{"id":3521531009,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11773-festa-de-cristo-rei-venha-senhor-o-teu-reino"},"modified":"2025-11-07T16:33:53","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:53","slug":"festa-de-cristo-rei-venha-senhor-o-teu-reino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/festa-de-cristo-rei-venha-senhor-o-teu-reino\/","title":{"rendered":"Festa de Cristo Rei: \u00abVenha, Senhor, o Teu Reino\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">2 Sm 5,1-3; Sl 122; Cl 1,12-20; Lc 23,35-43<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. A \u00abFesta de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei\u00bb foi institu\u00edda pelo Papa Pio XI, em 11 de Dezembro de 1925, com a Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Quas Primas<\/em>. Os tempos apresentavam-se sombrios e turvos e os c\u00e9us nublados como os de hoje, e Pio XI, homem de a\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 tinha fundado a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica em 1922, instituiu ent\u00e3o esta Festa com o intuito de promover a milit\u00e2ncia cat\u00f3lica e ajudar a sociedade a revestir-se de valores crist\u00e3os. A Festa de Cristo Rei era ent\u00e3o celebrada no \u00faltimo Domingo de Outubro. A reorganiza\u00e7\u00e3o da Liturgia no p\u00f3s Conc\u00edlio passou esta Festa para o \u00faltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, com o t\u00edtulo de \u00abSolenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Antes de mais, o t\u00edtulo de Rei, com que hoje celebramos o \u00fanico Senhor da nossa vida. Pode parecer um t\u00edtulo ultrapassado e com forte conota\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, que poria Jesus ao n\u00edvel dos senhores ricos e poderosos deste mundo. Para n\u00e3o resvalarmos para equ\u00edvocos e terrenos movedi\u00e7os, conv\u00e9m anotar desde j\u00e1 a descri\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio Jesus faz dos Reis: \u00abOs Reis das na\u00e7\u00f5es, diz Jesus, dominam sobre elas\u00bb (Lucas 22,25). E a sua advert\u00eancia: \u00abN\u00e3o seja assim entre v\u00f3s\u00bb (Lucas 22,26). E, todavia, Jesus diz-se Rei, confirmando, neste dom\u00ednio, as suspeitas de Pilatos (Marcos 15,2; Jo\u00e3o 18,37).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Para sabermos o que \u00e9 que Jesus tem em vista quando se afirma como Rei, \u00e9 preciso saber como \u00e9 que a Escritura tra\u00e7a o perfil do Rei. \u00c9 como quem pinta um quadro, ou melhor, dois: um d\u00edptico. No primeiro quadro, o Rei \u00e9 algu\u00e9m muito pr\u00f3ximo de Deus, completamente nas m\u00e3os de Deus, sempre atento \u00e0 sua Palavra, de modo que deve ter, para seu uso pessoal, uma c\u00f3pia da Lei de Deus, feita pela sua pr\u00f3pria m\u00e3o, isto \u00e9, com a sua letra, para n\u00e3o poder dizer que n\u00e3o entende a letra, e deve l\u00ea-la todos os dias, nada fazendo por sua conta, mas sempre e s\u00f3 de acordo com a Palavra de Deus (Deuteron\u00f3mio 17,18-19). No segundo quadro, que completa o primeiro, formando um d\u00edptico, o Rei \u00e9 algu\u00e9m muito pr\u00f3ximo do seu povo, sempre atento ao seu povo, em ordem a poder levar-lhe a prosperidade, o bem-estar, a sa\u00fade, a paz, a alegria, a felicidade, a salva\u00e7\u00e3o. A\u00ed est\u00e1, ent\u00e3o, o retrato completo de Jesus Cristo como Rei: sempre pertinho de Deus, sempre pertinho de n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Tanta e quase indescrit\u00edvel riqueza a de um Deus, sentado no seu trono de Luz, mas que Vem, como um Filho do Homem, com o dom\u00ednio novo, fr\u00e1gil e forte, do Amor: \u00abAquele que nos ama\u00bb (Apocalipse 1,5). Da li\u00e7\u00e3o do Livro de Daniel 7,13-14 e respetivo contexto, v\u00ea-se bem que todos os nossos imp\u00e9rios prepotentes e ferozes, por mais fortes que pare\u00e7am, caem face \u00e0 do\u00e7ura da Palavra do Filho do Homem, que dissolve no Amor as nossas raivas e viol\u00eancias, manifesta\u00e7\u00f5es das bestas que nos habitam. O Filho do Homem vence, sem combater, este combate. \u00c9 assim que caem as quatro bestas ferozes que sobem do mar (Daniel 7), ele mesmo s\u00edmbolo da confus\u00e3o e do mal, que deixar\u00e1 naturalmente de existir (Apocalipse 21,1).