{"id":3505254040,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13189-domingo-xviii-do-tempo-comum-senhor-da-nos-sempre-deste-pao"},"modified":"2025-11-07T16:34:01","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:01","slug":"domingo-xviii-do-tempo-comum-senhor-da-nos-sempre-deste-pao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xviii-do-tempo-comum-senhor-da-nos-sempre-deste-pao\/","title":{"rendered":"Domingo XVIII do Tempo Comum: \u00abSenhor, d\u00e1-nos sempre deste p\u00e3o!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_1_240802122621.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Ex 16,2-4.12-15; Sl 78; Ef 4,17.20-24; Jo 6,24-35<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Continuamos, neste Domingo XVIII do Tempo Comum, a revisitar a p\u00e1gina Evang\u00e9lica de Jo\u00e3o 6, no caso de hoje, 6,24-35. Depois do epis\u00f3dio da CONDIVIS\u00c3O dos p\u00e3es, Jesus afastou-se sozinho para o monte (Jo\u00e3o 6,15), e os seus disc\u00edpulos entraram na Barca e atravessaram o Mar da Galileia, na dire\u00e7\u00e3o de Cafarnaum (Jo\u00e3o 6,16-17). Em pleno Mar, foram apanhados pelo escuro, por um vento grande e pelo medo (Jo\u00e3o 6,17-20). Na verdade, iam s\u00f3s, pois Jesus, que se tinha afastado para o monte, ainda n\u00e3o tinha vindo ter com eles. Mas vem, e com ele vem tamb\u00e9m a calma e a serenidade, e logo a Barca encontra rumo seguro para terra (Jo\u00e3o 6,21). Definitivamente, os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o podem andar sozinhos, sem Jesus. Quando o fazem, invade-os a noite, a tormenta, o medo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Com os disc\u00edpulos sozinhos na Barca, no mar, e o afastamento de Jesus para o monte (Jo\u00e3o 6,15), tamb\u00e9m a multid\u00e3o ficou sozinha, mas leva mais tempo at\u00e9 se aperceber de que a sua verdadeira solid\u00e3o \u00e9 motivada pela aus\u00eancia de Jesus. O escuro n\u00e3o os preocupa. Passam a noite a dormir descansadamente. S\u00f3 no dia seguinte se apercebem da falta de Jesus, da falta que Jesus lhes faz, e v\u00e3o \u00e0 procura d\u2019Ele (Jo\u00e3o 6,22-24). Encontram-no, e manifestam a confus\u00e3o neles instalada, perguntando: \u00abRabb\u00ee, quando vieste para aqui?\u00bb (Jo\u00e3o 6,25).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Sem contempla\u00e7\u00f5es e com palavras dur\u00edssimas, Jesus desvenda logo ali, de forma clara e solene, a sonol\u00eancia e incompreens\u00e3o que os habita: \u00abEm verdade, em verdade, vos digo: \u201cV\u00f3s procurais-me, n\u00e3o porque vistes\u00a0<em>sinais<\/em>, mas porque comestes dos p\u00e3es e enchestes a barriga como animais (<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>)\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 6,26). A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 forte e de denso sabor prof\u00e9tico. O verbo usado \u00e9\u00a0<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>, derivado de\u00a0<em>ch\u00f3rtos<\/em>, que significa \u00aberva seca\u00bb, \u00abfeno\u00bb, \u00abpalha\u00bb, termo j\u00e1 atr\u00e1s encontrado, em Jo\u00e3o 6,10: \u00abHavia muita\u00a0<em>erva seca<\/em>\u00a0(<em>ch\u00f3rtos<\/em>) naquele lugar\u00bb. No dizer de Jesus, aquela multid\u00e3o comeu como comem os animais. E, no fim, deitam-se a dormir. At\u00e9 ao dia seguinte (Jo\u00e3o 6,22). A comida dos animais tamb\u00e9m \u00e9 dom de Deus (Gn 1,30), mas eles n\u00e3o se apercebem, nem agradecem. Do mesmo modo, a multid\u00e3o come e dorme. N\u00e3o v\u00ea nem l\u00ea\u00a0<em>sinais<\/em>. O alimento recebido n\u00e3o\u00a0<em>d\u00e1 que pensar<\/em>\u00a0e\u00a0<em>que rezar<\/em>! N\u00e3o se apercebe que o alimento \u00e9 dom de Deus, e que remete, portanto, para Deus. \u00c9 natural, portanto que, depois da declara\u00e7\u00e3o fulminante atr\u00e1s disparada sobre a multid\u00e3o, Jesus acrescente no mesmo tom, agora ilocutivo: \u00abTrabalhai, n\u00e3o pelo alimento que perece, mas pelo que permanece at\u00e9 \u00e0 vida eterna\u00bb (Jo\u00e3o 6,27). Na \u00f3tica de Jesus, o p\u00e3o atr\u00e1s repartido n\u00e3o tem sentido em si mesmo, mas est\u00e1 l\u00e1 para indicar o dom que Jesus quer dar \u00e0 multid\u00e3o: o p\u00e3o do c\u00e9u!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. No mesmo sentido aponta o estranho dizer do narrador atr\u00e1s anotado: \u00abHavia muita\u00a0<em>erva seca<\/em>\u00a0(<em>ch\u00f3rtos<\/em>) naquele lugar\u00bb (Jo\u00e3o 6,10). Serve esta anota\u00e7\u00e3o para nos fazer ver que a fun\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>muita erva que seca e passa<\/em>\u00a0\u00e9 uma esp\u00e9cie de campainha que toca para nos acordar e levantar os nossos olhos para a Palavra de Deus que\u00a0<em>permanece para sempre<\/em>. O que perece \u00e9 a \u00aberva\u00bb (ou \u00abfeno\u00bb) (<em>ch\u00f3rtos<\/em>), seja ele qual for, que compramos com dinheiro e nos cala a boca e enche (<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>) o est\u00f4mago, fartando-nos como animais (cf. Jo\u00e3o 6,26). O que permanece \u00e9 a Palavra que Deus diz, e que deve ser por n\u00f3s ouvida, recebida e respondida. Mas esta disjun\u00e7\u00e3o entre a\u00a0<em>erva que seca e passa<\/em>\u00a0e\u00a0<em>a Palavra de Deus que n\u00e3o passa<\/em>\u00a0pode ainda ser mais bem explicitada se passarmos os olhos por outro texto de Isa\u00edas, que diz:<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\"><em>\u00ab(\u2026) Toda a carne \u00e9 erva (ch\u00f3rtos LXX), e toda a sua gra\u00e7a como a flor do campo. Seca a erva (ch\u00f3rtos LXX) e murcha a flor, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre\u00bb (Isa\u00edas 40,6 e 8).<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Equivocam-se todos os leitores que preferem ver na anota\u00e7\u00e3o daquele \u00abhavia muita erva naquele lugar\u00bb a evoca\u00e7\u00e3o do Bom Pastor e o seu dizer no Salmo 23,2:<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\"><em>\u00abO Senhor \u00e9 meu pastor, nada me falta: num lugar de erva verde (t\u00f3pos chl\u00f3\u00eas LXX) me faz repousar\u00bb.<\/em><\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Nem sequer reparam que o vocabul\u00e1rio de Jo\u00e3o 6 e de Isa\u00edas 40 \u00e9 diferente do vocabul\u00e1rio do Salmo 23. Jo\u00e3o 6 e Isa\u00edas 40 falam de\u00a0<em>erva seca<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>feno<\/em>\u00a0(<em>ch\u00f3rtos<\/em>). O Salmo 23 fala de\u00a0<em>erva verde<\/em>\u00a0(<em>chl\u00f3\u00eas<\/em>).