{"id":3854722774,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12069-domingo-v-da-quaresma-4-dia-de-lazaro-ou-3-dia-de-jesus"},"modified":"2025-11-07T16:33:54","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:54","slug":"domingo-v-da-quaresma-4o-dia-de-lazaro-ou-3o-dia-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-v-da-quaresma-4o-dia-de-lazaro-ou-3o-dia-de-jesus\/","title":{"rendered":"Domingo V da Quaresma: 4\u00ba dia de L\u00e1zaro ou 3\u00ba dia de Jesus?\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. A \u00abcaminhada\u00bb quaresmal aproxima-se da sua meta e do seu verdadeiro ponto de partida: a Cruz Gloriosa onde resplandece para sempre o Rosto do imenso, indiz\u00edvel amor de Deus. Nesta\u00a0<em>altura<\/em>\u00a0do percurso (sup\u00f5e-se que encet\u00e1mos uma\u00a0<em>subida espiritual<\/em>: entenda-se no Esp\u00edrito Santo e com o Esp\u00edrito Santo), batizados e catec\u00famenos devem estar j\u00e1 a ser\u00a0<em>Iluminados<\/em>\u00a0por essa luz, a ponto de se desfazerem das \u00abobras das trevas\u00bb e de abra\u00e7arem as \u00abobras da Luz\u00bb, como verdadeiros disc\u00edpulos que seguem o Mestre at\u00e9 ao fim, que \u00e9 tamb\u00e9m o princ\u00edpio, a Fonte da Vida verdadeira donde jorra o Esp\u00edrito Santo (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30.34; 7,38-39). Os catec\u00famenos t\u00eam neste Domingo V da Quaresma, Domingo da d\u00e1diva da Ressurrei\u00e7\u00e3o, os seus terceiros \u00abescrut\u00ednios\u00bb: \u00faltima \u00abchamada\u00bb para a Liberdade antes da Noite Pascal Batismal.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Segundo a maioria dos estudiosos deste Evangelho de Jo\u00e3o, o epis\u00f3dio da chamada \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11,1-45) constitui o 7.\u00ba dos sete \u00absinais\u00bb que, neste Evangelho, v\u00e3o revelando e descodificando o Mist\u00e9rio de Cristo. Depois das bodas de Can\u00e1 (Jo\u00e3o 2,1-12) (1.\u00ba), da cura do filho do oficial em Cafarnaum (Jo\u00e3o 4,46b-54) (2.\u00ba), da cura do paral\u00edtico na \u00abpiscina prob\u00e1tica\u00bb (Jo\u00e3o 5,1-47) (3.\u00ba), da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes (Jo\u00e3o 6,1-14) (4.\u00ba), de Jesus a caminhar sobre o mar (Jo\u00e3o 6,16-21) (5.\u00ba) e da\u00a0<em>Ilumina\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0do cego de nascen\u00e7a (Jo\u00e3o 9,1-41) (6.\u00ba). O epis\u00f3dio da chamada \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb de L\u00e1zaro apresenta-se como a charneira deste Evangelho, fechando, por assim dizer, a primeira Parte, mas abrindo tamb\u00e9m a segunda, que culmina no Grande \u00daltimo Primeiro \u00abSinal\u00bb que \u00e9 a pr\u00f3pria Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, \u00abo Sinal da Santa Cruz\u00bb, decifrado pelo Esp\u00edrito Santo, com que todos fomos (somos) marcados para sempre (Ef\u00e9sios 1,13; 4,30). Esta p\u00e1gina, colocada no centro do Evangelho, constitui um verdadeiro \u00abtornado\u00bb, destacando-se pelo n\u00famero das pessoas envolvidas, pela extens\u00e3o e magnitude do texto, pela sua intensidade dram\u00e1tica, pela forma como exp\u00f5e diante de n\u00f3s o mist\u00e9rio de Jesus com t\u00e3o grande clareza, como Aquele-que-Vem-de-Deus para nos libertar das cadeias da morte.