{"id":3595974171,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10330-papa-no-iraque-o-amor-muda-o-mundo"},"modified":"2025-11-07T16:34:39","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:39","slug":"papa-no-iraque-o-amor-muda-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-no-iraque-o-amor-muda-o-mundo\/","title":{"rendered":"Papa no Iraque: \u00abO amor muda o mundo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_bagdad_catedral_210306084404.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em><strong>Na eucaristia que celebrou hoje em rito caldeu, na Catedral de S\u00e3o Jos\u00e9, Bagdad, Francisco refletiu sobre as &#8220;Bem-aventuran\u00e7as&#8221; afirmando-as como a forma de &#8220;trazer o c\u00e9u \u00e0 terra&#8221;. Numa igreja &#8220;de m\u00e1rtires&#8221; o papa recordou &#8220;tantos que aqui foram v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00f5es&#8221; e desafiou os crist\u00e3os a deixarem-s envolver &#8220;pela promessa de amor de Jesus&#8221; porque &#8220;o amor,\u00a0embora pare\u00e7a fr\u00e1gil aos olhos do mundo, na realidade vence&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span><span>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Hoje a Palavra de Deus fala-nos de\u00a0<em>sabedoria<\/em>,\u00a0<em>testemunho<\/em>\u00a0e\u00a0<em>promessas<\/em>.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>sabedoria<\/em>\u00a0foi cultivada nestas terras desde tempos muito antigos. Desde sempre, a sua busca tem fascinado o homem; mas, frequentemente, quem possui mais recursos pode adquirir mais conhecimentos e ter mais oportunidades, ao passo que quantos t\u00eam menos s\u00e3o exclu\u00eddos. \u00c9 uma desigualdade inaceit\u00e1vel, atualmente em aumento. Entretanto o livro da Sabedoria surpreende-nos, ao inverter a perspetiva. Nele se diz que \u00abo pequeno encontrar\u00e1 miseric\u00f3rdia, mas os poderosos ser\u00e3o examinados com rigor\u00bb (<em>Sab<\/em>\u00a06, 6). Para o mundo, quem tem menos \u00e9 descartado e quem tem mais \u00e9 privilegiado; para Deus, n\u00e3o: quem tem mais poder \u00e9 sujeito a um exame rigoroso, enquanto os \u00faltimos s\u00e3o os privilegiados de Deus.<\/p>\n<p>Jesus, a Sabedoria em pessoa, completa esta invers\u00e3o no Evangelho: n\u00e3o num momento qualquer, mas no in\u00edcio do primeiro discurso, com as Bem-aventuran\u00e7as. A invers\u00e3o \u00e9 total: os pobres, os que choram, os perseguidos s\u00e3o declarados bem-aventurados. Como \u00e9 poss\u00edvel? Bem-aventurados, para o mundo, s\u00e3o os ricos, os poderosos, os famosos! Vale quem tem, quem pode, quem conta! Para Deus, n\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 maior quem tem, mas quem \u00e9 pobre em esp\u00edrito; n\u00e3o quem pode tudo sobre os outros, mas quem \u00e9 manso com todos; n\u00e3o quem \u00e9 aclamado pelas multid\u00f5es, mas quem \u00e9 misericordioso com o irm\u00e3o. Chegados aqui, pode-nos vir a d\u00favida: Se vivo como Jesus pede, que ganho com isso? N\u00e3o corro o risco de ser espezinhado pelos outros? A proposta de Jesus ser\u00e1 conveniente? Ou \u00e9 perdedora? N\u00e3o \u00e9 perdedora, mas sapiente.