{"id":3392921866,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7549-homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-maria-santissima-mae-de-deus"},"modified":"2025-11-07T16:34:29","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:29","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-maria-santissima-mae-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-maria-santissima-mae-de-deus\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na Solenidade de Maria Sant\u00edssima M\u00e3e de Deus"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/vatican_va_180102071909.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>O Ano tem in\u00edcio sob o nome da M\u00e3e de Deus.\u00a0<em>M\u00e3e de Deus<\/em>\u00a0\u00e9 o t\u00edtulo mais importante de Nossa Senhora. Mas a algu\u00e9m poderia vir a pergunta: por que dizemos \u00abM\u00e3e\u00a0<em>de Deus<\/em>\u00bb, e n\u00e3o M\u00e3e\u00a0<em>de Jesus<\/em>? Alguns, no passado, pediram para nos cingirmos a isto, mas a Igreja afirmou: Maria \u00e9 M\u00e3e de Deus. Devemos estar-lhe agradecidos, porque, nestas palavras, se encerra uma verdade espl\u00eandida sobre Deus e sobre n\u00f3s mesmos, ou seja: desde que o Senhor Se encarnou em Maria \u2013 desde ent\u00e3o e para sempre \u2013, traz a nossa humanidade agarrada a Ele. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 Deus sem homem: a carne que Jesus tomou de sua M\u00e3e, continua ainda agora a ser d\u2019Ele e s\u00ea-lo-\u00e1 para sempre. Dizer \u00abM\u00e3e\u00a0<em>de Deus<\/em>\u00bb lembra-nos isto: Deus est\u00e1 perto da humanidade como uma crian\u00e7a da m\u00e3e que a traz no ventre.<\/p>\n<p>A palavra\u00a0<em>m\u00e3e<\/em>\u00a0(<em>mater<\/em>) remete tamb\u00e9m para a palavra\u00a0<em>mat\u00e9ria<\/em>. Em sua M\u00e3e, o Deus do c\u00e9u, o Deus infinito fez-Se pequenino, fez-Se mat\u00e9ria, n\u00e3o s\u00f3 para estar\u00a0<em>connosco<\/em>, mas tamb\u00e9m para ser\u00a0<em>como n\u00f3s<\/em>. Eis o milagre, eis a novidade: o homem j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 sozinho; nunca mais ser\u00e1 \u00f3rf\u00e3o, \u00e9 para sempre filho. O Ano tem in\u00edcio com esta novidade. E n\u00f3s proclamamo-la dizendo assim: M\u00e3e de Deus! \u00c9 a alegria de saber que a nossa solid\u00e3o est\u00e1 vencida. \u00c9 a maravilha de nos sabermos filhos amados, de sabermos que esta nossa inf\u00e2ncia nunca mais nos poder\u00e1 ser tirada. \u00c9 espelharmo-nos em Deus fr\u00e1gil e menino nos bra\u00e7os da M\u00e3e e vermos que a humanidade \u00e9 querida e sagrada para o Senhor. Por isso, servir a vida humana \u00e9 servir a Deus, e toda a vida \u2013 desde a vida no ventre da m\u00e3e, at\u00e9 \u00e0 vida envelhecida, atribulada e doente, \u00e0 vida inc\u00f3moda e at\u00e9 repugnante \u2013 deve ser acolhida, amada e ajudada.<\/p>\n<p>Deixemo-nos agora guiar pelo Evangelho de hoje. Da M\u00e3e de Deus, diz-se apenas uma frase: \u00abguardava todas estas coisas, meditando-as no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 19).\u00a0<em>Guardava<\/em>. Simplesmente\u2026 guardava; Maria n\u00e3o fala: d\u2019Ela, o Evangelho n\u00e3o refere uma palavra sequer, em toda a narra\u00e7\u00e3o do Natal. Tamb\u00e9m nisto a M\u00e3e Se associa ao Filho: Jesus \u00e9 infante, ou seja, \u00absem dizer palavra\u00bb. Ele, o Verbo, a Palavra de Deus que \u00abmuitas vezes e de muitos modos falara nos tempos antigos\u00bb (<em>Heb<\/em>\u00a01, 1), agora, na \u00abplenitude dos tempos\u00bb (<em>Gal<\/em>\u00a04, 4), est\u00e1 mudo. O Deus, na presen\u00e7a de Quem se guarda sil\u00eancio, \u00e9 um menino que n\u00e3o fala. A sua majestade \u00e9 sem palavras, o seu mist\u00e9rio de amor desvenda-se na pequenez. Esta pequenez silenciosa \u00e9 a linguagem da sua realeza. A M\u00e3e associa-Se ao Filho e\u00a0<em>guarda no sil\u00eancio<\/em>.<\/p>\n<p>E o sil\u00eancio diz-nos que tamb\u00e9m n\u00f3s, se nos quisermos guardar a n\u00f3s mesmos, precisamos de sil\u00eancio. Precisamos de permanecer em sil\u00eancio, olhando o pres\u00e9pio. Porque, diante do pres\u00e9pio, nos redescobrimos amados; saboreamos o sentido genu\u00edno da vida. E, olhando em sil\u00eancio, deixamos que Jesus fale ao nosso cora\u00e7\u00e3o: deixamos que a sua pequenez desmantele o nosso orgulho, que a sua pobreza desinquiete as nossas sumptuosidades, que a sua ternura revolva o nosso cora\u00e7\u00e3o insens\u00edvel. Reservar cada dia um tempo de sil\u00eancio com Deus \u00e9 guardar a nossa alma; \u00e9 guardar a nossa liberdade das banalidades corrosivas do consumo e dos aturdimentos da publicidade, da difus\u00e3o de palavras vazias e das ondas avassaladoras das maledic\u00eancias e da balb\u00fardia.