{"id":3440687059,"date":"2023-04-29T00:00:00","date_gmt":"2023-04-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/12156-hungria-papa-encontra-pobres-e-refugiados-e-reafirma-sentido-da-caridade"},"modified":"2023-04-29T00:00:00","modified_gmt":"2023-04-29T00:00:00","slug":"hungria-papa-encontra-pobres-e-refugiados-e-reafirma-sentido-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/hungria-papa-encontra-pobres-e-refugiados-e-reafirma-sentido-da-caridade\/","title":{"rendered":"Hungria: Papa encontra pobres e refugiados e reafirma sentido da caridade"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/vatican_media_hungria_230430053258.jpg\"\/><\/p>\n<p><p>No segundo dia da visita apost\u00f3lica ao territ\u00f3rio H\u00fangaro, Francisco reuniu-se com centenas de pobres e refugiados muitos fugidos da guerra na Ucr\u00e2nia e de outras latitudes, na igreja de s<em><span class=\"color-text\">anta Elizabeth da Hungria, na cidade de Budapeste. No seu discurso disse estar verdadeiramente &#8220;feliz&#8221; e recordou os exemplos de &#8220;Santa Isabel, S\u00e3o Francisco&#8221; para reafirmar que a caridade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 &#8220;assistencialismo&#8221; mas &#8220;preocupa-se com a pessoa inteira e deseja reergu\u00ea-la com o amor de Jesus&#8221; num amor &#8220;que ajuda a readquirir beleza e dignidade&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<p><span class=\"color-text\">Leia, na \u00edntegra, a reflex\u00e3o do Santo Padre<\/span><\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p>Estou feliz por me encontrar aqui no vosso meio. Obrigado, D. Antal, pelas suas palavras de boas-vindas e por ter recordado o generoso servi\u00e7o que a Igreja h\u00fangara realiza pelos pobres e com os pobres. Os pobres e os necessitados \u2013 nunca o esque\u00e7amos \u2013 est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o do Evangelho: de facto, Jesus veio \u00abanunciar a Boa-Nova aos pobres\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a04, 18). Assim eles indicam-nos um desafio apaixonante, para que a f\u00e9 que professamos n\u00e3o fique prisioneira dum culto distante da vida, nem se torne presa duma esp\u00e9cie de \u00abego\u00edsmo espiritual\u00bb, isto \u00e9, duma espiritualidade que eu mesmo construo \u00e0 medida da minha tranquilidade interior e da minha satisfa\u00e7\u00e3o. A verdadeira f\u00e9, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 aquela que desinquieta, que arrisca, que faz sair ao encontro dos pobres e nos torna capazes de falar, com a vida,\u00a0<em>a linguagem da caridade<\/em>. Como afirma S\u00e3o Paulo, podemos falar muitas l\u00ednguas, possuir ci\u00eancia e riquezas, mas, se n\u00e3o tivermos caridade, nada temos e nada somos (cf.\u00a0<em>1 Cor<\/em>\u00a013, 1-13).<\/p>\n<p>A linguagem da caridade. Foi a l\u00edngua falada por Santa Isabel, por quem este povo tem grande devo\u00e7\u00e3o e estima. Ao chegar a esta manh\u00e3, vi na pra\u00e7a a sua est\u00e1tua, com o pedestal que a representa enquanto recebe o cord\u00e3o da ordem franciscana e, contemporaneamente, oferece \u00e1gua a um pobre para lhe matar a sede. \u00c9 uma imagem estupenda da f\u00e9: quem \u00abse une a Deus\u00bb, como fez S\u00e3o Francisco de Assis a quem se inspirou Isabel, abre-se \u00e0 caridade para com o pobre, porque, \u00abse algu\u00e9m disser \u201cEu amo a Deus\u201d mas tiver \u00f3dio ao seu irm\u00e3o, esse \u00e9 um mentiroso; pois aquele que n\u00e3o ama o seu irm\u00e3o, a quem v\u00ea, n\u00e3o pode amar a Deus, a quem n\u00e3o v\u00ea\u00bb (<em>1 Jo<\/em>\u00a04, 20). Santa Isabel, filha dum rei, crescera no conforto da vida de corte, num ambiente luxuoso e privilegiado; e contudo, tocada e transformada pelo encontro com Cristo, bem depressa sentiu que devia rejeitar as riquezas e vaidades do mundo, advertindo o desejo de se despojar delas e cuidar dos necessitados. Assim, n\u00e3o s\u00f3 gastou os seus bens, mas tamb\u00e9m a sua vida a favor dos \u00faltimos, dos leprosos, dos doentes at\u00e9 ao ponto de tratar deles pessoalmente e carreg\u00e1-los \u00e0s costas. Esta \u00e9 a linguagem da caridade.