{"id":3658539149,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7285-xxv-domingo-do-tempo-comumfazer-a-vontade-do-pai"},"modified":"2025-11-07T16:33:06","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:06","slug":"xxv-domingo-do-tempo-comumfazer-a-vontade-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/xxv-domingo-do-tempo-comumfazer-a-vontade-do-pai\/","title":{"rendered":"XXV Domingo do Tempo Comum:\u00abFazer a vontade do Pai\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p><span>1. Mais uma par\u00e1bola de Jesus, dita aos \u00abchefes dos sacerdotes\u00bb e aos \u00abanci\u00e3os\u00bb do povo, no seguimento de Mateus 21,23). S\u00e3o eles, os bem colocados na religi\u00e3o e na vida p\u00fablica, que s\u00e3o interpelados por Jesus: \u00abQue vos parece?\u00bb (Mateus 21,28); \u00abQual dos dois fez a vontade do Pai?\u00bb (Mateus 21,31). No final de duas par\u00e1bolas em que a tem\u00e1tica \u00e9 a \u00abvinha\u00bb (Mateus 21,28-46), s\u00e3o os \u00abchefes dos sacerdotes\u00bb e os \u00abfariseus\u00bb que reagem \u00e0s interpela\u00e7\u00f5es de Jesus (Mateus 21,45-46).<\/span><\/p>\n<p><span>2. Os fariseus aparecem no Evangelho de Mateus como aqueles que \u00abdizem, mas n\u00e3o fazem\u00bb (Mateus 23,3). E \u00abfazer\u00bb, em oposi\u00e7\u00e3o a dizer, \u00e9 um tema fundamental neste Evangelho, assim expresso por Jesus no Discurso program\u00e1tico da Montanha: \u00abN\u00e3o todo aquele que me diz: \u201cSenhor, Senhor\u201d entrar\u00e1 no Reino dos C\u00e9us, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us\u00bb (Mateus 7,21).<\/span><\/p>\n<p><span>3. Mais ainda: neste Evangelho de Mateus, o verdadeiro \u00abfazer\u00bb traduz-se em \u00abfazer fruto\u00bb, como consequ\u00eancia da convers\u00e3o ou mudan\u00e7a operada na nossa vida. Como \u00e9 importante, a ideia \u00e9 recorrente neste Evangelho: veja-se Mateus 3,8; 7,16-20; 12,33; 13,8; 21,41.43; 25,40.45.<\/span><\/p>\n<p><span>4. Mas tamb\u00e9m a \u00abjusti\u00e7a\u00bb \u00e9 um termo recorrente em Mateus. E \u00abjusti\u00e7a\u00bb, no Evangelho de Mateus, indica o des\u00edgnio divino de salva\u00e7\u00e3o e a nossa obedi\u00eancia a esse des\u00edgnio. Dada a sua import\u00e2ncia, esta nota da \u00abjusti\u00e7a\u00bb faz-se ouvir por sete vezes neste Evangelho: veja-se Mateus 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32.<\/span><\/p>\n<p><span>5. Posto isto, \u00e9 agora mais f\u00e1cil deixar entrar em n\u00f3s a for\u00e7a da par\u00e1bola de Jesus, contada a gente habituada apenas a dizer, dizer, dizer\u2026 O homem e pai,\u00a0<\/span>na<span>\u00a0par\u00e1bola, \u00e9 Deus. A vinha \u00e9 dele, mas \u00e9 tamb\u00e9m nossa. Nunca se fala, no corpo desta par\u00e1bola, da \u00abminha\u00bb vinha. A vinha \u00e9, portanto, campo aberto de alegria e de liberdade, onde todos os filhos de Deus podem encontrar um\u00a0<\/span>novo espa\u00e7o relacional<span>, porventura ainda in\u00e9dito, de filialidade e fraternidade.<\/span><\/p>\n<p><span>6. \u00c9 dito que este Pai tem dois filhos, que s\u00e3o todos os seus filhos, nas suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. Somos todos n\u00f3s, nas nossas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. Ao primeiro, o Pai diz: \u00abFilho, vai hoje trabalhar na vinha\u00bb (Mateus 21,28). Note-se o termo carinhoso \u00abfilho\u00bb, o imperativo da liberdade \u00abvai\u00bb, que nos coloca na estrada de Abra\u00e3o, o \u00abhoje\u00bb, que requer resposta pronta e inadi\u00e1vel, e a \u00abvinha\u00bb, s\u00edmbolo da festa e da alegria. Note-se ainda a resposta tresloucada deste \u00abfilho\u00bb: \u00abN\u00e3o quero\u00bb (Mateus 21,29a), e a emenda: \u00abmas, depois, arrependeu-se e foi\u00bb (Mateus 21,29b). Note-se tamb\u00e9m a resposta do segundo filho, depois de ter ouvido o mesmo convite do seu Pai: \u00abEu vou, Senhor\u00bb (Mateus 21,30a), e a constata\u00e7\u00e3o do narrador de que, de facto, n\u00e3o foi (Mateus 21,30b).