{"id":3813093650,"date":"2021-07-05T00:00:00","date_gmt":"2021-07-05T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10639-angelus-sem-abertura-a-novidade-a-fe-extingue-se-papa-francisco-"},"modified":"2021-07-05T00:00:00","modified_gmt":"2021-07-05T00:00:00","slug":"angelus-sem-abertura-a-novidade-a-fe-extingue-se-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/angelus-sem-abertura-a-novidade-a-fe-extingue-se-papa-francisco\/","title":{"rendered":"\u00c2ngelus: \u00abSem abertura \u00e0 novidade a f\u00e9 extingue-se\u00bb, Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_angelus_1_150201125427.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><strong><em>Antes da ora\u00e7\u00e3o do \u00c2ngelus, deste XIV Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco chamou a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de &#8220;nos deixarmos abrir \u00e0 novidade&#8221; e \u00e0 surpresa, sem as quais n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aceitar &#8220;o esc\u00e2ndalo da encarna\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a alocu\u00e7\u00e3o do Santo Padre\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>O Evangelho que lemos na liturgia deste domingo (<em>Mc<\/em>\u00a06, 1-6) fala-nos da incredulidade dos concidad\u00e3os de Jesus. Depois de ter pregado noutras aldeias da Galileia, Ele regressa a Nazar\u00e9, onde tinha crescido com Maria e Jos\u00e9, e num s\u00e1bado come\u00e7a a ensinar na sinagoga. Muitos que o ouviam perguntam: \u00abDe onde vem toda esta sabedoria? Mas, n\u00e3o \u00e9 ele o filho do carpinteiro e de Maria, isto \u00e9, dos nossos vizinhos que conhecemos bem?\u00bb (cf. vv. 1-3). Perante esta rea\u00e7\u00e3o, Jesus afirma uma verdade que tamb\u00e9m se tornou parte da sabedoria popular: \u00abUm profeta s\u00f3 \u00e9 desprezado na sua p\u00e1tria, entre os seus parentes e em sua pr\u00f3pria casa\u00bb (v. 4). Dizemos isto muitas vezes&#8230;<\/p>\n<p>Detenhamo-nos na atitude dos concidad\u00e3os de Jesus. Poder\u00edamos dizer que eles\u00a0<em>conhecem Jesus, mas n\u00e3o o reconhecem<\/em>. H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre conhecer e reconhecer: com efeito, esta diferen\u00e7a faz-nos compreender que podemos conhecer v\u00e1rias coisas sobre uma pessoa, ter uma ideia, confiar no que os outros dizem sobre ela, talvez at\u00e9 encontr\u00e1-la de tempos a tempos na vizinhan\u00e7a, mas tudo isto n\u00e3o \u00e9 suficiente. Eu diria que se trata de um conhecimento comum e superficial, que n\u00e3o reconhece a singularidade dessa pessoa. \u00c9 um risco que todos corremos: pensamos que sabemos muito sobre uma pessoa, e o pior \u00e9 que a rotulamos e fechamos nos nossos preconceitos. Do mesmo modo, os compatriotas de Jesus conhecem-no h\u00e1 trinta anos e pensam que sabem tudo! \u00abMas n\u00e3o \u00e9 este o rapaz que vimos crescer, o filho do carpinteiro e de Maria? Mas de onde lhe v\u00eam, estas coisas\u00bb. A desconfian\u00e7a&#8230; na verdade, nunca repararam quem \u00e9 realmente Jesus. Limitam-se \u00e0 exterioridade e rejeitam a novidade de Jesus.<\/p>\n<p>E aqui entramos diretamente no cerne do problema: quando deixamos prevalecer o conforto do h\u00e1bito e a ditadura dos preconceitos, \u00e9 dif\u00edcil abrirmo-nos \u00e0 novidade e deixarmo-nos surpreender. Controlamos: com o h\u00e1bito, com os preconceitos&#8230; Muitas vezes acabamos por procurar a confirma\u00e7\u00e3o das nossas ideias e esquemas de vida, das experi\u00eancias e at\u00e9 das pessoas, para nunca termos de fazer o esfor\u00e7o de mudar. E isto tamb\u00e9m pode acontecer com Deus, precisamente para n\u00f3s crentes, para n\u00f3s que pensamos conhecer Jesus, que j\u00e1 sabemos tanto sobre Ele e que \u00e9 suficiente repetirmos as mesmas coisas de sempre. E isto n\u00e3o \u00e9 suficiente, com Deus. Mas sem abertura \u00e0 novidade e acima de tudo &#8211; escutai bem &#8211; abertura \u00e0s surpresas de Deus, sem espanto, a f\u00e9 torna-se uma ladainha cansada que morre lentamente e se torna um h\u00e1bito, um h\u00e1bito social. Eu disse uma palavra: espanto. O que \u00e9 o espanto? O espanto \u00e9 precisamente quando o encontro com Deus acontece: \u00abEncontrei o Senhor\u00bb. Mas leiamos o Evangelho: muitas vezes, as pessoas que encontram Jesus e o reconhecem, sentem-se maravilhadas. E n\u00f3s, mediante o encontro com Deus, devemos seguir por este caminho: sentir maravilha. \u00c9 como o certificado de garantia de que esse encontro \u00e9 verdadeiro, n\u00e3o \u00e9 habitual.