<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O dom\u00ednio do Filho do Homem que nos ama, o dom\u00ednio do Amor \u00e9 Primeiro e \u00daltimo (Apocalipse 1,8). Entre o Primeiro e o \u00daltimo instala-se o pen\u00faltimo, que \u00e9 o dom\u00ednio velho e podre da viol\u00eancia das bestas ferozes que nos habitam. O Bem \u00e9 de sempre e \u00e9 para sempre. \u00c9 Primeiro e \u00e9 \u00daltimo. O Bem n\u00e3o come\u00e7ou, portanto. O que come\u00e7ou foi o mal que se foi insinuando nas pregas do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Mas o que come\u00e7a, tamb\u00e9m acaba. Os imp\u00e9rios da nossa viol\u00eancia, malvadez e estupidez caem, imagine-se, vencidos por um Amor que \u00e9 desde sempre e para sempre, e que vence, sem combater, a nossa tirania e prepot\u00eancia!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Entenda-se bem que tem de ser sem combater. Porque, se combatesse, usaria os nossos m\u00e9todos, e apenas aumentaria a viol\u00eancia. \u00c9 assim que Jesus atravessa as p\u00e1ginas dos Evangelhos e da nossa hist\u00f3ria, entregando-se por Amor \u00e0 nossa viol\u00eancia, abra\u00e7ando-a, e, portanto, dissolvendo-a e absorvendo-a, e \u00e9 s\u00f3 assim que a absolve. \u00c9 assim que o Amor Reina, Salva, Justifica, Perdoa e Recria. Os Chefes dos Judeus, os Soldados e Pilatos representam os imp\u00e9rios envelhecidos, podres e caducos da nossa viol\u00eancia e estupidez. O Reino do Filho do Homem n\u00e3o pode, na verdade, ser daqui (Jo\u00e3o 18,33-37). Se fosse daqui, apenas aumentaria a espiral da mentira e da viol\u00eancia. \u00c9 de Amor novo e subversivo que se trata.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. A\u00ed est\u00e1 a p\u00e1gina divina deste \u00daltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo: Lucas 23,35-43. Texto espantoso. \u00c9 preciso vir um pouco atr\u00e1s buscar o fio de sentido deste imenso texto. Diz, na verdade, Lucas 23,32 que \u00abEram conduzidos tamb\u00e9m\u00a0<em>com Ele outros dois malfeitores<\/em>\u00a0para serem executados\u00bb. Sim, o texto diz, com espantosa precis\u00e3o teol\u00f3gica, \u00ab<em>outros dois malfeitores<\/em>\u00bb. Ao dizer \u00ab<em>outros dois malfeitores<\/em>\u00bb, o texto est\u00e1 a dizer que Jesus, o Justo, \u00e9 tamb\u00e9m um malfeitor! A\u00ed est\u00e1 o Livro a abrir-se perante os nossos olhos at\u00f3nitos! O quarto Canto do Servo do Senhor j\u00e1 dizia que o Servo Justo \u00ab<em>Foi contado entre os malfeitores<\/em>\u00bb (Isa\u00edas 53,12). Sim, Ele \u00e9 um de n\u00f3s! N\u00e3o passa ao nosso lado ou por cima de n\u00f3s, mas desce ao nosso ch\u00e3o, abra\u00e7a-nos e absorve os nossos males.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Ouve-se depois um tema por tr\u00eas vezes repetido e martelado: \u00abSalva-te a ti mesmo!\u00bb (Lucas 23,35.37.39), na boca dos chefes, dos soldados, de um dos malfeitores. Os chefes veem um falso deus, os soldados um falso rei, o malfeitor um falso messias. Tudo \u00eddolos que vamos usando a nosso bel-prazer, sem sequer repararmos nisso. O outro malfeitor \u00e9 o primeiro te\u00f3logo da Cruz. N\u00e3o interroga aquela Cruz; deixa-se interrogar por ela. E avan\u00e7a um pedido imenso: \u00abJesus, lembra-te de mim quando vieres com o teu Reino!\u00bb (Lucas 23,42). De notar que estas palavras imensas, que dev\u00edamos repetir muitas vezes, s\u00e3o cantadas pelo povo no momento da Comunh\u00e3o, no Rito grego. E Jesus responde, para imenso espanto nosso: \u00ab<em>Hoje<\/em>\u00a0estar\u00e1s comigo no para\u00edso\u00bb (Lucas 23,43). Aos sarc\u00e1sticos interrogadores da Cruz, Jesus n\u00e3o deu qualquer resposta. Mas a este pedido, respondeu. Este\u00a0<em>Hoje<\/em>\u00a0entala-nos no tempo, sendo uma permanente provoca\u00e7\u00e3o que nos faz o Evangelho de Lucas. Este \u00e9 o oitavo e \u00faltimo\u00a0<em>Hoje<\/em>\u00a0que encontramos neste Evangelho. Eis a sequ\u00eancia: Lucas 2,11; 4,21; 5,26; 19,5; 19,9; 22,34; 22,61; 23,43.