{"id":3516360727,"date":"2019-02-05T00:00:00","date_gmt":"2019-02-05T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8435-papa-nos-eau-o-mapa-e-o-oasis-de-vida"},"modified":"2019-02-05T00:00:00","modified_gmt":"2019-02-05T00:00:00","slug":"papa-nos-eau-o-mapa-e-o-oasis-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-nos-eau-o-mapa-e-o-oasis-de-vida\/","title":{"rendered":"Papa nos EAU: \u00abO mapa\u00bb e o \u00abO\u00e1sis de vida\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_missa_abu_190205112537.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Mais de 150 mil crist\u00e3os, de v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es participaram, esta manh\u00e3, na eucaristia presidida pelo Papa Francisco no est\u00e1dio\u00a0<span>Zayed, em Abu Dhabi. Na sua homilia o Papa desafiou os crentes a perceberem as Bem-Avenuran\u00e7as como &#8220;um mapa de vida&#8221; e a serem, no meio do mundo, verdadeiros &#8220;o\u00e1sis de paz&#8221;.<\/span><\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco<\/p>\n<p><em>Felizes<\/em>: \u00e9 a palavra com que Jesus come\u00e7a a sua prega\u00e7\u00e3o no Evangelho de Mateus. E \u00e9 o refr\u00e3o que Ele repete hoje, como se quisesse antes de mais nada fixar no nosso cora\u00e7\u00e3o uma mensagem basilar: se est\u00e1s com Jesus, se gostas \u2013 como os disc\u00edpulos de ent\u00e3o \u2013 de escutar a sua palavra, se procuras viv\u00ea-la cada dia, \u00e9s feliz. N\u00e3o\u00a0<em>ser\u00e1s<\/em>\u00a0feliz, mas\u00a0<em>\u00e9s<\/em>\u00a0feliz: aqui est\u00e1 a primeira realidade da vida crist\u00e3. Esta n\u00e3o aparece como uma lista de prescri\u00e7\u00f5es exteriores para se cumprir, nem como um conjunto complexo de doutrinas para se conhecer. Primariamente, n\u00e3o \u00e9 isso, mas saber que somos, em Jesus, filhos amados do Pai. \u00c9 viver a alegria desta bem-aventuran\u00e7a, \u00e9 compreender a vida como uma hist\u00f3ria de amor: a hist\u00f3ria do amor fiel de Deus, que nunca nos abandona e quer fazer comunh\u00e3o connosco sempre. Eis o motivo da nossa alegria, uma alegria que nenhuma pessoa no mundo nem nenhuma circunst\u00e2ncia da vida pode tirar-nos. \u00c9 uma alegria que d\u00e1 paz mesmo na dor, que j\u00e1 agora nos faz saborear a felicidade que nos espera para sempre. Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, na alegria de vos encontrar, esta \u00e9 a palavra que vim dizer-vos:\u00a0<em>Felizes<\/em>!<\/p>\n<p>Embora Jesus designe felizes os seus disc\u00edpulos, todavia n\u00e3o deixa de surpreender o motivo de cada uma das Bem-aventuran\u00e7as. Neles, vemos uma invers\u00e3o do pensar comum, segundo o qual s\u00e3o felizes os ricos, os poderosos, aqueles que t\u00eam sucesso e s\u00e3o aclamados pela multid\u00e3o. Para Jesus, ao contr\u00e1rio, felizes s\u00e3o os pobres, os mansos, os que permanecem justos, mesmo \u00e0 custa de fazerem m\u00e1 figura, os perseguidos. Quem tem raz\u00e3o: Jesus ou o mundo? Para compreender, vejamos como viveu Jesus: pobre de coisas e rico de amor, curou muitas vidas, mas n\u00e3o poupou a sua. Veio para servir e n\u00e3o para ser servido; ensinou que n\u00e3o \u00e9 grande quem tem, mas quem d\u00e1. Justo e manso, n\u00e3o op\u00f4s resist\u00eancia e deixou-Se condenar injustamente. E, assim, Jesus trouxe o amor de Deus ao mundo. S\u00f3 assim derrotou a morte, o pecado, o medo e o pr\u00f3prio mundanismo: unicamente com a for\u00e7a do amor divino. Pe\u00e7amos hoje, aqui juntos, a gra\u00e7a de voltar a descobrir o encanto de seguir Jesus, de O imitar, de nada mais procurar sen\u00e3o a Ele e seu amor humilde. Com efeito, \u00e9 na comunh\u00e3o com Ele e no amor pelos outros que est\u00e1 o sentido da vida na terra. Acreditais nisto?