{"id":3392486984,"date":"2023-11-14T00:00:00","date_gmt":"2023-11-14T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12593-mensagem-do-papa-para-a-xxxviii-jornada-mundial-da-juventude"},"modified":"2023-11-14T00:00:00","modified_gmt":"2023-11-14T00:00:00","slug":"mensagem-do-papa-para-a-xxxviii-jornada-mundial-da-juventude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/mensagem-do-papa-para-a-xxxviii-jornada-mundial-da-juventude\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa para a XXXVIII Jornada Mundial da Juventude"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_ucp_jmj_lisboa_2023_230811025626.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>\u00abAlegres na esperan\u00e7a\u00bb, cita\u00e7\u00e3o da carta ao Romanos, d\u00e1 o mote \u00e0 mensagem do Papa Francisco para a XXXVIII Jornada Mundial da Juventude que a Igreja celebra no pr\u00f3ximo domingo 26 de novembro. Na mensagem Francisco lembra o encontro com os jovens em Lisboa e desafia \u00e0 presen\u00e7a no Jubileu de 2025 e na Coreia do Sul, em 2027.<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a mensagem do Papa Francisco<\/p>\n<p>Queridos jovens!<\/p>\n<p>No passado m\u00eas de agosto, encontrei centenas de milhares de vossos coet\u00e2neos que, vindos de todo o mundo, se reuniram em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2023\/outside\/documents\/portogallo-gmg-2023.html\">Lisboa para a Jornada Mundial da Juventude<\/a>. Nos dias da pandemia aliment\u00e1mos, no meio de muitas incertezas, a esperan\u00e7a de que esta grande celebra\u00e7\u00e3o do encontro com Cristo e com outros jovens se pudesse realizar. Esta esperan\u00e7a concretizou-se e, para mim e muitos de quantos l\u00e1 estiveram presentes, superou todas as expetativas! Como foi lindo o nosso encontro em Lisboa! Uma verdadeira e real experi\u00eancia de transfigura\u00e7\u00e3o, uma explos\u00e3o de luz e alegria!<\/p>\n<p>No final da Missa conclusiva no \u00abCampo da Gra\u00e7a\u00bb,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/angelus\/2023\/documents\/20230806-portogallo-angelus.html\">indiquei a pr\u00f3xima etapa da nossa peregrina\u00e7\u00e3o intercontinental: Seul, na Coreia, em 2027<\/a>. Mas antes disso marquei encontro convosco em Roma, para o Jubileu dos jovens em 2025, onde tamb\u00e9m v\u00f3s sereis \u00abperegrinos da esperan\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p>De facto v\u00f3s, jovens, sois a esperan\u00e7a jubilosa duma Igreja e duma humanidade sempre a caminho. Quero tomar-vos pela m\u00e3o e, junto convosco, percorrer a senda da esperan\u00e7a. Quero falar convosco das nossas alegrias e esperan\u00e7as, mas tamb\u00e9m das tristezas e ang\u00fastias dos nossos cora\u00e7\u00f5es e da humanidade que sofre (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/em>, 1). Nestes dois anos de prepara\u00e7\u00e3o para o Jubileu, meditaremos, primeiro, sobre a express\u00e3o paulina \u00abAlegres na esperan\u00e7a\u00bb (<em>Rm<\/em>\u00a012, 12) e, depois, aprofundaremos a frase do profeta Isa\u00edas: \u00abAqueles que esperam no Senhor, caminham sem se cansar\u00bb (cf.\u00a0<em>Is<\/em>\u00a040, 31).<\/p>\n<p><strong>Donde vem esta alegria?