{"id":3499174804,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8704-domingo-v-da-pascoa-como-eu-vos-amei"},"modified":"2025-11-07T16:33:29","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:29","slug":"domingo-v-da-pascoa-como-eu-vos-amei-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-v-da-pascoa-como-eu-vos-amei-3\/","title":{"rendered":"Domingo V da P\u00e1scoa: Como Eu vos Amei\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. No tempo de Jesus, o panorama do juda\u00edsmo palestinense era dominado por duas escolas: a escola conservadora e rigorista de Shammai e a escola liberal de Hillel.<\/p>\n<p>2. Conta-se que, um dia, um homem se ter\u00e1 apresentado na escola de Shammai, e fez ao mestre um estranho pedido: \u00abquero que, enquanto eu me mantiver apenas com um p\u00e9 no ch\u00e3o, tu me expliques toda a Lei\u00bb. Diz-se que Shammai se limitou a pegar na sua vara de mestre e a correr o homem pela porta fora, pois era \u00f3bvio que o homem fazia um pedido imposs\u00edvel de cumprir, tal era a vastid\u00e3o da Lei. Mas o homem n\u00e3o desanimou e dirigiu-se \u00e0 escola de Hillel, a quem formulou o mesmo pedido. E Hillel ter\u00e1 respondido de pronto: \u00abNada mais f\u00e1cil: \u201c<em>N\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am a ti<\/em>!\u201d\u00bb.<\/p>\n<p>3. A esta senten\u00e7a de Hillel, na sua formula\u00e7\u00e3o negativa, deu-se o nome de \u00abregra de ouro\u00bb. Em boa verdade, ela j\u00e1 aparece no Livro de Tobias 4,15. \u00c9, todavia, f\u00e1cil de verificar, que esta senten\u00e7a \u00e9 de f\u00e1cil cumprimento. Dado que o seu teor \u00e9 negativo, para a cumprir, basta a algu\u00e9m cruzar os bra\u00e7os e nada fazer. Procedendo assim, nada far\u00e1 de inconveniente a ningu\u00e9m, cumprindo assim escrupulosamente a senten\u00e7a.<\/p>\n<p>4. Tentando talvez evitar a ina\u00e7\u00e3o acoitada na formula\u00e7\u00e3o negativa anterior, os Evangelhos apresentam desta m\u00e1xima uma formula\u00e7\u00e3o positiva: \u00ab<em>Faz aos outros o que queres que te fa\u00e7am ti<\/em>!\u00bb (Mateus 7,12; Lucas 6,31). Levando a s\u00e9rio esta formula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente jogar \u00e0 defesa e nada fazer, mas \u00e9 requerido o fazer. Seja como for, as duas formula\u00e7\u00f5es apresentadas, quer a negativa quer a positiva, padecem do mesmo v\u00edcio: sou eu o centro, \u00e9 \u00e0 minha volta que tudo roda, e o que eu fa\u00e7o ou deixo de fazer \u00e9 com o objetivo claro de que me seja retribu\u00eddo outro tanto!<\/p>\n<p>5. O tom positivo da referida \u00abregra de ouro\u00bb recebe ainda outra bem conhecida formula\u00e7\u00e3o: \u00ab<em>Ama o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo<\/em>!\u00bb, que atravessa de l\u00e9s-a-l\u00e9s a inteira Escritura: Lev\u00edtico 19,18; Mateus 22,39; Romanos 13,9; G\u00e1latas 5,14; Tiago 2,8. Mas tamb\u00e9m esta formula\u00e7\u00e3o \u00e9 perigosa: primeiro, porque eu continuo o ser o centro, a medida do amor aos outros; segundo, porque, se algu\u00e9m n\u00e3o se ama a si mesmo (e s\u00e3o, infelizmente, cada vez mais os casos!), como poder\u00e1 cumprir devidamente esta m\u00e1xima?<\/p>\n<p>6. \u00c9 aqui que cai, como uma l\u00e2mina, a for\u00e7a do Evangelho de Jesus, proclamado, por gra\u00e7a, neste Domingo V da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 13,31-34): \u00ab<em>Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei<\/em>!\u00bb (Jo\u00e3o 13,34), precedido por aquele precioso e carinhoso diminutivo \u00abfilhinhos\u00bb (<em>tekn\u00eda<\/em>) (Jo\u00e3o 13,33), s\u00f3 aqui, esta \u00fanica vez, colocado nos l\u00e1bios de Jesus. Aqui, a medida n\u00e3o sou eu. Aqui, a medida \u00e9 Jesus. Aqui, a medida \u00e9 sem medida! Aqui, o amor n\u00e3o \u00e9 interesseiro. Aqui, o amor \u00e9 puro, radical, incondicional, assim\u00e9trico, sem retorno. Aqui, o amor \u00e9 at\u00e9 ao fim, e obriga-nos a ter sempre como refer\u00eancia o Senhor Jesus e o seu modo de viver, dando a vida por amor, para sempre e para todos!<\/p>\n<p>7. Este mandamento recebido (Jo\u00e3o 10,18) e dado (Jo\u00e3o 13,34; 15,12) imp\u00f5e aos disc\u00edpulos de Jesus de todos os tempos um estilo novo, uma nova maneira de viver e de fazer: \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0Eu vos fiz, fazei v\u00f3s tamb\u00e9m\u00bb (Jo\u00e3o 13,15). Nesta formula\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 mais importante n\u00e3o \u00e9\u00a0<em>o que<\/em>fazer, mas\u00a0<em>o como<\/em>\u00a0fazer. Neste sentido, alerta bem a Confer\u00eancia Episcopal Argentina na sua Carta Pastoral\u00a0<em>Misi\u00f3n Continental<\/em>\u00a0(2009), n.