{"id":3588804687,"date":"2024-03-30T00:00:00","date_gmt":"2024-03-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12922-homilia-do-papa-francisco-na-vigilia-pascal"},"modified":"2024-03-30T00:00:00","modified_gmt":"2024-03-30T00:00:00","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_vigilia_2022_220418113330.jpeg\"\/><\/p>\n<div class=\"testo\">\n<div class=\"text parbase vaticanrichtext\">\n<p>As mulheres v\u00e3o ao t\u00famulo \u00e0s primeiras luzes do alvorecer, mas dentro delas conservam a escurid\u00e3o da noite. Embora estejam a caminho, continuam ainda paradas: o seu cora\u00e7\u00e3o ficou aos p\u00e9s da cruz. Anuviadas pelas l\u00e1grimas de Sexta-Feira Santa, est\u00e3o paralisadas pelo sofrimento, est\u00e3o fechadas na sensa\u00e7\u00e3o que tudo acabou, foi colocada uma pedra sobre o caso Jesus. E \u00e9 precisamente uma pedra a dar-lhes que pensar. De facto, perguntam-se: \u00abQuem nos ir\u00e1 tirar a pedra da entrada do sepulcro?\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a016, 3). Mas, quando chegam ao local, ser\u00e1 a for\u00e7a surpreendente da P\u00e1scoa a maravilh\u00e1-las: \u00abOlharam \u2013\u00a0diz o texto \u2013\u00a0e viram que a pedra tinha sido rolada para o lado; e era muito grande\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a016,4).<\/p>\n<p>Detenhamo-nos, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, nestes dois momentos que nos levam \u00e0 alegria inaudita da P\u00e1scoa: num primeiro momento, as mulheres perguntam-se, angustiadas,\u00a0<em>quem faria rolar a pedra<\/em>; mas depois, no segundo momento,\u00a0<em>erguendo os olhos<\/em>, veem que aquela\u00a0<em>j\u00e1 tinha sido rolada<\/em>.<\/p>\n<p>Antes de mais nada \u2013 primeiro momento \u2013 temos a pergunta que preocupa o seu cora\u00e7\u00e3o lacerado pelo sofrimento:\u00a0<em>quem nos far\u00e1 rolar a pedra do sepulcro<\/em>? Aquela pedra representava o fim da hist\u00f3ria de Jesus, sepultado na noite da morte. Ele, a vida que veio ao mundo, foi morto; Ele, que manifestou o amor misericordioso do Pai, n\u00e3o recebeu compaix\u00e3o; Ele, que aliviou os pecadores do peso da condena\u00e7\u00e3o, foi condenado \u00e0 cruz. O Pr\u00edncipe da Paz, que libertara uma ad\u00faltera da f\u00faria violenta das pedras, jaz sepultado no interior duma grande pedra. Aquele maci\u00e7o, obst\u00e1culo intranspon\u00edvel, era o s\u00edmbolo do que as mulheres levavam no cora\u00e7\u00e3o, ou seja, o fim da sua esperan\u00e7a: tudo se despeda\u00e7ara contra ele, com o mist\u00e9rio sombrio dum sofrimento dram\u00e1tico que impedia a realiza\u00e7\u00e3o dos seus sonhos.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, o mesmo pode acontecer connosco tamb\u00e9m. \u00c0s vezes sentimos que uma pedra tumular foi pesadamente instalada \u00e0 entrada do nosso cora\u00e7\u00e3o, sufocando a vida, extinguindo a confian\u00e7a, encarcerando-nos no sepulcro dos medos e amarguras, bloqueando o caminho para a alegria e a esperan\u00e7a. S\u00e3o \u00abmaci\u00e7os da morte\u00bb; e encontramo-los, ao longo do caminho, em todas as experi\u00eancias e situa\u00e7\u00f5es que nos roubam o entusiasmo e a for\u00e7a para avan\u00e7ar: nos sofrimentos que nos afetam e na morte de pessoas queridas, que deixam em n\u00f3s vazios incur\u00e1veis; encontramo-los nos fracassos e medos que nos impedem de fazer as coisas boas que temos no cora\u00e7\u00e3o; encontramo-los em todos os isolamentos que abrandam os nossos impulsos de generosidade, n\u00e3o permitindo abrir-nos ao amor; encontramo-los nos muros de borracha do ego\u00edsmo \u2013 s\u00e3o verdadeiramente muros de borracha \u2013 ego\u00edsmo e indiferen\u00e7a, que impedem o compromisso de construir cidades e sociedades mais justas e \u00e0 medida do homem; encontramo-los em todos os anseios de paz sufocados pela crueldade do \u00f3dio e pela ferocidade da guerra. Quando se experimentam estas desilus\u00f5es, apodera-se de n\u00f3s a sensa\u00e7\u00e3o de que muitos sonhos acabar\u00e3o por ser desfeitos, perguntando-nos, angustiados, a n\u00f3s mesmos: quem nos rolar\u00e1 a pedra do sepulcro?<\/p>\n<p>E, contudo, essas mesmas mulheres que tinham a escurid\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o d\u00e3o-nos testemunho de algo extraordin\u00e1rio:\u00a0<em>erguendo os olhos, viram que a pedra j\u00e1 tinha sido rolada, embora fosse muito grande<\/em>. Aqui est\u00e1 a P\u00e1scoa de Cristo, aqui est\u00e1 a for\u00e7a de Deus: a vit\u00f3ria da vida sobre a morte, o triunfo da luz sobre as trevas, o renascimento da esperan\u00e7a por entre os escombros do fracasso. Foi o Senhor, o Deus do imposs\u00edvel, que, para sempre, rolou a pedra para o lado e come\u00e7ou a abrir os nossos cora\u00e7\u00f5es, a fim de n\u00e3o acabar a esperan\u00e7a. Por isso devemos tamb\u00e9m n\u00f3s elevar os olhos para Ele.