<\/strong><\/p>\n<p>\u00abAlegres na esperan\u00e7a\u00bb (<em>Rm<\/em>\u00a012, 12) \u00e9 uma exorta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo \u00e0 comunidade de Roma, que se encontra num per\u00edodo de intensa persegui\u00e7\u00e3o. E na realidade a \u00abalegria na esperan\u00e7a\u00bb, pregada pelo Ap\u00f3stolo, brota do mist\u00e9rio pascal de Cristo, da for\u00e7a da sua ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 fruto do esfor\u00e7o humano, do engenho ou da arte. \u00c9 a alegria que deriva do encontro com Cristo. A alegria crist\u00e3 vem do pr\u00f3prio Deus, de nos sabermos amados por Ele.<\/p>\n<p>Refletindo sobre a experi\u00eancia vivida na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/travels\/2011\/outside\/documents\/madrid.html\">Jornada Mundial da Juventude de Madrid, em 2011<\/a>, Bento XVI perguntava-se: a alegria \u00abdonde brota? Como se explica? Seguramente s\u00e3o muitos os fatores que interagem; mas, a meu ver, o fator decisivo \u00e9 (&#8230;) a certeza que deriva da f\u00e9: eu sou desejado; tenho uma tarefa; sou aceite; sou amado\u00bb. E especificou: \u00abNo fim de contas, precisamos de um acolhimento incondicional; somente se Deus me acolher e eu estiver seguro disso mesmo \u00e9 que sei definitivamente: \u00e9 bom que eu exista; (\u2026) \u00e9 bom existir como pessoa humana, mesmo em tempos dif\u00edceis. A f\u00e9 faz-nos felizes a partir de dentro\u00bb (<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2011\/december\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20111222_auguri-curia.html\">Discurso \u00e0 C\u00faria Romana<\/a><\/em>, 22\/XII\/2011).<\/p>\n<p><strong>Onde est\u00e1 a minha esperan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>A juventude \u00e9 um tempo cheio de esperan\u00e7as e sonhos, alimentados pelas realidades belas que enriquecem a nossa vida: o esplendor da cria\u00e7\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es com os nossos entes queridos e com os amigos, as experi\u00eancias art\u00edsticas e culturais, os conhecimentos cient\u00edficos e t\u00e9cnicos, as iniciativas que promovem a paz, a justi\u00e7a e a fraternidade, e assim por diante. Contudo vivemos num tempo em que para muitos, mesmo jovens, a esperan\u00e7a parece ser a grande ausente. Infelizmente muitos dos vossos coet\u00e2neos, que vivem experi\u00eancias de guerra, viol\u00eancia,\u00a0<em>bulling<\/em>\u00a0e v\u00e1rias formas de mal-estar, veem-se afligidos pelo desespero, o medo e a depress\u00e3o. Sentem-se como que encerrados numa pris\u00e3o escura, incapazes de ver os raios do sol. Demonstra-o dramaticamente a elevada taxa de suic\u00eddio entre os jovens de v\u00e1rios pa\u00edses. Em semelhante contexto, como se pode experimentar a alegria e a esperan\u00e7a, de que fala S\u00e3o Paulo? Antes, pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 o risco de se impor o desespero, a convic\u00e7\u00e3o de ser in\u00fatil fazer o bem, porque ningu\u00e9m o apreciar\u00e1 nem reconhecer\u00e1, como lemos no Livro de Job: \u00abOnde est\u00e1 a minha esperan\u00e7a? A minha esperan\u00e7a, quem a viu?\u00bb (<em>Job<\/em>\u00a017, 15).<\/p>\n<p>\u00c0 vista dos dramas da humanidade, sobretudo do sofrimento dos inocentes, tamb\u00e9m n\u00f3s \u2013 como rezamos em alguns Salmos \u2013 perguntamos ao Senhor: \u00abPorqu\u00ea?