{"id":3901751885,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11245-audiencia-geral-francisco-pede-uma-alianca-entre-todos-os-tempos-da-vida"},"modified":"2025-11-07T16:34:42","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:42","slug":"audiencia-geral-francisco-pede-uma-alianca-entre-todos-os-tempos-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-francisco-pede-uma-alianca-entre-todos-os-tempos-da-vida\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: Francisco pede uma \u00abalian\u00e7a entre todos os tempos da vida\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_171228064032.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Na segunda catequese, em que abordou a quest\u00e3o dos idosos e o seu contributo para a humanidade, o papa desafiou a encarar a longevidade como uma oportunidade de gerar &#8220;a alian\u00e7a entre todos os tempos da vida&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, as palavras do Santo Padre<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre a Velhice 2. A longevidade: s\u00edmbolo e oportunidade<\/strong><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Na narra\u00e7\u00e3o b\u00edblica das genealogias dos progenitores, impressiona-nos imediatamente a sua enorme longevidade: fala-se de s\u00e9culos! Quando come\u00e7a nela a velhice? Perguntamo-nos. E o que significa o facto que estes pais antigos vivem tanto tempo depois de terem gerado os filhos? Pais e filhos vivem juntos, durante s\u00e9culos! Esta cad\u00eancia secular do tempo, narrada em estilo ritual, confere \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre longevidade e genealogia um profundo significado simb\u00f3lico forte, muito forte.<\/p>\n<p>\u00c9 como se a transmiss\u00e3o da vida humana, t\u00e3o nova no universo criado, exigisse uma<em>\u00a0inicia\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0lenta e prolongada. Tudo \u00e9 novo, no in\u00edcio da hist\u00f3ria de uma criatura que \u00e9 esp\u00edrito e vida, consci\u00eancia e liberdade, sensibilidade e responsabilidade. A nova vida \u2013 a vida humana \u2013 imersa na tens\u00e3o entre a sua origem \u201c\u00e0 imagem e semelhan\u00e7a\u201d de Deus e a fragilidade da sua condi\u00e7\u00e3o mortal, representa uma novidade a ser descoberta. Requer um longo per\u00edodo de inicia\u00e7\u00e3o, no qual o apoio rec\u00edproco entre gera\u00e7\u00f5es \u00e9 indispens\u00e1vel, para decifrar experi\u00eancias e enfrentar os enigmas da vida. Durante este longo per\u00edodo de tempo, a qualidade espiritual do homem \u00e9 tamb\u00e9m lentamente cultivada.<\/p>\n<p>Num certo sentido, cada passagem de \u00e9poca na hist\u00f3ria humana reapresenta-nos esta sensa\u00e7\u00e3o: \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos de retomar calmamente as nossas perguntas sobre o sentido da vida, quando o cen\u00e1rio da condi\u00e7\u00e3o humana aparece repleto de experi\u00eancias novas e quest\u00f5es in\u00e9ditas. Certamente, a acumula\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria cultural aumenta a familiaridade necess\u00e1ria para lidar com novas passagens. Os tempos de transmiss\u00e3o s\u00e3o mais curtos, mas os tempos de assimila\u00e7\u00e3o requerem sempre paci\u00eancia. O excesso de velocidade, que agora obceca todas as fases da nossa vida, torna cada experi\u00eancia mais superficial e menos \u201cnutriente\u201d. Os jovens s\u00e3o v\u00edtimas inconscientes desta divis\u00e3o entre o tempo do rel\u00f3gio, que quer ser queimado, e os tempos da vida, que requer um \u201cfermento\u201d adequado. Uma vida longa permite experimentar estes longos tempos, e os danos da pressa.