{"id":355852423,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/7828-domingo-v-da-quaresma-o-mundo-veio-atras-dele"},"modified":"2025-11-07T16:34:15","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:15","slug":"domingo-v-da-quaresma-o-mundo-veio-atras-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-v-da-quaresma-o-mundo-veio-atras-dele\/","title":{"rendered":"Domingo V da Quaresma: \u00abO Mundo veio atr\u00e1s Dele!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. A \u00abcaminhada\u00bb quaresmal aproxima?se da sua meta e do seu verdadeiro ponto de partida: a Cruz Gloriosa, onde resplandece para sempre o Rosto do imenso, indiz\u00edvel amor de Deus por n\u00f3s. Nesta\u00a0<em>altura<\/em>do percurso (sup\u00f5e?se que encet\u00e1mos uma subida \u00abespiritual\u00bb: entenda?se no Esp\u00edrito Santo e com o Esp\u00edrito Santo), batizados e catec\u00famenos devem estar j\u00e1 a ser Iluminados por essa Luz, a ponto de se desfazerem das \u00abobras das trevas\u00bb e de abra\u00e7arem as \u00abobras da luz\u00bb, como verdadeiros disc\u00edpulos que seguem o Mestre at\u00e9 ao fim, que \u00e9 tamb\u00e9m o princ\u00edpio, a Fonte da Vida verdadeira donde jorra o Esp\u00edrito Santo (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30 e 34; 7,38-39). Os catec\u00famenos t\u00eam neste Domingo V da Quaresma os seus terceiros \u00abescru\u00adt\u00ednios\u00bb: \u00faltima \u00abchamada\u00bb para a Liberdade antes da Noite Pascal Batismal.<\/p>\n<p>2. O Evangelho deste Domingo V da Quaresma (Jo\u00e3o 12,20-33) apresenta-nos o \u00faltimo discurso e a \u00faltima apari\u00e7\u00e3o de Jesus em p\u00fablico, aos olhos da \u00abmulti\u00add\u00e3o\u00bb (Jo\u00e3o 12,29 e 34), antes da narrativa da Ceia e da Paix\u00e3o. Pouco depois, o evangelista diz?nos que \u00abJesus se retirou e\u00a0<em>se escondeu<\/em>\u00a0deles\u00bb (Jo\u00e3o 12,36). A n\u00f3s, por\u00e9m, foi?nos dado conhecer o Mist\u00e9rio deste\u00a0<em>escondimento<\/em>, que o n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o para se vir a\u00a0<em>manifestar<\/em>(leia\u00ad?se de novo inteligentemente o\u00a0<em>l\u00f3gion<\/em>\u00a0de Jesus no Evange\u00adlho de Marcos: \u00abnada est\u00e1\u00a0<em>escondido<\/em>\u00a0que n\u00e3o seja para\u00a0<em>se manifestar<\/em>\u00bb (Marcos 4,22), e que esclarece o Mist\u00e9rio da Luz-que-vem (!), que \u00e9 Ele, no vers\u00edculo anterior). Em boa verdade, este Jesus que agora\u00a0<em>se esconde<\/em>\u00a0da multid\u00e3o\u00a0<em>manifestar-se-\u00e1<\/em>\u00a0definitivamente, aos olhos de todos (tamb\u00e9m aos nossos!), na Cruz Gloriosa, \u00faltimo e \u00fanico sinal dado (por Deus) a esta gera\u00e7\u00e3o (Mateus 12,39?40; 1 Cor\u00edntios 1,20?24): \u00ab<em>olhar\u00e3o<\/em>\u00a0para aquele que trespassaram\u00bb (Jo\u00e3o 19,37).