\u00bb Pois bem! Uma parte da resposta de Deus, podemos s\u00ea-la n\u00f3s. Criados por Ele \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, podemos ser express\u00e3o do seu amor que faz nascer a alegria e a esperan\u00e7a, mesmo onde parece imposs\u00edvel. Vem-me \u00e0 mente o protagonista do filme \u00abA vida \u00e9 bela\u00bb: um pai jovem que consegue, com delicadeza e imagina\u00e7\u00e3o, transformar a dura realidade numa esp\u00e9cie de aventura e de jogo e, assim, d\u00e1 ao filho \u00abolhos de esperan\u00e7a\u00bb, protegendo-o dos horrores do campo de concentra\u00e7\u00e3o, salvaguardando a sua inoc\u00eancia e impedindo que a maldade humana lhe roube o futuro. Mas n\u00e3o se trata apenas de hist\u00f3rias inventadas! \u00c9 o que vemos na vida de muitos Santos, que foram testemunhas de esperan\u00e7a mesmo no meio da maldade humana mais cruel. Pensemos em S\u00e3o Maximiliano Maria Kolbe, em Santa Josefina Bakhita ou nos Beatos esposos J\u00f3zef e Wiktoria Ulma com os seus sete filhos.<\/p>\n<p>A possibilidade de acender uma esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o dos homens, a partir do testemunho crist\u00e3o, foi magistralmente evidenciada por S\u00e3o Paulo VI, quando nos recordou que \u00abum crist\u00e3o ou punhado de crist\u00e3os, no seio da comunidade humana em que vivem, (\u2026) irradiam, dum modo absolutamente simples e espont\u00e2neo, a sua f\u00e9 em valores que est\u00e3o para al\u00e9m dos valores correntes, e a sua esperan\u00e7a em qualquer coisa que n\u00e3o se v\u00ea nem se ousaria sequer imaginar\u00bb (Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_p-vi_exh_19751208_evangelii-nuntiandi.html\">Evangelii nuntiandi<\/a><\/em>, 21).<\/p>\n<p><strong>A \u00abpequena\u00bb esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>O poeta franc\u00eas Charles P\u00e9guy, no in\u00edcio do poema sobre a esperan\u00e7a, fala das tr\u00eas virtudes teologais \u2013 f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade \u2013 como se fossem tr\u00eas irm\u00e3s que caminham juntas:<\/p>\n<p>\u00abA pequena esperan\u00e7a avan\u00e7a no meio de suas duas irm\u00e3s grandes<br \/>E n\u00e3o se nota sequer. (\u2026).<br \/>Ela, a pequenita, \u00e9 que arrasta tudo.<br \/>Porque a F\u00e9 n\u00e3o v\u00ea sen\u00e3o o que \u00e9<br \/>E ela v\u00ea aquilo que ser\u00e1.<br \/>A Caridade n\u00e3o ama sen\u00e3o aquilo que \u00e9<br \/>E ela, sim ela, ama aquilo que ser\u00e1. (\u2026).<br \/>\u00c9 ela que faz caminhar as outras duas<br \/>Que puxa por elas.<br \/>E que nos faz caminhar a todos\u00bb<br \/>(<em>O p\u00f3rtico do mist\u00e9rio da segunda virtude<\/em>, Mil\u00e3o 1978, 17-19).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m eu estou convencido deste car\u00e1ter humilde, \u00abmenor\u00bb, e todavia fundamental da esperan\u00e7a. Tentai imaginar: Como poder\u00edamos viver sem esperan\u00e7a? Como seriam os nossos dias? A esperan\u00e7a \u00e9 o sal da quotidianidade.<\/p>\n<p><strong>Esperan\u00e7a, luz que brilha na noite<\/strong><\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do Tr\u00edduo Pascal, o S\u00e1bado Santo \u00e9 o dia da esperan\u00e7a. Situado entre a Sexta-Feira Santa e o Domingo de P\u00e1scoa, \u00e9 como um meio-termo entre o desespero dos disc\u00edpulos e a sua alegria pascal. \u00c9 o ponto onde nasce a esperan\u00e7a. Neste dia, a Igreja comemora em sil\u00eancio a descida de Cristo \u00e0 mans\u00e3o dos mortos. Isto, podemos v\u00ea-lo pintado em muitos \u00edcones. Mostram-nos Cristo refulgente de luz que desce \u00e0s trevas mais profundas e atravessa-as. \u00c9 assim: Deus n\u00e3o se limita a olhar com compaix\u00e3o para as nossas zonas de morte ou a chamar-nos de longe, mas entra nas nossas experi\u00eancias da mans\u00e3o dos mortos como luz que brilha nas trevas e as vence (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a01, 5). Bem o expressa um poema na l\u00edngua sul-africana xhosa: \u00abMesmo que acabem as esperan\u00e7as, com este poema acordo a esperan\u00e7a. A minha esperan\u00e7a acorda, porque espero no Senhor. Espero que havemos de nos unir! Permanecei fortes na esperan\u00e7a, porque o bom \u00eaxito est\u00e1 pr\u00f3ximo\u00bb.