{"id":3784288502,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12271-domingo-xi-do-tempo-comum-mudanca-de-lugar-e-de-modo"},"modified":"2025-11-07T16:33:55","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:55","slug":"domingo-xi-do-tempo-comum-mudanca-de-lugar-e-de-modo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xi-do-tempo-comum-mudanca-de-lugar-e-de-modo\/","title":{"rendered":"Domingo XI do Tempo Comum: \u00abMudan\u00e7a de lugar e de modo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Ex 19,2-6a; Sl 100; Rm 5,6-11; Mt 9,36-10,8<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Atravessada em seis etapas dominicais (Domingos IV a IX) a paisagem sublime das alturas do Discurso program\u00e1tico da Montanha (Mateus 5,1-7,29), a que n\u00e3o tivemos acesso na totalidade devido \u00e0 entrada de outras festividades (Ascens\u00e3o, Pentecostes, SS.ma Trindade) que ocuparam os Domingos VII, VIII e IX, e tendo vivido de perto a cena do chamamento e resposta imediata e festiva de Mateus (Mateus 9,9-13) (Domingo X), ficaremos agora, durante tr\u00eas Domingos (XI-XIII) com o chamado Discurso Mission\u00e1rio (Mateus 9,36-11,1).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Neste Domingo XI, escutaremos Mateus 9,36-10,8. Tudo come\u00e7a pelo princ\u00edpio. E o princ\u00edpio \u00e9 sempre a miseric\u00f3rdia de Jesus, dita no texto grego com o verbo\u00a0<em>splagchn\u00edzomai<\/em>, quase sempre com o aoristo passivo\u00a0<em>esplagchn\u00edsth\u00ea<\/em>, que tenta traduzir o intraduz\u00edvel\u00a0<em>rah<sup>a<\/sup>m\u00eem<\/em>\u00a0hebraico, plural intensivo de\u00a0<em>rehem<\/em>, que pretende dizer o ventre materno no seu todo, como lugar onde se origina a vida (e nunca onde se sufoca a vida). Na maneira de ver hebraica e grega, mas tamb\u00e9m entre n\u00f3s, o ventre \u00e9 o lugar mais fr\u00e1gil e o mais rapidamente afetado por qualquer circunst\u00e2ncia triste ou feliz. Por isso, a miseric\u00f3rdia aparece ligada ao ventre. Dizer isto de Jesus \u00e9 compreender que, \u00e0 vista das multid\u00f5es cansadas e abatidas, comparadas a ovelhas sem pastor (Mateus 9,36), Jesus \u00e9 tomado de assalto por um movimento visceral, maternal intenso, imediato e irreprim\u00edvel. \u00c9 a mesma como\u00e7\u00e3o visceral, maternal irreprim\u00edvel, que encontramos em tantas outras circunst\u00e2ncias do Evangelho: a cena da vi\u00fava de Naim (Lucas 7,13), do bom samaritano (Lucas 10,33), do pai da par\u00e1bola das miseric\u00f3rdias (Lucas 15,20). De notar, desde j\u00e1, que h\u00e1 uma diferen\u00e7a assinal\u00e1vel entre\u00a0<em>miseric\u00f3rdia<\/em>\u00a0(<em>rah<sup>a<\/sup>m\u00eem<\/em>) e\u00a0<em>amor<\/em>\u00a0(<em>hesed<\/em>). A\u00a0<em>miseric\u00f3rdia b\u00edblica<\/em>\u00a0n\u00e3o se equaciona, pensa, calcula ou programa: \u00e9 para j\u00e1, toma-nos de assalto quando se nos depara uma situa\u00e7\u00e3o que reclama logo ali as nossas m\u00e3os. Ao contr\u00e1rio, o\u00a0<em>amor b\u00edblico<\/em>, a\u00a0<em>hesed<\/em>, que nos coloca no cen\u00e1rio da alian\u00e7a e do compromisso, reclama de n\u00f3s que pensemos previamente para que a decis\u00e3o que vamos tomar seja firme e consistente. A express\u00e3o \u00abcomo ovelhas sem pastor\u00bb \u00e9 uma maneira de dizer muito b\u00edblica para expressar a dispers\u00e3o, o desalento e o desencanto das pessoas (N\u00fameros 27,17; 1 Reis 22,17; Judite 11,19; Ezequiel 34,5-6; Zacarias 10,2).