{"id":3715160301,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13831-domingo-de-ramos-bendito-o-que-vem"},"modified":"2025-11-07T16:34:05","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:05","slug":"domingo-de-ramos-bendito-o-que-vem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-de-ramos-bendito-o-que-vem\/","title":{"rendered":"Domingo de Ramos: \u00abBendito o que vem!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Is 50,4-7; Sl 22; Fl 2,6-11; Lc 22,14-23,56<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Batizado com o Esp\u00edrito Santo no Jord\u00e3o, confirmado com o Esp\u00edrito Santo no Tabor, Jesus realizou a sua miss\u00e3o filial batismal anunciando o Evangelho do Reino de Deus e fazendo as suas \u00abobras\u00bb. A sua \u00abviagem\u00bb chega agora ao fim, na Judeia, em Jerusal\u00e9m, onde o seu Batismo\u00a0<em>deve<\/em>\u00a0(plano divino)\u00a0<em>ser consumado<\/em>\u00a0(ainda Lucas 12,49-50) na sua Morte Gloriosa: \u00fanica Fonte do Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30 e 34; 7,38-39). A miss\u00e3o filial batismal do Filho de Deus finalmente consumada! \u00c9 que fomos, de facto, batizados na sua Morte (Romanos 6,3-4), e, com Ele, fomos\u00a0<em>j\u00e1<\/em>\u00a0\u00abcom-sepultados\u00bb, \u00abcom-ressuscitados\u00bb, \u00abcom-vivificados\u00bb e \u00abcom-sentados\u00bb na Gl\u00f3ria! (Ef\u00e9sios 2,5-6; Colossenses 2,12-13: tudo verbos cunhados por Paulo e postos em aoristo [passado] hist\u00f3rico!). Formamos, por isso, \u00aba Igreja que Ele\u00a0<em>amou<\/em>\u00bb (Ef\u00e9sios 2,25). A este amor de Cristo pela Igreja chama Paulo \u00abo mist\u00e9rio grande\u00bb (Ef\u00e9sios 5,32). N\u00f3s, a Igreja do amor de Cristo, somos, portanto, a Esposa bela, a nova Jerusal\u00e9m (Apocalipse 19,7-9; 21,2 e 9-10) que, juntamente com o Esp\u00edrito, diz ao Senhor Jesus: Vem! (Apocalipse 22,17).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O tom deste Domingo de Ramos \u00e9 dado pela bela p\u00e1gina de Lucas 19,28-40, que nos mostra o Rei messi\u00e2nico a tomar posse da sua Cidade, a \u00abCidade do Grande Rei\u00bb (Salmo 45,5; 47,2-3; Tobias 13,11; Mateus 5,35), a Esposa bela que nascer\u00e1 do seu Sangue: Esposa c\u00famplice da Morte do Esposo e benefici\u00e1ria da Morte do Esposo! Esposa, portanto, e no entanto! Que ao encontro do Esposo desce em vestido de noiva, n\u00e3o de vi\u00fava! (Apocalipse 21,2). O Rei messi\u00e2nico toma posse da sua Cidade, a Filha de Si\u00e3o, a Esposa; vem montado sobre o jumento da paz, e n\u00e3o sobre cavalos de guerra, cumprindo Zacarias 9,9-10: \u00abExulta muito, filha de Si\u00e3o! Grita de alegria, filha de Jerusal\u00e9m! Eis que o teu rei vem a ti: ele \u00e9 justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de uma jumenta. Ele eliminar\u00e1 os carros de Efraim e os cavalos de Jerusal\u00e9m; o arco de guerra ser\u00e1 eliminado. Ele anunciar\u00e1 a paz \u00e0s na\u00e7\u00f5es\u00bb. O jumento \u00e9 o jumento real de David e Salom\u00e3o (1 Rs 1,33). De notar que Zacarias escreveu esta p\u00e1gina deslumbrante de um Rei diferente, pobre, manso e humilde, em contraponto com o imponente espet\u00e1culo do grande Alexandre Magno que, no ano 332 a.C., desceu a costa palestinense a caminho do Egito, para o conquistar, e ainda nesse ano voltou a subir a costa palestinense a caminho da Mesopot\u00e2mia, exibindo sempre o seu imenso arsenal de riqueza e de prepot\u00eancia militar! Estendem-se as capas no caminho: assim procederam os companheiros de Je\u00fa quando souberam da sua un\u00e7\u00e3o pelo profeta Eliseu e foi reconhecido como rei (2 Reis 9,13). A multid\u00e3o dizia: \u00abBendito O que Vem, o Rei, em nome do Senhor! Paz no c\u00e9u e gl\u00f3ria nas alturas!