<\/p>\n<p>Se pensarmos bem, esta foi a esperan\u00e7a da Virgem Maria, que permaneceu forte aos p\u00e9s da cruz de Jesus, certa de que estava pr\u00f3ximo o \u00abbom \u00eaxito\u00bb. Maria \u00e9 a mulher da esperan\u00e7a, a M\u00e3e da esperan\u00e7a. No Calv\u00e1rio, firme \u00abnuma esperan\u00e7a para al\u00e9m do que se podia esperar\u00bb (<em>Rm<\/em>\u00a04, 18), n\u00e3o deixou apagar no seu cora\u00e7\u00e3o a certeza da Ressurrei\u00e7\u00e3o anunciada pelo seu Filho. \u00c9 Ela que preenche o sil\u00eancio do S\u00e1bado Santo com uma amorosa expetativa cheia de esperan\u00e7a, incutindo nos disc\u00edpulos a certeza de que Jesus venceria a morte e que o mal n\u00e3o seria a \u00faltima palavra.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 otimismo f\u00e1cil nem uma panaceia para simpl\u00f3rios: \u00e9 a certeza, radicada no amor e na f\u00e9, de que Deus nunca nos deixa sozinhos e mant\u00e9m a sua promessa: \u00abAinda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu est\u00e1s comigo\u00bb (<em>Sal<\/em>\u00a023, 4). A esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 nega\u00e7\u00e3o da dor nem da morte, mas celebra\u00e7\u00e3o do amor de Cristo Ressuscitado que est\u00e1 sempre connosco, mesmo quando parece distante. \u00abO pr\u00f3prio Cristo \u00e9, para n\u00f3s, a grande luz de esperan\u00e7a e guia na nossa noite, porque Ele \u00e9 \u201ca brilhante estrela da manh\u00e3\u201d (<em>Ap<\/em>\u00a022, 16)\u00bb (Francisco, Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html\">Christus vivit<\/a><\/em>, 33).<\/p>\n<p><strong>Alimentar a esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Quando a centelha da esperan\u00e7a se acende em n\u00f3s, existe \u00e0s vezes o risco de ser sufocada pelas preocupa\u00e7\u00f5es, os medos e as tarefas da vida di\u00e1ria. Mas uma centelha precisa de ar para continuar a brilhar e reavivar-se num grande fogo de esperan\u00e7a. E \u00e9 a suave brisa do Esp\u00edrito Santo que alimenta a esperan\u00e7a. Podemos colaborar de diversos modos para a alimentar.<\/p>\n<p><em>A esperan\u00e7a \u00e9 alimentada pela ora\u00e7\u00e3o<\/em>. Rezando, salvaguarda-se e renova-se a esperan\u00e7a. Rezando, mantemos acesa a centelha da esperan\u00e7a. \u00abA ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira for\u00e7a da esperan\u00e7a. Rezas e a esperan\u00e7a cresce, avan\u00e7a\u00bb (Francisco,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2020\/documents\/papa-francesco_20200520_udienza-generale.html\">Catequese<\/a><\/em>, 20\/V\/2020). Rezar \u00e9 como subir a grande altitude: quando estamos na terra, muitas vezes n\u00e3o conseguimos ver o sol, porque o c\u00e9u est\u00e1 coberto de nuvens. Mas se subirmos acima das nuvens, envolvem-nos a luz e o calor do sol; e, nesta experi\u00eancia, encontramos a certeza de que o sol est\u00e1 sempre presente, mesmo quando tudo se apresenta cinzento.