<\/p>\n<p>Maria guardava \u2013 continua o Evangelho \u2013\u00a0<em>todas estas coisas, meditando-as<\/em>. Quais eram\u00a0<em>estas coisas<\/em>? Eram alegrias e afli\u00e7\u00f5es: por um lado, o nascimento de Jesus, o amor de Jos\u00e9, a visita dos pastores, aquela noite de luz; mas, por outro, um futuro incerto, a falta de uma casa, \u00abporque n\u00e3o havia lugar para eles na hospedaria\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 7), o desconsolo de ver fechar-lhes a porta; a desilus\u00e3o por fazer Jesus nascer num curral. Esperan\u00e7as e ang\u00fastias, luz e trevas:\u00a0<em>todas estas coisas<\/em>\u00a0preenchiam o cora\u00e7\u00e3o de Maria. E que fez Ela?\u00a0<em>Meditou-as<\/em>, isto \u00e9, repassou-as com Deus no seu cora\u00e7\u00e3o. Nada conservou para Si, nada encerrou na solid\u00e3o nem submergiu na amargura; tudo levou a Deus. Foi assim que guardou. Entregando, guarda-se: n\u00e3o deixando a vida \u00e0 merc\u00ea do medo, do des\u00e2nimo ou da supersti\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se fechando nem procurando esquecer, mas dialogando tudo com Deus. E Deus, que Se preocupa connosco, vem habitar nas nossas vidas.<\/p>\n<p>Aqui temos os segredos da M\u00e3e de Deus: guardar no sil\u00eancio e levar a Deus. Isto realizava-se \u2013 conclui o Evangelho \u2013\u00a0<em>no seu cora\u00e7\u00e3o<\/em>. O cora\u00e7\u00e3o convida a p\u00f4r os olhos no centro da pessoa, dos afetos, da vida. Tamb\u00e9m n\u00f3s \u2013 crist\u00e3os em caminho \u2013, ao princ\u00edpio do Ano, sentimos a necessidade de recome\u00e7ar do centro, deixar para tr\u00e1s os pesos do passado e partir do que \u00e9 importante. Temos hoje diante de n\u00f3s o ponto de partida: a\u00a0<em>M\u00e3e de Deus<\/em>. Pois Maria \u00e9 como Deus nos quer, como quer a sua Igreja: M\u00e3e terna, humilde, pobre de coisas e rica de amor, livre do pecado, unida a Jesus, que guarda Deus no cora\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3ximo na vida. Para recome\u00e7ar, ponhamos os olhos na M\u00e3e. No seu cora\u00e7\u00e3o, bate o cora\u00e7\u00e3o da Igreja. Para avan\u00e7ar \u2013 diz-nos a festa de hoje \u2013, \u00e9 preciso recuar: recome\u00e7ar do pres\u00e9pio, da M\u00e3e que tem Deus nos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>A devo\u00e7\u00e3o a Maria n\u00e3o \u00e9 galanteria espiritual, mas uma exig\u00eancia da vida crist\u00e3. Olhando para a M\u00e3e, somos encorajados a deixar tantas bagatelas in\u00fateis e reencontrar aquilo que conta. O dom da M\u00e3e, o dom de cada m\u00e3e e cada mulher \u00e9 t\u00e3o precioso para a Igreja, que \u00e9 m\u00e3e e mulher. E, enquanto o homem muitas vezes abstrai, afirma e imp\u00f5e ideias, a mulher, a m\u00e3e sabe guardar, fazer a liga\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o, vivificar. Porque a f\u00e9 n\u00e3o se pode reduzir apenas a ideia ou a doutrina; precisamos, todos, de um cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e que saiba guardar a ternura de Deus e ouvir as palpita\u00e7\u00f5es do homem. A M\u00e3e, aut\u00f3grafo de Deus sobre a humanidade, guarde este Ano e leve a paz de seu Filho aos cora\u00e7\u00f5es, aos nossos cora\u00e7\u00f5es, e ao mundo inteiro. E, como filhos d\u2019Ela, convido-vos a saud\u00e1-La hoje, simplesmente, com a sauda\u00e7\u00e3o que os crist\u00e3os de \u00c9feso pronunciavam diante dos seus Bispos: \u00abSanta M\u00e3e de Deus!\u00bb Com todo o cora\u00e7\u00e3o, digamos tr\u00eas vezes, todos juntos, fixando-A [voltados para a sua imagem posta ao lado do altar]: \u00abSanta M\u00e3e de Deus!\u00bb<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2018\/documents\/papa-francesco_20180101_omelia-giornata-mondiale-pace.html\">original em Italiano<\/a><\/p>\n<p>Foto: Vatican.va<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ano tem in\u00edcio sob o nome da M\u00e3e de Deus.\u00a0M\u00e3e de Deus\u00a0\u00e9 o t\u00edtulo mais importante de Nossa Senhora. 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