<\/p>\n<p>Vim tamb\u00e9m para vos agradecer pelo modo como viveis o Evangelho que ouvimos. Diz-se que, entre o Evangelho escrito e o Evangelho vivido h\u00e1 a mesma diferen\u00e7a que existe entre a m\u00fasica escrita e a m\u00fasica tocada. V\u00f3s aqui conheceis a melodia do Evangelho, e viveis o entusiasmo do seu ritmo. Formais um coro que engloba uma variedade de na\u00e7\u00f5es, l\u00ednguas e ritos; uma diversidade que o Esp\u00edrito Santo ama e quer harmonizar cada vez mais para fazer uma sinfonia. Esta jubilosa polifonia da f\u00e9 \u00e9 um testemunho que dais a todos e que edifica a Igreja. Impressionou-me aquilo que uma vez me disse D. Hinder: n\u00e3o s\u00f3 ele se sente vosso Pastor, mas tamb\u00e9m v\u00f3s, com o vosso exemplo, fazeis muitas vezes de pastor para ele. Obrigado por isso!<\/p>\n<p>Mas, viver como \u00abfelizes\u00bb e seguir o caminho de Jesus n\u00e3o significa estar sempre alegres. Quem est\u00e1 aflito, quem padece injusti\u00e7as, quem se prodigaliza como pacificador sabe o que significa sofrer. Com certeza n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, para v\u00f3s, viver longe de casa e talvez sentir, al\u00e9m da falta das afei\u00e7\u00f5es mais queridas, a incerteza do futuro. Mas o Senhor \u00e9 fiel e n\u00e3o abandona os seus. A prop\u00f3sito, pode ajudar-nos um epis\u00f3dio da vida do Abade Santo Ant\u00e3o, o grande iniciador do monaquismo no deserto. Deixara tudo pelo Senhor, e encontrava-se no deserto. Aqui, durante um bom per\u00edodo de tempo, viveu mergulhado numa \u00e1spera luta espiritual que n\u00e3o lhe dava tr\u00e9guas, assaltado por d\u00favidas e obscuridades e ainda pela tenta\u00e7\u00e3o de ceder \u00e0 nostalgia e suspiros pela vida passada. Quando depois de tanto tormento o Senhor o consolou, Santo Ant\u00e3o perguntou-lhe: \u00abOnde est\u00e1veis? Porque n\u00e3o aparecestes antes para me libertar dos sofrimentos?\u00bb Onde estavas?\u00bb. Ent\u00e3o ouviu distintamente a resposta de Jesus: \u00abEu estava aqui, Ant\u00e3o\u00bb (Santo Atan\u00e1sio,\u00a0<em>Vita Antonii<\/em>, 10). O Senhor est\u00e1 perto. Confrontados com a prova\u00e7\u00e3o ou um per\u00edodo dif\u00edcil, pode acontecer de pensar que estamos sozinhos, mesmo depois de ter passado muito tempo com o Senhor; nesses momentos, por\u00e9m, ainda que Ele n\u00e3o intervenha imediatamente, caminha ao nosso lado e, se continuarmos a avan\u00e7ar, o Senhor abrir\u00e1 um caminho novo. Pois Ele \u00e9 especialista em fazer coisas novas, sabe abrir caminhos mesmo no deserto (cf.\u00a0<em>Is<\/em>\u00a043, 19).<\/p>\n<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, gostaria ainda de vos dizer que viver as Bem-aventuran\u00e7as n\u00e3o requer gestos fulgurantes. Olhemos para Jesus: n\u00e3o deixou nada escrito, n\u00e3o construiu nada de imponente. E, quando nos disse como viver, n\u00e3o pediu para erguermos grandes obras ou nos salientarmos realizando feitos extraordin\u00e1rios. Uma \u00fanica obra de arte, poss\u00edvel a todos, nos pediu para realizarmos: a da nossa vida. Ent\u00e3o as Bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o um\u00a0<em>mapa de vida<\/em>: n\u00e3o pedem a\u00e7\u00f5es sobre-humanas, mas a imita\u00e7\u00e3o de Jesus na vida de cada dia. Convidam-nos a manter puro o cora\u00e7\u00e3o, a praticar a mansid\u00e3o e