<\/p>\n<p>No final, porque \u00e9 que os concidad\u00e3os de Jesus n\u00e3o O reconhecem e n\u00e3o acreditam n&#8217;Ele? Mas porqu\u00ea? Qual \u00e9 a raz\u00e3o? Podemos dizer, em poucas palavras, que n\u00e3o aceitam o esc\u00e2ndalo da Encarna\u00e7\u00e3o. N\u00e3o o conhecem, este mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aceitam o mist\u00e9rio: n\u00e3o o sabem [conhecem?] Mas a raz\u00e3o \u00e9 inconsciente e sentem que \u00e9 escandaloso que a imensid\u00e3o de Deus se revele na pequenez da nossa carne, que o Filho de Deus \u00e9 o filho do carpinteiro, que a divindade est\u00e1 escondida na humanidade, que Deus habita no rosto, nas palavras, nos gestos de um homem simples. Eis o esc\u00e2ndalo: a encarna\u00e7\u00e3o de Deus, a sua veracidade, o seu \u201cdia a dia\u201d. E Deus tornou-se concreto num homem, Jesus de Nazar\u00e9, tornou-se companheiro de caminho, tornou-se um de n\u00f3s. \u201cTu \u00e9s um de n\u00f3s\u201d, digamos a Jesus: uma bela ora\u00e7\u00e3o! \u00c9 porque um de n\u00f3s nos compreende, nos acompanha, nos perdoa, nos ama muito. Na realidade, \u00e9 mais c\u00f3modo um Deus abstrato e distante que n\u00e3o se intromete em situa\u00e7\u00f5es e que aceita uma f\u00e9 distante da vida, dos problemas, da sociedade. Ou gostamos de acreditar num deus \u201ccom efeitos especiais\u201d, que s\u00f3 faz coisas excecionais e proporciona sempre grandes emo\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio, caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, Deus encarnou-se: Deus \u00e9 humilde, Deus \u00e9 terno, Deus est\u00e1 escondido, faz-se pr\u00f3ximo de n\u00f3s, habitando a normalidade da nossa vida di\u00e1ria. E assim, acontece a n\u00f3s como aos concidad\u00e3os de Jesus, corremos o risco de, quando ele passa, n\u00e3o o reconhecer. Volto a proferir aquela bonita frase de Santo Agostinho: \u201cTenho medo de Deus, do Senhor, quando Ele passa\u201d. Mas, Agostinho, porque tens medo? \u201cTenho medo de n\u00e3o O reconhecer. Tenho medo do Senhor quando Ele passa.\u00a0<em>Timeo Dominum transeuntem<\/em>\u201d. N\u00e3o O reconhecemos, escandalizamo-nos com Ele, pensamos como \u00e9 o nosso cora\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a esta realidade.<\/p>\n<p>Agora, em ora\u00e7\u00e3o, pe\u00e7amos a Nossa Senhora, que acolheu o mist\u00e9rio de Deus na vida quotidiana de Nazar\u00e9, que tenhamos olhos e cora\u00e7\u00e3o livres dos preconceitos e que olhos abertos ao espanto: \u201cSenhor, que eu te encontre\u201d, e quando encontramos com o Senhor h\u00e1 este espanto. Encontramo-nos com Ele na normalidade: olhos abertos \u00e0s surpresas de Deus, \u00e0 Sua humilde e oculta presen\u00e7a na vida quotidiana.<\/p>\n<p>Educris|05.07.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da ora\u00e7\u00e3o do \u00c2ngelus, deste XIV Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco chamou a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987820,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-3813093650","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3813093650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3813093650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3813093650\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3813093650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3813093650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3813093650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}