<\/p>\n<p>3. \u00c9 neste contexto que \u00abuns gregos\u00bb (Jo\u00e3o 12,20) querem\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0(<em>ide\u00een<\/em>) Jesus (Jo\u00e3o 12,21). S\u00e3o gregos de nascimento (<em>hell\u00eanes<\/em>), mas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o pag\u00e3os. S\u00e3o pros\u00e9litos ou \u00abtementes a Deus\u00bb, que receberam o dom do \u00abtemor de Deus\u00bb (cf. At 10,2.22.35; 13,16.26), e se converteram dos \u00eddolos ao Deus \u00fanico, aderindo ao monote\u00edsmo de Israel e \u00e0 pr\u00e1tica dos mandamentos. T\u00e3o-pouco s\u00e3o os chamados \u00abhelenistas\u00bb (<em>hell\u00eanistai<\/em>), hebreus na di\u00e1spora, que falavam a l\u00edngua grega e tinham aderido \u00e0 cultura grega. Note-se, desde j\u00e1, o verdadeiro alcance deste desejo de\u00a0<em>ver<\/em>, formulado com o verbo\u00a0<em>ide\u00een<\/em>. De\u00a0<em>ide\u00een<\/em>\u00a0deriva, em portugu\u00eas, ideia e identidade. A formula\u00e7\u00e3o deste\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0com o verbo\u00a0<em>ide\u00een<\/em>\u00a0implica, portanto, que aqueles gregos n\u00e3o s\u00e3o movidos por mera curiosidade, n\u00e3o pretendem ver apenas Jesus por fora, isto \u00e9, ver o aspeto ou o rosto de Jesus. Eles pretendem ver a identidade de Jesus, ou seja, pretendem\u00a0<em>ver quem<\/em>\u00a0\u00e9 Jesus. Ora,\u00a0<em>ver quem<\/em>\u00a0\u00e9 Jesus n\u00e3o se resolve em cinco minutos, num simples relance de olhos. Implica uma longa e intensa conviv\u00eancia com Jesus.<\/p>\n<p>4. Comunicam este seu desejo a Filipe, o qual, por sua vez, o comunica a Andr\u00e9. Filipe e Andr\u00e9 s\u00e3o conterr\u00e2neos, naturais de\u00a0<em>Betsaida Julia<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 1,44), situada nos confins da Galileia e no limiar do mundo hel\u00e9nico, e s\u00e3o os dois \u00fanicos Ap\u00f3stolos com nome claramente grego. Contam-se tamb\u00e9m entre os primeiros disc\u00edpulos que, querendo saber quem era Jesus, se dirigiram a Ele, e que logo comunicaram a sua experi\u00eancia a outros, e os conduziram a Jesus (cf. Jo\u00e3o 1,35-46). Pelos vistos, n\u00e3o se cansaram nem esqueceram esse jeito de fazer, e \u00e9 assim que os vemos no epis\u00f3dio de hoje a desempenhar com dilig\u00eancia o seu papel de fazer de ponte entre a humanidade e Jesus. Os dois levam a mensagem a Je\u00adsus (Jo\u00e3o 12,22). E Jesus marca a hora da entrevista: desde agora e pa\u00adra sempre. \u00c9 este o sentido do\u00a0<em>a hora veio<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 12,23).\u00a0<em>Veio<\/em>\u00a0(<em>el\u00ealuthen<\/em>: perf<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>\u00e9rchomai<\/em>) e fica para sempre: assim o indica o\u00a0<em>perfeito<\/em>\u00a0usado no texto grego. Esta\u00a0<em>hora que veio<\/em>\u00a0\u00e9 a hora da morte, ressurrei\u00e7\u00e3o, glorifica\u00e7\u00e3o (um \u00fanico acontecimento), \u00e9 a hora da Cruz Gloriosa, \u00faltimo e \u00fanico sinal dado (por Deus) a \u00abjudeus\u00bb e a \u00abgregos\u00bb, portanto, a todos. A entrevista come\u00e7ou e n\u00e3o termina mais, pois o futuro anunciado do disc\u00edpulo \u00e9 o presente do Mestre, a Gl\u00f3ria celestial em que est\u00e1: \u00abonde eu\u00a0<em>estou<\/em>\u00a0(<em>eim\u00ed<\/em>), a\u00ed\u00a0<em>estar\u00e1<\/em>\u00a0(<em>\u00e9stai<\/em>) tamb\u00e9m o meu servo\u00bb (Jo\u00e3o 12,26).