\u00ba 17: \u00abImporta considerar em primeiro lugar o que \u00e9 preliminar a qualquer programa de a\u00e7\u00e3o. Antes da organiza\u00e7\u00e3o de tarefas, importa considerar\u00a0<em>como<\/em>\u00a0as vou executar, o modo, a atitude, o estilo. Desta maneira, as tarefas ser\u00e3o ferramentas de um estilo de comunh\u00e3o, cordial, discipular, que transmite o fundamental: a bondade de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>8. A li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (14,21-27) p\u00f5e outra vez diante de n\u00f3s a viagem transitiva e intransitiva que a gra\u00e7a de Deus nos faz fazer (Atos 14,26), e de que resulta a narrativa de tudo o que Deus fez connosco (Atos 14,27) e com os pag\u00e3os, abrindo-lhes a porta da f\u00e9 (Atos 14,27). \u00c9 esta express\u00e3o que d\u00e1 o t\u00edtulo \u00e0 Carta Apost\u00f3lica\u00a0<em>Porta Fidei<\/em>\u00a0[\u00abA Porta da F\u00e9\u00bb] com que Bento XVI quis marcar o Ano da F\u00e9, aberto em 11 de outubro de 2012, comemora\u00e7\u00e3o da data de abertura do Conc\u00edlio II do Vaticano (11 de outubro de 1962), e encerrado (o Ano da F\u00e9) em 24 de novembro de 2013, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.<\/p>\n<p>9. Not\u00e1vel a li\u00e7\u00e3o do Livro do Apocalipse (21,1-5). Mundo novo, com Deus, Ele mesmo, a habitar no meio de n\u00f3s, verdadeiro Emanuel, que acariciar\u00e1 o nosso rosto e enxugar\u00e1 as nossas l\u00e1grimas. Com o Emanuel a habitar connosco, desaparecer\u00e3o a morte, o luto, a lamenta\u00e7\u00e3o, a dor, e tamb\u00e9m o mar que, no mundo b\u00edblico, aparece como s\u00edmbolo do caos e do mal.<\/p>\n<p>10. Fica bem hoje cantar com alegria renovada o grande hino alfab\u00e9tico que \u00e9 o Salmo 145, at\u00e9 que vibrem as cordas do nosso cora\u00e7\u00e3o. Or\u00edgenes classificava este Salmo como \u00abo supremo c\u00e2ntico de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u00bb, e Agostinho viu-o como \u00aba ora\u00e7\u00e3o perfeita de Cristo, uma ora\u00e7\u00e3o para todas as circunst\u00e2ncias e acontecimentos da vida\u00bb. E enquanto saboreamos as imensas riquezas que nos v\u00eam de Deus: a sua gra\u00e7a, miseric\u00f3rdia, amor e bondade (Salmo 145,8-9), usando, para o efeito, toda a gama de sabores e todas as letras do alfabeto, continuemos a cantar: \u00abAbris, Senhor, a vossa m\u00e3o, e saciais a nossa fome!\u00bb (Salmo 145,16).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o que se levanta do ch\u00e3o<\/p>\n<p>E do \u201ceu\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de ordem gnoseol\u00f3gica e cient\u00edfica,<\/p>\n<p>Acerca do que se pode conhecer<\/p>\n<p>E da constitui\u00e7\u00e3o de qualquer ser.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o que se levanta do ch\u00e3o<\/p>\n<p>\u00c9 da ordem do amor,<\/p>\n<p>Acerca do que \u00e9 o amor,<\/p>\n<p>Se eu amo<\/p>\n<p>E se sou amado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Se colocares no Google a pergunta: \u201co que \u00e9 o amor?\u201d,<\/p>\n<p>Obt\u00e9ns para cima de trezentos milh\u00f5es de respostas.<\/p>\n<p>Mas, na B\u00edblia, as respostas reduzem-se a uma s\u00f3: dar a vida.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por isso, na B\u00edblia, amar \u00e9 amar\u00a0<em>o estrangeiro<\/em>,<\/p>\n<p>Que \u00e9\u00a0<em>o outro diferente de mim<\/em>,<\/p>\n<p>E amar\u00a0<em>o inimigo<\/em>,<\/p>\n<p>Que \u00e9\u00a0<em>o outro contra mim<\/em>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em suma, amar \u00e9 amar o\u00a0<em>pr\u00f3ximo<\/em>,<\/p>\n<p>Que \u00e9 aquele que est\u00e1 agora a passar por mim,<\/p>\n<p>Aquele que agora est\u00e1 mais perto de mim,<\/p>\n<p>Que \u00e9 o significado do superlativo latino\u00a0<em>proximus<\/em>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Salta \u00e0 vista que este amor n\u00e3o brota de n\u00f3s,<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 em n\u00f3s a fonte deste amor.<\/p>\n<p>A fonte e o modelo de um amor assim \u00e9 Deus,<\/p>\n<p>\u00c9 Jesus que se debru\u00e7a sobre o estrangeiro e o inimigo que eu sou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Senhor Jesus, ensina-nos a amar sem medida, como Tu.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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