{"id":3388138480,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13881-ii-domingo-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo"},"modified":"2025-11-07T16:34:05","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:05","slug":"ii-domingo-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/ii-domingo-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo\/","title":{"rendered":"II Domingo da P\u00e1scoa: \u00abO percurso de Tom\u00e9, chamado g\u00e9meo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\"><em>Domingo II da P\u00e1scoa ou da Divina Miseric\u00f3rdia<\/em><\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">At 5,12-16; Sl 118; Ap 1,9-11.12-13.17-19; Jo 20,19-31<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Em 30 de abril do ano 2000, o Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II consagrou o Domingo II da P\u00e1scoa como \u00abDomingo da Divina Miseric\u00f3rdia\u00bb. Compreende-se que, nesse mesmo dia, tenha canonizado a religiosa e m\u00edstica polaca Santa Faustina Kowalska (1905-1938), primeira canoniza\u00e7\u00e3o do novo mil\u00e9nio, que, no seu Di\u00e1rio, registava o pedido que lhe fazia Jesus de a Igreja vir a instituir solenemente o primeiro Domingo depois da P\u00e1scoa (como ent\u00e3o se dizia) como Festa da Divina Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Novos percursos se abrem, e \u00e9 aqui que se inicia o Evangelho do Domingo II da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 20,19-31), Os disc\u00edpulos est\u00e3o num lugar, com as portas fechadas, por medo dos judeus. O Ressuscitado, vida nova e modo novo de estar presente, que nada nem ningu\u00e9m pode reter, vem e fica no MEIO deles, o lugar da Presid\u00eancia e da Preced\u00eancia, e sa\u00fada-os: \u00abA paz convosco!\u00bb. Mostra-lhes as m\u00e3os e o lado, sinais que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, e agrafa-os \u00e0 sua miss\u00e3o, dizendo: \u00abComo o Pai me enviou (<em>ap\u00e9stalken<\/em>: perf. de\u00a0<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>), tamb\u00e9m Eu vos mando ir (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>)\u00bb. O envio d\u2019Ele est\u00e1 no tempo perfeito (\u00e9 para sempre): est\u00e1 sempre em miss\u00e3o; o nosso est\u00e1 no presente, e passa. O presente da nossa miss\u00e3o aparece, portanto, agrafado \u00e0 miss\u00e3o de Jesus, e n\u00e3o faz sentido sem ela e sem Ele. N\u00f3s implicados e imbricados n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele, sabendo n\u00f3s que Ele est\u00e1 connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). \u00c9-nos dito que os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) o Senhor. Tal como o Outro Disc\u00edpulo (cf. Jo\u00e3o 20,8), tamb\u00e9m eles veem com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) a identidade do Senhor. O sopro de Jesus sobre eles \u00e9 o sopro criador (<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>), com o Esp\u00edrito, para a miss\u00e3o fr\u00e1gil-forte do Perd\u00e3o. Jo\u00e3o Batista tinha apresentado Jesus como Aquele que batiza com o Esp\u00edrito Santo (Jo\u00e3o 1,33), que \u00e9 a Vida de Deus, a\u00a0<em>D\u00fdnamis<\/em>, o poder de Deus, imperec\u00edvel, que s\u00f3 Deus pode comunicar. Este sopro s\u00f3 aparece aqui em todo o Novo Testamento! Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil construir uma bela ponte para G\u00e9nesis 2,7, para o sopro ou alento (<em>napah<\/em>\u00a0TM \/\u00a0<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0LXX) criador de Deus no rosto do homem.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. A identidade do Senhor Ressuscitado est\u00e1 para al\u00e9m do rosto. Por isso, v\u00ea-lo, quando Ele por gra\u00e7a se faz ver, n\u00e3o implica necessariamente reconhec\u00ea-lo, como sucede em n\u00e3o poucas p\u00e1ginas dos Evangelhos. A identidade do Ressuscitado n\u00e3o \u00e9 do dom\u00ednio da fotografia. N\u00e3o se capta deste lado, seja qual for a t\u00e9cnica aplicada. \u00c9-nos dado por gra\u00e7a reconhec\u00ea-lo. Reside na sua vida a n\u00f3s dada por amor at\u00e9 ao fim, aponta para a Cruz, de onde jorra tamb\u00e9m a d\u00e1diva do Esp\u00edrito (Jo\u00e3o 19,34; cf. 