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Jesus quer envolver nesta maneira de ver enternecida e comovida, misericordiosa, os seus disc\u00edpulos. Por isso, dirige-se logo a eles com estas palavras: \u00abA\u00a0<em>messe<\/em>\u00a0\u00e9 grande, mas os trabalhadores s\u00e3o poucos; pedi, pois, ao Senhor da\u00a0<em>messe<\/em>\u00a0que mande trabalhadores para a sua\u00a0<em>messe<\/em>\u00bb (Mateus 9,37-38). A\u00a0<em>messe<\/em>, grego\u00a0<em>therism\u00f3s<\/em>, qualifica a colheita, n\u00e3o a sementeira. A\u00a0<em>messe<\/em>, dita com o termo grego\u00a0<em>therism\u00f3s<\/em>, \u00e9 uma imagem muito b\u00edblica para desenhar, n\u00e3o o tempo da sementeira, da espera e da prepara\u00e7\u00e3o, mas o tempo amadurecido e pleno da realiza\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, com a vinda do Messias, um tempo novo, n\u00e3o de l\u00e1grimas, mas de alegria e de can\u00e7\u00f5es, como refere o Salmo 126,5-6: \u00abOs que semeiam com l\u00e1grimas,\/ ceifam no meio de can\u00e7\u00f5es.\/ V\u00e3o andando e chorando,\/ levando as sementes;\/ ao voltar, v\u00eam cantando,\/ trazendo os molhos de espigas\u00bb. \u00c9 sintom\u00e1tico, e esbarra contra o nosso muito requintado gosto de apresentar resultados imediatos e estat\u00edsticas elevadas, que Jesus diga que \u00aba messe \u00e9 grande, e os trabalhadores poucos\u00bb, e que n\u00e3o ponha logo os seus disc\u00edpulos em campo a fazer projetos, planos e programas de a\u00e7\u00e3o para acudir \u00e0quela situa\u00e7\u00e3o, e que, em vez disso, os mande pedir ao Senhor da\u00a0<em>messe<\/em>\u00a0que envie oper\u00e1rios para a sua\u00a0<em>messe<\/em>!<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">\u00a04. Com um procedimento assim, Jesus deixa desconcertados aqueles disc\u00edpulos, e a n\u00f3s com eles. Na verdade, Jesus est\u00e1 a passar-nos um ensinamento essencial, que repetidamente esquecemos. Est\u00e1 a dizer-nos que o povo e a prec\u00e1ria condi\u00e7\u00e3o em que eventualmente se encontra nunca \u00e9 um campo aberto \u00e0s nossas experi\u00eancias, estudos, programas ou simples ensaios de medidas s\u00f3cio caritativas, por bem intencionado que tudo isto seja. Primeiro e antes de tudo \u2013 primeiro, primeiro, primeiro \u2013, Jesus remete-nos para Deus, que \u00e9 o Senhor da messe. \u00c9 como quem diz que quem quiser verdadeiramente ajudar as pessoas em qualquer situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, n\u00e3o pode apresentar-se em nome pr\u00f3prio e por sua conta e risco. Tem de pedir esse privil\u00e9gio ao Senhor da messe, e tem de ser por Ele enviado. O reconhecimento de Deus como Senhor da messe (1), a ora\u00e7\u00e3o que lhe dirigimos (2), e a obedi\u00eancia que lhe devemos (3) s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es primeiras da miss\u00e3o. Portanto, depois de ter mostrado \u00e0queles disc\u00edpulos a prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o daquele povo abandonado e de lhes ter indicado as condi\u00e7\u00f5es para levar a cabo a miss\u00e3o de miseric\u00f3rdia em seu favor, s\u00f3 agora, Jesus envia em miss\u00e3o \u00abos seus doze disc\u00edpulos\u00bb (Mateus 10,1), logo indicados como os \u00abdoze ap\u00f3stolos\u00bb, ou enviados (Mateus 10,2). Ao fazer o que faz e como o faz, isto \u00e9, ao preparar e presidir a esta a\u00e7\u00e3o de