{"id":3812536804,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8569-marrocos-papa-encontra-se-com-os-migrantes"},"modified":"2025-11-07T16:34:33","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:33","slug":"marrocos-papa-encontra-se-com-os-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/marrocos-papa-encontra-se-com-os-migrantes\/","title":{"rendered":"Marrocos: Papa encontra-se com os migrantes"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_caritas_rabat_190331120222.jpg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Primeiro dia de uma curta mas significativa viagem apost\u00f3lica a Marrocos fica marcada pelo encontro do Papa Francisco com os migrantes na sede da C\u00e1ritas em Rabat. Nas palavras que dirigiu aos presentes o Papa recordou &#8220;os milh\u00f5es de migrantes v\u00edtimas de redes de tr\u00e1fico&#8221;, reafirmou que os migrantes &#8220;est\u00e3o no centro do cora\u00e7\u00e3o da Igreja&#8221; e voltou a propor &#8220;os quatro\u00a0acolher, proteger, promover e integrar \u2013 a quantos desejam tornar mais concreta e real esta alian\u00e7a, para que sabiamente prefiram envolver-se a emudecer, socorrer a isolar, construir a abandonar&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><span>Leia, na \u00edntegra, a o discurso do Papa Francisco<\/span><\/p>\n<p><em>ueridos amigos!<\/em><\/p>\n<p>Sinto-me feliz por esta possibilidade de vos encontrar durante a minha visita ao Reino de Marrocos, que me proporciona renovada ocasi\u00e3o para expressar a minha proximidade a todos v\u00f3s e, juntamente convosco, debru\u00e7ar-me sobre uma ferida, grande e grave, que continua a afligir os in\u00edcios deste s\u00e9culo XXI. Uma ferida que brada ao c\u00e9u; n\u00e3o queremos que a indiferen\u00e7a e o sil\u00eancio sejam a nossa resposta (cf. <em>Ex<\/em> 3, 7). E, mais ainda, quando se constata que s\u00e3o muitos milh\u00f5es os refugiados e outros migrantes for\u00e7ados que pedem a prote\u00e7\u00e3o internacional, sem contar as v\u00edtimas do tr\u00e1fico e das novas formas de escravid\u00e3o nas m\u00e3os de organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Ningu\u00e9m pode ficar indiferente perante este sofrimento.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o ao bispo D. Santiago as suas palavras de boas-vindas e o empenho da Igreja ao servi\u00e7o dos migrantes. Obrigado tamb\u00e9m a Jackson pelo seu testemunho; obrigado a todos v\u00f3s \u2013 migrantes e membros das associa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ao seu servi\u00e7o \u2013 por terdes vindo aqui, nesta tarde, para estarmos juntos, fortalecermos os la\u00e7os entre n\u00f3s e continuarmos a trabalhar para garantir condi\u00e7\u00f5es de vida digna para todos.\u00a0E obrigado \u00e0s crian\u00e7as! Estas s\u00e3o a esperan\u00e7a. Por elas devemos lutar. Por elas. Elas t\u00eam direito, direito \u00e0 vida, direito \u00e0 dignidade. Lutemos por elas.<strong> <\/strong>Todos\u00a0somos chamados a responder aos numerosos desafios colocados pelas migra\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, com generosidade, prontid\u00e3o, sabedoria e clarivid\u00eancia, cada qual segundo as pr\u00f3prias possibilidades (cf. <em> <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/migration\/documents\/papa-francesco_20170815_world-migrants-day-2018.html\">Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/a>,<\/em> de 2018).