<\/p>\n<p>A proposta de Jesus \u00e9 sapiente, porque o amor, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o das Bem-aventuran\u00e7as, embora pare\u00e7a fr\u00e1gil aos olhos do mundo, na realidade vence. Na cruz, provou ser mais forte do que o pecado; no sepulcro, derrotou a morte. Foi este mesmo amor que tornou os m\u00e1rtires vitoriosos na prova\u00e7\u00e3o\u2026 E houve tantos no \u00faltimo s\u00e9culo! Mais do que nos anteriores. O amor \u00e9 a nossa for\u00e7a, a for\u00e7a de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s que tamb\u00e9m aqui foram v\u00edtimas de preconceitos e ofensas, sofreram maus tratos e persegui\u00e7\u00f5es pelo nome de Jesus. Mas, enquanto o poder, a gl\u00f3ria e a vaidade do mundo passam, o amor permanece, como nos disse o ap\u00f3stolo Paulo: \u00abo amor jamais passar\u00e1\u00bb (<em>1 Cor<\/em>\u00a013, 8). Assim, viver as Bem-aventuran\u00e7as \u00e9 tornar eterno aquilo que passa, \u00e9 trazer o C\u00e9u \u00e0 terra.<\/p>\n<p>Mas como se vivem as Bem-aventuran\u00e7as? N\u00e3o exigem que se fa\u00e7am coisas extraordin\u00e1rias, empreendimentos acima das nossas capacidades. Exigem o\u00a0<em>testemunho<\/em>\u00a0di\u00e1rio. Bem-aventurado \u00e9 quem vive com mansid\u00e3o, quem pratica a miseric\u00f3rdia no lugar onde se encontra, quem mant\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o puro l\u00e1 onde vive. Para se tornar bem-aventurado, n\u00e3o \u00e9 preciso ser her\u00f3i de vez em quando, mas\u00a0<em>testemunha<\/em>\u00a0todos os dias. O testemunho \u00e9 o caminho para encarnar a sabedoria de Jesus. \u00c9 assim que se muda o mundo: n\u00e3o com o poder nem com a for\u00e7a, mas com as Bem-aventuran\u00e7as. Pois foi assim que fez Jesus, vivendo at\u00e9 ao fim aquilo que dissera ao in\u00edcio. Tudo se resume em testemunhar o amor de Jesus, aquela caridade que S\u00e3o Paulo descreve de forma estupenda na segunda Leitura de hoje. Vejamos como a apresenta.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar diz que \u00aba caridade \u00e9 paciente\u00bb (<em>1 Cor<\/em>\u00a013, 4). N\u00e3o esper\u00e1vamos este adjetivo; amor parece sin\u00f3nimo de bondade, generosidade, bem-fazer. Mas Paulo diz que a caridade \u00e9, antes de tudo,\u00a0<em>paciente<\/em>. Trata-se de um termo que exprime, na B\u00edblia,\u00a0<em>a paci\u00eancia de Deus<\/em>. Ao longo da hist\u00f3ria, o homem continuou a trair a alian\u00e7a com Ele, a cair nos pecados habituais, e o Senhor, em vez de Se cansar e abandon\u00e1-lo, permaneceu sempre fiel, perdoou, recome\u00e7ou. A paci\u00eancia de recome\u00e7ar sempre \u00e9 a primeira qualidade do amor, porque o amor n\u00e3o se indigna, mas sempre recome\u00e7a. N\u00e3o se abate, mas relan\u00e7a; n\u00e3o desanima, mas permanece criativo. Perante o mal, n\u00e3o se rende, n\u00e3o se resigna. Quem ama n\u00e3o se fecha em si mesmo, quando as coisas correm mal, mas responde ao mal com o bem, lembrando-se da sabedoria vitoriosa da cruz. Assim procede a testemunha de Deus: n\u00e3o \u00e9 passiva, fatalista, n\u00e3o vive \u00e0 merc\u00ea das circunst\u00e2ncias, do instinto e do momento, mas mostra-se sempre esperan\u00e7osa, pois est\u00e1 fundada no amor que \u00abtudo desculpa, tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta\u00bb (13, 7).<\/p>\n<p>Podemos interrogar-nos: Como reajo eu \u00e0s situa\u00e7\u00f5es funestas? \u00c0 vista das adversidades, apresentam-se sempre duas tenta\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 a fuga: fugir, virar as costas, desinteressar-se. A segunda \u00e9 reagir, como irritados, com a for\u00e7a. Assim aconteceu com os disc\u00edpulos no Gets\u00e9mani: no alvoro\u00e7o geral, v\u00e1rios fugiram e Pedro puxou da espada. Mas nem a fuga nem a espada resolveram coisa alguma. Ao contr\u00e1rio, Jesus mudou a hist\u00f3ria. Como? Com a for\u00e7a humilde do amor, com o seu paciente testemunho. O mesmo somos n\u00f3s chamados a fazer; assim Deus realiza as suas promessas.