{"id":383628866,"date":"2021-12-06T00:00:00","date_gmt":"2021-12-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11016-papa-evoca-ulisses-e-pede-coragem-de-arriscar-de-ir-ao-encontro-dos-outros"},"modified":"2021-12-06T00:00:00","modified_gmt":"2021-12-06T00:00:00","slug":"papa-evoca-ulisses-e-pede-coragem-de-arriscar-de-ir-ao-encontro-dos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-evoca-ulisses-e-pede-coragem-de-arriscar-de-ir-ao-encontro-dos-outros\/","title":{"rendered":"Papa evoca Ulisses e pede \u00abcoragem de arriscar, de ir ao encontro dos outros\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_grecia_jovens_211206072525.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>No encontro com os jovens da Gr\u00e9cia, a \u00faltima etapa da sua visita Apostolica, Francisco pediu a coragem de \u201csair do sof\u00e1\u201d, de ir ao \u201cencontro do outro\u201d, porque \u201cServir os outros \u00e9 o caminho para conquistar a alegria\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, o discurso do Santo Padre<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s,\u00a0<em>kalim\u00e9ra sas<\/em>\u00a0[bom dia]!<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o-vos por terdes vindo aqui, muitos de v\u00f3s de lugares distantes:\u00a0<em>efcharist\u00f3<\/em>\u00a0[obrigado]! Estou contente por vos encontrar j\u00e1 na reta final da minha visita \u00e0 Gr\u00e9cia; e aproveito a ocasi\u00e3o para renovar o meu agradecimento pelo acolhimento e todo o trabalho realizado para a organizar:\u00a0<em>efcharist\u00f3<\/em>!<\/p>\n<p>Impressionaram-me os vossos estupendos testemunhos. J\u00e1 os tinha lido e agora retomo convosco algumas passagens.<\/p>\n<p>Katerina, falaste-nos das tuas frequentes d\u00favidas de f\u00e9. Quero dizer a ti e a todos v\u00f3s: n\u00e3o tenhais medo das d\u00favidas, porque n\u00e3o s\u00e3o faltas de f\u00e9. N\u00e3o tenhais medo das d\u00favidas. Antes pelo contr\u00e1rio, as d\u00favidas s\u00e3o \u00abvitaminas da f\u00e9\u00bb: ajudam a robustec\u00ea-la, tornando-a mais forte, ou seja, mais consciente, fazem-na crescer, tornam-na mais livre, mais madura. Tornam-na mais disposta a p\u00f4r-se a caminho, a seguir em frente com humildade, dia ap\u00f3s dia. Ora a f\u00e9 \u00e9 precisamente isto: um caminho quotidiano com Jesus, que nos leva pela m\u00e3o, acompanha, encoraja e, quando ca\u00edmos, levanta-nos. Nunca Se amedronta. \u00c9 como uma hist\u00f3ria de amor, onde se avan\u00e7a sempre juntos, dia a dia; e contudo sobrev\u00eam, como numa hist\u00f3ria de amor, momentos em que h\u00e1 necessidade de se interrogar, de superar as d\u00favidas. E \u00e9 \u00fatil, faz subir o n\u00edvel do relacionamento. Isto \u00e9 muito importante para v\u00f3s, porque n\u00e3o podeis trilhar o caminho da f\u00e9 \u00e0s cegas, mas dialogai com Deus, com a pr\u00f3pria consci\u00eancia e com os outros.