\u00bb (Lucas 19,38), saudando o Rei-que-Vem, \u00abAquele-que-Vem\u00bb (t\u00edtulo divino) (Salmo 118,26), com o Reino de David, o novo David, e fazendo ponte ainda para o coro ang\u00e9lico de Lucas 2,14, com aquele: \u00abPaz no c\u00e9u e gl\u00f3ria nas alturas!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Dado o ins\u00f3lito da situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o reparar que Jesus n\u00e3o entra em Jerusal\u00e9m como Peregrino ou Mestre ou Taumaturgo. Mas como o Rei futuro prometido, pobre e humilde, anunciado em Zacarias 9,9. Por isso, nesta \u00faltima etapa do seu caminho, desde Betfag\u00e9 e Bet\u00e2nia, perto do Monte das Oliveiras, at\u00e9 \u00e0 Cidade de Jerusal\u00e9m, Jesus n\u00e3o vai a p\u00e9, como sempre andou nos caminhos das cidades e aldeias da Palestina, ou de barco, quando se tratava de atravessar o mar da Galileia. Agora, neste \u00faltimo tro\u00e7o da sua viagem, Jesus faz quest\u00e3o de o percorrer, n\u00e3o a p\u00e9, mas montado num jumento, ainda n\u00e3o montado por ningu\u00e9m (Lucas 19,30): o Rei \u00e9 o primeiro em tudo! E toda a tem\u00e1tica relativa ao jumento montado por Jesus torna-se t\u00e3o evidente, que n\u00e3o pode passar despercebida a ningu\u00e9m. Basta reparar na distribui\u00e7\u00e3o dos treze vers\u00edculos desta passagem (Lucas 19,28-40): oito ocupam-se com a meticulosa procura do jumento e com o modo simples e novo, sem arreios, como Jesus o monta!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Ainda hoje, no domingo de Ramos, n\u00e3o obstante o ambiente abertamente hostil aos crist\u00e3os que se respira, se faz, desde Betfag\u00e9 [= \u00abCasa dos figos\u00bb], uma pequena aldeia hoje totalmente mu\u00e7ulmana com um pequeno santu\u00e1rio \u00e0 guarda dos Padres Franciscanos da Cust\u00f3dia da Terra Santa, uma impressionante prociss\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que, descendo o Monte das Oliveiras, termina na Igreja de Santa Ana, junto da porta de Santo Est\u00eav\u00e3o (ou dos Le\u00f5es).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. \u00c9 esta Igreja bela, porque incondicionalmente amada, que acolhe hoje, Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor, com o cora\u00e7\u00e3o em festa, o seu Senhor (Lucas 19,28-40), gritando jubilosamente: \u00abBendito o que vem, o Rei, em nome do Senhor! Paz no c\u00e9u e gl\u00f3ria nas alturas\u00bb, cita\u00e7\u00e3o do Salmo 118,26, com a inser\u00e7\u00e3o de \u00abo Rei\u00bb por parte de Lucas. Acolhimento jubiloso, para depois discipularmente o seguir nos seus passos decisivos, que nos \u00e9 dado rever no imenso Evangelho da Paix\u00e3o de Jesus, na vers\u00e3o apurada de Lucas 22,14-23,56, de que aqui salientamos apenas alguns momentos mais expressivos. A partir do cen\u00e1rio apresentado no ponto 7., todos os dados s\u00e3o exclusivos de Lucas.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. O cen\u00e1rio da Ceia Primeira (n\u00e3o \u00faltima!) mostra, caso \u00fanico, Jesus na intimidade da mesa com os seus disc\u00edpulos (Lucas 22,14-38). E \u00e9 neste cen\u00e1rio de intimidade que o texto nos faz ver melhor as nossas trai\u00e7\u00f5es: o an\u00fancio da trai\u00e7\u00e3o de Judas (Lucas 22,21-23, da tripla nega\u00e7\u00e3o de Pedro (Lucas 22,31-34), a discuss\u00e3o sobre qual de n\u00f3s \u00e9 o maior (Lc 22,24-27).