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. O leitor instru\u00eddo nas Escrituras, que j\u00e1 foi levado a folhear Isa\u00edas 40, e a ver a diferen\u00e7a entre\u00a0<em>a erva\u00a0<\/em>(<em>ou palha ou feno<\/em>)<em>\u00a0que seca e passa<\/em>\u00a0e\u00a0<em>a Palavra de Deus que n\u00e3o passa<\/em>, e que tamb\u00e9m j\u00e1 folheou Isa\u00edas 55, e se deteve no significativo convite de Deus aos exilados: \u00abTodos v\u00f3s, que tendes sede, vinde \u00e0s \u00e1guas! V\u00f3s, que\u00a0<em>n\u00e3o tendes dinheiro<\/em>, vinde!\u00a0<em>Comprai<\/em>\u00a0(<em>agor\u00e1z\u00f4<\/em>\u00a0LXX) cereal e comei!\u00a0<em>Comprai<\/em>\u00a0cereal\u00a0<em>sem dinheiro<\/em>, e sem pagar, vinho e leite. (\u2026)\u00a0<em>Ouvi-me, ouvi-me, e comei<\/em>\u00a0o que \u00e9 bom!\u00bb (Isa\u00edas 55,1-2), estar\u00e1 cada vez mais apto a responder \u00e0 estranha pergunta de Jesus: \u00ab<em>Onde<\/em>\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00a0p\u00e3o para que eles comam?\u00bb. Est\u00e1 visto que n\u00e3o \u00e9 num mercado qualquer. \u00c9 na loja de Deus. At\u00e9 o pr\u00f3prio Jesus vai comprar a essa loja, pois conjuga o verbo\u00a0<em>comprar<\/em>\u00a0na primeira pessoa do plural. Tamb\u00e9m este cen\u00e1rio transborda de pedagogia. Jesus que, no cen\u00e1rio anterior (Jo\u00e3o 4), desceu ao n\u00edvel da mulher da Samaria para ganhar a mulher da Samaria, desce agora ao n\u00edvel dos disc\u00edpulos para ganhar os disc\u00edpulos (Jo\u00e3o 6). A iniciativa \u00e9 sempre de Jesus. Os disc\u00edpulos tinham ficado na linha do\u00a0<em>comprar<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 4). \u00c9 a\u00ed que Jesus os vai agora buscar, formulando a pergunta: \u00abOnde\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00a0p\u00e3o, para que eles comam?\u00bb (Jo\u00e3o 6,5). Vimos atr\u00e1s que o verbo \u00abcomprar\u00bb \u00e9 estranho na boca de Jesus, mas usual na dos disc\u00edpulos. Usando agora o verbo \u00abcomprar\u00bb, e conjugando-o na primeira pessoa do plural, Jesus desce ao n\u00edvel dos disc\u00edpulos. N\u00e3o, por\u00e9m, simplesmente para dizer com eles, mas para os levar a dizer com Ele. Depois de muitos mal-entendidos e deser\u00e7\u00f5es, uma \u00faltima interpela\u00e7\u00e3o de Jesus acaba por lhes dar a oportunidade de se dizerem com Jesus. A multid\u00e3o \u00e9 levada pelo interesse meramente material, tornando-se dependente, no mau sentido, de Jesus, por o verem apenas como uma fonte de rendimento. \u00c9 duramente recriminada por Jesus. O leitor encontra, neste cen\u00e1rio, um jogo de muitas surpresas, de muitos olhares. E \u00e9 o leitor o que mais tem a ganhar, se verdadeiramente entrar no jogo exigente do relato.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. O que Jesus pretende \u00e9 dar-nos o\u00a0<em>p\u00e3o da vida<\/em>\u00a0(6,35). De facto, o p\u00e3o \u00e9 importante para alimentar a nossa vida terrena. Para isso, temos de o comer. Se n\u00e3o o comermos, temos fome e morremos, mesmo que tenhamos \u00e0 nossa frente muitos cestos cheios de p\u00e3o. Chegar\u00e1, todavia, o momento em que nem o melhor p\u00e3o nos pode salvar da morte. Jesus, que \u00e9 o\u00a0<em>p\u00e3o da vida<\/em>, e \u00e9 superior \u00e0 morte, quer conduzir-nos para al\u00e9m da morte, dando-nos a\u00a0<em>vida eterna<\/em>. A\u00a0<em>vida eterna<\/em>\u00a0n\u00e3o come\u00e7a apenas depois da morte, mas bem antes com o in\u00edcio da nossa f\u00e9 em Jesus. Como Jesus, tamb\u00e9m