{"id":3738425840,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/10691-domingo-xviii-do-tempo-comum-senhor-da-nos-sempre-desse-pao"},"modified":"2025-11-07T16:33:47","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:47","slug":"domingo-xviii-do-tempo-comum-senhor-da-nos-sempre-desse-pao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xviii-do-tempo-comum-senhor-da-nos-sempre-desse-pao\/","title":{"rendered":"Domingo XVIII do Tempo Comum: \u00abSenhor, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Continuamos, neste Domingo XVIII do Tempo Comum, a revisitar a p\u00e1gina Evang\u00e9lica de Jo\u00e3o 6, no caso de hoje, 6,24-35. Depois do epis\u00f3dio do CONDIVIS\u00c3O dos p\u00e3es, Jesus afastou-se sozinho para o monte (Jo\u00e3o 6,15), e os seus disc\u00edpulos entraram na Barca e atravessaram o Mar da Galileia, na dire\u00e7\u00e3o de Cafarnaum (Jo\u00e3o 6,16-17). Em pleno Mar, foram apanhados pelo escuro, por um vento grande e pelo medo (Jo\u00e3o 6,17-20). Na verdade, iam s\u00f3s, pois Jesus ainda n\u00e3o tinha vindo ter com eles. Mas vem, e com ele vem tamb\u00e9m a calma e a serenidade, e logo encontram rumo seguro para terra (Jo\u00e3o 6,21). Definitivamente: os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o podem andar sozinhos, sem Jesus: quando o fazem, invade-os a noite, a tormenta, o medo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Com o afastamento de Jesus para o monte, tamb\u00e9m a multid\u00e3o ficou sozinha, mas leva mais tempo at\u00e9 se aperceber da sua solid\u00e3o e da aus\u00eancia de Jesus. O escuro n\u00e3o os preocupa. Passam a noite a dormir descansadamente. S\u00f3 no dia seguinte se apercebem da falta de Jesus, da falta que Jesus lhes faz, e v\u00e3o \u00e0 procura d\u2019Ele (Jo\u00e3o 6,22-24). Encontram-no, e manifestam a confus\u00e3o neles instalada, perguntando: \u00abRabb\u00ee, quando vieste para aqui?\u00bb (Jo\u00e3o 6,25).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Sem contempla\u00e7\u00f5es e com palavras dur\u00edssimas, Jesus desvenda logo, de forma clara e solene, a sonol\u00eancia e incompreens\u00e3o que os habita: \u00abEm verdade, em verdade, vos digo: \u201cV\u00f3s procurais-me, n\u00e3o porque vistes sinais, mas porque comestes dos p\u00e3es e enchestes a barriga como animais (<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>)\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 6,26). A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 forte e de denso sabor prof\u00e9tico. O verbo usado \u00e9\u00a0<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>, derivado de\u00a0<em>ch\u00f3rtos<\/em>, que significa \u00aberva seca\u00bb, \u00abfeno\u00bb, \u00abpalha\u00bb. No dizer de Jesus, aquela multid\u00e3o comeu como comem os animais. E, no fim, deitam-se a dormir. At\u00e9 ao dia seguinte. A comida dos animais tamb\u00e9m \u00e9 dom de Deus, mas eles n\u00e3o se apercebem, nem agradecem. Do mesmo modo, a multid\u00e3o come e dorme. N\u00e3o v\u00ea nem l\u00ea \u00absinais\u00bb. O alimento recebido n\u00e3o d\u00e1 que pensar e que rezar. N\u00e3o se apercebe que o alimento \u00e9 dom de Deus, e que remete, portanto, para Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. E t\u00e3o-pouco entendem que est\u00e1 ali o verdadeiro\u00a0<em>p\u00e3o da vida<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 6,35). N\u00e3o veem nem ouvem Jesus, e o sentido novo que traz para a vida das pessoas. Limitam-se a contar a hist\u00f3ria antiga do man\u00e1 antigo que os seus pais comeram no deserto. Como quem diz (e n\u00f3s repetimos muitas vezes o mesmo refr\u00e3o viciado): \u00abantigamente \u00e9 que era!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. E esse man\u00e1 antigo era, afinal, bem pouca coisa. Mas foi \u00abvisto\u00bb como sinal da provid\u00eancia de Deus em pleno deserto, como ensina a li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro do \u00caxodo 16. Trata-se do man\u00e1 chamado\u00a0<em>lecanora<\/em>, que se encontra desde o Ir\u00e3o at\u00e9 ao Norte de \u00c1frica, portanto tamb\u00e9m no norte da Pen\u00ednsula sina\u00edtica, que \u00e9 granuloso e aguado, de dimens\u00f5es bem reduzidas, min\u00fasculas, do tamanho da semente do coentro [= cerca de 5 mil\u00edmetros de di\u00e2metro], de cor branca, e tem sabor a mel (\u00caxodo 16,31). Trata-se, na verdade, da secre\u00e7\u00e3o produzida pelo tamarisco, chamado\u00a0<em>tamarix gallica<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>tamarix-mannifera<\/em>, ap\u00f3s a picada de um inseto, o\u00a0<em>coccus manniparus<\/em>, ou de dois, a<em>\u00a0trabutina-mannipara<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>naiacoccus serpentinus<\/em>.