<\/p>\n<p>Queridos jovens, quando o nevoeiro espesso do medo, da d\u00favida e da opress\u00e3o vos envolve e j\u00e1 n\u00e3o conseguis ver o sol, embocai o caminho da ora\u00e7\u00e3o. Pois, \u00abquando j\u00e1 ningu\u00e9m me escuta, Deus ainda me ouve\u00bb (Bento XVI, Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi.html\">Spe salvi<\/a><\/em>, 32). Reservemos diariamente o tempo para descansar em Deus, face \u00e0s ansiedades que nos assaltam: \u00abS\u00f3 em Deus descansa a minha alma; d\u2019Ele vem a minha esperan\u00e7a\u00bb (<em>Sal<\/em>\u00a062, 6).<\/p>\n<p><em>A esperan\u00e7a \u00e9 alimentada pelas nossas op\u00e7\u00f5es quotidianas<\/em>. O convite a serem alegres na esperan\u00e7a, que S\u00e3o Paulo dirige aos crist\u00e3os de Roma (cf.\u00a0<em>Rm<\/em>\u00a012, 12), exige escolhas muito concretas na vida de cada dia. Por isso, exorto-vos a escolher um estilo de vida baseado na esperan\u00e7a. Dou um exemplo: nas redes sociais, parece mais f\u00e1cil compartilhar not\u00edcias m\u00e1s do que not\u00edcias de esperan\u00e7a. Assim deixo-vos uma proposta concreta: tentai compartilhar cada dia uma palavra de esperan\u00e7a. Tornai-vos semeadores de esperan\u00e7a na vida dos vossos amigos e de quantos vos rodeiam. Com efeito, \u00aba esperan\u00e7a \u00e9 humilde e \u00e9 uma virtude que se trabalha \u2013 por assim dizer \u2013 todos os dias (\u2026). Todos os dias \u00e9 preciso lembrar-nos que temos o penhor, que \u00e9 o Esp\u00edrito e que trabalha em n\u00f3s atrav\u00e9s de pequenas coisas\u00bb (Francisco,\u00a0<em>Medita\u00e7\u00e3o matutina<\/em>, 29\/X\/2019).<\/p>\n<p><strong>Acender a lanterna da esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s vezes, \u00e0 noite, sa\u00eds com os vossos amigos e, se estiver escuro, tomais o\u00a0<em>smartphone<\/em>\u00a0e acendeis a lanterna para iluminar. Nos grandes concertos, milhares movem aquelas luzinhas modernas ao ritmo da m\u00fasica, criando um belo cen\u00e1rio. De noite, a luz faz-nos ver as coisas dum modo novo e, mesmo na escurid\u00e3o, emerge uma dimens\u00e3o de beleza. O mesmo se passa com a luz da esperan\u00e7a, que \u00e9 Cristo. Por Ele, pela sua ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 iluminada a nossa vida. Com Ele, vemos tudo sob uma nova luz.<\/p>\n<p>Diz-se que, quando as pessoas se dirigiam a S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II para lhe falar de um problema, a sua primeira pergunta era: \u00abComo se apresenta isso \u00e0 luz da f\u00e9?\u00bb Tamb\u00e9m um olhar iluminado pela esperan\u00e7a faz com que as coisas apare\u00e7am sob uma luz diferente. Por isso, convido-vos a assumir este olhar na vossa vida di\u00e1ria. Animado pela esperan\u00e7a divina, o crist\u00e3o encontra-se repleto duma alegria diversa, que vem de dentro. Os desafios e as dificuldades existem e sempre existir\u00e3o, mas se estivermos dotados duma esperan\u00e7a \u00abcheia de f\u00e9\u00bb, enfrent\u00e1-los-emos sabendo que n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra e n\u00f3s pr\u00f3prios tornamo-nos uma pequena lanterna de esperan\u00e7a para os outros.