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. O cen\u00e1rio do Monte das Oliveiras (Lucas 22,39-46) abre e fecha com o importante dizer de Jesus que devemos conservar no cora\u00e7\u00e3o: \u00abORAI para que n\u00e3o entreis na tenta\u00e7\u00e3o\u00bb (Lucas 22,39 e 46). No meio do cen\u00e1rio, entre estas duas importantes advert\u00eancias de Jesus, o texto diz que Jesus ORAVA de joelhos (Lucas 22,41) e que depois ORAVA com mais insist\u00eancia ainda (Lucas 22,44). Em contraponto, os disc\u00edpulos dormiam! (Lucas 22,45).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O cen\u00e1rio seguinte mostra-nos a Pris\u00e3o e o Processo de Jesus (Lucas 22,47-23,25), em que apenas salientamos dois momentos: Judas, que entrega Jesus com um beijo (Lucas 22,47), ouvindo de Jesus estas palavras que ainda hoje ecoam nos nossos ouvidos: \u00abJudas, com um beijo entregas o Filho do Homem?\u00bb (Lucas 22,48). \u00c9 outra vez a trai\u00e7\u00e3o na intimidade! O segundo momento \u00e9 aquele olhar fixo (<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>) de Jesus em Pedro, que o faz sair dali para chorar amargamente (Lucas 22,60-62).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O caminho do Calv\u00e1rio \u00e9 o cen\u00e1rio que aparece de seguida (Lucas 23,26-32). Vale a pena destacar dois momentos: o primeiro \u00e9 para Sim\u00e3o de Cirene, que carrega a cruz \u00abatr\u00e1s de\u00bb Jesus (Lucas 23,26): com a sua cruz, \u00abatr\u00e1s de\u00bb Jesus, \u00e9 a atitude do disc\u00edpulo! (cf. Lucas 9,23). O segundo \u00e9 para as mulheres que choram. Merecem que Jesus olhe para elas e fale para elas: \u00abFilhas de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o choreis por mim; chorai por v\u00f3s e pelos vossos filhos!\u00bb (Lucas 23,27-28).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Segue-se o cen\u00e1rio da Cruz (Lucas 23,33-49). Quatro notas: primeira: Lucas coloca ao lado de Jesus dois malfeitores. Mas um deles (o chamado \u00abbom ladr\u00e3o\u00bb: s\u00f3 em Lucas!) reconhece o seu erro, e olha para Jesus implorando gra\u00e7a: \u00abJesus, lembra-te de mim quando entrares no teu REINO\u00bb (Lucas 23,42). Jesus responde assim: \u00abHoje estar\u00e1s COMIGO no Para\u00edso\u00bb (Lucas 23,43). Evoca, em contraluz, o COMIGO de Jesus com os seus disc\u00edpulos, e o REINO para eles preparado! (Lucas 22,28-29). Segunda: a ora\u00e7\u00e3o do Salmo 31,6, posta na boca de Jesus como sua \u00faltima palavra, ora\u00e7\u00e3o exclusiva deste Evangelho: \u00abPai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u00bb (Lucas 23,46). Confian\u00e7a radical sempre. Terceira: a importante anota\u00e7\u00e3o de que os seus amigos e as mulheres que o SEGUIAM desde a Galileia o acompanhavam \u00e0 dist\u00e2ncia, VENDO BEM todas estas coisas (Lucas 23,49). Atitude discipular. Como Maria, que conservava e compunha todos aqueles factos no seu cora\u00e7\u00e3o (Lucas 2,19 e 51). Quarta: tamb\u00e9m o povo (<em>la\u00f3s<\/em>) estava l\u00e1 vendo (<em>the\u00f4r\u00f4n<\/em>) (Lucas 23,35), e mesmo, refere o narrador, \u00abtodas as multid\u00f5es (<em>\u00f3chloi<\/em>) que tinham acorrido a este\u00a0<em>espet\u00e1culo<\/em>\u00a0(<em>the\u00f4r\u00eda<\/em>),\u00a0<em>repassando<\/em>\u00a0(<em>the\u00f4r\u00easantes<\/em>) as coisas acontecidas, regressavam\u00a0<em>batendo no peito<\/em>\u00bb (Lucas 23,48), o que quer dizer que a Cruz \u00e9 um espet\u00e1culo que a todos converte.