<\/p>\n<p>5. Para o leitor atento do IV Evangelho, esta\u00a0<em>hora<\/em>\u00a0(<em>h\u00f4ra<\/em>) de Jesus de h\u00e1 muito era esperada, dado que, em epis\u00f3dios sucessivos, Jesus e o narrador v\u00e3o orientando para ela o olhar dos seus disc\u00edpulos. Acontece logo nas bodas de Can\u00e1, quando Jesus diz: \u00abainda n\u00e3o chegou a minha\u00a0<em>hora<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 2,4). E, em Jerusal\u00e9m, no decurso da Festa das Tendas, o narrador informa-nos por duas vezes que os judeus bem queriam prend\u00ea-lo, mas n\u00e3o o fazem \u00abporque ainda n\u00e3o tinha chegado a sua\u00a0<em>hora<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 7,30; 8,20). Sempre durante a Festa das Tendas, o pr\u00f3prio Jesus enche esta\u00a0<em>hora<\/em>\u00a0com conte\u00fado novo e significativo, quando diz: \u00abO meu tempo (<em>kair\u00f3s<\/em>) ainda n\u00e3o chegou\u00bb (Jo\u00e3o 7,6).\u00a0<em>Kair\u00f3s<\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9 o mero tempo cronol\u00f3gico, mas o tempo gr\u00e1vido, verdadeira enchente da Palavra de Deus e da nossa resposta, at\u00e9 transbordar. Sem Deus e a sua Palavra primeira e criadora, que est\u00e1 antes das coisas e do homem, que faz acontecer as coisas e o homem, n\u00e3o h\u00e1\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>\u00a0nem\u00a0<em>chr\u00f3nos<\/em>.\u00a0<em>Chr\u00f3nos<\/em>\u00a0\u00e9 o segmento de tempo que nos \u00e9 dado viver.\u00a0<em>Kair\u00f3s<\/em>\u00a0\u00e9 este segmento de tempo com relevo, o tempo gr\u00e1vido de beleza e de amor, que requer de n\u00f3s a adequada resposta \u00e0 Palavra primeira e criadora de Deus.<\/p>\n<p>6. A\u00ed est\u00e1 a inaudita hist\u00f3ria nova do gr\u00e3o de trigo: \u00abSe o gr\u00e3o de trigo, ca\u00eddo na terra, n\u00e3o morrer, fica s\u00f3; mas se morrer, produz (<em>ph\u00e9r\u00f4<\/em>) muito fruto\u00bb (Jo\u00e3o 12,24). \u00c9 f\u00e1cil ver neste \u00fanico gr\u00e3o de trigo, e neste gr\u00e3o de trigo \u00fanico, e na sua hist\u00f3ria de produ\u00e7\u00e3o nova e incalcul\u00e1vel, o pr\u00f3prio Jesus. Sim, esta \u00e9 a sua hist\u00f3ria, mas v\u00ea-se tamb\u00e9m, olhando em contraluz o gr\u00e3o de trigo e o seu percurso, a inteira hist\u00f3ria humana, em que do abaixamento, do sangue inocente, da humildade e da humilha\u00e7\u00e3o, brota sempre vida nova. Paradoxal: a morte a produzir fruto abundante. O v. 25, logo a seguir, esclarece e amplia este paradoxo, com Jesus a dizer bem alto: \u00abquem se agarra \u00e0 sua vida, perde-a\u00bb. Portanto, \u00e9 for\u00e7oso que o disc\u00edpulo de Jesus olhe para o ch\u00e3o, e aprenda a li\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o de trigo semeado. Mas \u00e9 igualmente necess\u00e1rio, e em simult\u00e2neo, olhar para o c\u00e9u, para o alto, para o cume, para a Cruz, para poder ser, por gra\u00e7a,\u00a0<em>arrastado<\/em>\u00a0por Jesus (v. 32). S\u00f3 assim se pode perceber e receber a vida eterna, a vida divina. Fora deste paradigma, nada. Apenas agarrar-se a esta vida e \u00abreceber gl\u00f3ria uns dos outros\u00bb (Jo\u00e3o 5,44).