{"id":3636700663,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8913-domingo-xxvii-do-tempo-comum-semear-a-fe-no-campo-e-na-cidade"},"modified":"2025-11-07T16:33:32","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:32","slug":"domingo-xxvii-do-tempo-comum-semear-a-fe-no-campo-e-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxvii-do-tempo-comum-semear-a-fe-no-campo-e-na-cidade\/","title":{"rendered":"Domingo XXVII do Tempo Comum: \u00abSemear a f\u00e9 no campo e na cidade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1. Falo do umbral do outono, de uma pra\u00e7a carregada de met\u00e1foras. Moro aqui debaixo deste c\u00e9u. Claro que durmo ao relento. Sou pobre e puro. Pedinte apenas \u00e0 porta do esp\u00edrito. Como os pl\u00e1tanos no p\u00falpito das pra\u00e7as, abrigo os p\u00e1ssaros. Atiram-me pedras os meninos. O meu lugar \u00e9 aqui, de bru\u00e7os nas palavras, pedra a pedra construindo o p\u00e1tio do poema. \u00c9 assim que hoje enfrento, em estilo diferente, mas de frente, os dizeres deste Domingo XXVII do Tempo Comum.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">2. Oi\u00e7o bater \u00e0 porta. Ser\u00e1s tu ainda? Que fruto trazes nas tuas m\u00e3os despidas? Um balde? O mar? O mar num balde? As rochas a estalar? O lume a arder em febre? Uma estrela cadente envolta em neblina?<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">3. Trazes a hist\u00f3ria de uma semente pequenina, microsc\u00f3pica. Dizes, para espanto meu, que, lan\u00e7ada \u00e0 terra, dela nascer\u00e1 uma \u00e1rvore grande, em cujos ramos v\u00eam abrigar-se os p\u00e1ssaros do c\u00e9u, fazendo dela uma lareira carregada de alegria. E dizes, outra vez para espanto meu, que a F\u00c9 tem o tamanho e o virtuosismo dessa semente pequenina, que semeada no meu cora\u00e7\u00e3o e no cora\u00e7\u00e3o do mundo pode desenraizar o que nos parece seguro, s\u00f3lido, assegurado, empedrado, empecadado, fazer ruir os nossos c\u00e1lculos mais estudados, fazer florir o alcatr\u00e3o das nossas estradas, fazer sorrir a nossa hist\u00f3ria desgra\u00e7ada, arrancar embondeiros, plantar no mar aquilo que parece s\u00f3 poder viver na terra.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">4. Acrescentas logo, sempre para espanto meu, que uma vida de servi\u00e7o e da m\u00e1xima simplicidade \u00e9 a melhor. E que \u00e9 tamb\u00e9m a melhor prega\u00e7\u00e3o, uma vez que, como nos ensinou o Papa S\u00e3o Paulo VI, na sua Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Evangelii nuntiandi<\/em>, n.\u00ba 41, \u00abO homem con\u00adtempor\u00e2neo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou ent\u00e3o, se escuta os mestres, \u00e9 porque eles s\u00e3o testemunhas\u00bb. Servir por amor. Sem tempo nem contrato. Sem cl\u00e1usulas. Doa\u00e7\u00e3o total. Dar a vida como tu, Senhor e Servo. N\u00e3o se trata de dizer que sou um servo in\u00fatil (<em>achre\u00eeos<\/em>), se o servi\u00e7o que prestei ao meu Senhor foi \u00fatil. Trata-se simplesmente de dizer que sou apenas um servo, e que tudo me vem da liberalidade do meu Senhor. Servo apenas servo (Lucas 17,10), que n\u00e3o passa de servo, n\u00e3o sobe na\u00a0<em>carreira<\/em>, servo que se cumpre e esgota como servo, portanto,\u00a0<em>servo servido<\/em>\u00a0pelo seu Senhor, como ensina a par\u00e1bola de Lucas (12,37). A f\u00e9 \u00e9 esse v\u00ednculo firme e fiel ao meu Senhor e ao meu irm\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">5. Para me dizeres tanto, foste buscar met\u00e1foras ao campo: a semente, as \u00e1rvores e o servo (Lucas 17,5-10). E, uma vez no campo, levas-me a visitar o jardim de Habacuc (1,2-3, 2,2-4). Poucos saber\u00e3o, mas Habacuc \u00e9 o nome de uma planta de jardim. Est\u00e1 de passagem. De manh\u00e3 viceja, \u00e0 tarde seca. \u00c9 preciso ir depressa. At\u00e9 porque Habacuc ainda tem de ir \u00e0 cidade e escrever num grande painel publicit\u00e1rio que \u00abo n\u00e3o-reto perecer\u00e1, mas o justo viver\u00e1 pela F\u00c9\u00bb (2,4).