<\/p>\n<p>A velhice certamente imp\u00f5e ritmos mais lentos: mas n\u00e3o s\u00e3o apenas tempos de in\u00e9rcia. De facto, a medida destes ritmos abre, para todos, espa\u00e7os de significado na vida desconhecidos a obsess\u00e3o da velocidade. A perda de contacto com os ritmos lentos da velhice fecha estes espa\u00e7os a todos. Foi neste contexto que quis instituir a festa dos av\u00f3s no \u00faltimo domingo de julho. A alian\u00e7a entre as duas gera\u00e7\u00f5es extremas da vida \u2013 crian\u00e7as e idosos \u2013 tamb\u00e9m ajuda as outras duas \u2013 jovens e adultos \u2013 a criar la\u00e7os entre si para tornar a exist\u00eancia de todos mais rica em humanidade.<\/p>\n<p>Precisamos de di\u00e1logo entre as gera\u00e7\u00f5es: se n\u00e3o houver di\u00e1logo entre jovens e idosos, entre adultos, se n\u00e3o houver di\u00e1logo, cada gera\u00e7\u00e3o permanece isolada e n\u00e3o pode transmitir a mensagem. Um jovem que n\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0s suas ra\u00edzes, que s\u00e3o os seus av\u00f3s, n\u00e3o recebe for\u00e7a \u2013 como a \u00e1rvore vai buscar a for\u00e7a \u00e0s suas ra\u00edzes \u2013 e cresce mal, fica doente, cresce sem refer\u00eancias. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio procurar o di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es, como uma necessidade humana. E este di\u00e1logo \u00e9 importante precisamente entre av\u00f3s e netos, que s\u00e3o os dois extremos.<\/p>\n<p>Imaginemos uma cidade em que a conviv\u00eancia de idades diferentes seja parte integrante do projeto global do seu habitat. Pensemos na forma\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es afetuosas entre a velhice e a juventude que irradiam sobre o estilo geral das rela\u00e7\u00f5es. A sobreposi\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es tornar-se-ia uma fonte de energia para um humanismo verdadeiramente vis\u00edvel e viv\u00edvel. A cidade moderna tende a ser hostil com os idosos (e n\u00e3o por acaso tamb\u00e9m com as crian\u00e7as). Esta sociedade, que tem o esp\u00edrito do descarte e descarta muitas crian\u00e7as n\u00e3o desejadas, descarta os idosos: descarta-os, n\u00e3o servem, pondo-os em casas para idosos, internados\u2026 O excesso de velocidade coloca-nos numa centrifugadora que nos varre como confetes. Perdemos completamente de vista o panorama geral. Todos se agarram ao seu pedacinho, flutuando sobre os fluxos da cidade-mercado, para a qual ritmos lentos s\u00e3o perdas e velocidade \u00e9 dinheiro. A velocidade excessiva pulveriza a vida, n\u00e3o a torna mais intensa. E a sabedoria requer \u201cperda de tempo\u201d. Quando voltas para casa e entret\u00e9ns com o teu filho, com a tua filha e \u201cperdes tempo\u201d, este di\u00e1logo \u00e9 fundamental para a sociedade. E quando voltas para casa e est\u00e1 l\u00e1 o av\u00f4 ou a av\u00f3 que talvez j\u00e1 n\u00e3o raciocine bem ou, n\u00e3o sei, tenha perdido um pouco a capacidade de falar, e tu ficas com ele ou com ela, \u201cperdes tempo\u201d, mas este \u201cperder tempo\u201d fortalece a fam\u00edlia humana. \u00c9 necess\u00e1rio dedicar tempo \u2013 um tempo que n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel \u2013 com as crian\u00e7as e com os idosos, pois eles d\u00e3o-nos outra capacidade de ver a vida.<\/p>\n<p>A pandemia em que ainda somos for\u00e7ados a viver imp\u00f4s \u2013 com bastante sofrimento, infelizmente \u2013 um bloqueio ao culto obtuso da velocidade. E neste per\u00edodo, os av\u00f3s funcionaram como uma barreira \u00e0 \u201cdesidrata\u00e7\u00e3o\u201d afetiva dos mais jovens. A alian\u00e7a vis\u00edvel de gera\u00e7\u00f5es, que harmoniza os tempos e ritmos, restitui-nos a esperan\u00e7a de n\u00e3o vivermos a vida em v\u00e3o. E restitui a cada um de n\u00f3s o amor pela nossa vida vulner\u00e1vel, impedindo o caminho para a obsess\u00e3o da velocidade, que