{"id":350377690,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11509-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo-quando-o-dia-comeca-a-declinar-"},"modified":"2025-11-07T16:33:51","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:51","slug":"santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo-quando-o-dia-comeca-a-declinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo-quando-o-dia-comeca-a-declinar\/","title":{"rendered":"Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo: \u00abQuando o dia come\u00e7a a declinar\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Gn 14,18-20; Sl 110; 1 Cor 11,23-26; Lc 9,11-17<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Hoje \u00e9 o Dia da Eucaristia. Da reuni\u00e3o dos irm\u00e3os, santos, amados e chamados por Deus, \u00e0 volta de Jesus, p\u00e3o da vida (Jo\u00e3o 6). Vem de longe esta avenida florida de alegria, de trigo maduro e de vides ajoelhadas com uvas vermelhas, suculentas, deliciosas. \u00abSobre este monte (Si\u00e3o), o Senhor dos Ex\u00e9rcitos preparar\u00e1 para todos os povos um banquete de carnes gordas e vinhos finos\u00bb, anuncia Isa\u00edas 25,6. Tamb\u00e9m a Sabedoria, que vem de Deus, se d\u00e1 ao trabalho, e manda anunciar nos pontos altos da cidade: \u00abVinde, comei do meu p\u00e3o, bebei do vinho que preparei\u00bb (Prov\u00e9rbios 9,5). Banquete que se entrev\u00ea j\u00e1 na carne preparada em abund\u00e2ncia e nos 60 quilos de farinha que, lado a lado, Sara e a m\u00e3e de fam\u00edlia do Evangelho, metem ao forno (G\u00e9nesis 18,6-7; Mateus 13,33; Lucas 13,21). E a\u00ed est\u00e1 tamb\u00e9m mesmo a chegar Melquisedeque (<em>malk\u00ee-tsedeq<\/em>), rei e sacerdote de\u00a0<em>Shalem<\/em>, futura Jerusal\u00e9m,\u00a0<em>y<sup>e<\/sup>r\u00fbshalaim<\/em>, popularmente interpretada como \u00abcidade da paz (<em>shal\u00f4m<\/em>)\u00bb, ainda que o seu nome signifique \u00ab<em>Shalem<\/em>\u00a0a edificou\u00bb. Tem encontro marcado com Abra\u00e3o, que tamb\u00e9m acaba de chegar, cansado dos trabalhos das lutas tribais. Por isso, para aliviar um pouco o seu estado an\u00edmico, e para o elevar at\u00e9 Deus, Melquisedeque traz a Abra\u00e3o p\u00e3o e vinho e paz e b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Assim abre a liturgia deste Dia com o belo texto do Livro do G\u00e9nesis 14,18-20, que rasga uma avenida imensa que passa pelo Salmo 110, onde Deus consagra o rei messi\u00e2nico como \u00absacerdote\u00a0<em>para sempre<\/em>\u00a0segundo a ordem de Melquisedeque\u00bb (v. 4), que ecoa na Carta aos Hebreus, que canta Jesus Cristo como \u00absacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque\u00bb (5,6.10; 6,20; 7,11.15.17), porque \u00abpermanece eternamente, possui um sacerd\u00f3cio que n\u00e3o tem fim, e pode salvar para sempre aqueles que se aproximam de Deus, por meio dele (\u2026), porque a si mesmo se ofereceu (<em>anaph\u00e9r\u00f4<\/em>) uma vez por todas (<em>eph\u00e1pax<\/em>)\u00bb (Hebreus 7,24-25.27). Em termos b\u00edblicos, Melquisedeque aparece apenas em G\u00e9nesis 14, no Salmo 110 (com o aposto \u00abpara sempre\u00bb) e na Carta aos Hebreus, onde o sacerd\u00f3cio de Jesus \u00e9 para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque, j\u00e1 relido pelo Salmo 110, e n\u00e3o segundo a ordem de Aar\u00e3o e Levi, em que os sacerdotes se iam sucedendo. Toma lugar tamb\u00e9m na ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica do C\u00e2none Romano, em que a Igreja reza: \u00abOlhai com benevol\u00eancia e agrado para esta oferenda, e dignai-vos aceit\u00e1-la, como aceitastes os dons do justo Abel, vosso servo, o sacrif\u00edcio de Abra\u00e3o, nosso pai na f\u00e9, e a obla\u00e7\u00e3o pura e santa do sumo-sacerdote Melquisedeque\u00bb. Mas esta avenida bela e florida passa tamb\u00e9m pelo Cen\u00e1culo, e transparece no belo hino intitulado\u00a0<em>Lauda Sion Salvatorem<\/em>\u00a0[= \u00abLouva Si\u00e3o o Salvador\u00bb], em que cantamos assim: \u00abEis aqui o p\u00e3o dos anjos,\/ feito p\u00e3o dos peregrinos,\/ que n\u00e3o deve profanar-se.