{"id":3882501626,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8519-vaticano-o-papel-das-religioes-nos-ods"},"modified":"2025-11-07T16:34:33","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:33","slug":"vaticano-o-papel-das-religioes-nos-ods","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-o-papel-das-religioes-nos-ods\/","title":{"rendered":"Vaticano: O papel das Religi\u00f5es nos ODS"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/desenvolvimetno_sustentavel_190310122655.jpg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Francisco explicou, aos participantes na Confer\u00eancia Internacional sobre\u00a0\u00abAs Religi\u00f5es e os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u00bb o lugar e o papel do universo religioso nos ODS e recordou a import\u00e2ncia dos \u00edndigenas neste di\u00e1logo pelo &#8220;bem comum&#8221; condenando o modo como hoje &#8220;se perceciona o desenvolvimento humano&#8221; a partir do &#8220;desenvolvimento econ\u00f3mico&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra o discurso do Papa Francisco<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<address>Emin\u00eancias, Excel\u00eancias,<\/address>\n<address>Caros l\u00edderes das tradi\u00e7\u00f5es religiosas mundiais,<\/address>\n<address>Representantes de organiza\u00e7\u00f5es internacionais,<\/address>\n<address>Distintas senhoras e senhores:<\/address>\n<p>Dou as boas-vindas a todos v\u00f3s aqui reunidos para esta Confer\u00eancia Internacional sobre \u00abAs Religi\u00f5es e os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u00bb<\/p>\n<p><strong>Sustentabililade e Inclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quando falamos de sustentabilidade, n\u00e3o podemos ignorar a import\u00e2ncia da inclus\u00e3o e ouvir todas as vozes, especialmente aquelas que normalmente s\u00e3o marginalizadas neste tipo de discuss\u00e3o, como as dos pobres, migrantes, ind\u00edgenas e jovens. \u00a0Fico feliz por ver uma variedade de participantes nesta confer\u00eancia, portadores de uma multiplicidade de vozes, opini\u00f5es e propostas, que podem contribuir para novos caminhos de desenvolvimento construtivo. \u00c9 importante que a implementa\u00e7\u00e3o de objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel siga a sua verdadeira natureza original, que \u00e9 ser inclusiva e participativa.<\/p>\n<p>A Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, aprovados por mais de 190 na\u00e7\u00f5es em setembro de 2015, foram um grande passo para o di\u00e1logo global, a bandeira de uma necess\u00e1ria \u00abnova solidariedade universal\u00bb (Enc. Laudato si &#8216;, 14). Diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas, incluindo a cat\u00f3lica, abra\u00e7aram os objetivos do desenvolvimento sustent\u00e1vel porque s\u00e3o o resultado de processos participativos globais que, por um lado, refletem os valores das pessoas e, por outro, s\u00e3o baseados numa vis\u00e3o integral do desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento integral<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, propor um di\u00e1logo sobre o desenvolvimento inclusivo e sustent\u00e1vel requer tamb\u00e9m o reconhecimento de que o &#8220;desenvolvimento&#8221; \u00e9 um conceito complexo, muitas vezes instrumentalizado. Quando falamos de desenvolvimento, devemos sempre esclarecer: Desenvolvimento de qu\u00ea? Desenvolvimento para quem? Durante demasiado tempo, a ideia convencional de desenvolvimento limitou-se, inteiramente a designar o crescimento econ\u00f3mico. Os indicadores de desenvolvimento nacional foram baseados nos \u00edndices do produto interno bruto (PIB). Isto tem guiado o sistema econ\u00f3mico moderno por um caminho perigoso, que avaliou o progresso apenas em termos de crescimento material, de modo que somos quase obrigados a explorar irracionalmente a natureza e os seres humanos.