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Vale a pena, neste momento, dar a palavra a um dos grandes pregadores dos primeiros s\u00e9culos crist\u00e3os, S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo (349-407). Disse ele: \u00abEste ladr\u00e3o roubou o para\u00edso. Ningu\u00e9m antes dele ouviu uma promessa semelhante: nem Abra\u00e3o nem Isaac nem Jacob nem Mois\u00e9s nem os profetas nem os ap\u00f3stolos. O ladr\u00e3o entrou \u00e0 frente deles todos. Mas tamb\u00e9m a sua f\u00e9 ultrapassou a deles. Ele viu Jesus atormentado, e adorou-o como se estivesse na gl\u00f3ria. Viu-o pregado a uma cruz, e suplicou-lhe como se o tivesse visto no trono. Viu-o condenado, e pediu-lhe uma gra\u00e7a como se faz a um rei. \u00d3 admir\u00e1vel malfeitor! Viste um homem crucificado, e proclamaste-o Deus!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Entenda-se ainda que este tempo escandaloso da Cruz \u00e9 o tempo da Gra\u00e7a deixado em suspenso em Lucas 4,13b, no final do grande texto das tenta\u00e7\u00f5es de Jesus na sua condi\u00e7\u00e3o filial, batismal, em que o diabo, tamb\u00e9m por tr\u00eas vezes, ia dizendo: \u00abSe \u00e9s o Filho de Deus\u2026\u00bb. O narrador termina o epis\u00f3dio, dizendo que \u00abo diabo se afastou dele at\u00e9 ao\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, o tempo estabelecido\u00bb por Deus. Sem equ\u00edvocos agora: o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>\u00a0de Deus, a torrente da Palavra de Deus que solicita a nossa resposta, e a torna imperiosa, sob pena de afogamento, \u00e9 a Cruz!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Entenda-se melhor. Um \u00abmalfeitor\u00bb \u00e9 algu\u00e9m cuja profiss\u00e3o \u00e9, como o nome diz, \u00abfazer o mal\u00bb. Uma sociedade em que o usual \u00e9 \u00abfazer o mal\u00bb \u00e9 uma sociedade violenta. E numa sociedade assente sobre a viol\u00eancia, a alternativa \u00e9: vencer ou ser vencido, matar ou ser morto. Neste tipo de sociedade, todos n\u00f3s escolhemos preventivamente a primeira op\u00e7\u00e3o. Nem sequer ser\u00e1 por mal, mas para nos salvarmos a n\u00f3s mesmos, cada um de n\u00f3s faz preventivamente o mal que pode: o ladr\u00e3o e o banqueiro, o comerciante e o oper\u00e1rio, o m\u00e9dico e o barbeiro, o patr\u00e3o e o empregado, o padre e o assaltante, o benfeitor e o delinquente. Cada um, com os meios que tem, pensa e p\u00f5e em primeiro lugar o seu caso particular. Mas vai saltando \u00e0 vista que, se Jesus seguisse a nossa l\u00f3gica de se salvar a si mesmo, n\u00e3o nos salvaria a n\u00f3s, porque teria, n\u00e3o de assumir, abra\u00e7ar, sorver e sofrer a nossa viol\u00eancia e o nosso pecado, mas de se ver livre de n\u00f3s!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Vem, Senhor Jesus! Ilumina com a tua Luz nova as trevas, as pregas e as pedras da cal\u00e7ada do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Reina sobre n\u00f3s, Salva-nos, Justifica-nos, Perdoa-nos, Recria-nos. Faz-nos outra vez \u00e0 tua Imagem. Dissolve a besta brava que h\u00e1 em n\u00f3s e que, \u00e0 imagem de Caim, n\u00e3o fala, mas trucida e come o outro (G\u00e9nesis 4,8). Bem visto por Judas na sua pequena Carta, infelizmente pouco lida e meditada: \u00abAqueles que seguem o caminho de Caim s\u00e3o como animais sem palavra\u00bb (Judas 10-11).