<\/span><\/p>\n<p><span>7. Como se v\u00ea, todos os filhos de Deus-Pai ouvem o mesmo convite e veem a mesma atitude de carinho. Respondem que n\u00e3o ou que sim, e ambos mudam! O que disse que n\u00e3o, de facto, vai HOJE fazer a vontade do PAI; o que disse que sim, ficou apenas em palavras, apenas mudando o sim em n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>8. Os interpelados por Jesus (chefes dos sacerdotes e anci\u00e3os), os que s\u00f3 dizem, dizem, dizem, t\u00eam de reconhecer que n\u00e3o \u00e9 o que se DIZ, mas o que se FAZ, o que verdadeiramente conta. E ainda t\u00eam de reconhecer que Jo\u00e3o Baptista bem que os tinha chamado \u00e0 convers\u00e3o (mudan\u00e7a de vida e atitude) para fazerem frutos de justi\u00e7a (Mateus 3,8; 21,32) e obedecerem ao des\u00edgnio de Deus, mas nem por isso lhe deram qualquer aten\u00e7\u00e3o (Mateus 21,32). Entenda-se: o que fez Jo\u00e3o Baptista \u00e9 o que Jesus faz agora, e t\u00e3o-pouco lhe prestam aten\u00e7\u00e3o, convertendo-se ou mudando de vida e de atitudes.<\/span><\/p>\n<p><span>9. \u00c9 aqui que s\u00e3o chamados a fazer contraponto os publicanos e as prostitutas. Estes ouviram Jo\u00e3o e ouvem agora Jesus, e est\u00e3o a mudar a sua vida (Mateus 21,31-32)! Note-se sempre que nem isto podemos desmentir, pois o Autor destas p\u00e1ginas deslumbrantes que estamos a folhear, Mateus, era um publicano. E agora \u00e9 um Ap\u00f3stolo e Evangelista. E n\u00f3s?<\/span><\/p>\n<p><span>10. Ezequiel levanta a sua voz para nos dizer que o pecador salvar\u00e1 a sua vida se abrir os olhos do cora\u00e7\u00e3o e se afastar do mal, e come\u00e7ar a trilhar os caminhos do direito e da justi\u00e7a (Ezequiel 18,25-28).\u00a0<\/span>Portanto, est\u00e1 sempre aberta a porta que conduz \u00e0 vida. N\u00e3o, por\u00e9m, \u00e0 custa de Deus, querendo fazer vingar os nossos direitos sobre Ele, para que Ele d\u00ea raz\u00e3o aos nossos caprichos, mas dando-lhe o lugar que sempre lhe compete, o primeiro, e convertendo-nos n\u00f3s aos seus des\u00edgnios, isto \u00e9, respondendo-lhe nos passos concretos e quotidianos da nossa vida dele por gra\u00e7a recebida.<\/p>\n<p>11. S. Paulo coloca diante de n\u00f3s, para imitar, o exemplo de Jesus Cristo, que desceu ao nosso n\u00edvel, para nos servir com do\u00e7ura e humildade (Filipenses 2,1-11). \u00c9 nele e dele, desde a fundura das entranhas das miseric\u00f3rdias e a transbordar de amor, que devemos viver, unidos e n\u00e3o desavindos, na comunh\u00e3o do Esp\u00edrito que opera uni\u00e3o e n\u00e3o divis\u00e3o. V\u00ea-se nascer assim, n\u00e3o obstante os problemas, uma comunidade n\u00e3o autorreferencial em que cada um estar\u00e1 mais atento aos outros do que a si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>12. Os acordes do Salmo 25, que hoje cantamos, trazem \u00e0 tona os rumos e os caminhos de Deus, que s\u00e3o sempre bondade, verdade, ternura e miseric\u00f3rdia \u2013 caminhos intransitivos, entenda-se \u2013, que se v\u00e3o insinuando mansamente dentro de n\u00f3s, mais ou menos como deixou escrito, no seu Di\u00e1rio, com data de 23 de janeiro de 1948, o grande escritor franc\u00eas George Bernanos: \u00abQue do\u00e7ura pensar que, embora ofendendo-o, n\u00e3o deixamos de desejar, desde o mais profundo santu\u00e1rio da alma, aquilo que Ele deseja\u00bb.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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