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Em boa verdade, o epis\u00f3dio da morte e \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb de L\u00e1zaro remete de forma clara para a Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. O tempo que marca a narrativa n\u00e3o \u00e9 o tempo de L\u00e1zaro (da sua doen\u00e7a, da sua morte, do seu sepultamento). O tempo que marca a narrativa \u00e9 o tempo (a hora) de Jesus, o Filho de Deus, Aquele-que-Vem sempre, passageiro total, pascal, amigo \u00edntimo (<em>ph\u00edlos<\/em>) de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11,3.11.36), e que amava com amor novo e divino (<em>ag\u00e1p\u00ea<\/em>) L\u00e1zaro, Marta e Maria (Jo\u00e3o 11,5). Meu amigo \u00edntimo que me ama. Teu amigo \u00edntimo que te ama. Nosso amigo \u00edntimo que nos ama. Por isso, quando recebe a not\u00edcia da doen\u00e7a do seu amigo L\u00e1zaro, Jesus, que tinha acabado de escapar das pedras das m\u00e3os dos Judeus e se tinha refugiado no outro lado do Jord\u00e3o, na margem esquerda do Jord\u00e3o, na outra Bet\u00e2nia ou\u00a0<em>B\u00eathabarah<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 10,39-40; cf. 1,28), deixa passar propositadamente\u00a0<em>dois dias<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 11,6), e \u00e9\u00a0<em>ao terceiro dia<\/em>\u00a0que se encaminha para a Judeia (Jo\u00e3o 11,7), e \u00e9\u00a0<em>ao terceiro dia<\/em>\u00a0que chama L\u00e1zaro da morte (Jo\u00e3o 11,43). Pouco importa que L\u00e1zaro j\u00e1 esteja sepultado h\u00e1 quatro dias! (Jo\u00e3o 11,17.39). Verdadeiramente importante e decisiva \u00e9 a hora-que-vem (!), agora, em que os mortos ouvir\u00e3o a voz do Filho de Deus (Jo\u00e3o 5,25.28), Aquele-que-faz-viver (<em>z\u00f4opoi\u00e9\u00f4<\/em>) (Jo\u00e3o 5,21; 1 Cor\u00edntios 15,45), esplendoroso Rio de Luz e de Sentido a inundar a terra inteira, enchendo-a de Vida e de Sa\u00fade (Ezequiel 47,1-12; Apocalipse 22,1-2). Verdadeiramente importante \u00e9 este\u00a0<em>terceiro dia<\/em>\u00a0em que o Filho de Deus \u00e9\u00a0<em>glorificado<\/em>\u00a0(v. 4), e suscita a f\u00e9 de todos os intervenientes na cena: dos disc\u00edpulos (Jo\u00e3o 11,15), de Marta (Jo\u00e3o 11,27), de Maria (Jo\u00e3o 11,29.32), da multid\u00e3o (Jo\u00e3o 11,42), de muitos Judeus (Jo\u00e3o 11,45).<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Transcorridos os dois dias assinalados (Jo\u00e3o 11,6), Jesus diz de modo convincente aos seus disc\u00edpulos: \u00abVamos de novo para a Judeia\u00bb (Jo\u00e3o 11,7). Os disc\u00edpulos tentam explicar a Jesus que n\u00e3o \u00e9 prudente voltar para a Judeia, dado que ainda h\u00e1 pouco de l\u00e1 tinham sido for\u00e7ados a sair porque os Judeus se dispunham a apedrej\u00e1-lo (Jo\u00e3o 11,8; cf. 10,31-39). Jesus diz-lhes ent\u00e3o que L\u00e1zaro est\u00e1 a dormir, e que vai acord\u00e1-lo (Jo\u00e3o 11,11). Os disc\u00edpulos replicam que, se L\u00e1zaro est\u00e1 a dormir, n\u00e3o haver\u00e1 problema (Jo\u00e3o 11,12). Intromete-se o narrador para explicar que os disc\u00edpulos n\u00e3o entenderam que Jesus jogava com a dualidade ou anfibologia sem\u00e2ntica do termo\u00a0<em>dormir<\/em>, querendo, na verdade, referir-se, n\u00e3o ao sono, mas \u00e0 morte (Jo\u00e3o 11,13). Ent\u00e3o Jesus diz abertamente: \u00abL\u00e1zaro morreu\u00bb (Jo\u00e3o 11,14), e acrescentou que se alegrava por n\u00e3o ter estado l\u00e1, para que agora os disc\u00edpulos pudessem\u00a0<em>acreditar<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 11,15). \u00c9 verdade que Jesus jogou com a dualidade sem\u00e2ntica do\u00a0<em>sono<\/em>\u00a0de L\u00e1zaro, de modo a deixar confusos os seus disc\u00edpulos. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que os disc\u00edpulos de Jesus jogam em dois teclados, come\u00e7ando por considerar, n\u00e3o a morte de L\u00e1zaro, mas o seu\u00a0<em>sono<\/em>, n\u00e3o tanto a morte de L\u00e1zaro, mas a morte de Jesus, adiantando que a ida de Jesus para a Judeia era a sua entrega \u00e0 morte (Jo\u00e3o 11,8), e come\u00e7am a vislumbrar at\u00e9 o significado Batismal dessa morte, uma vez que manifestam o desejo de morrer com Ele (Jo\u00e3o 11,16), isto \u00e9, querem\u00a0<em>Viver<\/em>\u00a0aquela\u00a0<em>morte<\/em>! Como bons catec\u00famenos que seguiram fielmente o Mestre, aprenderam j\u00e1 que a Vida verdadeira brota daquela morte na qual verdadeiramente somos batizados (Romanos 6,3-4), com-sepultados (<em>syntaph\u00e9ntes<\/em>), com-ressuscitados (<em>syn\u00eag\u00e9rth\u00eate<\/em>), com-vivificados (<em>synex\u00f4opo\u00ed\u00easen<\/em>), com-sentados na Gl\u00f3ria celeste! (<em>synek\u00e1thisen en to\u00ees epouran\u00edois<\/em>) (Ef\u00e9sios 2,5-6; Colossenses 2,12-13). Vocabul\u00e1rio novo cunhado por Paulo. Fant\u00e1stico aglomerado de aoristos passivos e hist\u00f3ricos com que Paulo pretende dizer o inaudito e o indiz\u00edvel: a obra de Deus j\u00e1 realizada em n\u00f3s!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Deixando para tr\u00e1s a\u00a0<em>Bet\u00e2nia da vida<\/em>, eis que Jesus j\u00e1 est\u00e1 a chegar \u00e0\u00a0<em>Bet\u00e2nia da morte<\/em>. L\u00e1zaro, diz-nos o narrador, j\u00e1 est\u00e1 sepultado havia quatro dias (Jo\u00e3o 11,17), e Marta, quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, saltou do lugar em que estava sentada e correu ao seu encontro, e disse-lhe: \u00abSenhor, se tivesses estado aqui, o meu irm\u00e3o n\u00e3o teria morrido\u00bb (Jo\u00e3o 11,21), palavras que Maria dir\u00e1 tamb\u00e9m a Jesus um pouco mais \u00e0 frente (Jo\u00e3o 11,32). Com estas palavras, as duas irm\u00e3s, cada uma por sua vez, expressam a sua f\u00e9 de que Jesus podia curar os doentes, mas mostram tamb\u00e9m a sua desilus\u00e3o por Ele n\u00e3o ter chegado a tempo! A troca de palavras que se seque entre Jesus e Marta \u00e9 sublime e imperd\u00edvel: \u00abDiz-lhe Jesus: \u201cO teu irm\u00e3o ressuscitar\u00e1\u201d. Diz-lhe Marta: \u201cEu sei (<em>o\u00ecda<\/em>) que ressuscitar\u00e1 na ressurrei\u00e7\u00e3o no \u00faltimo dia\u201d. Disse-lhe Jesus: \u201cEu Sou (<em>eg\u00f4 eimi<\/em>) a ressurrei\u00e7\u00e3o (<em>h\u00ea an\u00e1stasis<\/em>) e a vida (<em>kai h\u00ea z\u00f4\u00ea<\/em>); quem acredita em mim, ainda que morra, viver\u00e1, e quem vive e cr\u00ea em mim, n\u00e3o morrer\u00e1 para sempre. Acreditas nisto?\u201d Diz-lhe: \u201cSim, Senhor, eu acredito (<em>pep\u00edsteuka<\/em>: perf. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>) que Tu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus, Aquele-que-Vem-ao-mundo\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 11,23-27). O que acab\u00e1mos de ouvir \u00e9 de um alcance excecional. O fio da esperan\u00e7a messi\u00e2nica que em filigrana atravessa a Escritura Santa, que \u00e9 toda a esperan\u00e7a judaica confessada por Marta, quando refere que o seu irm\u00e3o ressuscitar\u00e1 na ressurrei\u00e7\u00e3o no \u00faltimo dia (Jo\u00e3o 11,24), conhece aqui o seu fim, pois a sua realiza\u00e7\u00e3o acontece j\u00e1, agora, na pessoa de Jesus, traduzida nas suas palavras: \u00abEu Sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida; quem acredita em mim, ainda que morra, viver\u00e1, e quem vive e cr\u00ea em mim, n\u00e3o morrer\u00e1 para sempre\u00bb (Jo\u00e3o 11,25-26), e confessada por Marta na sua agora alt\u00edssima profiss\u00e3o de f\u00e9 crist\u00e3: \u00abSim, Senhor, eu acredito (<em>pep\u00edsteuka<\/em>: perf. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>) que Tu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus, Aquele-que-Vem-ao-mundo\u00bb (Jo\u00e3o 11,27). Marta reconhece em Jesus aquele que veio, n\u00e3o simplesmente do outro lado do Jord\u00e3o, mas mais radicalmente do outro lado do nosso mundo de sofrimento e de morte, de Deus, para trazer \u00e0 humanidade, na sua pessoa, a vida de Deus e a comunh\u00e3o com Ele. Verdadeiramente, a vida, a vida mesmo, \u00e9 uni\u00e3o e comunh\u00e3o com Deus. E esta vida divina, dada por Jesus \u00e0 humanidade, atravessa a morte, mas n\u00e3o se extingue nem se apaga na morte. A uni\u00e3o e comunh\u00e3o com Deus, a n\u00f3s dada por Jesus, n\u00e3o conhece fim nem decaimento nem qualquer tipo de par\u00eantesis. O verdadeiro dom que Jesus nos traz n\u00e3o consiste numa vida terrena que se pode prolongar sempre, digamos uma vida terrena sem morte terrena, mas na vida em comunh\u00e3o com Deus, esta sim, inextingu\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Depois destes sublimes dizeres de Jesus e depois desta alt\u00edssima profiss\u00e3o de f\u00e9 crist\u00e3 de Marta (expressa no tempo perfeito grego, que significa, n\u00e3o um ato de f\u00e9 pontual, mas a atitude de f\u00e9 permanente), Marta sai de cena e vai chamar a sua irm\u00e3 Maria (Jo\u00e3o 11,28), que imediatamente se levanta e vai tamb\u00e9m ao encontro de Jesus, ainda que os Judeus que estavam com ela, a confort\u00e1-la, ao ver tanta pressa e emo\u00e7\u00e3o em Maria tenham sido levados a pensar que ela iria ao t\u00famulo para chorar. Mas tiveram que a seguir, afinal, at\u00e9 Jesus. Jesus viu Maria a\u00a0<em>chorar<\/em>\u00a0(verbo\u00a0<em>kla\u00ed\u00f4<\/em>) e viu tamb\u00e9m a\u00a0<em>chorar<\/em>\u00a0(verbo\u00a0<em>kla\u00ed\u00f4<\/em>) os Judeus que a acompanhavam (Jo\u00e3o 11,33). E o narrador acrescenta que Jesus\u00a0<em>chorou<\/em>\u00a0(verbo\u00a0<em>dakr\u00fd\u00f4<\/em>) (Jo\u00e3o 11,35). Belo, belo, belo este Jesus que vem ao nosso encontro, sente as nossas dores, se comove connosco,\u00a0<em>chora<\/em>\u00a0connosco e tamb\u00e9m por n\u00f3s. S\u00e3o quatro as men\u00e7\u00f5es do verbo\u00a0<em>chorar<\/em>, duas por parte de Maria (Jo\u00e3o 11,31.33), uma por parte dos Judeus (Jo\u00e3o 11,33), outra por parte de Jesus (Jo\u00e3o 11,35). O verbo grego empregado \u00e9, nos tr\u00eas casos de Maria e dos Judeus, o verbo\u00a0<em>kla\u00ed\u00f4<\/em>. No caso de Jesus, \u00e9 o verbo\u00a0<em>dakr\u00fd\u00f4<\/em>. Verificando ent\u00e3o que Jesus\u00a0<em>chora<\/em>\u00a0porque nos v\u00ea chorar, podemos perceber que Jesus\u00a0<em>chora<\/em>\u00a0connosco, misturando as suas l\u00e1grimas com as nossas nesta situa\u00e7\u00e3o dolorosa. Mas devemos notar ainda que o narrador p\u00f5e Jesus a\u00a0<em>chorar<\/em>\u00a0com um verbo diferente do que usou para n\u00f3s nas tr\u00eas vezes anteriores. N\u00f3s\u00a0<em>choramos<\/em>\u00a0com o