<\/p>\n<p>De facto, como disse o meu predecessor Paulo VI, falar de desenvolvimento humano significa referir-se a todas as pessoas &#8211; n\u00e3o apenas a algumas &#8211; e a toda a pessoa humana, n\u00e3o apenas \u00e0 dimens\u00e3o material (v. <em>Populorum Progressio<\/em>, 14). Portanto, uma discuss\u00e3o frut\u00edfera sobre o desenvolvimento deve oferecer modelos vi\u00e1veis ??de integra\u00e7\u00e3o social e convers\u00e3o ecol\u00f3gica, porque n\u00e3o podemos desenvolver-nos como seres humanos, promovendo a desigualdade e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental [1].<\/p>\n<p>As Den\u00fancias de modelos negativos e as propostas de rotas alternativas n\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidas apenas para outros, mas tamb\u00e9m para n\u00f3s. De facto, todos devemos comprometer-nos com a promo\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de metas de desenvolvimento que sejam apoiadas pelos nossos valores religiosos e \u00e9ticos mais profundos. O desenvolvimento humano n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o econ\u00f3mica ou que diz respeito aos especialistas, mas, em primeiro lugar, uma voca\u00e7\u00e3o, um chamamento que requer uma resposta livre e respons\u00e1vel (v. Bento XVI, <em>Caritas in Veritate<\/em>, 16-17).<\/p>\n<p><strong>Objetivos (di\u00e1logo e compromissos)<\/strong><\/p>\n<p>E respostas s\u00e3o o que espero que surja nesta Confer\u00eancia: respostas concretas ao clamor da terra e o grito dos pobres. Compromissos concretos para promover o desenvolvimento real de forma sustent\u00e1vel, atrav\u00e9s de processos abertos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o das pessoas. Propostas concretas para facilitar o desenvolvimento dos necessitados, fazendo uso do que o Papa Bento XVI reconheceu como \u00aba possibilidade de uma grande redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza em escala planet\u00e1ria, como nunca se viu antes\u00bb (ibid., 42). Pol\u00edticas econ\u00f3micas concretas que enfocam o indiv\u00edduo e que podem promover um mercado e uma sociedade mais humanos (ver ibid., 45.47). Medidas econ\u00f3micas concretas que levam a s\u00e9rio nosso lar comum. Compromissos \u00e9ticos, civis e pol\u00edticos concretos para desenvolver nossa irm\u00e3 Terra, e n\u00e3o apesar dela.<\/p>\n<p><strong>Tudo est\u00e1 conectado<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m me alegro por saber que os participantes desta Confer\u00eancia est\u00e3o dispostos a ouvir as vozes religiosas quando discutem a implementa\u00e7\u00e3o de metas de desenvolvimento sustent\u00e1vel. De facto, todos os interlocutores desse di\u00e1logo sobre este assunto complexo s\u00e3o, de alguma forma, chamados a deixar a sua especializa\u00e7\u00e3o para encontrar respostas comuns ao clamor da terra e dos pobres. No caso das pessoas religiosas, precisamos abrir os tesouros das nossas melhores tradi\u00e7\u00f5es para um di\u00e1logo verdadeiro e respeitoso sobre como construir o futuro do nosso planeta. Os relatos religiosos, embora antigos, s\u00e3o geralmente cheios de simbolismo e cont\u00eam \u00abuma convic\u00e7\u00e3o atual: que tudo est\u00e1 relacionado, e que o cuidado aut\u00eantico da nossa pr\u00f3pria vida e das nossas rela\u00e7\u00f5es com a natureza \u00e9 insepar\u00e1vel da fraternidade, da justi\u00e7a e da justi\u00e7a e fidelidade aos outros\u00bb (v. <em>Laudato Si&#8217;<\/em>, 70).