos de amizade, a coincid\u00eancia de idade e de percurso eclesial, tudo me aproximou do Senhor D. Ant\u00f3nio Francisco, em muitos encontros institucionais e pessoais, projetos e desafios das nossas miss\u00f5es e tarefas. Sempre nele encontrei disponibilidade e compet\u00eancia, al\u00e9m da muita estima rec\u00edproca.<\/p>\n<p>Num momento como este, s\u00e3o muitas as palavras poss\u00edveis, como ali\u00e1s t\u00eam sido proferidas por grande n\u00famero de pessoas da Igreja e da sociedade, n\u00e3o faltando o depoimento de altas figuras da vida nacional e local. Todas aliam sentimentos de admira\u00e7\u00e3o e j\u00e1 saudade pela grande figura pessoal, eclesial e social que entre n\u00f3s viveu e verdadeiramente conviveu, pois grande e marcante era a sua capacidade de estar com os outros e, ainda mais, de estar para os outros.<\/p>\n<p>Assim sendo, continuar\u00e1 connosco pelo que de si mesmo nos ofereceu e passou a integrar tamb\u00e9m. Se, em boa parte, somos o que os outros nos fazem ser, grande vantagem foi \u2013 e motivo de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as agora \u2013 termos podido disfrutar da presen\u00e7a, da palavra, da grande generosidade do Senhor D. Ant\u00f3nio Francisco. Os homens bons s\u00e3o a garantia do mundo, os bons pastores s\u00e3o a gl\u00f3ria da Igreja.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisei de procurar muito a alus\u00e3o b\u00edblica que melhor o identificasse, como pessoa, como crist\u00e3o e como bispo. Logo se imp\u00f4s a que o pr\u00f3prio Cristo escolheu para si, ao apresentar-se como Pastor \u2013 o Bom Pastor das ovelhas que somos.<\/p>\n<p>Lembramos o passo evang\u00e9lico, como acab\u00e1mos de ouvir. No cap\u00edtulo d\u00e9cimo do Evangelho de Jo\u00e3o, o Bom Pastor distingue-se pelo conhecimento que tem das ovelhas &#8211; de cada um dos seus, nome a nome, assim mesmo os conduzindo e defendendo. Jesus diz tamb\u00e9m, e sobretudo, que n\u00e3o apenas as conduz mas d\u00e1 a pr\u00f3pria vida pelas ovelhas.<\/p>\n<p>\u00c9 esta a novidade, pois n\u00e3o tinham faltado nos profetas e nos salmos preciosas refer\u00eancias a Deus como Pastor do seu povo. Mesmo os antigos reis e outros respons\u00e1veis o podiam e deviam ter sido, de algum modo. A imagem n\u00e3o era totalmente nova, mas a novidade estava ainda por cumprir de modo definitivo e sens\u00edvel.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00f3s o esperamos de quem tenha responsabilidades na cidade dos homens e na Igreja dos crentes. Tocados como fomos e permanecemos pela tradi\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, h\u00e1 imagens de Cristo que se tornaram profundamente culturais, no sentido mais preenchido do termo. Creio mesmo ser essa a realidade que ainda nos pode definir coletivamente \u2013 e cheia de futuro, ali\u00e1s.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que, quando queremos significar a verdadeira ajuda, o servi\u00e7o dos outros, usamos \u2013 mais ou menos conscientemente \u2013 os termos t\u00e3o evang\u00e9licos de \u201cbom samaritano\u201d ou de verdadeiramente \u201cpr\u00f3ximo\u201d. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, quando se acolhe benevolamente quem regressa, falamos do \u201cfilho pr\u00f3digo\u201d e sobretudo do pai que o recebe. N\u00e3o \u00e9 por acaso que se classificam as grandes dedica\u00e7\u00f5es profissionais ou c\u00edvicas como \u201csacerd\u00f3cio\u201d, no sentido novo que o Cristianismo lhe deu.<\/p>\n<p>Mas de todas as imagens que Jesus toma para o Pai ou para si sobressai como particularmente impressiva a do \u201cBom Pastor\u201d. Numa sociedade agr\u00e1ria e pastoril, como ainda era a sua e fora por tantos s\u00e9culos a dos seus, a imagem evocava imediatamente o cuidado por todos e cada um, a aten\u00e7\u00e3o especial aos mais fracos, o aconchego duma presen\u00e7a certa. Por isso se imp\u00f4s nas primeiras comunidades e na antiga iconografia crist\u00e3. Como se continua a impor na nossa medita\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o. Cristo \u00e9 o rosto definitivo e pr\u00f3ximo de Deus, como nosso Pastor, como Pastor de todos.