\/\/ Em figuras proclamado,\/ como Isaac hoje imolado,\/ \u00e9 Cordeiro e man\u00e1 puro.\/\/ \u00d3 Jesus, \u00f3 Bom Pastor,\/ verdadeiro p\u00e3o da vida,\/ defendei-nos e salvai-nos.\/\/ V\u00f3s que tudo conheceis,\/ consenti que \u00e0 vossa mesa\/ nos sentemos para sempre\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Neste Dia Sant\u00edssimo, \u00e9-nos dada ainda a gra\u00e7a de poder escutar um dos mais antigos e intensos relatos da Ceia do Senhor: \u00abO Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue (<em>pared\u00eddeto<\/em>),\u00a0<em>recebeu<\/em>\u00a0(<em>\u00e9laben<\/em>) o p\u00e3o (<em>\u00e1rton<\/em>), e\u00a0<em>dando gra\u00e7as<\/em>\u00a0(<em>eucharist\u00easas<\/em>),\u00a0<em>partiu-o<\/em>\u00a0(<em>\u00e9klasen<\/em>) e disse: \u201cIsto \u00e9 o\u00a0<em>meu corpo<\/em>, que \u00e9\u00a0<em>para v\u00f3s<\/em>; isto\u00a0<em>fazei para mem\u00f3ria de mim<\/em>\u201d. Do mesmo modo fez com o c\u00e1lice, depois da ceia, dizendo: \u201cEste c\u00e1lice \u00e9 a\u00a0<em>nova Alian\u00e7a<\/em>\u00a0no meu sangue; isto fazei, sempre que o beberdes,\u00a0<em>para mem\u00f3ria de mim<\/em>\u201d. Portanto, sempre que comerdes este p\u00e3o e beberdes este c\u00e1lice, estais a\u00a0<em>anunciar<\/em>\u00a0(<em>katagg\u00e9llete<\/em>)\u00a0<em>a morte do Senhor<\/em>\u00a0at\u00e9 que Ele venha (<em>\u00e1chris ho\u00fb \u00e9lth\u00ea<\/em>)\u00bb (1 Cor\u00edntios 11,23-26).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Atravessado o relato, deparamo-nos com uma sequ\u00eancia verbal riqu\u00edssima, que mostra bem como a viv\u00eancia da Eucaristia transforma a nossa vida desde dentro.\u00a0<em>Receber<\/em>\u00a0\u00e9 um verbo fundamental, \u00e9 a base da nossa vida, voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o sempre de Deus recebidas. Come\u00e7amos a Eucaristia de m\u00e3os abertas para Deus, grande atitude crist\u00e3.\u00a0<em>Dar gra\u00e7as<\/em>. \u00c9 s\u00f3 reconhecendo e sabendo e sentindo que a Gra\u00e7a tomou conta de n\u00f3s, que podemos e sabemos dar gra\u00e7as, outra grande atitude que transforma a nossa vida.\u00a0<em>Partir<\/em>,\u00a0<em>partilhar o p\u00e3o<\/em>. Grande atitude a de saber que nada \u00e9 s\u00f3 meu, nem sequer a minha vida. Tudo \u00e9 para partilhar com alegria com tantos irm\u00e3os. Sim, \u00e0 minha frente h\u00e1 sempre uma mesa posta com lugar para todos. Em\u00a0<em>mem\u00f3ria de Jesus<\/em>. Sim, nunca podemos esquecer aquele jeito de Jesus. Ele no centro da nossa da nossa vida e das nossas atitudes.\u00a0<em>Anunciar a morte do Senhor<\/em>. N\u00e3o se trata de chorar ou de vestir de luto. Mas de saber ver bem a Cruz de Jesus e o caminho da Cruz de Jesus. Sim, trata-se de anunciar que Jesus viveu e morreu para a dar a vida por amor, para sempre e para todos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O Evangelho Hoje proclamado e escutado (Lucas 9,11b-17) exp\u00f5e diante de n\u00f3s um dia da vida de Jesus. Reparemos que se situa imediatamente a seguir ao regresso dos Doze da sua primeira miss\u00e3o (Lucas 9,1-10a). Partem de junto de Jesus, por Ele enviados, e a Ele regressam. Prestemos agora aten\u00e7\u00e3o \u00e0s notas fundamentais do seu di\u00e1rio deste dia: \u00abTendo acolhido as multid\u00f5es, falava-lhes do Reino de Deus e sarava os que tinham necessidade de cura\u00bb (Lucas 9,11b). Por t\u00f3picos: Jesus acolhia toda a gente (1), explicava a todos o Reino de Deus (2), curava os necessitados (3). Estes tr\u00eas pontos s\u00e3o todo o afazer de Jesus, todo o entretenimento de Jesus, que envolve as pessoas todas no manto da ternura de Deus. \u00c9 de tal modo intenso e belo este afazer de Jesus, que nem Jesus nem as pessoas se apercebem de que o tempo passa e come\u00e7a a cair a noite.