<\/p>\n<p>Neste sentido, a Agenda 2030 das Na\u00e7\u00f5es Unidas prop\u00f5e integrar todos os objetivos atrav\u00e9s dos cinco P: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parceria [2]. Sei que esta confer\u00eancia tamb\u00e9m se articula em torno destes cinco P.<\/p>\n<p>Acolho com satisfa\u00e7\u00e3o esta abordagem unificada dos objetivos; pode tamb\u00e9m servir para nos defender de uma conce\u00e7\u00e3o de prosperidade baseada no mito do crescimento e consumo ilimitados (v. <em>Laudato Si&#8217;<\/em>, 106), para cuja sustentabilidade depender\u00edamos apenas do progresso tecnol\u00f3gico. Ainda podemos encontrar alguns que obstinadamente apoiam esse mito e dizem que os problemas sociais e ecol\u00f3gicos s\u00e3o resolvidos simplesmente aplicando novas tecnologias e sem considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas ou mudan\u00e7as fundamentais (cf. ibid., 60).<\/p>\n<p>Uma abordagem integral ensina-nos que isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Embora seja certamente necess\u00e1rio visar uma s\u00e9rie de objetivos de desenvolvimento, isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para uma ordem mundial equitativa e sustent\u00e1vel. Os objetivos econ\u00f3micos e pol\u00edticos devem ser apoiados por objetivos \u00e9ticos, que pressup\u00f5em uma mudan\u00e7a de atitude, a B\u00edblia diria uma mudan\u00e7a de cora\u00e7\u00e3o (v. ibid., 2). J\u00e1 S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II falou sobre a necessidade de \u00abencorajar e sustentar uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb (Catequese, 17 de janeiro de 2001). Esta palavra \u00e9 forte: convers\u00e3o ecol\u00f3gica, onde as religi\u00f5es t\u00eam um papel fundamental a desempenhar. Para uma transi\u00e7\u00e3o correta rumo a um futuro sustent\u00e1vel, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer \u00abos pr\u00f3prios erros, pecados, v\u00edcios ou neglig\u00eancias\u00bb, \u00abarrepender-se de cora\u00e7\u00e3o, mudar a partir de dentro\u00bb, reconciliar-se com os outros, com a cria\u00e7\u00e3o e com o Criador (v. <em>Laudato Si\u2019<\/em>). 218).<\/p>\n<p>Se queremos dar bases s\u00f3lidas ao trabalho da Agenda 2030, devemos rejeitar a tenta\u00e7\u00e3o de buscar uma resposta simplesmente tecnocr\u00e1tica aos desafios &#8211; que n\u00e3o adianta \u2013 e estar disposto a enfrentar as causas e as consequ\u00eancias a longo prazo.<\/p>\n<p><strong>Povos ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<p>O princ\u00edpio cardeal de todas as religi\u00f5es \u00e9 o amor pelos nossos semelhantes e o cuidado com a cria\u00e7\u00e3o. Gostaria de destacar um grupo especial de pessoas religiosas, o dos povos ind\u00edgenas. Embora representem apenas 5% da popula\u00e7\u00e3o mundial, eles cuidam de quase 22% da superf\u00edcie da Terra. Ao viver em \u00e1reas como a Amaz\u00f3nia e o \u00c1rtico, elas ajudam a proteger aproximadamente 80% da biodiversidade do planeta. Segundo a UNESCO: \u00abOs povos ind\u00edgenas s\u00e3o guardi\u00f5es e especialistas de culturas \u00fanicas e rela\u00e7\u00f5es com o ambiente natural. Eles representam uma vasta gama de diversidade lingu\u00edstica e cultural no cora\u00e7\u00e3o da nossa humanidade comum\u00bb [3]. Eu acrescentaria que, num mundo fortemente secularizado, estas popula\u00e7\u00f5es lembram-nos a sacralidade da nossa terra. Por estas raz\u00f5es, as suas vozes e preocupa\u00e7\u00f5es devem ser fundamentais para a implementa\u00e7\u00e3o da Agenda 2030 e estar no centro da busca de novos caminhos para um futuro sustent\u00e1vel. Tamb\u00e9m o discutirei com os meus irm\u00e3os bispos no S\u00ednodo da Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica no final de outubro deste ano.