simplesmente a consome. A palavra-chave aqui \u00e9 \u201cperder tempo\u201d. A cada um de v\u00f3s pergunto: sabeis perder tempo, ou estais sempre pressionados pela velocidade? \u201cN\u00e3o, estou com pressa, n\u00e3o posso&#8230;\u201d? Sabeis perder tempo com os av\u00f3s, com os idosos? Sabeis perder tempo a brincar com os vossos filhos, com as crian\u00e7as? Este \u00e9 o termo de compara\u00e7\u00e3o. Pensai nisto. E isto restitui a cada um o amor pela nossa vida vulner\u00e1vel \u2013 como disse &#8211; impedindo o caminho para a obsess\u00e3o da velocidade, que simplesmente a consome. Os ritmos da velhice s\u00e3o um recurso indispens\u00e1vel para apreender o significado da vida marcada pelo tempo. Os idosos t\u00eam os seus ritmos, mas s\u00e3o ritmos que nos ajudam. Gra\u00e7as a esta media\u00e7\u00e3o, o destino da vida ao encontro com Deus torna-se mais cred\u00edvel: um des\u00edgnio que se esconde na cria\u00e7\u00e3o do ser humano \u201c\u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a\u201d e que \u00e9 selado no Filho de Deus que se fez homem.<\/p>\n<p>Hoje verifica-se uma maior longevidade da vida humana. Isto d\u00e1-nos a oportunidade de incrementar a alian\u00e7a entre todos os tempos da vida. Tanta longevidade, mas devemos fazer mais alian\u00e7a. E tamb\u00e9m nos ajuda a crescer a alian\u00e7a com o sentido da vida na sua totalidade. O sentido da vida n\u00e3o est\u00e1 apenas na idade adulta, dos 25 aos 60 anos. O sentido da vida \u00e9 tudo, desde o nascimento at\u00e9 \u00e0 morte, e dever\u00e1s ser capaz de interagir com todos, inclusive ter rela\u00e7\u00f5es afetivas com todos, para que a tua maturidade seja mais rica, mais forte. E tamb\u00e9m nos oferece este significado da vida, que \u00e9 total. Que o Esp\u00edrito nos conceda intelig\u00eancia e for\u00e7a para esta reforma: \u00e9 preciso uma reforma. \u00a0A prepot\u00eancia do tempo do rel\u00f3gio deve ser convertida \u00e0 beleza dos ritmos da vida. Esta \u00e9 a reforma que precisamos fazer nos nossos cora\u00e7\u00f5es, na fam\u00edlia e na sociedade. Repito: reformar, o qu\u00ea? Que a prepot\u00eancia do tempo do rel\u00f3gio se converta \u00e0 beleza dos ritmos da vida. Converter a prepot\u00eancia do tempo, que nos apressa sempre, aos ritmos pr\u00f3prios da vida. A alian\u00e7a das gera\u00e7\u00f5es \u00e9 indispens\u00e1vel. Numa sociedade onde os idosos n\u00e3o falam com os jovens, os jovens n\u00e3o falam com os idosos, os adultos n\u00e3o falam com os idosos nem com os jovens, \u00e9 uma sociedade est\u00e9ril, sem futuro, uma sociedade que n\u00e3o olha para o horizonte, mas para si mesma. E torna-se sozinha. Deus nos ajude a encontrar a m\u00fasica adequada para esta harmoniza\u00e7\u00e3o das diversas idades: os pequeninos, os idosos, os adultos, todos juntos: uma linda sinfonia de di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em italiano<\/p>\n<p>02.03.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na segunda catequese, em que abordou a quest\u00e3o dos idosos e o seu contributo para a humanidade, o papa desafiou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987819,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-3901751885","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3901751885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3901751885"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3901751885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294996014,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3901751885\/revisions\/4294996014"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3901751885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3901751885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3901751885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}