envio, Jesus assume-se como Senhor da\u00a0<em>messe<\/em>, isto \u00e9, como Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. A imagem da\u00a0<em>messe<\/em>, que traz consigo a realiza\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, completa a imagem do jejum, referida pouco atr\u00e1s, em Mateus 9,14-15. Os disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista e os fariseus jejuam para apressar a vinda do Messias. Os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o jejuam, porque o Messias j\u00e1 est\u00e1 com eles. Ele \u00e9 o Reino-de-Deus em Pessoa, a\u00a0<em>Autobasile\u00eda<\/em>, no dizer certeiro e contundente de Or\u00edgenes (185-254), o insigne mestre das escolas de Alexandria e de Cesareia Mar\u00edtima. \u00c9 por isso que o dizer dos Doze Ap\u00f3stolos enviados em miss\u00e3o deve soar: \u00abFez-se pr\u00f3ximo o REINO dos C\u00c9US\u00bb (Mateus 10,7b), sendo que \u00abfez-se pr\u00f3ximo\u00bb est\u00e1 escrito em grego com\u00a0<em>\u00e9ggiken<\/em>, que \u00e9 o perfeito do verbo\u00a0<em>egg\u00edz\u00f4<\/em>. E j\u00e1 se sabe que o perfeito grego come\u00e7a e continua, n\u00e3o est\u00e1 de passagem. Est\u00e1 no meio de n\u00f3s. E \u00e9 Ele que prepara e preside \u00e0 miss\u00e3o de que nos incumbe.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. \u00c9 neste contexto que Jesus envia em miss\u00e3o os seus Doze Ap\u00f3stolos, citados pelo nome, e que ficam fortemente vinculados a Jesus. 1) Em primeiro lugar, pelo chamamento (10,1a). 2) Depois, pela autoridade dada (10,1b). 3) Em terceiro lugar, pelo envio (10,5 e 16). 4) Depois, pelo an\u00fancio (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>), que coloca sobre eles a marca da fidelidade: o mensageiro (<em>k\u00earix<\/em>) n\u00e3o transmite as pr\u00f3prias ideias, mas anuncia fielmente a mensagem que lhe \u00e9 confiada (10,7a). 5) Em quinto lugar, pelas palavras que devem dizer: \u00abFez-se pr\u00f3ximo o REINO dos C\u00c9US\u00bb (10,7b), que j\u00e1 foram postas na boca de Jesus (4,17) e de Jo\u00e3o Batista (3,2). 6) Depois, pelas obras que devem realizar (10,1 e 8), que s\u00e3o tamb\u00e9m realizadas por Jesus (4,23-24; 8,16-17), e servem para identificar Jesus (11,5). 7) Em s\u00e9timo lugar, indo, antes de mais, \u00e0 procura das ovelhas perdidas (10,6; cf. 18,12), imitando Jesus (9,36; 15,24). 8) Depois, pela Gra\u00e7a preveniente e concomitante: \u00abrecebestes de gra\u00e7a, dai de gra\u00e7a\u00bb (10,8). 9) Em nono lugar, pela sobriedade e despojamento, pobreza e simplicidade (10,9-10), que os conforma ao \u00abFilho do Homem\u00bb, que \u00abn\u00e3o tem onde reclinar a cabe\u00e7a\u00bb (8,20), at\u00e9 \u00e0 Cruz (Jo\u00e3o 19,30). 10) Depois, pelo reconhecimento da imensa dignidade impressa em cada ser humano, imagem de Deus: da\u00ed o invulgar \u00absem sand\u00e1lias (s\u00f3 em Mateus e Lucas 10,4) nem bast\u00e3o\u00bb (10,10). Sem sand\u00e1lias: \u00e9 assim que se est\u00e1 na presen\u00e7a do Deus Santo (\u00caxodo 3,5; Josu\u00e9 5,15). Sem sand\u00e1lias e sem bast\u00e3o: era assim que se entrava no Templo (os sacerdotes oficiavam descal\u00e7os) e na sinagoga. Os enviados de Jesus sabem que v\u00e3o na presen\u00e7a de Deus e devem ver em cada ser humano a imagem de Deus, suprema dignidade. 