{"id":3533065388,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7083-xii-domingo-do-tempo-comum-nao-tenhais-medo"},"modified":"2025-11-07T16:33:03","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:03","slug":"xii-domingo-do-tempo-comum-nao-tenhais-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/xii-domingo-do-tempo-comum-nao-tenhais-medo\/","title":{"rendered":"XII Domingo do Tempo Comum: \u00abN\u00e3o tenhais medo!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Continuamos a escutar, neste Domingo XII do Tempo Comum, o Discurso Mission\u00e1rio de Jesus no Evangelho de Mateus, hoje Mateus 10,26-33. Omitiu-se Mateus 10,9-25, em que Jesus fazia aos seus Doze Ap\u00f3stolos apelos ao despojamento radical \u2013 sem ouro, nem prata, nem cobre, nem alforge, nem duas t\u00fanicas, nem sand\u00e1lias, nem cajado, nem p\u00e3o; apenas Paz \u2013 e os prevenia para as persegui\u00e7\u00f5es que viriam de toda a parte. Neste contexto, \u00e9 importante que n\u00e3o nos precipitemos a expor as nossas raz\u00f5es, que nada valem, mas que saibamos dar lugar ao Esp\u00edrito do nosso Pai. Ele \u00e9 que sabe dizer a Paz do Evangelho.<\/p>\n<p>2. A per\u00edcope de hoje est\u00e1 atravessada pela confian\u00e7a em Deus, nosso Pai, que cuida de n\u00f3s em todas as circunst\u00e2ncias. Da\u00ed a locu\u00e7\u00e3o \u00abn\u00e3o tenhais medo!\u00bb, verbo grego\u00a0<em>phob\u00e9omai<\/em>, que soa no pequeno texto de hoje por tr\u00eas vezes (Mateus 10,26.28.31). Da\u00ed, a coragem serena que deve mover o disc\u00edpulo e enviado de Jesus a falar claro, \u00e0 luz do dia ou sobre os telhados, em todas as circunst\u00e2ncias. De resto, \u00e9 \u00f3bvio que sendo o disc\u00edpulo de Jesus mission\u00e1rio, n\u00e3o pode viver escondido nas catacumbas ou amuralhado no seu grupo de perten\u00e7a ou de conforto. O crist\u00e3o tem sempre pela frente o risco do mundo e da vida.<\/p>\n<p>3. Depois, para ilustrar as suas palavras, surge o recurso caracter\u00edstico de Jesus \u00e0s imagens simples da vida campestre. Dois passarinhos s\u00e3o vendidos por um asse, uma moedinha de cobre, pequenina, que valia 1\/16 avos de um den\u00e1rio. O den\u00e1rio era o equivalente ao sal\u00e1rio de um dia de um trabalhador. Portanto, do menor para o maior, \u00e0 boa maneira rab\u00ednica, se Deus, nosso Pai, cuida desses passarinhos, pequeninos, quanto mais far\u00e1 sentir a sua provid\u00eancia sobre n\u00f3s (Mateus 10,29-31).<\/p>\n<p>4. \u00c9 assim tamb\u00e9m que, em pura sintonia com o Evangelho, entre a persegui\u00e7\u00e3o de todos e o amor de Deus que tudo supera e vence, nos chega hoje a voz simultaneamente dorida e tranquila, mas sempre apaixonada e orante de Jeremias 20,10-13. \u00c9 um extrato de uma das suas \u00abconfiss\u00f5es\u00bb, que se podem ver em Jeremias 11,18-12,6; 15,10-21; 17,12-18; 18,18-23; 20,7-18, e que s\u00e3o uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio interior, autobiogr\u00e1fico, em que o profeta de Anat\u00f4t, uma aldeiazinha situada a meia-d\u00fazia de km a nordeste de Jerusal\u00e9m, grita a Deus as dores e os amores da sua vida. Jeremias atravessou o per\u00edodo mais dram\u00e1tico da hist\u00f3ria do seu pa\u00eds, vendo primeiro, em 609, morrer tragicamente o justo rei Josias, subir ao trono o tirano rei Joaquim (609-597), assiste \u00e0s duas entradas do babil\u00f3nio Nabucodonosor em Jerusal\u00e9m, em 597 e 587, sendo a segunda para arrasar Jerusal\u00e9m e o Templo, deportar o rei Sedecias e p\u00f4r fim \u00e0 na\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1. No meio de tudo isto, muita corrup\u00e7\u00e3o, muita viol\u00eancia, muitos interesses em jogo.