<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns meses, realizou-se aqui, em Marrocos, a Confer\u00eancia Intergovernamental de Marraquexe que ratificou a ado\u00e7\u00e3o do Pacto Mundial para uma Migra\u00e7\u00e3o Segura, Ordenada e Regular. \u00abO Pacto sobre as migra\u00e7\u00f5es constitui um importante passo em frente na comunidade internacional, que nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, pela primeira vez a n\u00edvel multilateral, aborda o tema num documento relevante\u00bb (<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/january\/documents\/papa-francesco_20190107_corpo-diplomatico.html\">Discurso aos Membros do Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9<\/a><\/em>, 7 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p>Este Pacto permite reconhecer e tomar consci\u00eancia de que \u00abn\u00e3o se trata apenas de migrantes\u00bb (cf. <em>Tema do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/em> em 2019), como se as suas vidas fossem uma realidade alheia ou marginal que nada tivesse a ver com o resto da sociedade; como se o seu estatuto de pessoa com direitos ficasse \u00absuspenso\u00bb por causa da sua situa\u00e7\u00e3o atual; \u00abefetivamente, um migrante n\u00e3o \u00e9 mais ou menos humano segundo a sua localiza\u00e7\u00e3o dum lado ou do outro da fronteira\u00bb<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/march\/documents\/papa-francesco_20190330_migranti-marocco.html#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\"><\/a>[1].<\/p>\n<p>Em jogo est\u00e1 a fisionomia que queremos assumir como sociedade e o valor de cada vida. Muitos passos positivos foram dados em diferentes \u00e1reas, especialmente nas sociedades desenvolvidas, mas n\u00e3o podemos esquecer que o progresso dos nossos povos n\u00e3o se pode medir apenas pelo desenvolvimento tecnol\u00f3gico ou econ\u00f3mico. Aquele depende sobretudo da capacidade de se deixar mover e comover por quem bate \u00e0 porta e, com o seu olhar, desabona e exautora todos os falsos \u00eddolos que hipotecam e escravizam a vida; \u00eddolos que prometem uma felicidade ilus\u00f3ria e ef\u00e9mera, constru\u00edda \u00e0 margem da realidade e do sofrimento dos outros. Como se torna deserta e in\u00f3spita uma cidade, quando perde a capacidade da compaix\u00e3o! Uma sociedade sem cora\u00e7\u00e3o&#8230; uma m\u00e3e est\u00e9ril. N\u00e3o estais marginalizados, mas no centro do cora\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>Quis propor quatro verbos \u2013 acolher, proteger, promover e integrar \u2013 a quantos desejam tornar mais concreta e real esta alian\u00e7a, para que sabiamente prefiram envolver-se a emudecer, socorrer a isolar, construir a abandonar.<\/p>\n<p>Queridos amigos, gostaria de reafirmar aqui a import\u00e2ncia destes quatro verbos. De certo modo, formam um quadro de refer\u00eancia para todos. Com efeito, neste servi\u00e7o estamos todos envolvidos \u2013 de formas diferentes, mas todos envolvidos \u2013 e todos somos necess\u00e1rios para garantir uma vida mais digna, segura e solid\u00e1ria. Apraz-me pensar que o primeiro volunt\u00e1rio, assistente, socorrista, amigo dum migrante \u00e9 outro migrante que conhece pessoalmente o sofrimento do caminho. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar em estrat\u00e9gias de grande alcance, capazes de dar dignidade, limitando-se a a\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia ao migrante. Isto \u00e9 essencial, mas insuficiente. \u00c9 preciso que v\u00f3s, migrantes, vos sintais os primeiros protagonistas e gestores em todo este processo.<\/p>\n<p>Estes quatro verbos podem ajudar a criar alian\u00e7as capazes de resgatar espa\u00e7os onde acolher, proteger, promover e integrar. Em suma, espa\u00e7os onde dar dignidade.