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-6\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Afinal, \u00e9 bem pouca coisa o man\u00e1. Tal como os cinco p\u00e3es e os dois peixinhos. Mas, quando se v\u00ea como um dom de Deus, essa pouca coisa \u00e9 tanto! Eis como admiravelmente escreve o Livro da Sabedoria, quando fala do man\u00e1: \u00abnutriste o teu povo com um alimento de anjos, DESTE-lhe o P\u00c3O do C\u00c9U, com mil sabores: ele manifestava a tua DO\u00c7URA (<em>glyk\u00fdt\u00eas<\/em>, glicose). Assim os teus FILHOS QUERIDOS aprenderam, Senhor, que N\u00c3O \u00c9 A PRODU\u00c7\u00c3O DE FRUTOS que alimenta os homens, mas a tua Palavra que a todos sustenta\u00bb (Sabedoria 16,20-21.26). A\u00ed est\u00e1, claro, clar\u00edssimo, o indicador correto da compreens\u00e3o da chamada \u00abmultiplica\u00e7\u00e3o\u00bb dos p\u00e3es por Jesus. N\u00e3o, Jesus n\u00e3o faz o papel de um qualquer produtor ou empres\u00e1rio que faz uma opera\u00e7\u00e3o de multiplica\u00e7\u00e3o de bens, para satisfazer os desejos das pessoas, em termos de consumo e de mercado. Ele distribui, reparte, partilha a Palavra de Deus, fazendo nascer desta opera\u00e7\u00e3o um mundo novo. J\u00e1 todos dev\u00edamos saber que aumentar a produ\u00e7\u00e3o pode aumentar a gan\u00e2ncia, mas n\u00e3o resolve o problema da fome ou da pobreza. Aumentar a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nenhum milagre. O milagre reside na partilha! O nosso povo simples, que guarda sempre uma intelig\u00eancia grata e penetrante, diz bem que \u00abo pouco com Deus \u00e9 muito; o muito sem Deus \u00e9 nada!\u00bb. Admir\u00e1vel sabedoria e sintonia com o Evangelho de Jesus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Jesus \u00e9 a Palavra Viva, o P\u00e3o da Vida, que, no meio de n\u00f3s, manifesta a Do\u00e7ura ou a Glicose de Deus (cf. Sabedoria 16,21). \u00c9 sempre tendo este Jesus como refer\u00eancia e fonte de vida nova, que devemos abandonar a antiga vida oca e v\u00e3 (<em>m\u00e1taios<\/em>), a intelig\u00eancia obscurecida (<em>sk\u00f3tos<\/em>), a aliena\u00e7\u00e3o (<em>apallotri\u00f3\u00f4<\/em>) e a ignor\u00e2ncia (<em>agn\u00f4s\u00eda<\/em>) de Deus, o cora\u00e7\u00e3o endurecido (<em>p\u00f4r\u00f4sis<\/em>), que geram insensibilidade, dissolu\u00e7\u00e3o, impureza e avidez, e, em Jesus, renovar a nossa intelig\u00eancia, compreens\u00e3o e sentido da vida, revestindo-nos (<em>end\u00fd\u00f4<\/em>) de h\u00e1bitos novos, que n\u00e3o se vendem ou compram no pronto-a-vestir (Ef\u00e9sios 4,17-24).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Sim, Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas n\u00e3o \u00e9 nosso. N\u00e3o \u00e9 um sistema de produ\u00e7\u00e3o ou de abastecimento. Ele \u00e9 o Amor, a Alegria, a Vida Vivente e Eterna, Vida divina, dita\u00a0<em>z\u00f4\u00ea<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 6,33) ou\u00a0<em>z\u00f4\u00ea ai\u00f4nios<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 6,27), e n\u00e3o\u00a0<em>b\u00edos<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>psych\u00ea<\/em>, voc\u00e1bulos que dizem a nossa vida corrente e o seu sustento. Ele \u00e9 o C\u00e9u e o P\u00e3o descido do C\u00e9u \u00e0 nossa terra, para nos fazer viver felizes e nos elevar \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de Filho, filhos no Filho. Est\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas n\u00e3o o podemos reter ou possuir. Ensina-nos bem Abraham Joshua Heschel que um dom \u00e9 como um vaso cheio de afeto, que se quebra logo que o recebedor o comece a considerar como seu. Senhor Jesus, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O Salmo 78 ensina-nos que a B\u00edblia \u00e9 a longa hist\u00f3ria de uma salva\u00e7\u00e3o sempre oferecida, acolhida e, por vezes, rejeitada. Lembra-nos que as maravilhas de Deus n\u00e3o s\u00e3o para guardar no cofre da fam\u00edlia, mas para passar, de m\u00e3o em m\u00e3o, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, de pais para filhos, de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. A catequese \u00e9 o an\u00fancio de um acontecimento em carne viva que nos deve comprometer, e n\u00e3o de uma s\u00e9rie de frias, enlatadas ou requentadas f\u00f3rmulas ou teses teol\u00f3gicas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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