<\/p>\n<p><em>Promessas<\/em>. A sabedoria de Jesus, encarnada nas Bem-aventuran\u00e7as, pede o testemunho e oferece a recompensa, contida nas promessas divinas. De facto, vemos que a cada Bem-aventuran\u00e7a segue uma promessa: quem as vive ter\u00e1 o reino dos c\u00e9us, ser\u00e1 consolado, saciado, ver\u00e1 a Deus\u2026 (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a05, 3-12). As promessas de Deus asseguram uma alegria incompar\u00e1vel e n\u00e3o dececionam. Mas como se realizam?\u00a0<em>Atrav\u00e9s das nossas fraquezas<\/em>. Deus faz bem-aventurados aqueles que percorrem at\u00e9 ao fim o caminho da sua pobreza interior. Esta \u00e9 a estrada; n\u00e3o h\u00e1 outra. Olhemos para o patriarca Abra\u00e3o: Deus promete-lhe uma grande descend\u00eancia, mas ele e Sara s\u00e3o idosos e sem filhos. Precisamente na velhice paciente e confiante deles, Deus realiza maravilhas e d\u00e1-lhes um filho. Vejamos Mois\u00e9s: Deus promete-lhe que libertar\u00e1 o povo da escravid\u00e3o e, para isso, pede-lhe para ir falar ao Fara\u00f3. Mois\u00e9s\u00a0observa que tem dificuldade na fala; e\u00a0no entanto Deus cumprir\u00e1 a promessa atrav\u00e9s das suas palavras. Olhemos para Nossa Senhora, que \u00e9 chamada a ser m\u00e3e, justamente quando, nos termos da Lei, n\u00e3o pode ter filhos. E olhemos para Pedro: renega o Senhor e, todavia, \u00e9 precisamente a ele que Jesus chama para confirmar os seus irm\u00e3os. \u00c0s vezes, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, podemos sentir-nos incapazes, in\u00fateis. N\u00e3o lhe demos cr\u00e9dito, pois Deus quer fazer maravilhas precisamente atrav\u00e9s das nossas fraquezas.<\/p>\n<p>Ele gosta de proceder assim e, nesta tarde, repetiu oito vezes\u00a0<em>??b\u2019?<\/em>\u00a0[bem-aventurados] para nos fazer compreender que, com Ele, o somos realmente. \u00c9 certo que somos provados, muitas vezes ca\u00edmos, mas n\u00e3o devemos esquecer que, com Jesus, somos bem-aventurados. Tudo aquilo que o mundo nos tira, n\u00e3o \u00e9 nada em compara\u00e7\u00e3o ao amor terno e paciente com que o Senhor cumpre as suas promessas. Querida irm\u00e3, querido irm\u00e3o, talvez olhes para as tuas m\u00e3os e te pare\u00e7am vazias, talvez sintas insinuar-se no cora\u00e7\u00e3o a desconfian\u00e7a e penses que a vida \u00e9 injusta contigo. Se tal suceder, n\u00e3o temas! As Bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o para ti, para ti que est\u00e1s na afli\u00e7\u00e3o, com fome e sede de justi\u00e7a, perseguido. O Senhor promete que o teu nome est\u00e1 escrito no seu cora\u00e7\u00e3o, nos C\u00e9us. E hoje agrade\u00e7o-Lhe convosco e por v\u00f3s, porque aqui, onde na antiguidade surgiu a\u00a0<em>sabedoria<\/em>, nestes tempos se levantaram tantas\u00a0<em>testemunhas<\/em>, muitas vezes transcuradas nos notici\u00e1rios mas preciosas aos olhos de Deus; testemunhas que, vivendo as Bem-aventuran\u00e7as, ajudam Deus a realizar as suas\u00a0<em>promessas<\/em>\u00a0de paz.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2021\/documents\/papa-francesco_20210306_omelia-iraq-baghdad.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>Imagem: Vatican.va<\/p>\n<p>06.03.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na eucaristia que celebrou hoje em rito caldeu, na Catedral de S\u00e3o Jos\u00e9, Bagdad, Francisco refletiu sobre as &#8220;Bem-aventuran\u00e7as&#8221; afirmando-as 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