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Apercebem-se os Doze, que interv\u00eam e ditam a Jesus indica\u00e7\u00f5es, sen\u00e3o mesmo ordens, precisas: \u00abManda embora a multid\u00e3o, para que as pessoas possam encontrar alojamento e comida nas aldeias e campos pr\u00f3ximos\u00bb (Lucas 9,12). A r\u00e9plica de Jesus \u00e9 estonteante: \u00ab<em>Dai<\/em>-lhes v\u00f3s de comer!\u00bb (Lucas 9,13). Atordoados, respondem \u00e0s apalpadelas. Primeiro esbo\u00e7o: \u00abS\u00f3 temos cinco p\u00e3es e dois peixes\u00bb, que \u00e9 como quem diz, mal chegam para n\u00f3s\u2026 Segundo esbo\u00e7o: \u00abA menos que vamos n\u00f3s mesmos\u00a0<em>comprar<\/em>\u00a0comida para eles\u2026\u00bb (Lucas 9,14).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. As indica\u00e7\u00f5es dos Doze nem sequer chegam a ser equacionadas por Jesus, o que significa que as considera completamente desajustadas. Jesus d\u00e1 e faz ordens novas e surpreendentes, como faz sempre Deus (cf. Isa\u00edas 43,19): \u00abFazei-os reclinar \u00e0 mesa (<em>katakl\u00edn\u00f4<\/em>) para comer\u00bb (Lucas 9,14). Podemos imaginar o espanto que se ter\u00e1 apoderado daqueles Doze, que devem ter pensado mais ou menos isto: \u00abmand\u00e1-los reclinar \u00e0 mesa, neste lugar ermo, para comer! Mas para comer o qu\u00ea?!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. A\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica de Jesus: \u00abTendo recebido os cinco p\u00e3es e os dois peixes, levantou os olhos para o c\u00e9u (gesto de ora\u00e7\u00e3o), pronunciou a b\u00ean\u00e7\u00e3o, partiu-os e\u00a0<em>dava<\/em>\u00a0aos disc\u00edpulos para servirem \u00e0 multid\u00e3o\u00bb (Lucas 9,16). E diz-nos o narrador que todos comeram e foram saciados por Deus (verbo na passiva) (Lucas 9,17). \u00c9 for\u00e7oso descobrir a interpreta\u00e7\u00e3o que o narrador oferece deste extraordin\u00e1rio banquete servido \u00abnuma zona deserta\u00bb da Galileia. Salta \u00e0 vista que os gestos que Jesus faz naquele entardecer s\u00e3o um claro decalque daqueles que far\u00e1 um ou dois anos mais tarde no interior da sala do Cen\u00e1culo na \u00faltima tarde da sua vida terrena. Basta apenas acostar aqui o relato Eucar\u00edstico do Cen\u00e1culo: \u00abJesus recebeu o p\u00e3o, deu gra\u00e7as, partiu-o e deu-o a eles\u00bb (Lucas 22,19a). O novo nesta Ceia do Cen\u00e1culo \u00e9 o dizer de Jesus sobre o p\u00e3o partido e a eles dado: \u00abIsto \u00e9 o meu corpo dado por v\u00f3s. Fazei isto em mem\u00f3ria de mim\u00bb (Lucas 22,19b). E sobre o vinho: \u00abEste \u00e9 o c\u00e1lice da nova alian\u00e7a no meu sangue, por v\u00f3s derramado\u00bb (Lucas 22,20).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Prestemos aten\u00e7\u00e3o e reparemos bem que, aos olhos at\u00f3nitos dos disc\u00edpulos e dos nossos, Jesus n\u00e3o fez uma opera\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>multiplica\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0dos p\u00e3es, mas de\u00a0<em>divis\u00e3o<\/em>\u00a0e\u00a0<em>partilha<\/em>\u00a0dos p\u00e3es! S\u00f3 Jesus sabe de uma divis\u00e3o fazer uma multiplica\u00e7\u00e3o! O milagre de Jesus, aquilo que suscita surpresa e maravilha, n\u00e3o consiste em aumentar a quantidade do p\u00e3o e do peixe (que permanece a mesma), mas em abrir os olhos aos seus disc\u00edpulos e a n\u00f3s que, como cegos, s\u00f3 conhecemos e pensamos na l\u00f3gica do vender e do comprar, e n\u00e3o chegamos