verbo\u00a0<em>kla\u00ed\u00f4<\/em>. Jesus\u00a0<em>chora<\/em>\u00a0com o verbo\u00a0<em>dakr\u00fd\u00f4<\/em>. Com este procedimento, talvez o narrador nos queira dizer que, al\u00e9m de\u00a0<em>chorar<\/em>\u00a0connosco, Jesus\u00a0<em>chora<\/em>\u00a0tamb\u00e9m por n\u00f3s, ao ver a nossa incredulidade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Depois desta cena das l\u00e1grimas, Jesus, sempre comovido, aproxima-se do t\u00famulo de L\u00e1zaro, que era uma gruta fechada por uma pedra (Jo\u00e3o 11,38). Jesus diz: \u00ab<em>Retirai<\/em>\u00a0(<em>\u00e1rate<\/em>: imperativo aor. de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) a pedra\u00bb, e Marta refere ent\u00e3o a Jesus a inutilidade, mesmo o desconforto, o mau cheiro de uma tal a\u00e7\u00e3o, dado que j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o quatro dias desde que L\u00e1zaro morreu (Jo\u00e3o 11,39). Marta continua a pensar que Jesus chegou atrasado, e ainda n\u00e3o compreendeu que n\u00e3o \u00e9 o tempo de L\u00e1zaro (4.\u00ba dia) que conta, mas sim o tempo de Jesus (3.\u00ba Dia). Por ordem de Jesus, m\u00e3os humanas \u00ab<em>retiraram<\/em>\u00a0(<em>\u00earan<\/em>: aoristo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) ent\u00e3o a pedra\u00bb (Jo\u00e3o 11,41). Assinala-se neste momento a primeira vez, neste Evangelho, que Jesus reza ao Pai (n\u00e3o o tendo feito em nenhum dos sinais at\u00e9 agora realizados), agradecendo ao Pai por o ter ouvido, e dizendo que o fez para que a multid\u00e3o acredite que foi o Pai que o enviou (Jo\u00e3o 11,41-42). S\u00f3 depois da ora\u00e7\u00e3o ao Pai, Jesus levanta a voz e grita: \u00abL\u00e1zaro, vem para fora!\u00bb (Jo\u00e3o 11,43). E L\u00e1zaro saiu ligado com as faixas e o rosto envolvido num sud\u00e1rio (Jo\u00e3o 11,43-44). \u00c9 preciso ainda uma nova ordem de Jesus \u00e0 multid\u00e3o para que L\u00e1zaro seja libertado das faixas que o prendem na morte e do sud\u00e1rio da morte que lhe tapa o rosto (Jo\u00e3o 11,44).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Como tudo isto \u00e9 sublime e grandioso e aponta, em luminoso contraponto, para a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus! Aqui, no caso de L\u00e1zaro, a pedra \u00e9 mandada\u00a0<em>retirar<\/em>\u00a0(<em>\u00e1rate<\/em>) e \u00e9 por m\u00e3os humanas por algum tempo\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0(<em>\u00earan<\/em>). O verbo\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>\u00a0[= retirar] aparece nos dois casos na forma ativa e no tempo aoristo, que traduz uma a\u00e7\u00e3o no tempo. Entenda-se: por m\u00e3os humanas e por algum tempo, dado que L\u00e1zaro, regressado a esta vida terrena, voltar\u00e1 naturalmente a morrer. Mas, para o leitor atento e competente, toda a a\u00e7\u00e3o remete j\u00e1 para o cen\u00e1rio da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. E ent\u00e3o, quando se tratar do t\u00famulo de Jesus, o leitor n\u00e3o pode deixar de reparar que a pedra j\u00e1 se apresenta\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0(<em>\u00earm\u00e9non<\/em>: part. perf. passivo), na forma passiva e no tempo perfeito (Jo\u00e3o 20,1). Oh gram\u00e1tica divina! Entenda-se ent\u00e3o: pedra\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0por Deus e para sempre! \u00c9 o inef\u00e1vel que se abre diante dos nossos olhos! E tamb\u00e9m as faixas n\u00e3o prendem, e o sud\u00e1rio n\u00e3o encobre! As faixas est\u00e3o no ch\u00e3o, e o sud\u00e1rio cuidadosamente enrolado em um lugar (Jo\u00e3o 20,6-7). Tudo est\u00e1 feito, e bem feito, ao jeito do Criador (cf. G\u00e9nesis 1). Nenhuma a\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, como o foi em Jo\u00e3o 11,41.44 para L\u00e1zaro.