11) Em d\u00e9cimo primeiro lugar, pelo sustento (10,10), dado por Deus ao seu Servo e a Jesus, conforme a li\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas 42,1, texto citado por Mateus em 12,18, e tamb\u00e9m Elias, que bebe da torrente e \u00e9 alimentado pelos corvos (1 Reis 17,4-6), e o Rei messi\u00e2nico que, a caminho, bebe da torrente (Salmo 110,7). 12) Depois, o facto de sacudirem o p\u00f3 dos p\u00e9s ao sair de casas e cidades n\u00e3o acolhedoras (10,14) reclama a remo\u00e7\u00e3o do p\u00f3 profano num caminho sagrado. 13) Em d\u00e9cimo terceiro lugar, pela rejei\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o que lhes ser\u00e1 movida (10,16-19), que \u00e9 tamb\u00e9m, desde o princ\u00edpio, a persegui\u00e7\u00e3o movida a Jesus (2,13). 14) Depois, pelo acompanhamento permanente e tranquilo do Pai e do seu Esp\u00edrito, pelo que devemos fazer pausa e bemol, para que seja o Esp\u00edrito a falar em n\u00f3s (10,19-20; cf. 17,9). 15) Por \u00faltimo, quem acolher os Doze, acolhe Jesus e o Pai (10,40).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. As anota\u00e7\u00f5es acabadas de fazer dizem respeito a todo o discurso mission\u00e1rio, e devem, por isso, ser tidas em considera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos pr\u00f3ximos dois Domingos. Jesus chama os Doze, d\u00e1-lhes autoridade e envia-os. A autoridade n\u00e3o \u00e9 coisa pr\u00f3pria dos Doze. \u00c9 dada e recebida da fonte, que \u00e9 Jesus. E destina-se a libertar as pessoas da influ\u00eancia dos esp\u00edritos impuros e a curar. Nas pessoas simples da Palestina do tempo de Jesus, estava ancorada a cren\u00e7a nos esp\u00edritos bons e maus que governavam o mundo e se instalavam como parasitas nas pessoas. Expulsar os esp\u00edritos maus n\u00e3o \u00e9 nem menos eficaz nem menos cred\u00edvel que as curas psicanal\u00edticas atuais. O envio \u00e9 para anunciar (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) que o Reino dos C\u00e9us se fez pr\u00f3ximo e que \u00e9 preciso ir \u00e0 procura das ovelhas perdidas e encher o mundo de paz e de esperan\u00e7a. A base \u00e9 deixar-se tomar pela miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Um \u00edcone ilustrativo desta grande li\u00e7\u00e3o de Jesus que acab\u00e1mos de expor. Num dia de Fevereiro de 1208, talvez no dia 24, ent\u00e3o Festa de S. Matias, na igreja de\u00a0<em>Santa Maria degli Angeli<\/em>\u00a0(Porziuncola), em Assis, um jovem rico e at\u00e9 ent\u00e3o dado a n\u00e3o poucos devaneios, o \u00abRei da juventude de Assis\u00bb, ouviu a leitura desta p\u00e1gina luminosa. Acendeu-se-lhe o cora\u00e7\u00e3o. Nesse dia nasceu, ou completou o seu novo nascimento, S. Francisco de Assis. Apegou-se a Deus e \u00e0 pobreza e ao Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O contraponto musical em pura sintonia vem hoje do grande texto de \u00caxodo 19,2-6, e lan\u00e7a a semente para tempos de colheita e realiza\u00e7\u00e3o que h\u00e3o de vir, e que o Evangelho mostra cumpridos. O \u00abdizer\u00bb de Deus est\u00e1 guardado no centro da estrutura, como num envelope. Tem a ver com um passado de gra\u00e7a operado por Deus em favor dos Filhos de Israel e por estes experimentado e por um futuro de gra\u00e7a oferecido por Deus e que pode tamb\u00e9m ser experimentado. \u00abV\u00f3s vistes o que Eu fiz ao Egito, como vos carreguei sobre asas de \u00e1guia e vos trouxe at\u00e9 mim\u00bb (\u00caxodo 19,4), eis o passado de gra\u00e7a, com f\u00e9 e amor recitado \u2013 \u00abo relato acredita-se; a