<\/p>\n<p>Disto mesmo nos falou Brigitta, a quem agrade\u00e7o pelo seu testemunho. Tantas priva\u00e7\u00f5es, tanto sofrimento, tanto trabalho duro para procurar seguir em frente e n\u00e3o deixar faltar o p\u00e3o aos filhos e, no momento mais dram\u00e1tico, o Senhor veio ao seu encontro para a ajudar. Mas \u2013 ouvimo-lo da sua pr\u00f3pria boca \u2013 como interveio o Senhor? Ele, que escuta o clamor de quem \u00e9 pobre, \u00absalva os oprimidos, d\u00e1 p\u00e3o aos que t\u00eam fome, (\u2026) levanta os abatidos\u00bb (<em>Sal<\/em>\u00a0146, 7.8), quase nunca resolve os nossos problemas l\u00e1 do alto, mas aproxima-Se com o abra\u00e7o da sua ternura inspirando a compaix\u00e3o de irm\u00e3os que se apercebem e n\u00e3o ficam indiferentes. Foi o que nos disse Brigitta: p\u00f4de experimentar a proximidade do Senhor gra\u00e7as \u00e0 Igreja greco-cat\u00f3lica, a tantas pessoas que se prodigalizaram para a ajudar, encorajar, encontrar um emprego e sustent\u00e1-la nas necessidades materiais e no caminho da f\u00e9. Eis o testemunho que nos \u00e9 pedido: a compaix\u00e3o para com todos, especialmente por quantos est\u00e3o marcados pela pobreza, a doen\u00e7a e o sofrimento. Compaix\u00e3o significa \u00abpadecer com\u00bb. Precisamos duma Igreja que fale fluentemente a linguagem da caridade, idioma universal que todos escutam e compreendem, mesmo os mais afastados, mesmo aqueles que n\u00e3o acreditam.<\/p>\n<p>E a prop\u00f3sito exprimo a minha gratid\u00e3o \u00e0 Igreja h\u00fangara pelo empenho posto na caridade, um empenho capilar: criastes uma rede que liga muitos agentes pastorais, muitos volunt\u00e1rios, as c\u00e1ritas paroquiais e diocesanas, mas tamb\u00e9m grupos de ora\u00e7\u00e3o, comunidades de crentes, organiza\u00e7\u00f5es pertencentes a outras Confiss\u00f5es, mas unidas na comunh\u00e3o ecum\u00e9nica que brota precisamente da caridade. E obrigado pela forma como acolhestes \u2013 n\u00e3o s\u00f3 com generosidade, mas at\u00e9 com entusiasmo \u2013 tantos refugiados da Ucr\u00e2nia. Escutei emocionado o testemunho de Oleg e sua fam\u00edlia; a vossa \u00abviagem rumo ao futuro\u00bb \u2013 um futuro diferente, longe dos horrores da guerra \u2013 na verdade come\u00e7ou com uma \u00abviagem na mem\u00f3ria\u00bb, porque Oleg recordou o caloroso acolhimento recebido na Hungria h\u00e1 alguns anos, quando veio trabalhar como cozinheiro. A recorda\u00e7\u00e3o daquela experi\u00eancia encorajou-o a partir com a sua fam\u00edlia vindo para Budapeste, onde encontrou generosa hospitalidade. A lembran\u00e7a do amor recebido reacende a esperan\u00e7a, encoraja a empreender novos caminhos de vida. Com efeito, mesmo na tribula\u00e7\u00e3o e no sofrimento, encontra-se coragem para continuar quando se recebeu o b\u00e1lsamo do amor: e esta \u00e9 a for\u00e7a que ajuda a acreditar que nem tudo est\u00e1 perdido e que \u00e9 poss\u00edvel um futuro diferente. O amor que Jesus nos d\u00e1 e nos manda viver ajuda assim a erradicar, da sociedade, das cidades e lugares onde vivemos, os males da indiferen\u00e7a (a indiferen\u00e7a \u00e9 como uma peste!) e do ego\u00edsmo, e reacende a esperan\u00e7a duma humanidade nova, mais justa e fraterna, onde todos possam sentir-se em casa.