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. O cen\u00e1rio do sepultamento de Jesus (Lucas 23,50-56). Salta \u00e0 vista que Jesus \u00e9 depositado num sepulcro novo, onde ainda ningu\u00e9m tinha sido sepultado (Lucas 23,53). Mostra-se assim que Jesus \u00e9 o Rei Messi\u00e2nico esperado: o Rei \u00e9 o primeiro em tudo. E continua na primeira linha o OLHAR ATENTO das mulheres (Lucas 23,55) e os perfumes que preparam (Lucas 23,56)\u00a0 e que abrem j\u00e1 para a p\u00e1gina nova da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Primeiro em tudo! Primog\u00e9nito de muitos irm\u00e3os! (Romanos 8,29).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Vendo bem, seguindo este imenso relato, somos todos levados a percorrer e a reviver as \u00faltimas decisivas vinte e quatro horas de Jesus, desde as 15h00 de Quinta-Feira Santa at\u00e9 perto das 18h00 de Sexta-Feira Santa, seguindo este ritmo:<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">15h00 = Prepara\u00e7\u00e3o da Ceia<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">18h00 = Ceia Primeira!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">21h00 = Gets\u00e9mani<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">24h00 = Pris\u00e3o de Jesus<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">03h00 = Pedro nega e o galo canta<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">06h00 = Jesus diante de Pilatos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">09h00 = Crucifix\u00e3o de Jesus<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">12h00 = as trevas em vez da Luz!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">15h00 = Morte de Jesus<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">18h00 = Sepultamento de Jesus<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Note-se que, na cronologia dos Evangelhos Sin\u00f3ticos (Mateus, Marcos e Lucas), esta Quinta-Feira \u00e9 o dia da Prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, comendo-se a Ceia Pascal logo ap\u00f3s o p\u00f4r-do-sol (no calend\u00e1rio religioso hebraico j\u00e1 \u00e9 Sexta-Feira, dado que o dia come\u00e7a com o p\u00f4r-do-sol). Como se v\u00ea, esta cronologia v\u00ea na Ceia de Jesus com os seus Disc\u00edpulos uma Ceia Pascal. Tamb\u00e9m de acordo com esta cronologia, Jesus \u00e9 preso, julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado em Sexta-Feira, Dia da P\u00e1scoa dos judeus, o que seria muito estranho! O Evangelho de S. Jo\u00e3o apresenta outra cronologia, hoje defendida pela maioria dos estudiosos, segundo a qual Jesus ter\u00e1 comido uma Ceia, a sua Ceia Nova em Quinta-Feira, mas n\u00e3o a Ceia ritual da P\u00e1scoa dos judeus, e foi preso, julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado, em Sexta-Feira, dia da Prepara\u00e7\u00e3o, antes da Ceia ritual da P\u00e1scoa dos judeus (Jo\u00e3o 18,28), que Jo\u00e3o coloca no S\u00e1bado, e n\u00e3o na Sexta-Feira. No seu Livro sobre Jesus de Nazar\u00e9, Bento XVI defende tamb\u00e9m esta cronologia joanina. De resto, as Igrejas do Ocidente seguem a cronologia dos Sin\u00f3ticos: por isso, a nossa Eucaristia \u00e9 com p\u00e3o \u00c1zimo, derivado do ritual da Ceia da P\u00e1scoa dos judeus. Por seu lado, as Igrejas do Oriente seguem a cronologia joanina, sendo a sua Eucaristia com p\u00e3o comum, dado n\u00e3o derivar do ritual da P\u00e1scoa dos judeus.