<\/p>\n<p>\u00abConsiderando o cen\u00e1rio atual, <em>acolher<\/em> significa, antes de tudo, oferecer a migrantes e refugiados possibilidades mais amplas de entrada segura e legal nos pa\u00edses de destino\u00bb\u00a0(<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/migration\/documents\/papa-francesco_20170815_world-migrants-day-2018.html\">Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/a><\/em>, de 2018). De facto, a amplia\u00e7\u00e3o dos canais regulares de migra\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais objetivos do Pacto Mundial. Este esfor\u00e7o comum \u00e9 necess\u00e1rio para n\u00e3o conceder novos espa\u00e7os aos \u00abmercadores de carne humana\u00bb que se aproveitam dos sonhos e car\u00eancias dos migrantes. Enquanto este servi\u00e7o n\u00e3o for plenamente implementado, dever-se-\u00e1 enfrentar a premente realidade dos fluxos irregulares com justi\u00e7a, solidariedade e miseric\u00f3rdia. As formas de expuls\u00e3o coletiva, que n\u00e3o permitem uma gest\u00e3o correta dos casos particulares, n\u00e3o devem ser aceites; ao passo que os percursos extraordin\u00e1rios de regulariza\u00e7\u00e3o, sobretudo nos casos de fam\u00edlias e menores, se devem incentivar e simplificar.<\/p>\n<p><em>Proteger<\/em>\u00a0significa assegurar a \u00abdefesa dos direitos e da dignidade dos migrantes e refugiados, independentemente da sua situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria\u00bb (<em>Ibidem<\/em>). Cingindo-nos \u00e0 realidade desta regi\u00e3o, a prote\u00e7\u00e3o deve ser assegurada, antes de tudo, ao longo das rotas migrat\u00f3rias, que infelizmente s\u00e3o muitas vezes palco de viol\u00eancia, explora\u00e7\u00e3o e abusos de todo o g\u00e9nero. Aqui, julgo necess\u00e1rio tamb\u00e9m prestar uma aten\u00e7\u00e3o particular aos migrantes em situa\u00e7\u00e3o de grande vulnerabilidade, aos numerosos menores n\u00e3o acompanhados e \u00e0s mulheres. Essencial \u00e9 poder garantir a todos uma assist\u00eancia m\u00e9dica, psicol\u00f3gica e social capaz de devolver dignidade a quem a perdeu ao longo do caminho, como fazem dedicadamente os operadores desta estrutura onde nos encontramos. Entre v\u00f3s, h\u00e1 alguns que podem testemunhar como estes servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes para dar esperan\u00e7a durante o tempo em que est\u00e3o hospedados nos pa\u00edses que os acolheram.<\/p>\n<p><em>Promover<\/em>\u00a0significa assegurar a todos, migrantes e residentes, a possibilidade de encontrar um ambiente seguro onde se possam realizar integralmente. Esta promo\u00e7\u00e3o come\u00e7a pelo reconhecimento de que ningu\u00e9m \u00e9 um descarte humano, mas \u00e9 portador duma riqueza pessoal, cultural e profissional que pode trazer muito valor ao local onde est\u00e1. As sociedades de acolhimento ser\u00e3o enriquecidas se souberem valorizar da melhor forma a contribui\u00e7\u00e3o dos migrantes, evitando todo o tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e qualquer sentimento xen\u00f3fobo. A aprendizagem da l\u00edngua local, enquanto ve\u00edculo essencial de comunica\u00e7\u00e3o intercultural, h\u00e1 de ser vivamente encorajada, bem como toda a forma positiva de responsabiliza\u00e7\u00e3o dos migrantes face \u00e0 sociedade que os acolhe, aprendendo a respeitar as pessoas e os la\u00e7os sociais, as leis e a cultura, prestando assim uma contribui\u00e7\u00e3o mais intensa para o desenvolvimento humano integral de todos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o esque\u00e7amos que a promo\u00e7\u00e3o humana dos migrantes e suas fam\u00edlias come\u00e7a tamb\u00e9m pelas comunidades de origem, onde, juntamente com o direito de emigrar, se deve garantir tamb\u00e9m o de n\u00e3o ser for\u00e7ado a emigrar, isto \u00e9, o direito de encontrar na p\u00e1tria condi\u00e7\u00f5es que permitam uma vida digna. Aprecio e encorajo os esfor\u00e7os dos programas de coopera\u00e7\u00e3o internacional e de desenvolvimento transnacional, livres de interesses particulares, nos quais os migrantes est\u00e3o envolvidos como os principais protagonistas (cf. <em> <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/february\/documents\/papa-francesco_20170221_forum-migrazioni-pace.html\">Discurso aos participantes no f\u00f3rum internacional sobre \u00abmigra\u00e7\u00e3o e paz\u00bb<\/a><\/em>, 21 de fevereiro de 2017).