<\/p>\n<p>7. Aquele \u00abveio a hora\u00bb enche o tempo, leva-o e eleva-o \u00e0 sua plenitude, e v\u00ea-se toda a latitude aberta diante dos nossos olhos at\u00f3nitos. \u00c9 a hora da Cruz Gloriosa, avenida para sempre aberta entre Deus e n\u00f3s. Gra\u00e7a a transbordar. Tempo novo. \u00c9 importante acentuar que s\u00e3o \u00abuns gregos\u00bb, tamb\u00e9m os gregos, que querem\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0Jesus (Jo\u00e3o 12,20-21). Cen\u00e1rio grandioso, muito para al\u00e9m do imaginado, mas que mostra bem a largueza da ambi\u00eancia desta\u00a0<em>hora<\/em>\u00a0e da audi\u00eancia que segue Jesus para escutar esta cena alt\u00edssima da Revela\u00e7\u00e3o de Jesus acerca da chegada da sua\u00a0<em>hora<\/em>, que \u00e9 a Cruz Gloriosa. Jesus terminar\u00e1 a suprema Revela\u00e7\u00e3o desta\u00a0<em>hora<\/em>, dizendo: \u00abQuando eu for\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0da terra,\u00a0<em>arrastarei<\/em>(<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>)\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0a mim\u00bb (Jo\u00e3o 12,32). E os pr\u00f3prios fariseus tinham confessado imediatamente antes do in\u00edcio do nosso texto: \u00abO mundo (<em>ho k\u00f3smos<\/em>) veio atr\u00e1s dele (<em>op\u00eds\u00f4 auto\u00fb<\/em>)!\u00bb (Jo\u00e3o 12,19).<\/p>\n<p>8. Para fazer acorde musical com o imenso texto do Evangelho de hoje, a\u00ed est\u00e1 a escolha perfeita: a \u00abalian\u00e7a nova\u00bb de Jeremias 31,31-34. \u00c9 a alian\u00e7a nova prometida para os \u00faltimos tempos, e realizada neste Jesus que Deus ressus\u00adcitou, o qual \u00abrecebeu do Pai o Esp\u00edrito Santo prometido e o derramou\u00bb (Atos 2,32?33). Este Jesus \u00e9, portanto, a \u00fani\u00adca Fonte do Esp\u00edrito Santo, a Vida nova de Deus nos nossos cora\u00e7\u00f5es (Romanos 2,29; 5,5; 7,6; 8,14?27; 2 Cor\u00edntios 3,6; G\u00e1latas 3,14; 4,6; Ef\u00e9sios 1,13\u2026), com o dom do Jubileu divino do perd\u00e3o dos pe\u00adcados (Jo\u00e3o 20,19?23). Deus \u00abpeca\u00bb sempre por excesso: \u00e9 anu\u00adlada at\u00e9 a \u00abmem\u00f3ria divina dos pecados\u00bb! Deus tinha antes escrito no nosso cora\u00e7\u00e3o os nossos pecados (Jeremias 17,1). Eis que apaga agora essa escrita, para escrever no nosso cora\u00e7\u00e3o o perd\u00e3o, que \u00e9 a chave que abre todas as avenidas do humano cora\u00e7\u00e3o (Jeremias 31,33-34).<\/p>\n<p>9. Outra m\u00fasica igualmente intensa vem hoje da Carta aos Hebreus 5,7-9, para ajudar a compor a linha mel\u00f3dica que Deus toca diante de n\u00f3s e dentro de n\u00f3s, nas cordas mais sens\u00edveis do nosso cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 um dos passos mais densos do Novo Testamento. O pr\u00f3prio Cristo, sendo embora o Filho de Deus, Deus ele mes\u00admo, enquanto Homem verdadeiro, treme perante a Morte. Por\u00e9m, no momento central da sua vida (central para ele e para n\u00f3s), ele aceita a morte, submetendo a sua vontade humana \u00e0 sua \u2013 e do Pai e do Esp\u00edrito Santo \u2013 Vontade divina (conferir a Ora\u00e7\u00e3o do Gets\u00e9mani e do \u00abPai Nosso\u00bb). On\u00adde toda a Humanidade, desde\u00a0<em>Adam<\/em>, fracassou, ele venceu, ofe\u00adrecendo a Deus incondicionalmente a sua 1iberdade e a n\u00f3s a gra\u00e7a do amor e do perd\u00e3o. Por isso, o Pai pode lev\u00e1?lo \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, verbo\u00a0<em>telei\u00f3\u00f4<\/em>, que n\u00e3o in\u00addica perfei\u00e7\u00e3o moral (!), mas \u00abser feito sacerdote,\u00a0<em>perfei\u00adto<\/em>\u00a0no servi\u00e7o sacerdotal\u00bb, por nossa causa. Perante tanta e quase insuport\u00e1vel riqueza, n\u00e3o nos resta sen\u00e3o cair de joe\u00adlhos e adorar em sil\u00eancio \u00abno Esp\u00edrito e na Verdade\u00bb.