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">14. O Antigo Testamento serve-nos hoje o chamado \u00abterceiro canto do Servo\u00bb (Isa\u00edas 50,4-7). Gerado na dor de Israel como verdadeiro filho do milagre (Isa\u00edas 49,21), ergue-se esta singular figura de \u00abServo\u00bb (<em>\u2018ebed<\/em>), totalmente nas m\u00e3os de Deus, desde a sua predestina\u00e7\u00e3o desde o seio materno (Isa\u00edas 49,1 e 5), passando pela sua entrega \u00e0 morte (Isa\u00edas 53,12), at\u00e9 \u00e0 sua exalta\u00e7\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o (Isa\u00edas 52,13), de tal modo que Deus o pode chamar \u00abmeu Servo\u00bb (<em>\u2018abd\u00ee<\/em>). Na li\u00e7\u00e3o de hoje, o \u00abServo\u00bb \u00e9 um Disc\u00edpulo a quem Deus abre os ouvidos at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o, para ouvir bem a m\u00fasica de Deus, e poder levar uma palavra de consolo aos dela necessitados. \u00abTornando o seu rosto duro como uma pedra\u00bb (Isa\u00edas 50,7), apresenta-se como um Servo, n\u00e3o insens\u00edvel e indiferente, mas decidido a levar at\u00e9 ao fim a miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada. A mesma express\u00e3o ser\u00e1 dita acerca de Jesus em Lucas 9,51, quando se volta decisivamente, sem hesita\u00e7\u00e3o ou recuo, para Jerusal\u00e9m. O Novo Testamento passa por aqui!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">15. Em claro paralelismo com o \u00abServo\u00bb, cantado por Isa\u00edas, a\u00ed est\u00e1 Jesus apresentado por Paulo aos Filipenses (2,6-11). Mas aqui, o \u00abServo\u00bb tem um Rosto e um Nome: Jesus recebeu, na sua Humanidade, o Nome divino (ver tamb\u00e9m Hebreus 1,1-4), Nome incompar\u00e1vel (Filipenses 2,9). Por isso, agora, todos os seres criados adoram o Nome-Jesus (Filipenses 2,10), e \u00abtoda a l\u00edngua\u00bb, isto \u00e9, todo o ser humano racional, professa: \u00abSenhor \u00e9 Jesus Cristo!\u00bb (<em>K\u00fdrios I\u00easo\u00fbs Christ\u00f3s<\/em>). Notar a ordem dos tr\u00eas termos, errada nas vers\u00f5es modernas: Senhor, isto \u00e9, Deus eterno, \u00e9 o Homem-Jesus Cristo. O sujeito \u00e9 o que n\u00e3o se conhece; o predicado \u00e9 o que se conhece. O acento cai, pois, sobre Senhor. O fim em vista: a Gl\u00f3ria do Pai com o Esp\u00edrito (Filipenses 2,11). \u00c9 quanto Deus operou na Cruz e semeou no nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">16. Voltamos \u00e0 m\u00fasica do Salmo 22, uma ora\u00e7\u00e3o que nasce na Paix\u00e3o e termina na P\u00e1scoa! \u00c9 belo tomarmos consci\u00eancia de que Jesus nos pediu estas palavras emprestadas, para no-las devolver a transbordar de sentido. J\u00e1 se sabe que aquele \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb, que Jesus reza na Cruz, e que s\u00e3o as primeiras palavras do Salmo, implica, segundo a praxe judaica, a recita\u00e7\u00e3o do Salmo inteiro, que tem uma primeira parte de fort\u00edssima lamenta\u00e7\u00e3o (vv. 2-22), passando logo para uma segunda parte que expressa consola\u00e7\u00e3o por ver Deus ao nosso lado, t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s (vv. 23-27), e terminando em verdadeira exulta\u00e7\u00e3o (vv. 28-32). O grande pregador franc\u00eas Jacques Bossuet (1627-1704) declarava bem-aventurados aqueles que, recitando este Salmo, se encontram com Jesus, t\u00e3o santamente tristes e t\u00e3o divinamente felizes!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Is 50,4-7; Sl 22; Fl 2,6-11; Lc 22,14-23,56 1. 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