7,37-39; Atos 2,33). Por isso, Jesus mostra as m\u00e3os e o lado, que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, fazendo-nos ao mesmo tempo reconhecer que Ele ultrapassou a morte, vencendo-a. As m\u00e3os e o lado s\u00e3o sinais abertos para podermos entrar no sacr\u00e1rio da sua intimidade, d\u00e1diva infinita que rebenta as paredes dos nossos olhos embotados e do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Entenda-se tamb\u00e9m que a miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada \u00e9 mostrar Jesus Ressuscitado, soprando sobre n\u00f3s o alento do Esp\u00edrito, da Vida, da Paz e do Perd\u00e3o. Est\u00e1 bom de ver que n\u00e3o basta exibir as capas do catecismo que mostram um Jesus de olhos azuis e cabelo louro encaracolado. S\u00f3 o podemos mostrar com a nossa vida dele recebida, e igualmente dada e comprometida.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. O narrador informa-nos logo a seguir que, afinal, Tom\u00e9 (<em>Toma\u2019<\/em>), chamado G\u00e9meo (<em>D\u00eddymos<\/em>),\u00a0<em>n\u00e3o estava com eles<\/em>\u00a0quando veio Jesus.\u00a0<em>D\u00eddymos<\/em>\u00a0\u00e9, na verdade, a tradu\u00e7\u00e3o literal, em grego, do aramaico\u00a0<em>Toma\u2019<\/em>\u00a0[= \u00abG\u00e9meo\u00bb]. Mas os outros diziam-lhe repetidamente (<em>\u00e9legon<\/em>: imperf. de\u00a0<em>l\u00e9g\u00f4<\/em>), imperfeito de dura\u00e7\u00e3o, com a mesma linguagem da Madalena (cf. Jo\u00e3o 20,18), mas no plural: \u00abVimos (<em>he\u00f4r\u00e1kamen<\/em>: perf. de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,25). Portanto, tamb\u00e9m eles s\u00e3o testemunhas, pois viram e continuam a ver o Senhor, de acordo com o tempo perfeito do verbo grego. Mas Tom\u00e9 quer tudo controlado e verificado, ponto por ponto, e refere: \u00abSe eu n\u00e3o vir (<em>\u00edd\u00f4<\/em>: conj. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um\u00a0<em>olhar hist\u00f3rico<\/em>\u00a0(tempo aoristo) nas suas m\u00e3os a marca dos cravos, e n\u00e3o meter o meu dedo na marca dos cravos e n\u00e3o meter a minha m\u00e3o no seu lado, n\u00e3o acreditarei\u00bb (Jo\u00e3o 20,25).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Novo desarme: oito dias depois, estavam outra vez os disc\u00edpulos com as portas fechadas (mas o medo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mencionado), e Tom\u00e9\u00a0<em>estava com eles<\/em>. Veio Jesus, ficou no MEIO, saudou-os com a paz, e dirigiu-se logo a Tom\u00e9 desta maneira: \u00abTraz o teu dedo aqui e v\u00ea (<em>\u00edde<\/em>: imper. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um\u00a0<em>olhar hist\u00f3rico<\/em>\u00a0(tempo aoristo) as minhas m\u00e3os, e traz a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado, e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente!\u00bb (Jo\u00e3o 20,27). A\u00ed est\u00e1 Tom\u00e9 adivinhado, desvendado e desarmado. Tamb\u00e9m ele podia ter pensado: \u00abE como \u00e9 que ele sabia que eu queria fazer aquilo?\u00bb. Tom\u00e9 cai aqui, adivinhado e antecipado, por assim dizer, rasteirado, precedido por Aquele que nos precede sempre. N\u00e3o quer tirar mais provas. Confessa de imediato: \u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb (Jo\u00e3o 20,28), uma das mais belas profiss\u00f5es de f\u00e9 de toda a Escritura. E Jesus diz para ele: \u00abPorque me viste e continuas a ver (<em>he\u00f4rak\u00e1s me<\/em>), tempo perfeito de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>, acreditaste e continuas a acreditar (<em>pep\u00edsteukas<\/em>), tempo perfeito de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>; felizes (<em>mak\u00e1rioi<\/em>) os que, n\u00e3o tendo visto (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um\u00a0<em>olhar hist\u00f3rico<\/em>\u00a0(tempo aoristo), acreditaram (<em>piste\u00fasantes<\/em>: part. aor. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>)!