<\/p>\n<p>Gostava de destacar, na experi\u00eancia de Katerina, um ponto importante. \u00c0s vezes, perante as incompreens\u00f5es ou as dificuldades da vida, nos momentos de solid\u00e3o ou de desilus\u00e3o, pode bater \u00e0 porta do cora\u00e7\u00e3o esta d\u00favida: \u00abTalvez seja eu que n\u00e3o me comporto bem&#8230; talvez esteja errado, esteja errada\u00bb. Amigos, \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o que se deve afastar. O diabo coloca-nos esta d\u00favida no cora\u00e7\u00e3o, para nos precipitar na tristeza. Que fazer? Que fazer, quando uma d\u00favida assim se torna sufocante e n\u00e3o deixa em paz, quando se perde a confian\u00e7a e fica-se sem saber donde come\u00e7ar? \u00c9 preciso reencontrar o ponto de partida. E qual \u00e9? Para o compreender, escutemos a vossa grande cultura cl\u00e1ssica. Sabeis qual foi o ponto de partida n\u00e3o s\u00f3 da filosofia, mas tamb\u00e9m da arte, da cultura, da ci\u00eancia? Sabeis qual foi? Tudo come\u00e7ou por uma fulgura\u00e7\u00e3o, uma descoberta, traduzida por uma palavra magn\u00edfica:\u00a0<em>thaum\u00e0zein<\/em>\u00a0\u2013 maravilhar-se. \u00c9\u00a0<em>o espanto<\/em>. Assim come\u00e7ou a filosofia: da maravilha perante as coisas que s\u00e3o, a nossa exist\u00eancia, a harmonia da cria\u00e7\u00e3o, o mist\u00e9rio da vida.<\/p>\n<p>Mas o espanto n\u00e3o constitui apenas o in\u00edcio da filosofia; \u00e9 tamb\u00e9m o in\u00edcio da nossa f\u00e9. V\u00e1rias vezes nos diz o Evangelho que, quando algu\u00e9m encontrava Jesus, ficava maravilhado, sentia espanto. No encontro com Deus, existe sempre o espanto: \u00e9 o in\u00edcio do di\u00e1logo com Deus. E isto \u00e9 assim, porque ter f\u00e9 n\u00e3o consiste primariamente num conjunto de coisas que devemos acreditar e de preceitos que temos de cumprir. O \u00e2mago da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma ideia, n\u00e3o \u00e9 uma moral; o \u00e2mago da f\u00e9 \u00e9 uma realidade, uma realidade bel\u00edssima que n\u00e3o depende de n\u00f3s e que nos deixa de boca aberta:\u00a0<em>somos filhos amados de Deus<\/em>! Isto \u00e9 o \u00e2mago da f\u00e9:\u00a0<em>somos filhos amados de Deus<\/em>! Filhos amados: temos um Pai que olha por n\u00f3s sem nunca cessar de amar-nos. Pensemos nisto: seja o que for que tu penses ou fa\u00e7as, mesmo que fossem as coisas piores, Deus continua a amar-te. Gostaria que isto ficasse bem claro para v\u00f3s: Deus n\u00e3o Se cansa de amar. Algu\u00e9m pode dizer-me: \u00abMas, se eu escorregar nas coisas mais feias, Deus ama-me?\u00bb \u2013 Deus ama-te. \u00abE se eu for um traidor, um grande pecador, e acabo mal, na droga&#8230; Deus ama-me?\u00bb \u2013 Deus ama-te. Deus ama sempre. N\u00e3o consegue parar de amar. Ama sempre e em todo o caso. Contempla a tua vida, e v\u00ea-a muito boa (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a01, 31). Nunca se arrepende de nos ter criado. Se nos colocarmos diante do espelho, talvez n\u00e3o nos vejamos como quer\u00edamos, porque corremos o risco de nos concentrar naquilo que n\u00e3o gostamos. Mas se nos colocarmos diante de Deus, a perspetiva muda. N\u00e3o podemos deixar de nos maravilhar por sermos para ele, n\u00e3o obstante todas as nossas fraquezas e pecados, filhos amados desde sempre e para sempre. Sendo assim, em vez de come\u00e7ar o dia diante do espelho, porque n\u00e3o abres a janela do quarto e espraias o olhar sobre tudo, sobre toda a beleza existente, sobre toda a beleza que v\u00eas? Sai de ti mesmo\u2026 Queridos jovens, pensai: se a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 bela aos nossos olhos, aos olhos de Deus cada um de v\u00f3s \u00e9 infinitamente mais belo. Ele fez de n\u00f3s, como diz a Escritura, uma maravilha, \u00abespantosas maravilhas\u00bb (<em>Sal<\/em>\u00a0139, 14). N\u00f3s, para Deus, somos uma maravilha espantosa. Deixa-te invadir por este espanto. Deixa-te amar por Quem sempre cr\u00ea em ti, por Quem te ama mais de quanto consigas, tu pr\u00f3prio, amar-te. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil compreender esta amplitude, esta profundidade do amor. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil compreend\u00ea-la, mas \u00e9 assim\u2026 Basta deixar-se contemplar pelo olhar de Deus.<\/p>\n<p>E quando ficais desiludidos com o que fizestes, h\u00e1 um outro espanto que n\u00e3o haveis de deixar fugir:\u00a0<em>o espanto do perd\u00e3o<\/em>. Sobre isto quero ser claro:\u00a0<em>Deus perdoa sempre<\/em>. Somos n\u00f3s que nos cansamos de pedir perd\u00e3o, mas Ele perdoa sempre. Aqui, no perd\u00e3o, encontram-se de novo o rosto do Pai e a paz do cora\u00e7\u00e3o. Aqui faz-nos novos, derrama o seu amor num abra\u00e7o que nos levanta, que desintegra o mal cometido e volta a fazer brilhar a beleza incancel\u00e1vel que h\u00e1 em n\u00f3s: a de sermos seus filhos prediletos. N\u00e3o permitamos que a pregui\u00e7a, o medo ou a vergonha nos roubem o tesouro do perd\u00e3o. Deixemo-nos maravilhar pelo amor de Deus. Voltaremos a descobrir-nos a n\u00f3s mesmos; n\u00e3o o que dizem de n\u00f3s nem aquilo que suscitam em n\u00f3s os impulsos do momento; n\u00e3o aquilo que os reclames publicit\u00e1rios nos impingem, mas a nossa verdade mais profunda, aquela que Deus v\u00ea, aquela em que Ele cr\u00ea: a beleza irrepet\u00edvel que somos.<\/p>\n<p>Lembrais-vos das c\u00e9lebres palavras esculpidas no frontisp\u00edcio do templo de Delfos \u00ab\u03b3\u03bd?\u03b8\u03b9 \u03c2\u03b5\u03b1\u03c5\u03c4?\u03bd &#8211; conhece-te a ti mesmo\u00bb? Hoje corremos o risco de esquecer quem somos, obcecados por mil apar\u00eancias, por mensagens marteladas que fazem depender a vida do modo como nos vestimos, do carro que guiamos, da forma como os outros nos olham&#8230; Mas aquele antigo convite \u2013 \u00ab<em>conhece-te a ti mesmo<\/em>\u00bb \u2013 \u00e9 v\u00e1lido ainda hoje: reconhece que vales por aquilo que \u00e9s, n\u00e3o pelo que tens. N\u00e3o vales pela marca da roupa ou pelos sapatos que usas, mas porque \u00e9s \u00fanico, \u00e9s \u00fanica. Vem-me ao pensamento outra imagem antiga: as sereias. Como aconteceu a Ulisses no percurso para casa, tamb\u00e9m v\u00f3s na vida, que \u00e9 uma viagem arriscada rumo \u00e0 Casa do Pai, encontrareis sereias. Estas, segundo o mito, atra\u00edam os marinheiros com o seu canto para esfacel\u00e1-los contra as rochas. Na realidade, as sereias de hoje querem encantar-vos com mensagens sedutoras e insistentes, que apostam em lucros f\u00e1ceis, nas ilus\u00f3rias necessidades do consumismo, no culto do bem-estar f\u00edsico, da divers\u00e3o a todo o custo&#8230; S\u00e3o muitos fogos de artif\u00edcio, que brilham por um momento e depois deixam apenas fuma\u00e7a no ar. Eu compreendo-vos! N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil resistir! Lembrais-vos como o conseguiu Ulisses, insidiado pelas sereias? Fez-se amarrar ao mastro do navio. Entretanto temos outro personagem, Orfeu, que nos ensina um meio melhor: entoou uma melodia mais bonita do que a das sereias e assim as fez calar. Eis o motivo por que \u00e9 importante alimentar o espanto, a beleza da f\u00e9! N\u00e3o somos crist\u00e3os porque temos que o ser, mas porque \u00e9 estupendo. E precisamente para preservar esta beleza, dizemos