<\/p>\n<p>E podeis s\u00ea-lo, tamb\u00e9m cada um de v\u00f3s, na medida em que a pr\u00f3pria f\u00e9 se fizer concreta, aderente \u00e0 realidade e \u00e0s hist\u00f3rias dos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Pensemos nos disc\u00edpulos de Jesus, que um dia, num alto monte, O viram resplandecer de luz gloriosa. Se tivessem ficado l\u00e1 em cima, teria sido um momento muito belo para eles, mas os outros teriam sido exclu\u00eddos. Era necess\u00e1rio que descessem. N\u00e3o devemos fugir do mundo, mas amar o nosso tempo, no qual Deus nos colocou n\u00e3o sem motivo. S\u00f3 se pode ser feliz partilhando a gra\u00e7a recebida com os irm\u00e3os e as irm\u00e3s que o Senhor nos d\u00e1 dia ap\u00f3s dia.<\/p>\n<p>Queridos jovens, n\u00e3o tenhais medo de partilhar com todos a esperan\u00e7a e a alegria de Cristo Ressuscitado! A centelha que se acendeu em v\u00f3s, conservai-a, mas ao mesmo tempo comunicai-a: dar-vos-eis conta de que ela crescer\u00e1! A esperan\u00e7a crist\u00e3, n\u00e3o a podemos guardar para n\u00f3s, como um belo sentimento, visto que se destina a todos. Aproximai-vos em particular dos vossos amigos que talvez aparentemente sorriam, mas por dentro choram, carentes de esperan\u00e7a. N\u00e3o vos deixeis contagiar pela indiferen\u00e7a e pelo individualismo: permanecei abertos como canais por onde a esperan\u00e7a de Jesus possa fluir e difundir-se nos ambientes onde viveis.<\/p>\n<p>\u00abCristo vive: \u00e9 Ele a nossa esperan\u00e7a e a mais bela juventude deste mundo!\u00bb (Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html\">Christus vivit<\/a><\/em>, 1). Assim vos escrevi, h\u00e1 quase cinco anos, depois do S\u00ednodo dos Jovens. Convido-vos a todos, especialmente \u00e0queles que est\u00e3o envolvidos na pastoral juvenil, a voltarem a pegar no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/synod\/documents\/rc_synod_doc_20181027_doc-final-instrumentum-xvassemblea-giovani_po.html\">Documento Final de 2018<\/a>\u00a0e na Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html\">Christus vivit<\/a><\/em>. Os tempos est\u00e3o maduros para fazermos, juntos, o ponto da situa\u00e7\u00e3o e trabalharmos com esperan\u00e7a para a plena implementa\u00e7\u00e3o daquele S\u00ednodo inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Confiemos toda a nossa vida a Maria, M\u00e3e da Esperan\u00e7a. Ela ensina-nos a trazer dentro de n\u00f3s Jesus, nossa alegria e esperan\u00e7a, e a d\u00e1-Lo aos outros. Boa caminhada, queridos jovens! Aben\u00e7oo-vos e acompanho-vos com a ora\u00e7\u00e3o. E v\u00f3s rezai tamb\u00e9m por mim!<\/p>\n<p><em>Roma, S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, na Festa da Dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica Lateranense, 9 de novembro de 2023.<\/em><\/p>\n<p><strong>Francisco<\/strong><\/p>\n<p>Imagem: JMJ Lisboa 2023<\/p>\n<p>Educris|14.11.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abAlegres na esperan\u00e7a\u00bb, cita\u00e7\u00e3o da carta ao Romanos, d\u00e1 o mote \u00e0 mensagem do Papa Francisco para a XXXVIII Jornada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1170475190,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-3392486984","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3392486984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3392486984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3392486984\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1170475190"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3392486984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3392486984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3392486984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}