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. A vida crist\u00e3, no seu todo, a nossa vida toda, decorre daquele 3.\u00ba Dia de Jesus, como decorre tamb\u00e9m da voz de Jesus, e daquela \u00fanica m\u00e3o que nos salva e nos liberta dos vales onde vamos caindo mortos. Ele \u00e9 a nossa Vida. Ainda hoje, em Bet\u00e2nia, atual\u00a0<em>al-Azariye<\/em>, aldeiazinha situada na colina oriental que desce do monte das Oliveiras, a cerca de tr\u00eas quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m, se pode visitar, descendo 24 degraus, o t\u00famulo que a tradi\u00e7\u00e3o popular atribui a L\u00e1zaro. Ao lado est\u00e1 a igreja franciscana, dita \u00abda amizade\u00bb, levantada pelo famoso arquiteto Barluzzi, em 1952-1953.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. O imenso texto de Ezequiel 37,12-14 \u00e9 uma bel\u00edssima met\u00e1fora plantada no meio da Escritura, uma lampadazinha (2 Pedro 1,19) que aponta j\u00e1 para a Luz nova e grande de Jesus. A met\u00e1fora mostra-nos que os exilados na Babil\u00f3nia s\u00e3o como ossos ressequidos e sem nenhuma esperan\u00e7a. Eles est\u00e3o na morte e na humilha\u00e7\u00e3o. O seu discurso n\u00e3o deixa d\u00favidas: \u00abOs nossos ossos est\u00e3o secos; a nossa esperan\u00e7a est\u00e1 desfeita; para n\u00f3s est\u00e1 tudo acabado\u00bb (Ezequiel 37,11). Mas a Palavra de Deus manda tamb\u00e9m na morte. Apontando para o Novo Testamento, Deus\u00a0<em>chama<\/em>\u00a0os mortos dos seus t\u00famulos, e f\u00e1-los reviver. Jesus que\u00a0<em>passa<\/em>\u00a0no Evangelho de Hoje \u00abgrita com voz forte\u00bb (Jo\u00e3o 11,43), e L\u00e1zaro, morto, saiu do t\u00famulo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Paulo n\u00e3o se cansa de nos lembrar a vida nova que habita os filhos de Deus (Romanos 8,8-11). \u00abViver em Cristo\u00bb ou \u00abno Esp\u00edrito\u00bb s\u00e3o f\u00f3rmulas batismais intensas que indicam a vida nova do batizado: com o dom da Ilumina\u00e7\u00e3o, marcado pelo Esp\u00edrito at\u00e9 \u00e0 Vida eterna. Mas agora \u00e9 tempo de passar, como Jesus, ao estilo de Jesus, dando um testemunho cred\u00edvel da nossa condi\u00e7\u00e3o nova de filhos de Deus, deixando o fruto do Esp\u00edrito iluminar a nossa vida. E \u00abo fruto do Esp\u00edrito \u00e9 amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansid\u00e3o, autodom\u00ednio\u00bb (G\u00e1latas 5,22-23).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Sim, o Salmo 130 \u00e9 um grito desde o abismo profundo em que jazemos atolados. S\u00e3o apenas 52 palavras hebraicas que atiramos a Deus, Senhor do Amor fiel (<em>hesed<\/em>) da Reden\u00e7\u00e3o (<em>ped\u00fbt<\/em>). Cada orante que grita este Salmo sabe em que grau ou degrau de profundidade est\u00e1. Sim, este \u00e9 um dos 15 Salmos graduais ou das subidas ou das peregrina\u00e7\u00f5es (120-134). \u00c9 uma voz que se levanta e sobe at\u00e9 \u00e0quele Senhor que n\u00e3o desprezou as nossas profundezas, mas at\u00e9 elas desceu, e at\u00e9 elas desce, para nos ajudar a subir!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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