n\u00e3o \u00e0quilo que a quer obscurecer. A alegria do Evangelho, a maravilha de Jesus faz as ren\u00fancias e as fadigas passarem para segundo plano. Ent\u00e3o estais de acordo? Lembrai-vos bem disto: ser crist\u00e3o, fundamentalmente, n\u00e3o \u00e9 fazer isto, fazer aquilo, &#8230;fazer coisas. Devem-se fazer coisas, mas fundamentalmente n\u00e3o \u00e9 isso. Ser crist\u00e3o, fundamentalmente, \u00e9 deixar que Deus te ame, e reconhecer que \u00e9s \u00fanico, que \u00e9s \u00fanica aos olhos amorosos de Deus.<\/p>\n<p>Passemos a outro cap\u00edtulo:\u00a0<em>os rostos dos outros<\/em>. Ioanna, gostei que tu, para nos falar da tua vida, tivesses falado dos outros. Primeiro, das duas mulheres mais importantes da tua vida \u2013 a m\u00e3e e a av\u00f3 \u2013, que te \u00abensinaram a rezar, a agradecer a Deus cada dia\u00bb. Assim, assimilaste a f\u00e9 de forma natural, genu\u00edna. E deste-nos uma sugest\u00e3o, que \u00e9 \u00fatil para n\u00f3s: recorrer ao Senhor para qualquer coisa. \u00abFalar com Ele, confessar-Lhe as nossas preocupa\u00e7\u00f5es\u00bb. Assim Jesus tornou-Se-te familiar. Como fica contente, quando nos abrimos a Ele! \u00c9 assim que se conhece Deus. Pois, para O conhecer, n\u00e3o basta ter ideias claras sobre Ele (isso \u00e9 apenas uma pequena parte, n\u00e3o basta!), \u00e9 preciso levar at\u00e9 Ele a vida. Talvez esteja aqui o motivo por que muitos O ignoram: porque s\u00f3 ouvem serm\u00f5es e discursos. Diversamente, Jesus transmite-Se atrav\u00e9s de rostos e pessoas concretas. Experimentai pegar nos Atos dos Ap\u00f3stolos e l\u00e1 vereis tantas pessoas, rostos, encontros\u2026 Foi assim que os nossos pais na f\u00e9 conheceram Jesus. Deus n\u00e3o nos passa para a m\u00e3o um catecismo, mas faz-Se presente mediante as hist\u00f3rias das pessoas. Passa atrav\u00e9s de n\u00f3s. Deus n\u00e3o nos d\u00e1 para a m\u00e3o um livro a fim de aprender coisas de mem\u00f3ria, n\u00e3o. Deus faz-Se compreender pela proximidade, acompanhando-nos no caminho da vida. Conhecer Jesus \u00e9 a ess\u00eancia da nossa f\u00e9.<\/p>\n<p>Precisamente a prop\u00f3sito disto, Ioanna, falaste-nos duma terceira pessoa decisiva para ti, uma Irm\u00e3 que te mostrou a alegria \u00abde olhar a vida como um servi\u00e7o\u00bb. Destaco isto: olhar a vida como um servi\u00e7o. \u00c9 verdade! Servir os outros \u00e9 o caminho para conquistar a alegria. Dedicar-se aos outros n\u00e3o \u00e9 procedimento de perdedores, mas de vencedores; \u00e9 o caminho para se fazer algo de verdadeiramente novo na hist\u00f3ria. Soube que, em grego, \u00abjovem\u00bb se diz \u00abnovo\u00bb, e novo significa jovem. O servi\u00e7o \u00e9 a novidade de Jesus; o servi\u00e7o, o dedicar-se aos outros \u00e9 a novidade que torna a vida sempre jovem. Queres fazer algo de novo na vida? Queres rejuvenescer? N\u00e3o te contentes em publicar qualquer \u201c<em>post<\/em>\u201d ou algum \u201c<em>tweet<\/em>\u201d. N\u00e3o te contentes com encontros virtuais, mas procura os reais, sobretudo com quem tem necessidade de ti: n\u00e3o procures a visibilidade, mas os invis\u00edveis. Isto sim; \u00e9 ser original, revolucion\u00e1rio. Sair de si mesmo para encontrar o outro. Mas, se vives prisioneiro em ti mesmo, nunca encontrar\u00e1s o outro, nunca saber\u00e1s o que \u00e9 servir. Servir \u00e9 o gesto mais belo, o gesto maior duma pessoa: servir os