<\/p>\n<p>Infelizmente, tamb\u00e9m aqui muitas pessoas est\u00e3o literalmente privadas dum teto: muitas irm\u00e3s e irm\u00e3os marcados pela fragilidade \u2013 sozinhos, com v\u00e1rias limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e mentais, destru\u00eddos pelo veneno das drogas, sa\u00eddos da pris\u00e3o ou abandonados porque idosos \u2013 s\u00e3o afetados por formas graves de pobreza material, cultural e espiritual, e n\u00e3o t\u00eam um teto e uma casa para morar. Zolt\u00e0n e sua esposa Anna ofereceram-nos o seu testemunho acerca desta grande chaga: obrigado pelas vossas palavras. E obrigado por terem acolhido aquela mo\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo que vos levou, com coragem e generosidade, a construir um centro para acolher pessoas sem-teto. Impressionou-me ouvir que, juntamente com as necessidades materiais, prestais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0 dignidade ferida das pessoas, ocupando-vos da sua solid\u00e3o, da sua dificuldade em sentir-se amadas e acolhidas no mundo. Anna disse-nos que \u00ab\u00e9 Jesus, a Palavra viva, que cura os seus cora\u00e7\u00f5es e as suas rela\u00e7\u00f5es, porque a pessoa reconstr\u00f3i-se a partir de dentro\u00bb; isto \u00e9, renasce quando experimenta que, aos olhos de Deus, \u00e9 amada e aben\u00e7oada. Isto vale para toda a Igreja: n\u00e3o basta dar o p\u00e3o que alimenta o est\u00f4mago, \u00e9 preciso nutrir o cora\u00e7\u00e3o das pessoas! A caridade n\u00e3o \u00e9 mera assist\u00eancia material e social, mas preocupa-se com a pessoa inteira e deseja reergu\u00ea-la com o amor de Jesus: um amor que ajuda a readquirir beleza e dignidade.<\/p>\n<p>Praticar a caridade significa ter a coragem de fixar nos olhos. N\u00e3o podes ajudar o outro, voltando a cara para o lado oposto. Para praticar a caridade, \u00e9 preciso ter a coragem de tocar: n\u00e3o podes deitar a esmola de longe, sem tocar. Tocar e fixar nos olhos. E assim, tocando e olhando, come\u00e7as um caminho, um caminho com aquela pessoa necessitada, que te far\u00e1 compreender qu\u00e3o necessitado, qu\u00e3o necessitada \u00e9s tu pr\u00f3prio do olhar e da m\u00e3o do Senhor.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, encorajo-vos a falar sempre a linguagem da caridade. A est\u00e1tua, nesta pra\u00e7a, representa o milagre mais famoso de Santa Isabel: conta-se que o Senhor uma vez transformou em rosas o p\u00e3o que ela levava aos necessitados. O mesmo se d\u00e1 convosco, quando vos empenhais em levar o p\u00e3o aos famintos, o Senhor faz florescer a alegria e perfuma a vossa exist\u00eancia com o amor que dais. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, fa\u00e7o votos de que possais levar sempre o perfume da caridade \u00e0 Igreja e ao vosso pa\u00eds. E pe\u00e7o-vos, por favor, que continueis a rezar por mim.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/speeches\/2023\/april\/documents\/20230429-ungheria-poveri-rifugiati.html\" target=\"_blank\">original <\/a>em italiano<\/p>\n<p>Imagm: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|29.04.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No segundo dia da visita apost\u00f3lica ao territ\u00f3rio H\u00fangaro, Francisco reuniu-se com centenas de pobres e refugiados muitos fugidos da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3674701315,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[67],"class_list":["post-3440687059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-divulgacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3440687059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3440687059"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3440687059\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3440687059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3440687059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3440687059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}