hist\u00f3ria sabe-se\u00bb \u2013, \u00abm\u00f3dulo narrativo\u00bb el\u00e1stico e miniatural que carinhosamente guardamos e transportamos connosco como uma joia de fam\u00edlia, junto ao cora\u00e7\u00e3o: \u00e9 pequeno, trabalho delicado de art\u00edstica e carinhosa miniatura, que recolhe com ternura o passado e o torna presente, para ser facilmente transportado e calorosamente recitado por cada um de n\u00f3s; nele nos reconhecermos, dele vivemos, com ele nos identificamos, com ele nos apresentamos. O passado e o futuro de gra\u00e7a rodam, por\u00e9m, sobre a resposta de ades\u00e3o a Deus que Israel tem de dar, e n\u00e3o pode deixar de dar, exigida por aquele enf\u00e1tico \u00abE AGORA\u00bb (<em>w<sup>e<\/sup>\u2018attah<\/em>) que ocupa o centro da estrutura. Salta \u00e0 vista que h\u00e1 um \u00abdizer\u00bb de Deus a atravessar o texto, a atravessar Israel e a atravessar-nos a n\u00f3s. Note-se ainda que est\u00e1 aqui a nascer um povo sacerdotal, verdadeiro \u00absacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is\u00bb, assente na escuta e no cumprimento da Palavra, rela\u00e7\u00e3o nova de nova proximidade e nova familiaridade entre Deus e o seu povo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. A Carta aos Romanos 5,6-11 mostra-nos aquele Jesus Cristo que se debru\u00e7a com amor sobre o nosso desvalor, exatamente como aparece no Evangelho de hoje, maternalmente se compadecendo das pessoas perdidas, cansadas e abatidas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Na tradi\u00e7\u00e3o judaica, o Salmo 100 constitui uma velha, pequena ora\u00e7\u00e3o que ressoa no nosso cora\u00e7\u00e3o como louvor ao Deus bom, cujo amor \u00e9 eterno. Intitula-se \u00abUm c\u00e2ntico para a\u00a0<em>t\u00f4dah<\/em>\u00bb (<em>mizm\u00f4r l<sup>e<\/sup>t\u00f4dah<\/em>), isto \u00e9, para a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Senhor. Este pequeno hino articula gritos de alegria, louvor, conhecimento, s\u00faplica, b\u00ean\u00e7\u00e3o. Agostinho comenta assim: \u00abDeixa que a ora\u00e7\u00e3o se transforme no teu alimento. Rezando, adquires novas energias, e Aquele a quem rezas torna-se mais doce para contigo\u00bb. No centro do pequeno hino est\u00e1 uma profiss\u00e3o de f\u00e9 no Senhor: o Senhor \u00e9 Deus, nosso criador, que estabeleceu a alian\u00e7a com Israel: \u00abn\u00f3s somos o seu povo\u00bb, o amor do Senhor \u00e9 para sempre, a sua fidelidade por todas as gera\u00e7\u00f5es (v. 3 e 5).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex 19,2-6a; Sl 100; Rm 5,6-11; Mt 9,36-10,8 1. Atravessada em seis etapas dominicais (Domingos IV a IX) a paisagem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":920925217,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-3784288502","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3784288502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3784288502"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3784288502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994905,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3784288502\/revisions\/4294994905"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/920925217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3784288502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3784288502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3784288502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}