outros. H\u00e1 tantos hoje que s\u00e3o muito \u201c<em>social\u201d<\/em>, mas pouco\u00a0<em>sociais<\/em>: fechados em si mesmos, prisioneiros do telem\u00f3vel que trazem na m\u00e3o, mas no visor falta o outro, faltam os seus olhos, a sua respira\u00e7\u00e3o, as suas m\u00e3os. O visor torna-se facilmente num espelho, onde julgas ter diante de ti o mundo, quando na realidade est\u00e1s sozinho, num mundo virtual cheio de apar\u00eancias, de fotografias maquilhadas para parecer sempre belos e em forma. Ao inv\u00e9s, como \u00e9 bom estar com os outros, descobrir as novidades do outro! Dialogar com o outro, cultivar a m\u00edstica do todo, a alegria de compartilhar, o ardor de servir!<\/p>\n<p>A respeito disto, em setembro passado, no encontro com os jovens na Eslov\u00e1quia, alguns deles exibiam um cartaz interessante. Tinha apenas duas palavras: \u00abFratelli tutti\u00bb. Gostei! Muitas vezes nos est\u00e1dios, nas manifesta\u00e7\u00f5es, nas estradas estendem-se cartazes para apoiar o pr\u00f3prio partido, as pr\u00f3prias ideias, a pr\u00f3pria equipa, os pr\u00f3prios direitos. Mas o cartaz daqueles jovens dizia uma coisa nova: que \u00e9 bom sentir-se irm\u00e3os e irm\u00e3s de todos, sentir que os outros s\u00e3o parte de n\u00f3s e n\u00e3o pessoas das quais manter-se \u00e0 dist\u00e2ncia. Estou contente por ver-vos todos juntos, unidos apesar de serdes origin\u00e1rios de pa\u00edses e hist\u00f3rias t\u00e3o diferentes.\u00a0<em>Sonhai a fraternidade!<\/em><\/p>\n<p>Em grego, h\u00e1 um dito instrutivo: \u00ab<em>o f\u00edlos ine \u00e1llos eaft\u00f3s<\/em>\u00a0\u2013 o amigo \u00e9 um outro eu\u00bb. Sim, o outro \u00e9 o caminho para me encontrar a mim mesmo. O outro, ele n\u00e3o \u00e9 um espelho. Claro, cansa sair da pr\u00f3pria zona de conforto; \u00e9 mais f\u00e1cil estar sentado no sof\u00e1 diante da TV. Mas \u00e9 coisa velha; n\u00e3o \u00e9 de jovens. Imagina tu: um jovem no sof\u00e1. Que coisa velha! Pr\u00f3prio dos jovens \u00e9 reagir: quando se sentem sozinhos, abrir-se; quando vem a tenta\u00e7\u00e3o de se fechar, procurar os outros, treinar-se nesta \u00abgin\u00e1stica da alma\u00bb. Aqui nasceram os maiores eventos desportivos: as olimp\u00edadas, a maratona&#8230; Al\u00e9m da competi\u00e7\u00e3o que faz bem ao corpo, h\u00e1 aquela que faz bem \u00e0 alma: treinar na abertura, distanciar-se longamente de si mesmo para encurtar as dist\u00e2ncias com os outros; lan\u00e7ar o cora\u00e7\u00e3o para al\u00e9m dos obst\u00e1culos; erguer os pesos uns dos outros&#8230; Treinar-vos nisto far-vos-\u00e1 felizes, manter-vos-\u00e1 jovens e levar-vos-\u00e1 a saborear a aventura de viver.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito de aventura, Aboud, o teu testemunho impressionou-nos: a fuga, juntamente com os teus, da querida e atormentada S\u00edria, depois de terdes corrido v\u00e1rias vezes o risco de ser mortos pela guerra. Ent\u00e3o, depois de tantos \u00abn\u00e3os\u00bb e mil dificuldades, chegastes a este pa\u00eds da \u00fanica maneira poss\u00edvel, de barco, permanecendo \u00abnum rochedo sem \u00e1gua nem comida, esperando o amanhecer e um navio da guarda costeira\u00bb. Uma verdadeira e pr\u00f3pria odisseia dos nossos dias. E veio-me \u00e0 mente que, na Odisseia de Homero, o primeiro her\u00f3i que aparece n\u00e3o \u00e9 Ulisses, mas um jovem: Tel\u00e9maco, seu filho, que vive uma grande aventura.