a nossa ades\u00e3o a Jesus, a que chamamos f\u00e9, passa atrav\u00e9s da morte. No \u00e2mbito terreno, se pela f\u00e9 aderimos a Jesus, j\u00e1 vivemos a\u00a0<em>vida eterna<\/em>\u00a0sem, todavia, a vermos ainda com nitidez. Como diz S. Paulo: \u00abagora vemos de forma confusa como num espelho, mas\u00a0<em>depois<\/em>\u00a0veremos face a face\u00bb (1 Cor\u00edntios 13,12). Este\u00a0<em>depois<\/em>, que traz o modo da vis\u00e3o clara, implica a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o.\u00a0<em>Vida eterna<\/em>\u00a0significa vida plena, contacto direto com Jesus glorificado e com o Pai, vida que \u00e9 t\u00e3o somente vida, vida em plenitude, vida que n\u00e3o caminha para o fim, vida que n\u00e3o passa, vida ilimitada, indestrut\u00edvel, tranquila, plena de sentido, de alegria e de harmonia. A vida com Jesus \u00e9 a\u00a0<em>vida eterna<\/em>. Diferente do man\u00e1, que os judeus trazem para a cena (6,31), mas que, sem deixar de ser um dom de Deus, era bem pouca coisa, e por pouco tempo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Bem pouca coisa era o man\u00e1. Mas foi \u00abvisto\u00bb como\u00a0<em>sinal<\/em>\u00a0da provid\u00eancia de Deus em pleno deserto, como ensina a li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro do \u00caxodo 16. Trata-se do man\u00e1 chamado\u00a0<em>lecanora<\/em>, que se encontra desde o Ir\u00e3o at\u00e9 ao Norte de \u00c1frica, portanto tamb\u00e9m no norte da Pen\u00ednsula sina\u00edtica, que \u00e9 granuloso e aquado, de dimens\u00f5es bem reduzidas, min\u00fasculas, do tamanho da semente do coentro [= cerca de 5 mil\u00edmetros de di\u00e2metro], de cor branca, e tem sabor a mel (\u00caxodo 16,31), produto bem conhecido dos bedu\u00ednos. Trata-se, na verdade, da secre\u00e7\u00e3o produzida pelo tamarisco, chamado\u00a0<em>tamarix gallica<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>tamarix-mannifera<\/em>, ap\u00f3s a picada de um inseto, o\u00a0<em>coccus manniparus<\/em>, ou de dois, a<em>\u00a0trabutina-mannipara<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>naiacoccus serpentinus<\/em>.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Afinal, \u00e9 bem pouca coisa o man\u00e1. Tal como os cinco p\u00e3es e os dois peixinhos. Mas, quando se v\u00ea como um dom de Deus, essa pouca coisa \u00e9 tanto! Eis como admiravelmente escreve o Livro da Sabedoria, quando fala do man\u00e1 \u00e0 luz de Deus: \u00abnutriste o teu povo com um alimento de anjos,\u00a0<em>deste-lhe<\/em>\u00a0o P\u00c3O do C\u00c9U, com mil sabores: ele manifestava a tua DO\u00c7URA (<em>glyk\u00fdt\u00eas<\/em>, glicose). Assim os teus FILHOS QUERIDOS aprenderam, Senhor, que N\u00c3O \u00c9 A PRODU\u00c7\u00c3O DE FRUTOS que alimenta os homens, mas a tua Palavra que a todos sustenta\u00bb (Sabedoria 16,20-21.26). A\u00ed est\u00e1, claro, clar\u00edssimo, o indicador correto da compreens\u00e3o da chamada \u00abmultiplica\u00e7\u00e3o\u00bb dos p\u00e3es por Jesus. N\u00e3o, Jesus n\u00e3o faz o papel de um qualquer produtor ou empres\u00e1rio que faz uma opera\u00e7\u00e3o de multiplica\u00e7\u00e3o de bens, para satisfazer os desejos das pessoas, em termos de consumo e de mercado. Ele recebe, bendiz, distribui, reparte, partilha a Palavra de Deus, o P\u00e3o de Deus, fazendo nascer desta opera\u00e7\u00e3o um mundo novo. J\u00e1 todos dev\u00edamos saber, at\u00e9 porque est\u00e1 bem \u00e0 vista, que aumentar a produ\u00e7\u00e3o pode aumentar a gan\u00e2ncia, mas n\u00e3o resolve o problema da fome ou da pobreza. Aumentar a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nenhum milagre. O milagre reside na partilha! O nosso povo simples, que guarda sempre uma intelig\u00eancia grata e penetrante, diz bem que \u00abo pouco com Deus \u00e9 muito, e o muito sem Deus \u00e9 nada!