\u00bb (Jo\u00e3o 20,29), tempo aoristo, f\u00e9 e confian\u00e7a, ades\u00e3o no tempo da hist\u00f3ria, e no dia-a-dia renovada. Esta felicita\u00e7\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Not\u00e1vel o percurso dos Disc\u00edpulos. Fechados e com medo, viram Jesus entrar e ficar no MEIO deles, sem que as portas e as paredes constitu\u00edssem obst\u00e1culo. Trocaram o medo pela alegria, e tamb\u00e9m eles come\u00e7aram a ver de forma continuada o Senhor e a diz\u00ea-lo repetidamente. Not\u00e1vel e exemplar para n\u00f3s o percurso de Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo:\u00a0<em>n\u00e3o estava com<\/em>\u00a0a comunidade, t\u00e3o-pouco aceitou o seu testemunho; queria provas. Mas quando veio Jesus e o adivinhou, entrando dentro dele, precedendo-o e presidindo-o, rendeu-se completamente! Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo de quem? Meu e teu, assim pretende o narrador. De vez em quando, tamb\u00e9m n\u00f3s\u00a0<em>n\u00e3o estamos com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Por vezes, tamb\u00e9m duvidamos e queremos provas. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Salta \u00e0 vista que tamb\u00e9m devemos\u00a0<em>estar com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. E professar convictamente a nossa f\u00e9 no Ressuscitado que nos preside (no MEIO) e nos precede sempre. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (4,32-35, mas ver tamb\u00e9m 2,42-47 e 5,12-16) deste Domingo II da P\u00e1scoa \u00e9 outra vez soberba. Trata-se de uma visita guiada ao Cen\u00e1culo, a primeira Catedral da Igreja nascente, mas com ramifica\u00e7\u00f5es em todas as casas, em todos os cora\u00e7\u00f5es, bem assente em quatro colunas: o ensino dos Ap\u00f3stolos (1), a comunh\u00e3o fraterna (2), a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o (3) e a ora\u00e7\u00e3o (4). Com a boca cheia de louvor, os olhos de gra\u00e7a, as m\u00e3os de paz e de p\u00e3o, as entranhas de miseric\u00f3rdia, a comunidade bela crescia, crescia, crescia. N\u00e3o admira. Era t\u00e3o jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. E o Autor do Livro do Apocalipse desenha tamb\u00e9m diante de n\u00f3s, na li\u00e7\u00e3o de hoje (Apocalipse 1,9-19), a figura sublime do Filho do Homem, O que Vive (<em>ho z\u00f4n<\/em>) (Apocalipse 1,18), porque venceu a morte para sempre, e nos protege sempre, pondo sobre n\u00f3s a sua m\u00e3o direita (Apocalipse 1,17). Excelente visualiza\u00e7\u00e3o da Divina Miseric\u00f3rdia, milagre aos nossos olhos, amor e bondade sem medida com que o bom Deus enche os nossos dias, as nossas m\u00e3os, o nosso cora\u00e7\u00e3o, as nossas entranhas, os nossos passos. \u00c9 assim que, como refere S\u00e3o M\u00e1ximo Confessor (580-662), \u00aba P\u00e1scoa gera a f\u00e9 e a f\u00e9 gera o amor\u00bb. E a miseric\u00f3rdia \u00e9 a chama divina com que devemos acender e purificar o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Cantemos, por isso, o Salmo 118, que \u00e9 o \u00faltimo canto do chamado \u00abPequeno Hallel Pascal\u00bb (113-118), mas que era seguramente cantado noutras festividades de Israel, nomeadamente na Festa das Tendas, tendo em conta o seu teor processional, e at\u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o por coros. Este Salmo levanta-se do meio da alegria pr\u00f3pria da Festa (\u00abEste \u00e9 o dia que o Senhor fez,\/ nele nos alegremos e exultemos!\u00bb: v. 24), e eleva ao Deus sempre fiel uma grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as por todas as maravilhas que Ele tem realizado em favor do seu povo. Sim, toda a nossa energia e toda a melodia que nos habita \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor, conforme o bel\u00edssimo v. 14: \u00abMinha for\u00e7a e meu canto YAH!\u00bb, que soa assim em hebraico:\u00a0<em>\u2018azz\u00ee w<sup>e<\/sup>zimrat YAH<\/em>. Al\u00e9m do nosso Salmo, a express\u00e3o densa e impressiva encontra-se ainda em \u00caxodo 15,2 e Isa\u00edas 12,2. YAH est\u00e1 por YHWH. O refr\u00e3o que vamos cantar aparece a abrir e a fechar este grande Salmo, e constitui como que o envelope onde guardamos a bela melodia que cantamos e devemos cantar pela vida fora. Soa assim: \u00abLouvai o Senhor porque Ele \u00e9 bom,\/ porque para sempre \u00e9 o seu amor!\u00bb (v. 1 e 29).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo II da P\u00e1scoa ou da Divina Miseric\u00f3rdia At 5,12-16; Sl 118; Ap 1,9-11.12-13.17-19; Jo 20,19-31 1. 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