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">6. A F\u00c9 \u00e9 a tal sementinha de nada, do tamanho do gr\u00e3o de mostarda, que pode virar do avesso a nossa vida, a nossa casa, a nossa rua, a nossa cidade, a nossa hist\u00f3ria. Um dito rab\u00ednico do tempo de Jesus afirmava que vale mais um gr\u00e3o de mostarda que um cesto de melancias. Vale tamb\u00e9m aqui o verso bel\u00edssimo da Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o que a liturgia nos faz cantar hoje ao Aleluia: \u00abEsta \u00e9 a vit\u00f3ria que venceu o mundo: a nossa f\u00e9\u00bb (5,4).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. Corre e demora-te a ver esse painel, met\u00e1fora erguida na cidade, e aprende a F\u00c9, isto \u00e9, a FIDELIDADE. S\u00e3o Paulo demorou-se longamente a contemplar esse painel, de tal maneira que gravou os seus dizeres na alma e em Romanos 1,17 e G\u00e1latas 3,11.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">8. Sim, Tim\u00f3teo (2 Tm 1,6-8.13-14), escuta bem, reacende o dom de Deus que arde em ti, n\u00e3o tenhas vergonha do Evangelho, d\u00e1 testemunho de Jesus Cristo, guarda a F\u00c9!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">9. Sim, n\u00e3o nos \u00e9 permitido adormecer ou entorpecer, de modo a ficarmos inativos, infecundos, insens\u00edveis, tipo \u00abtanto faz!\u00bb. O Salmo 95, que hoje cantamos, e que \u00e9, para os judeus fi\u00e9is, a ora\u00e7\u00e3o de ingresso ou de entrada no s\u00e1bado (reza-se sexta-feira ao p\u00f4r-do-sol), e para n\u00f3s, crist\u00e3os, \u00e9 o Salmo invitat\u00f3rio recitado todas as manh\u00e3s, \u00e9 o mais quotidiano dos Salmos. E deve ser um permanente despertador para n\u00e3o nos deixarmos andar ao sabor de qualquer m\u00fasica, mas apenas e sempre ao sabor da m\u00fasica de Deus. Sim, n\u00e3o \u00e9 tempo de nos instalarmos aqui, em qualquer \u00abaqui\u00bb. \u00c9 necess\u00e1rio levar a todos os lugares e a todas as pessoas este vendaval manso de gra\u00e7a e de bondade e de f\u00e9 que um dia Jesus ensinou e todos os dias mostrou aos seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Deita com ternura a semente na terra:<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00c9 o seu ber\u00e7o natural;<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E adormece suavemente,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tu e a semente.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A semente n\u00e3o erra,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A semente n\u00e3o mente,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Adormece na terra.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Aparece depois um fiozinho de erva,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Nasce e cresce,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Uma flor floresce,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Um fruto amadurece,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Um p\u00e1ssaro desce,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E reza e canta e dan\u00e7a e prova e agradece<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ao Senhor da messe.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Senhor Jesus,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">D\u00e1-me um cora\u00e7\u00e3o puro e transparente<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Como uma nascente,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Como uma semente,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E ensina-me a ser simples e leve<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Como aquele p\u00e1ssaro que do c\u00e9u desce,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E reza e canta e come e agradece.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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