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhecera o pai e sente-se angustiado, desanimado, porque n\u00e3o sabe onde ele est\u00e1 nem sequer se existe. Sente-se sem ra\u00edzes e numa encruzilhada: ficar ali \u00e0 espera, ou fazer uma loucura lan\u00e7ando-se \u00e0 procura dele. Existem v\u00e1rias vozes, incluindo a da divindade, que o exorta a ter coragem e partir. E \u00e9 o que ele faz: levanta-se, arranja \u00e0s escondidas o navio e apressadamente, ao nascer do sol, parte \u00e0 aventura. O sentido da vida n\u00e3o \u00e9 ficar na praia, \u00e0 espera que o vento traga novidades. A salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 em fazer-se ao mar, est\u00e1 no \u00edmpeto, na busca, em ir no encal\u00e7o dos sonhos: sonhos reais, sonhos com os olhos abertos, que sup\u00f5em fadiga, luta, ventos contr\u00e1rios, tempestades repentinas. Por favor, n\u00e3o vos deixeis paralisar pelos medos, mas sonhai em grande. E sonhai juntos. Como, no caso de Tel\u00e9maco, haver\u00e1 quem procure deter-vos. Haver\u00e1 sempre quem vos diga: \u00abDesisti! N\u00e3o arrisqueis; \u00e9 in\u00fatil\u00bb. Estes s\u00e3o os anuladores de sonhos, os sic\u00e1rios da esperan\u00e7a, os incur\u00e1veis nost\u00e1lgicos do passado.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio v\u00f3s, por favor, alimentai\u00a0<em>a coragem da esperan\u00e7a<\/em>, aquela que tivestes tu, Aboud. E como se faz? Atrav\u00e9s das vossas op\u00e7\u00f5es. Escolher \u00e9 um desafio: \u00e9 enfrentar o medo do desconhecido, sair do p\u00e2ntano da homogeneiza\u00e7\u00e3o, decidir tomar as r\u00e9deas da pr\u00f3pria vida. Para fazer op\u00e7\u00f5es corretas, podeis lembrar-vos duma coisa: as boas decis\u00f5es t\u00eam a ver sempre com os outros, e n\u00e3o apenas connosco. Eis as op\u00e7\u00f5es pelas quais vale a pena arriscar, os sonhos que se devem realizar: aqueles que exigem coragem e envolvem os outros.<\/p>\n<p>E, ao despedir-me de v\u00f3s, desejo-vos isto: a coragem de continuar para diante, a coragem de arriscar, a coragem de n\u00e3o ficar no sof\u00e1. A coragem de arriscar, de ir ao encontro dos outros. Nunca isolados, sempre com os outros. E, com esta coragem, cada um de v\u00f3s encontrar-se-\u00e1 a si mesmo, encontrar\u00e1 o outro e encontrar\u00e1 o sentido da vida. \u00c9 isto que vos desejo, com a ajuda de Deus, que vos ama a todos. Deus ama-vos. Tende coragem, continuai para diante!\u00a0<em>Brost\u00e0, \u00f3li mas\u00ed<\/em>\u00a0[Avante, todos juntos].<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|06.12.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No encontro com os jovens da Gr\u00e9cia, a \u00faltima etapa da sua visita Apostolica, Francisco pediu a coragem de \u201csair [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1148855070,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-383628866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/383628866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=383628866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/383628866\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1148855070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=383628866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=383628866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=383628866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}