a saborear a l\u00f3gica da gratuidade, que \u00e9 a do nosso Pai celeste que faz nascer o sol para os bons e para os maus, veste os l\u00edrios do campo, alimenta os passarinhos. Entrar nesta l\u00f3gica \u00e9 acreditar na for\u00e7a do dom, e ir por este mundo consumista, partindo o p\u00e3o e partilhando-o, com a clara consci\u00eancia de que onde isto acontecer, n\u00e3o s\u00f3 se instaura o necess\u00e1rio para todos (\u00abtodos comeram e foram saciados\u00bb), como se instaura tamb\u00e9m o \u00abexcesso\u00bb, a superabund\u00e2ncia da gra\u00e7a (\u00abos disc\u00edpulos encheram doze cestos\u00bb) (Lucas 9,17).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Jesus leva at\u00e9 ao fim a l\u00f3gica nova do Evangelho, que \u00e9 a medida sem medida do amor de Deus, que muda radicalmente a nossa maneira de pensar e de viver. Este \u00e9 o lado subversivo do Evangelho. N\u00e3o, Jesus n\u00e3o se contenta, nem quando n\u00f3s nos propomos\u00a0<em>comprar<\/em>\u00a0p\u00e3o para alimentar os outros. Para Jesus n\u00e3o \u00e9 compreens\u00edvel que uns tenham mais, outros menos e outros nada, e que esta situa\u00e7\u00e3o se possa amenizar pontualmente. Dar tudo \u00e9 a medida de Deus e a l\u00f3gica do Evangelho. Por isso, Jesus diz: \u00abIsto \u00e9 o meu corpo dado por v\u00f3s. Fazei isto em mem\u00f3ria de mim\u00bb (Lucas 22,19b); \u00abEste \u00e9 o c\u00e1lice da nova alian\u00e7a no meu sangue, por v\u00f3s derramado\u00bb (Lucas 22,20). Vida partida, repartida e dada por amor. Eis o inteiro programa de Jesus. Eis tudo o que devemos fazer, imitando-o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. E \u00e9 isto que devemos aprender a fazer nesta Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo, hoje particularmente unidos e reunidos \u00e0 volta do Senhor Jesus Cristo. Sim, Hoje \u00e9 Dia de a Igreja estar unida e reunida \u00e0 volta do seu \u00fanico Senhor, Jesus Cristo, que por n\u00f3s parte e reparte a sua vida. Fa\u00e7amos uma pausa, um bocadinho de sil\u00eancio, para podermos saborear melhor esta maravilha: \u00abComo \u00e9 bom, como \u00e9 belo, viverem unidos os irm\u00e3os\u00bb (Salmo 133,1)\u2026 Daqui a pouco, o Senhor da nossa vida presidir\u00e1 e aben\u00e7oar\u00e1 com a sua Presen\u00e7a, caminhando connosco, no meio de n\u00f3s, as ruas da nossa cidade. O p\u00e1lio (<em>pallium<\/em>) de Deus atravessar\u00e1 a nossa cidade. O p\u00e1lio de Deus \u00e9 o manto (<em>pallium<\/em>) de Deus, os bra\u00e7os carinhosos com que nos abra\u00e7a e nos envolve, e nos pede para fazermos outro tanto, enchendo de gra\u00e7a e de esperan\u00e7a todos os nossos irm\u00e3os, sobretudo os mais sofridos e marginalizados. Verdadeiramente, num mundo em crise como este em que vamos, parece que voltamos a viver, como dizia S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios, \u00absem esperan\u00e7a e sem Deus no mundo\u00bb (Ef\u00e9sios 2,12). Entenda-se: sem esperan\u00e7a, porque sem Deus no mundo, connosco, no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Jesus Cristo \u00e9 Deus presente no nosso mundo e no nosso meio todos os dias. E o p\u00e1lio \u00e9 o manto, o abra\u00e7o, com que nos acarinha e envolve. De p\u00e1lio (<em>pallium<\/em>) v\u00eam os cuidados paliativos, que n\u00e3o s\u00e3o apenas os cuidados m\u00e9dicos que s\u00e3o prestados aos nossos doentes terminais; s\u00e3o sobretudo a express\u00e3o de um amor maior, de um manto maior, que nos envolve e nos salva em todas as situa\u00e7\u00f5es (Gianluigi Peruggia,\u00a0<em>L\u2019abbraccio del mantello<\/em>, Saronno, Monti, 2004).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gn 14,18-20; Sl 110; 1 Cor 11,23-26; Lc 9,11-17 1. Hoje \u00e9 o Dia da Eucaristia. 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