a justi\u00e7a venha o que vier, a ser misericordiosos com todos, a viver a afli\u00e7\u00e3o unidos a Deus. \u00c9 a santidade da vida di\u00e1ria, que n\u00e3o precisa de milagres nem de sinais extraordin\u00e1rios. As Bem-aventuran\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o para super-homens, mas para quem enfrenta os desafios e prova\u00e7\u00f5es de cada dia. Quem as vive \u00e0 maneira de Jesus torna puro o mundo. \u00c9 como uma \u00e1rvore que, mesmo em terra \u00e1rida, diariamente absorve ar polu\u00eddo e restitui oxig\u00e9nio. Fa\u00e7o votos de que sejais assim, bem enraizados em Cristo, em Jesus e prontos a fazer bem a quem est\u00e1 perto de v\u00f3s. Que as vossas comunidades sejam o\u00e1sis de paz.<\/p>\n<p>Por fim, queria deter-me brevemente sobre duas Bem-aventuran\u00e7as. A primeira: \u00abFelizes os mansos\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a05, 5). N\u00e3o \u00e9 feliz quem agride ou subjuga, mas quem mantem o comportamento de Jesus que nos salvou: manso, mesmo diante dos seus acusadores. Gosto de citar S\u00e3o Francisco, quando deu instru\u00e7\u00f5es aos frades sobre o modo como se apresentarem aos sarracenos e n\u00e3o-crist\u00e3os. Escreveu ele: \u00abQue n\u00e3o entrassem em lutas nem disputas, mas se mantivessem sujeitos a toda a criatura humana por amor de Deus e confessassem que eram crist\u00e3os\u00bb (<em>Regola non bollata<\/em>, XVI).\u00a0<em>Nem lutas nem disputas<\/em>: e isso vale tamb\u00e9m para os padres \u2013 nem brigas nem disputas: naquele tempo em que muitos partiam revestidos de pesadas armaduras, S\u00e3o Francisco lembrou que o crist\u00e3o parte armado apenas com a sua f\u00e9 humilde e o seu amor concreto. \u00c9 importante a mansid\u00e3o: se vivermos no mundo \u00e0 maneira de Deus, tornar-nos-emos canais da sua presen\u00e7a; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o daremos fruto.<\/p>\n<p>A segunda Bem-aventuran\u00e7a: \u00abFelizes os pacificadores\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a05, 9). O crist\u00e3o promove a paz, a come\u00e7ar pela comunidade onde vive. No livro do Apocalipse, entre as comunidades a que se dirige o pr\u00f3prio Jesus, acho que h\u00e1 uma parecida com a vossa: a de Filad\u00e9lfia. \u00c9 uma Igreja \u00e0 qual o Senhor \u2013 ao contr\u00e1rio do que sucede com quase todas as outras \u2013 n\u00e3o censura nada. De facto, ela guardou a palavra de Jesus, sem renegar o seu nome, e perseverou (isto \u00e9, caminhou para diante) mesmo nas dificuldades. E h\u00e1 um aspeto importante: o termo Filad\u00e9lfia significa\u00a0<em>amor entre os irm\u00e3os<\/em>; o amor fraterno. Ent\u00e3o uma Igreja que persevera na palavra de Jesus e no amor fraterno \u00e9 agrad\u00e1vel ao Senhor e produz fruto. Para v\u00f3s, pe\u00e7o a gra\u00e7a de preservar a paz, a unidade, de cuidar uns dos outros numa bela fraternidade, onde n\u00e3o haja crist\u00e3os de primeira classe e de segunda.<\/p>\n<p>Jesus, que vos chama \u00abfelizes\u00bb, vos conceda a gra\u00e7a de caminhardes sempre para diante sem vos desencorajar, crescendo no amor \u00abuns para com os outros e para com todos\u00bb (<em>1 Ts<\/em>\u00a03, 12).<\/p>\n<p>Educris|05.02.2019<\/p>\n<p>Imagem: Vatican.va<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 150 mil crist\u00e3os, de v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es participaram, esta manh\u00e3, na eucaristia presidida pelo Papa Francisco no est\u00e1dio\u00a0Zayed, em 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