\u00bb. Admir\u00e1vel sabedoria e sintonia com o Evangelho de Jesus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Jesus \u00e9 a Palavra Viva, o P\u00e3o da Vida que, no meio de n\u00f3s, manifesta a Do\u00e7ura ou a Glicose de Deus (cf. Sabedoria 16,21). \u00c9 sempre tendo este Jesus como refer\u00eancia e fonte de vida nova, que devemos abandonar a antiga vida oca e v\u00e3 (<em>m\u00e1taios<\/em>), a intelig\u00eancia obscurecida (<em>sk\u00f3tos<\/em>), a aliena\u00e7\u00e3o (<em>apallotri\u00f3\u00f4<\/em>) e a ignor\u00e2ncia (<em>agn\u00f4s\u00eda<\/em>) de Deus, o cora\u00e7\u00e3o endurecido (<em>p\u00f4r\u00f4sis<\/em>), que geram insensibilidade, dissolu\u00e7\u00e3o, impureza e avidez, e, em Jesus, renovar a nossa intelig\u00eancia, compreens\u00e3o e sentido da vida, revestindo-nos (<em>end\u00fd\u00f4<\/em>) de h\u00e1bitos novos, que n\u00e3o se vendem ou compram no pronto-a-vestir (Ef\u00e9sios 4,17-24).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Sim, Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas n\u00e3o \u00e9 nosso. N\u00e3o \u00e9 um sistema de produ\u00e7\u00e3o ou de abastecimento. Ele \u00e9 o Amor, a Alegria, a Vida Vivente e Eterna, Vida divina, dita\u00a0<em>z\u00f4\u00ea<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 6,33), ou Vida eterna, dita\u00a0<em>z\u00f4\u00ea ai\u00f4nios<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 6,27), e n\u00e3o\u00a0<em>b\u00edos<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>psych\u00ea<\/em>, voc\u00e1bulos que dizem a nossa vida terrena e o seu sustento. Ele \u00e9 o C\u00e9u e o P\u00e3o descido do C\u00e9u \u00e0 nossa terra, para nos fazer viver felizes e nos elevar \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de Filho, filhos no Filho. Est\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas n\u00e3o o podemos reter ou possuir. Ensina-nos bem Abraham Joshua Heschel que um dom \u00e9 como um vaso cheio de afeto, que se quebra logo que o recebedor o comece a considerar como seu. Senhor Jesus, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. O Salmo 78 ensina-nos que a B\u00edblia \u00e9 a longa hist\u00f3ria de uma salva\u00e7\u00e3o sempre oferecida, acolhida e, por vezes, rejeitada. Lembra-nos que as maravilhas de Deus n\u00e3o s\u00e3o para guardar no cofre da fam\u00edlia, mas para passar, de m\u00e3o em m\u00e3o, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, de pais para filhos, de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. A catequese \u00e9 o an\u00fancio de um acontecimento em carne viva que nos deve comprometer, e n\u00e3o de uma s\u00e9rie de frias, enlatadas ou requentadas f\u00f3rmulas ou teses teol\u00f3gicas. Gl\u00f3ria a Deus para sempre!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex 16,2-4.12-15; Sl 78; Ef 4,17.20-24; Jo 6,24-35 1. 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