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. \u00abJesus, lembra-te de mim quando vieres com o teu Reino\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">14. Ilumina o Evangelho de hoje a p\u00e1gina de 2 Samuel 5,1-3. Depois de ter sido ungido Rei no Hebron sobre Jud\u00e1, pelos homens de Jud\u00e1 (2 Samuel 2,4), David \u00e9 agora ungido Rei tamb\u00e9m sobre Israel, pelos anci\u00e3os de Israel que, para o efeito, se deslocam ao Hebron (2 Samuel 5,3). N\u00e3o sem que antes o tenham reconhecido como membro da sua fam\u00edlia: \u00abV\u00ea! N\u00f3s somos teus ossos e tua carne\u00bb (v. 1), e tenham lembrado que era des\u00edgnio de Deus que ele reinasse sobre Israel e sobre Jud\u00e1 (v. 2; cf. 2 Samuel 3,10). Tudo isto tem a ver com Cristo. Antes de mais, \u00e9 o novo David, que re\u00fane todo o povo e sobre ele Reina. Mas, para isso, fez-se tamb\u00e9m igual a n\u00f3s, \u00e9 membro da nossa fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">15. Temos Hoje tamb\u00e9m a gra\u00e7a de poder escutar um antigo hino sobre o primado de Jesus, provavelmente de l\u00edngua aramaica, que Paulo incrustou na sua Carta aos Colossenses (1,15-20), mas que tem como pr\u00f3logo os v. 12-14, a inteireza da li\u00e7\u00e3o de Hoje. O hino \u00e9 belo, teol\u00f3gico, denso, produzido com rima e metro, como \u00e9 normal nos hinos antigos. Tudo come\u00e7a com o convite \u00e0 a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, isto \u00e9, a fazer eucaristia ao Pai por nos ter dado a heran\u00e7a dos santos na luz (v. 12), arrancando-nos do poder das trevas, e transportando-nos para o Reino do \u00abFilho do seu amor\u00bb (<em>hyi\u00f3s t\u00eas ag\u00e1p\u00eas auto\u00fb<\/em>) (v. 13), em quem temos a reden\u00e7\u00e3o, a remiss\u00e3o dos pecados (v. 14). Este Filho do seu amor \u00e9 Jesus Cristo, \u00abImagem (<em>eik\u00f4n<\/em>) do Deus invis\u00edvel\u00bb, \u00abPrimog\u00e9nito (<em>pr\u00f4t\u00f3tokos<\/em>) de toda a criatura\u00bb (v. 15) e tamb\u00e9m \u00abPrimog\u00e9nito dos mortos\u00bb e \u00abCabe\u00e7a do corpo que \u00e9 a Igreja\u00bb (v. 18). E \u00e9 \u00abn\u2019Ele\u00bb (<em>en aut\u00f4<\/em>), \u00abatrav\u00e9s d\u2019Ele\u00bb (<em>di\u2019 auto\u00fb<\/em>) e \u00abpara Ele\u00bb (<em>eis aut\u00f3n<\/em>) que tudo foi criado (v. 16). Ele, o Senhor Jesus, \u00e9 absolutamente o centro de tudo e o primeiro em tudo, desde a cria\u00e7\u00e3o, \u00e0 propicia\u00e7\u00e3o pelo sangue da sua Cruz (v. 20), \u00e0 vida da Igreja, \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 sempre n\u2019Ele e atrav\u00e9s d\u2019Ele e para Ele, que tudo quanto existe encontra o seu caminho, sentido, enlevo (<em>eudok\u00eda<\/em>) e plenitude (<em>pl\u00ear\u00f4ma<\/em>).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">16. Enfim, ressoa Hoje a voz do Salmo 122, um bel\u00edssimo C\u00e2ntico de Si\u00e3o, sobrecarregado de uma alegria elementar e de uma emo\u00e7\u00e3o visceral e instintiva. Desdobra-se em tr\u00eas vagas: a primeira, v. 1-2), re\u00fane a alegria incontida da partida e a emo\u00e7\u00e3o intensa da chegada; a segunda, v. 3-5, entoa o louvor de Si\u00e3o, passeia os olhos pela bela arquitetura dos seus edif\u00edcios, mas sobretudo v\u00ea Jerusal\u00e9m como polo de atra\u00e7\u00e3o e de uni\u00e3o das tribos para louvar a pessoa (o Nome) de Deus no seu Templo; a terceira, v. 6-9, estende uma toalha branca de paz (<em>shal\u00f4m<\/em>), tr\u00eas vezes dita, como v\u00ea os seus quatro \u00e2ngulos, sobre a mais bela cidade, Jerusal\u00e9m,\u00a0<em>yer\u00fbshalaim<\/em>, popularmente interpretada como \u00abcidade da paz (<em>shal\u00f4m<\/em>)\u00bb, ainda que o seu nome signifique \u00ab<em>Shalem<\/em>\u00a0a edificou\u00bb, com refer\u00eancia a um deus dos antigos habitantes cananeus. Pouco importa. Ela \u00e9 a Casa em que entram felizes e emocionados os filhos de Deus, e experimentam a alegria da fraternidade, p\u00f5em a mesa e estendem a toalha branca da paz (<em>shal\u00f4m<\/em>) e do bem (<em>t\u00f4b<\/em>), com que franciscanamente se sa\u00fadam!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2 Sm 5,1-3; Sl 122; Cl 1,12-20; Lc 23,35-43 1. 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