<\/p>\n<p><em>Integrar<\/em>\u00a0significa empenhar-se num processo que valorize, simultaneamente, o patrim\u00f3nio cultural da comunidade que acolhe e o patrim\u00f3nio dos migrantes, construindo assim uma sociedade intercultural e aberta. Sabemos que n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil entrar numa cultura que nos \u00e9 estranha \u2013 tanto para quem chega como para quem acolhe \u2013, colocar-nos no lugar de pessoas t\u00e3o diferentes de n\u00f3s, entender os seus pensamentos e as suas experi\u00eancias. Por isso, muitas vezes renunciamos ao encontro com o outro e erguemos barreiras para nos defender (cf. <em> <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2018\/documents\/papa-francesco_20180114_omelia-giornata-migrante.html\">Homilia no Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/a><\/em>, 14 de janeiro de 2018). Assim, o ato de integrar requer n\u00e3o se deixar condicionar pelo medo e pela ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 um caminho que se deve percorrer juntos, como aut\u00eanticos companheiros de viagem; uma viagem que empenha a todos, migrantes e residentes, na constru\u00e7\u00e3o de cidades acolhedoras, plurais e sol\u00edcitas pelos processos interculturais, cidades capazes de valorizar a riqueza das diferen\u00e7as no encontro com o outro. E, tamb\u00e9m neste caso, muitos de v\u00f3s podem testemunhar, pessoalmente, como \u00e9 essencial um tal compromisso.<\/p>\n<p>Queridos amigos migrantes, a Igreja \u00e9 sabedora das ang\u00fastias que marcam o vosso caminho e sofre convosco. Ao encontrar-vos nas vossas situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o diferenciadas, ela pretende lembrar que Deus quer vivificar a todos n\u00f3s. Ela deseja estar ao vosso lado para construir convosco o que for melhor para a vossa vida. Com efeito, todo o ser humano tem direito \u00e0 vida, todo o ser humano tem o direito de ter sonhos e poder encontrar o seu justo lugar na nossa \u00abcasa comum\u00bb! Toda a pessoa tem direito ao futuro.<\/p>\n<p>Quero ainda expressar a minha gratid\u00e3o a todas as pessoas que est\u00e3o ao servi\u00e7o dos migrantes e refugiados em todo o mundo, e hoje particularmente a v\u00f3s, operadores da C\u00e1ritas, que tendes a honra de manifestar o amor misericordioso de Deus a tantos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s em nome de toda a Igreja, bem como a todas as associa\u00e7\u00f5es parceiras. Bem sabeis e tendes experi\u00eancia de que, para o crist\u00e3o, \u00abn\u00e3o se trata apenas de migrantes\u00bb, mas \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que bate \u00e0 nossa porta.<\/p>\n<p>O Senhor, que durante a sua vida terrena viveu na pr\u00f3pria carne a ang\u00fastia do ex\u00edlio, aben\u00e7oe a cada um de v\u00f3s, vos d\u00ea a for\u00e7a necess\u00e1ria para n\u00e3o desanimardes e para serdes uns para os outros \u00abporto seguro\u00bb de acolhimento. Obrigado.<\/p>\n<p><span><span> \u00a0 <\/span><\/span><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/march\/documents\/papa-francesco_20190330_migranti-marocco.html#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\"><\/a>[1] Mohammed VI,\u00a0Rei de Marrocos, <em>Discurso na Confer\u00eancia Intergovernamental sobre as Migra\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0(Marraquexe 10 de dezembro de 2018).<\/p>\n<p>Educris a partir do<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/speeches\/2019\/march\/documents\/papa-francesco_20190330_migranti-marocco.html\"> original em italiano<\/a><\/p>\n<p><span><br \/><\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro dia de uma curta mas significativa viagem apost\u00f3lica a Marrocos fica marcada pelo encontro do Papa Francisco com os 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