<\/p>\n<p>E no entanto, car\u00edssimos irm\u00e3os, creio que a alus\u00e3o nunca seria t\u00e3o forte e distintiva se n\u00e3o tivesse encontrado pleno e quase excessivo cumprimento na pessoa de Cristo, que n\u00e3o apenas guardou as suas ovelhas mas por elas deu a pr\u00f3pria vida. Esta nova maneira de ser pastor, esta absoluta maneira de ser connosco, de ser por n\u00f3s e para n\u00f3s, \u00e9 que d\u00e1 ao passo evang\u00e9lico a for\u00e7a e a sugest\u00e3o que t\u00e3o salutarmente mant\u00e9m.<\/p>\n<p>Digamos ainda que, assim como Jesus Cristo deu \u00e0 imagem do Bom Pastor a realidade mais concreta e convincente, assim a sua presen\u00e7a ressuscitada encontra o sinal e o sacramento em quem, pela participa\u00e7\u00e3o no seu Esp\u00edrito, lhe d\u00ea agora o rosto e o gesto.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente neste ponto que \u2013 sem extrapola\u00e7\u00f5es nem lugares comuns \u2013 podemos e devemos reencontrar a figura do Senhor D. Ant\u00f3nio Francisco, com toda a justi\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao que foi entre n\u00f3s e muita a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus que no-lo deu como sacramento de Cristo Pastor \u2013 em Lamego, em Braga, em Aveiro, no Porto e em todos os lugares que a sua vida visitou.<\/p>\n<p>Ser bispo, nas atuais circunst\u00e2ncias, \u00e9 um trabalho complexo e quase inabarc\u00e1vel para quem o exerce. N\u00e3o se est\u00e1 acima de nada nem de ningu\u00e9m, muito pelo contr\u00e1rio, mas sim no centro de tudo ou quase tudo, no que \u00e0 igreja se refere e mesmo al\u00e9m da vida da Igreja. A press\u00e3o \u00e9 grande, inclusive a medi\u00e1tica, e as estruturas interm\u00e9dias quase se desfazem, pois sempre se espera que quem est\u00e1 no centro responda imediatamente seja ao que for, por mais inesperado ou casual que possa ser.<\/p>\n<p>A mentalidade \u00e9 de contraste, o dia-a-dia atropela-se e a solicita\u00e7\u00e3o \u00e9 forte ou latente. Por outro lado, tratando-se de acompanhar e conjugar a vida eclesial, a avalia\u00e7\u00e3o e a decis\u00e3o requerem especial cuidado. S\u00e3o sempre realidades an\u00edmicas, trata-se afinal de pessoas.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos foi um grande pastor da Igreja. No sentido plenamente crist\u00e3o de quem d\u00e1 a vida pelas ovelhas. Assim a deu generosamente, quase sem descanso e nas circunst\u00e2ncias que esbocei.<\/p>\n<p>Lembro-me de quando veio falar comigo, hesitante em aceitar o cargo. Estava feliz e realizado em Aveiro e tinha receio de n\u00e3o ser capaz. Foi capaz e capac\u00edssimo, precisamente no essencial, de ser um pastor pr\u00f3ximo e amigo de todos e cada um dos seus. N\u00e3o lhe faltaram dificuldades, mas nenhuma lhe endureceu o esp\u00edrito nem o trato. S\u00e1bio e bondoso, assim permaneceu e assim nos fica, como mem\u00f3ria e como est\u00edmulo.<\/p>\n<p>Fisicamente, o cora\u00e7\u00e3o pode parar. Espiritualmente, isto \u00e9, realmente, continua connosco no cora\u00e7\u00e3o de Deus. No cora\u00e7\u00e3o de Cristo, o nosso Bom Pastor.<\/p>\n<p>Muito obrigado, car\u00edssimo irm\u00e3o e amigo!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>S\u00e9 do Porto, 13 de setembro de 2017<\/p>\n<p>+ Manuel Clemente<\/p>\n<p>Fotografia: Ag\u00eancia Ecclesia<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disponibilizamos, na \u00edntegra, a homilia do presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) D. 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