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u2013 segundo momento \u2013,\u00a0<em>levantamos o olhar para Jesus<\/em>: depois de ter assumido a nossa humanidade, Ele desceu aos abismos da morte e atravessou-os com a for\u00e7a da sua vida divina, descerrando uma friesta infinita de luz para cada um de n\u00f3s. Ressuscitado pelo Pai na sua carne, na nossa carne, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo abriu uma nova p\u00e1gina para o g\u00e9nero humano. A partir de ent\u00e3o, se deixarmos Jesus tomar-nos pela m\u00e3o, nenhuma experi\u00eancia de fracasso e sofrimento, por mais que nos doa, poder\u00e1 ter a \u00faltima palavra sobre o sentido e o destino da nossa vida. A partir de ent\u00e3o, se nos deixarmos agarrar pelo Ressuscitado, nenhuma derrota, nenhum sofrimento, nenhuma morte poder\u00e1 deter o nosso caminho rumo \u00e0 plenitude da vida. A partir de ent\u00e3o, \u00abn\u00f3s, crist\u00e3os, digamos que esta hist\u00f3ria (&#8230;) tem sentido, um sentido que tudo abrange, um sentido que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 contaminado pelo absurdo e a obscuridade (&#8230;), um sentido que chamamos Deus (&#8230;). Para Ele, confluem todas as \u00e1guas da nossa transforma\u00e7\u00e3o; estas n\u00e3o afundam nos abismos do nada e do absurdo (&#8230;), porque o seu sepulcro est\u00e1 vazio e Ele, que estava morto, manifestou-Se como o vivente\u00bb (K. Rahner,\u00a0<em>O que \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o<\/em>?\u00a0<em>Medita\u00e7\u00f5es sobre a Sexta-Feira Santa e sobre a P\u00e1scoa<\/em>, Brescia 2005, 33-35).<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, Jesus \u00e9 a nossa P\u00e1scoa, Ele \u00e9 aquele que nos faz passar das trevas para a luz, que Se uniu a n\u00f3s para sempre e nos salva dos abismos do pecado e da morte, arrastando-nos no \u00edmpeto luminoso do perd\u00e3o e da vida eterna. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, levantemos o olhar para Ele, acolhamos Jesus, Deus da vida, nas nossas vidas, renovemos-Lhe hoje o nosso \u00absim\u00bb e nenhum maci\u00e7o poder\u00e1 sufocar-nos o cora\u00e7\u00e3o, nenhum sepulcro poder\u00e1 encerrar a alegria de viver, nenhum fracasso ser\u00e1 capaz de nos lan\u00e7ar no desespero. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, levantemos o olhar para Ele e pe\u00e7amos-Lhe que a for\u00e7a da sua ressurrei\u00e7\u00e3o role para o lado as pedras que nos oprimem a alma. Levantemos o olhar para Ele, o Ressuscitado, e caminhemos na certeza de que, no fundo obscuro das nossas expetativas e das nossas mortes, j\u00e1 est\u00e1 presente a vida eterna que Ele veio trazer.<\/p>\n<p>Irm\u00e3, irm\u00e3o, que o teu cora\u00e7\u00e3o possa explodir de j\u00fabilo nesta noite, nesta noite santa! Juntos, cantemos a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus: \u00abCantai-O, cantai-O todos, rios e plan\u00edcies, desertos e montanhas (&#8230;), cantai o Senhor da vida que surge do t\u00famulo, mais brilhante que mil s\u00f3is. Povos dilacerados pelo mal e atingidos pela injusti\u00e7a, povos sem lugar, povos m\u00e1rtires, afastai nesta noite os cantores do desespero. O Homem das Dores j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 em cativeiro: abriu uma brecha no muro; apressa-Se a vir ter convosco. Nas\u00e7a nas trevas o grito inesperado: est\u00e1 vivo, ressuscitou! E v\u00f3s, irm\u00e3os e irm\u00e3s, pequenos e grandes (&#8230;), v\u00f3s que estais imersos na fadiga de viver, v\u00f3s que vos sentis indignos de cantar (&#8230;), oxal\u00e1 uma nova chama atravesse o vosso cora\u00e7\u00e3o, um frescor novo permeie a vossa voz. \u00c9 a P\u00e1scoa do Senhor, irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e9 a festa dos viventes\u00bb (J-Y. Quellec,\u00a0<em>Deus voltado para norte<\/em>, Ottignies 1998, 85-86).<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|30.03.2024<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres v\u00e3o ao t\u00famulo \u00e0s primeiras luzes do alvorecer, mas dentro delas conservam a escurid\u00e3o da noite. 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