<\/p>\n<p>5. Jeremias \u00e9 dotado de uma sensibilidade apurad\u00edssima. Ele \u00e9, com certeza, o mais terno dos homens da B\u00edblia, um rom\u00e2ntico afei\u00e7oado ao seu pa\u00eds, \u00e0 sua religi\u00e3o e ao seu Deus, \u00e0 sua aldeia natal de Anat\u00f4t, aos afetos e ao amor. Todavia, por n\u00e3o poder calar o que tem de dizer, por n\u00e3o poder fugir de Deus e da sua Palavra, v\u00ea-se excomungado, perseguido pelos seus conterr\u00e2neos de Anat\u00f4t, denunciado por parentes e amigos, obrigado a n\u00e3o poder constituir fam\u00edlia com a mulher amada (Jeremias 16,2). Por todos amaldi\u00e7oado (Jeremias 15,10), perseguido pelo poder, torturado e flagelado (Jeremias 20,1-6), preso (Jeremias 37,13-38,6) e exilado para o Egipto (Jeremias 43,6-7), Jeremias continuou sempre a gritar a Palavra a arder que lhe chegava de Deus (Jeremias 15,16; 20,9). Jeremias articula muito bem, na sua vida, tal como Jesus e os seus disc\u00edpulos de todos os tempos, miss\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>6. Por falar em miss\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a, a\u00ed est\u00e1 o Ap\u00f3stolo. S. Paulo explica bem, na grande Carta aos Romanos (5,12-15), que a Lei n\u00e3o anula o pecado nem cura da morte. Antes, torna o pecado manifesto, pois a Lei \u00e9 uma esp\u00e9cie de dique que aumenta a albufeira do pecado, e, portanto, o vau da morte. \u00c9 assim que se pode ver depois, com todo o relevo e a toda a luz, a gra\u00e7a de Cristo Salvador. Foi quanto Paulo foi for\u00e7ado a ver na estrada de Damasco. Tanto viu que ficou encandeado, e nunca mais viu como via antes.<\/p>\n<p>7. O Salmo 69, que \u00e9 uma s\u00faplica individual, continua a mostrar, com linguagem forte, como \u00e9 habitual nos Salmos, figuras orantes e cheias de esperan\u00e7a, como Jeremias, por todos perseguidas e abandonadas, mas sempre com Deus por perto, que escuta as s\u00faplicas e o louvor dos pobres e humildes. O trono de Deus s\u00e3o as nossas mis\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Sabes, meu irm\u00e3o, que em Anat\u00f4t,<\/p>\n<p>H\u00e1 uma amendoeira em flor carregada de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Sim, em Anat\u00f4t, de Anat\u00f4t, a amendoeira levanta-se<\/p>\n<p>E planta-se no teu cora\u00e7\u00e3o r\u00f3seo-branco de crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Sim, em Anat\u00f4t, Foz Coa, Kilimanjaro, Lamego,<\/p>\n<p>A\u00ed mesmo no ch\u00e3o do teu cora\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Tanto faz, minha irm\u00e3, meu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Sai dessa reclus\u00e3o<\/p>\n<p>E vem expor-te<\/p>\n<p>A este vendaval manso de gra\u00e7a e de perd\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A amendoeira em flor \u00e9 uma toalha branca estendida pelo ch\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o pela minha m\u00e3o,<\/p>\n<p>Incapaz de tecer um tal manto de brancura,<\/p>\n<p>Mas pela m\u00e3o de Deus,<\/p>\n<p>Que tamb\u00e9m faz brotar o vinho e o p\u00e3o<\/p>\n<p>E a ternura<\/p>\n<p>No nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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