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, hoje, passados ??tr\u00eas anos e meio desde a ado\u00e7\u00e3o dos objetivos do desenvolvimento sustent\u00e1vel, devemos perceber ainda mais claramente a import\u00e2ncia de acelerar e adaptar as nossas a\u00e7\u00f5es para responder adequadamente ao clamor da terra e ao clamor de os pobres (v. <em>Laudato Si<\/em> &#8216;, 49): tem um v\u00ednculo.<\/p>\n<p>Os desafios s\u00e3o complexos e t\u00eam m\u00faltiplas causas; portanto, a resposta, por sua vez, s\u00f3 pode ser complexa e articulada, respeitando as diferentes riquezas culturais dos povos. Se estamos realmente preocupados em desenvolver uma ecologia capaz de remediar os danos que sofremos, nenhum ramo das ci\u00eancias e nenhuma forma de sabedoria deve ser deixada de fora, e isso inclui as religi\u00f5es e l\u00ednguas que lhes s\u00e3o pr\u00f3prias (cf. ibid., 63 ). As religi\u00f5es podem ajudar-nos a trilhar o caminho do verdadeiro desenvolvimento integral, que \u00e9 o novo nome da paz (v. Paulo VI, <em>Populorum Progressio<\/em>, 76-77).<\/p>\n<p>Exprimo a minha sincera gratid\u00e3o pelos vossos esfor\u00e7os em cuidar do nosso lar comum, ao servi\u00e7o da promo\u00e7\u00e3o de um futuro sustent\u00e1vel e inclusivo. Eu sei que \u00e0s vezes pode parecer uma tarefa muito dif\u00edcil. E, no entanto, \u00abcapazes de se degradarem ao extremo, podem tamb\u00e9m superar, re-optar pelo bem e regenerar\u00bb (<em>Laudato si<\/em> &#8216;, 205). Esta \u00e9 a mudan\u00e7a exigida pelas circunst\u00e2ncias atuais, porque a injusti\u00e7a que faz a terra e os pobres chorar n\u00e3o \u00e9 invenc\u00edvel. Obrigado.<\/p>\n<p>Vaticano|08.03.2019<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>[1] Quando, por exemplo, devido \u00e0s desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o do poder, o peso da imensa divida cai sobre os ombros dos pobres e dos pa\u00edses pobres. Quando o desemprego \u00e9 generalizado n\u00e3o obstante a expans\u00e3o do comercio ou quando as pessoas simplesmente s\u00e3o tratadas como um meio para o crescimento de outros. \u00c9 necess\u00e1rio questionar completamente o modelo dominante de refer\u00eancia. Do mesmo modo, quando em nome do progresso destru\u00edmos fontes de desenvolvimento, a nossa casa comum, ent\u00e3o o modelo dominante deve ser questionado. Ao questionar este modelo e reorganizando toda a economia mundial, os interlocutores d e um di\u00e1logo sobre o desenvolvimento devem ser capazes de encontrar um sistema pol\u00edtico e econ\u00f3mico global alternativo. De facto, para que isto suceda, devemos abordar as causas de distor\u00e7\u00e3o do desenvolvimento, ou seja o que a recente doutrina social cat\u00f3lica denomina como \u201cpecados estruturais\u201d. Denunciar estes pecados \u00e9 j\u00e1 uma boa contribui\u00e7\u00e3o que as religi\u00f5es d\u00e3o \u00e0s discuss\u00f5es sobre o desenvolvimento no mundo. N\u00e3o obstante, e juntamente com a den\u00fancia, devemos tamb\u00e9m prop\u00f5e \u00e0s pessoas e \u00e0s comunidades formas pratic\u00e1veis de convers\u00e3o.<\/p>\n<p>[2] Cfr United Nations, Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development, 2015.<\/p>\n<p>[3] UNESCO, Message from Ms. Irina Bokova, Director-General of UNESCO, on the occasion of the International Day of the World&#8217;s Indigenous Peoples, 9 August 2017.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/speeches\/2019\/march\/documents\/papa-francesco_20190308_religioni-svilupposostenibile.html\">original em italiano<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco explicou, aos participantes na Confer\u00eancia Internacional sobre\u00a0\u00abAs Religi\u00f5es e os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u00bb o lugar e o papel 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