<\/p>\n<p>10. Cantamos hoje o Salmo 51, a s\u00faplica penitencial por excel\u00eancia, que constitui a ossatura espiritual de Agostinho, de Charles de Foucauld, de Joana D\u2019Arc, que inspirou a pena de muit\u00edssimos Padres da Igreja, e ecoa na m\u00fasica de Bach, Lulli, Donizetti, Honegger\u2026 Hoje \u00e9 a nossa vez de nos sentarmos um pouco a trautear a m\u00fasica que nos atravessa e nos p\u00f5e de p\u00e9. Est\u00e1 aqui a letra e a m\u00fasica do homem, de qualquer homem, seja ele quem for, de que ra\u00e7a for, de que religi\u00e3o for. Enxerto aqui as palavras preciosas que constituem a introdu\u00e7\u00e3o: \u00ab<em>Faz-me gra\u00e7a<\/em>, \u00f3 Deus, segundo o Teu\u00a0<em>amor<\/em>! Segundo a multid\u00e3o das Tuas\u00a0<em>miseric\u00f3rdias<\/em>, apaga as\u00a0<em>minhas transgress\u00f5es<\/em>! Lava-me e relava-me da\u00a0<em>minha iniquidade<\/em>, e do\u00a0<em>meu pecado<\/em>\u00a0purifica-me!\u00bb (Salmo 51,3-4). Quem \u00e9 Deus? Gra\u00e7a, amor, miseric\u00f3rdias. Quem sou eu? Transgress\u00f5es, iniquidade, pecado. Ser\u00e1 Deus o vencedor ou serei eu? Claro que \u00e9 Deus. Deixo aqui, a fechar, as palavras alt\u00edssimas da grande m\u00edstica mu\u00e7ulmana do s\u00e9culo VIII, Rabi?a, de seu nome: \u00abUm homem disse a Rabi?a: \u201cCometi muitos pecados e muitas transgress\u00f5es; se me arrepender, Deus perdoar-me-\u00e1?\u201d. Disse Rabi?a: \u201cN\u00e3o. Tu arrepender-te-\u00e1s, se Ele te perdoar\u201d\u00bb (<em>I detti di Rabi?a<\/em>, XII, 2).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ainda agora abri a p\u00e1gina em branco do deve-e-haver<\/p>\n<p>Desta \u00faltima etapa da Quaresma.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei ainda os registos que nela se far\u00e3o,<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 sei que, ao terminar o dia,<\/p>\n<p>A p\u00e1gina agora aberta transbordar\u00e1 de perd\u00e3o e de alegria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 essa a li\u00e7\u00e3o que se recebe do grande Salmo deste dia:<\/p>\n<p>\u00abFaz-me\u00a0<em>gra\u00e7a<\/em>, \u00f3 Deus, segundo o teu\u00a0<em>amor<\/em>,<\/p>\n<p>Segundo a multid\u00e3o das tuas\u00a0<em>miseric\u00f3rdias<\/em>!<\/p>\n<p>Apaga as minhas\u00a0<em>transgress\u00f5es<\/em>,<\/p>\n<p>Lava-me e relava-me da minha\u00a0<em>iniquidade<\/em>,<\/p>\n<p>E do meu\u00a0<em>pecado<\/em>\u00a0purifica-me!\u00bb.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Gra\u00e7a, amor, miseric\u00f3rdias<\/em>:<\/p>\n<p>\u00c9 a tua bondade aqui tr\u00eas vezes dita.<\/p>\n<p><em>Transgress\u00f5es<\/em>,\u00a0<em>iniquidade<\/em>,\u00a0<em>pecado<\/em>:<\/p>\n<p>\u00c9 a minha maldade aqui tamb\u00e9m tr\u00eas vezes repetida.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tu e eu sempre frente-a-frente,<\/p>\n<p>Sempre lado-a-lado:<\/p>\n<p>Teu \u00e9 o amor, meu \u00e9 o pecado.<\/p>\n<p>Mas v\u00ea-se bem que esta luta tem um vencedor antecipado:<\/p>\n<p>Sim, o teu amor acaba sempre por vencer o meu pecado!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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